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Holding Familiar: Vantagens, Custos e Como Funciona em 2026

Blocos que, juntos, formam uma casa. Transmite a ideia de holding familiar.

Todo ano, famílias brasileiras perdem centenas de milhares de reais em impostos e inventários por não conhecerem uma estrutura que poderia ter mudado esse cenário. A holding familiar é hoje uma das ferramentas mais eficazes de planejamento patrimonial — e também uma das mais mal compreendidas. Neste guia, você vai entender como ela funciona, quais são suas vantagens reais, os custos envolvidos, as desvantagens e quando essa estratégia de fato compensa para o seu perfil.

Resposta direta: As principais vantagens da holding familiar são a redução de impostos sobre aluguéis, o planejamento sucessório sem inventário judicial, a proteção patrimonial contra credores e a centralização da gestão. Ela é mais indicada para famílias com patrimônio acima de R$ 1 milhão ou renda de aluguéis acima de R$ 10 mil mensais.

O que é uma holding familiar e como ela funciona?

Holding familiar é uma pessoa jurídica criada para centralizar e administrar o patrimônio de uma família — imóveis, investimentos e participações societárias. O princípio é direto: os bens da família são transferidos para a empresa, que passa a ser proprietária jurídica desses ativos. Aplica-se quando há necessidade de organizar a sucessão, reduzir tributos ou proteger o patrimônio contra disputas.

Na prática, a holding familiar é constituída como uma sociedade limitada (LTDA) ou, menos frequentemente, como uma sociedade anônima (S/A). Os sócios — membros da família — integralizam seus bens ao capital social da empresa e, em troca, recebem cotas proporcionais ao valor integralizado. Toda