BSLV39: conheça o BDR do iShares Silver Trust que subiu 128,61% em 2025

O BSLV39 é o BDR na B3 do ETF iShares Silver Trust (SLV), que subiu 128,61% em 2025. Entenda como o fundo guarda prata física, a tributação no Brasil e os riscos de investir em prata.
SLV: o ETF iShares Silver Trust vale a pena para brasileiros?

Ao longo de 2025, enquanto muitos investidores buscavam segurança na renda fixa, o BSLV39 — BDR negociado na B3 que acompanha o iShares Silver Trust (SLV) — registrou uma valorização de 128,61% no ano (segundo o ranking de rentabilidade da B3). Esse ativo, que replica o comportamento do preço da prata física, virou assunto entre investidores brasileiros. Mas o que exatamente é o SLV? E, mais importante: ele cabe na sua carteira?

Resposta direta: O SLV é um fundo negociado em bolsa que mantém barras de prata física em custódia. Para o investidor brasileiro, a porta de entrada é o BSLV39, um BDR negociado na B3 em reais. Nas operações comuns, o ganho líquido é tributado a 15% (20% em day trade), e o retorno depende tanto do preço da prata quanto da oscilação do dólar. Ou seja: é uma forma de ter exposição a um metal precioso com liquidez de bolsa, sem precisar guardar barras em casa.

O que é o iShares Silver Trust (SLV)?

A estrutura central do fundo

Imagine poder investir em prata sem precisar lidar com cofres, seguros ou revendedores. É exatamente isso que o SLV oferece. Criado em 2006, esse ETF mantém barras de prata física armazenadas em cofres em Londres, tendo o JPMorgan Chase Bank (London Branch) como custodiante, além de subcustodiantes (como a Brink’s). Cada cota que você compra representa uma fração desse metal — cerca de 0,90 onça troy por cota (dado aproximado e sujeito a atualização periódica; verifique o valor corrente na página oficial do iShares). E o melhor: tudo é auditado periodicamente para garantir transparência.

Mas por que o SLV é diferente de outros fundos de prata? Ele não investe em empresas mineradoras ou contratos futuros. A BlackRock, gestora do fundo e uma das maiores administradoras de ativos do mundo, estrutura o SLV para buscar acompanhar, de forma aproximada, o desempenho da prata, descontadas as despesas e passivos do fundo. Vale lembrar que a cota pode negociar com ágio ou deságio em relação ao seu valor patrimonial. Com patrimônio na casa das dezenas de bilhões de dólares (o valor exato varia dia a dia e pode ser consultado na página oficial do iShares), é um dos maiores ETFs de metais preciosos do mundo.

Características estruturais do SLV

O SLV usa como referência o LBMA Silver Price, benchmark global da prata cujo nome pertence à London Bullion Market Association e cuja administração é conduzida pela ICE Benchmark Administration (IBA). Na prática, isso significa que se a prata sobe 10% no mercado internacional, a cota do SLV tende a acompanhar essa valorização — descontadas as despesas do fundo, entre elas a taxa de administração anual de 0,50%.

Mas atenção: o SLV não paga dividendos ou juros. Todo o retorno vem da valorização da cota. Se você vender por mais do que comprou, realiza o lucro. Caso contrário, assume o prejuízo. É um investimento puro em prata, sem benefícios adicionais.


Como o SLV funciona na prática

Mecanismo de preços e authorized participants

Você pode estar se perguntando: como o SLV busca fazer o preço da cota acompanhar o da prata física? A resposta está nos authorized participants (APs), instituições financeiras autorizadas a criar e resgatar cotas. Quando há muita demanda por cotas, os APs compram prata física e a entregam ao fundo em troca de novas cotas. Quando a demanda cai, eles resgatam cotas e recebem prata em troca. Esse mecanismo ajuda a manter o preço da cota próximo ao valor do metal, ainda que possam ocorrer diferenças pontuais.

No dia a dia, isso significa que você pode comprar e vender cotas na bolsa como se fossem ações — sem precisar se preocupar com o metal físico. Cada cota representa uma fração de prata, e essa proporção diminui lentamente ao longo do tempo devido à taxa de administração, paga com a venda de prata do fundo.

Critério SLV (cota) Prata física
Custo de guarda Embutido nas despesas do fundo (taxa de 0,50% a.a.) Cofre ou seguro próprio (custo variável)
Liquidez Alta (negociação em bolsa) Baixa (depende de revendedor)
Logística Nenhuma Transporte, seguro e armazenamento
Divisibilidade Cada BDR (BSLV39) equivale a 1/3 de uma cota do SLV; lote mínimo de 1 BDR Limitada (barras ou moedas)

No entanto, nem tudo é perfeito. O tracking error — a diferença entre o retorno da cota e o preço da prata — existe, embora tenda a ser baixo. Entre as causas estão a taxa de administração, que reduz gradualmente o estoque de prata do fundo, e eventuais desvios entre preço de mercado e valor patrimonial. Em resumo: o SLV não é uma réplica exata da prata física, mas costuma chegar bem próximo.


BSLV39: como investir em prata pela B3

Para o investidor brasileiro, o BSLV39 é a forma mais simples de acessar o desempenho do SLV. Esse BDR (Brazilian Depositary Receipt) é negociado na B3 em reais, diretamente pelo home broker da sua corretora — sem necessidade de abrir conta no exterior ou converter moeda.

Estrutura do BDR e liquidez

O Banco B3 atua como depositário do BSLV39. Cada BDR negociado aqui equivale a um terço de uma cota do SLV nos EUA. Ou seja: três BSLV39 = uma cota do SLV. Esse desdobramento facilita o acesso para investidores com menor capital. Importante: no ambiente de bolsa, o lote mínimo é de 1 BSLV39 — a fração existe na paridade econômica com a cota do SLV, e não na negociação do próprio BDR.

Além disso, a cotação em reais incorpora dois fatores principais: o preço da prata em dólar e a variação do câmbio BRL/USD. Isso significa que, mesmo que a prata não se mova, o BSLV39 pode subir ou cair conforme o real se valoriza ou desvaloriza.

O BSLV39 costuma apresentar liquidez relevante entre os BDRs de ETF ligados a commodities na B3. Volume financeiro médio e quantidade de negócios variam ao longo do tempo — para números atualizados, consulte a página oficial de cotação do BSLV39 na B3. Ainda assim, o impacto de uma ordem no preço depende do seu tamanho e do spread disponível no momento.

Passo a passo para comprar BSLV39

Investir no BSLV39 é tão simples quanto comprar uma ação:

  1. Abra conta em uma corretora habilitada na B3 (XP, BTG, Rico, NuInvest, entre outras)
  2. Transfira o valor desejado para a sua conta na corretora
  3. Acesse o home broker e busque pelo ticker BSLV39
  4. Envie uma ordem de compra (pode ser a mercado ou limitada)
  5. Aguarde a liquidação, que ocorre em D+2 (dois dias úteis)

Vale destacar: assim como o SLV original, o BSLV39 não distribui proventos. Todo o retorno vem da valorização da cota. Ou seja: você só realiza lucro se vender por um preço superior ao de compra.


SLV no exterior ou BSLV39 na B3: qual escolher?

A decisão entre investir diretamente no SLV nos EUA ou no BSLV39 na B3 depende do seu perfil e objetivos. Vamos comparar:

SLV (NYSE Arca — conta internacional)

  • Moeda: dólar americano (USD)
  • Tributação: aplicação financeira no exterior — alíquota única de 15% sobre os rendimentos realizados, apurados na Declaração de Ajuste Anual (Lei 14.754/2023)
  • Liquidez: muito alta (negociação em mercado americano)
  • Complexidade: exige conta em corretora internacional, remessa de câmbio e declaração de ativos no exterior
  • Custo operacional: corretagem em dólar e spread cambial na remessa

BSLV39 (B3 — conta nacional)

  • Moeda: real brasileiro (BRL)
  • Tributação: renda variável — 15% sobre o ganho líquido em operações comuns (20% em day trade), com recolhimento via DARF
  • Liquidez: adequada (consulte o volume atualizado na B3)
  • Complexidade: operação simples via home broker brasileiro
  • Custo operacional: corretagem em reais, sem necessidade de conversão cambial manual

Na prática, para a maioria dos investidores brasileiros, o BSLV39 é a opção mais prática. Imagine investir R$ 5.000: com o BSLV39, você opera diretamente em reais, paga corretagem local (muitas vezes zero) e pronto. Já com o SLV, precisaria remeter dólares, arcando com um spread cambial que pode chegar a cerca de 2% — ou seja, aproximadamente R$ 100 a menos no seu investimento.

Por outro lado, investidores com carteiras maiores e conta já aberta no exterior podem preferir o SLV. A liquidez é superior, e o spread de negociação tende a ser menor. Já a comparação tributária depende de cada caso e exige acompanhamento especializado.

Conclusão: para quem está começando ou busca simplicidade, o BSLV39 é a escolha mais eficiente. Para quem já opera internacionalmente, o SLV pode oferecer mais oportunidades.


Tributação do SLV e BSLV39 para brasileiros

Tributação do BSLV39 (renda variável)

O BSLV39 segue as regras de tributação para renda variável na B3. A Receita Federal classifica o resultado da venda do BDR em bolsa como ganho líquido. Isso significa:

  • Alíquota: 15% sobre o ganho líquido em operações comuns; 20% em day trade
  • Apuração: mensal, com recolhimento via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda
  • Isenção: não se aplica a isenção mensal de R$ 20.000 válida para venda de ações

Como calcular? Subtraia o preço médio de compra do preço de venda e multiplique pela quantidade de BDRs vendidos. Prejuízos podem ser compensados com ganhos futuros da mesma natureza. Em resumo: mantenha uma planilha organizada para facilitar a apuração.

Declaração anual no Imposto de Renda

Na declaração do IRPF (referente ao ano-base 2025), fique atento ao registro do ativo:

  • O BSLV39 é um BDR negociado no Brasil. Nas versões recentes do programa, o registro costuma ser feito em Bens e Direitos, na categoria de aplicações e investimentos referentes a ativos negociados em bolsa no Brasil (exceto ações e fundos)
  • Informe o saldo em 31/12 pelo custo de aquisição, com ticker, quantidade, instituição custodiante e valor
  • Na ficha Renda Variável, declare os ganhos e os DARFs pagos ao longo do ano

Importante: o grupo e o código aplicáveis podem variar a cada exercício. Consulte o Manual do programa IRPF do ano vigente ou um contador para confirmar o enquadramento correto. Guarde todos os extratos de negociação e comprovantes de DARF — organização é fundamental para evitar problemas com a Receita Federal.

Tributação do SLV comprado no exterior

Se você optar pelo SLV diretamente nos EUA, a tributação segue regras diferentes. A Lei 14.754/2023 estabelece alíquota única de 15% sobre os rendimentos de aplicações financeiras no exterior, independentemente do valor. Os rendimentos realizados são apurados em reais, informados na Declaração de Ajuste Anual e tributados nesse ajuste, não por DARF mensal após cada venda.

Portanto, antes de investir, recomenda-se consultar um especialista em tributação internacional para casos específicos. A Lei 14.754/2023 e a IN RFB 2.180/2024 são as principais referências para o enquadramento desses ativos.

Em contrapartida, o BSLV39 costuma ser mais simples de acompanhar: a apuração via DARF é direta, e o enquadramento na declaração segue um padrão conhecido. Para a maioria, essa simplicidade vale a pena.


Desempenho histórico: o que esperar do SLV e BSLV39?

Retorno em 2025 e contexto do mercado

Ao longo de 2025, o BSLV39 foi um dos BDRs de ETF mais rentáveis da B3, com um retorno de 128,61% no ano (segundo o ranking da B3). No mesmo período, o SLV negociado nos EUA teve retorno anual oficial ainda maior — cerca de 147,86% pelo NAV e 144,66% pelo preço de mercado, conforme o iShares. Esse desempenho refletiu a valorização da prata no mercado internacional combinada com a variação cambial BRL/USD.

Mas cuidado: a prata é um ativo volátil. Ela tem ciclos de alta rápidos e intensos, mas também pode cair com a mesma velocidade. Isso acontece porque, além de ser um metal precioso, a prata tem demanda industrial significativa — usada em painéis solares, eletrônicos e até na medicina.

Exemplo prático: quanto rendeu R$ 10 mil?

Vamos a um exemplo concreto, tomando o retorno de 128,61% apurado no ano completo de 2025. Um investidor que aplicou R$ 10.000 no BSLV39 no início de 2025 teria encerrado o ano com aproximadamente R$ 22.861 — um ganho bruto de R$ 12.861. Após pagar 15% de imposto sobre o ganho líquido em operação comum (R$ 1.929,15), o valor líquido seria de cerca de R$ 20.931,85.

Importante: esse desempenho excepcional não se repetirá todo ano. A prata já teve outros períodos de alta expressiva, mas também passou anos sem grandes movimentações. Retorno passado não garante resultado futuro.

Fatores que influenciam o retorno

Para quem investe em prata via SLV ou BSLV39, dois fatores são decisivos:

  1. Preço da prata no mercado internacional: influenciado por inflação, demanda industrial e movimentos especulativos
  2. Câmbio BRL/USD: o retorno em reais resulta da combinação multiplicativa entre a variação do ativo em dólares e a variação cambial. Quando o dólar sobe frente ao real no período, o retorno tende a ser ampliado; quando o dólar cai, o retorno tende a ser reduzido. Foi justamente por isso que, em 2025, o retorno em reais do BDR ficou abaixo do retorno em dólar do SLV.

Em especial, é fundamental entender que o BSLV39 não é um investimento de baixo risco. Ele não substitui a renda fixa ou produtos como o Tesouro Selic. Trata-se de um ativo de alta volatilidade, adequado para diversificação — não para quem busca segurança.


Perguntas Frequentes

O BSLV39 paga dividendos ou outros proventos?

Não. Assim como o SLV nos EUA, o BSLV39 não distribui dividendos, juros ou qualquer tipo de provento. Todo o retorno vem da valorização da cota. Ou seja: você só realiza lucro se vender por um preço maior do que comprou.

Quais são os custos além da taxa de administração?

A taxa de administração do SLV é de 0,50% ao ano, descontada das despesas do fundo. Além disso, quem investe no BSLV39 pode pagar corretagem local (muitas corretoras oferecem corretagem zero para esse tipo de ativo) e eventuais tarifas de negociação, liquidação e custódia previstas nas tabelas vigentes da B3 e na política da corretora. Vale conferir os valores atualizados antes de operar, já que podem variar conforme o intermediário. Já quem opta pelo SLV no exterior arca com corretagem em dólar e o spread cambial na remessa.

Como declarar o BSLV39 no Imposto de Renda?

Na declaração anual, o BSLV39 é registrado em Bens e Direitos, normalmente na categoria de ativos negociados em bolsa no Brasil (exceto ações e fundos), informando o saldo em 31/12 pelo custo médio de aquisição, com ticker, quantidade e instituição custodiante. Na prática, confirme o grupo e o código no Manual do programa IRPF do ano vigente e mantenha uma planilha com datas, quantidades e preços de compra para facilitar o cálculo dos ganhos e prejuízos.

Qual é a diferença entre investir em prata física e no BSLV39?

Com a prata física, você precisa lidar com custos de armazenamento, seguro e logística — além da baixa liquidez na hora de vender. Por outro lado, o BSLV39 oferece negociação diária na B3 (com lote mínimo de 1 BDR, cada um equivalente a 1/3 de uma cota do SLV) e elimina os custos operacionais da guarda física. Ou seja: é uma forma mais prática e acessível de ter exposição ao metal.

O BSLV39 é indicado para investidores iniciantes?

Do ponto de vista operacional, sim — comprar BSLV39 é tão simples quanto comprar uma ação. No entanto, em termos de perfil de risco, ele é um ativo volátil, adequado para diversificação, não para compor a base da carteira ou como reserva de emergência.

Posso vender o BSLV39 a qualquer momento?

O BSLV39 pode ser negociado nos pregões da B3, durante os horários de negociação. Em geral, o investidor de varejo vende o BDR no mercado secundário — não faz o resgate direto do fundo. Após a venda, a liquidação padrão ocorre em D+2 (dois dias úteis). A facilidade de saída depende da liquidez e das condições de mercado no momento.


Em resumo: O SLV é um ETF que busca acompanhar o preço da prata física, com taxa de administração de 0,50% ao ano e liquidez global. Para o investidor brasileiro, o BSLV39 é a forma mais acessível de obter essa exposição, refletindo simultaneamente o metal e o câmbio BRL/USD. A tributação segue as regras de renda variável (15% sobre o ganho líquido em operações comuns; 20% em day trade), e o retorno depende de fatores como demanda industrial, inflação e oscilação cambial. Embora tenha apresentado um desempenho excepcional em 2025 (128,61% no ano), é preciso cautela: a prata é volátil e não deve ser a base de uma carteira conservadora.

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Fonte: Banco Central · 17/08/2026

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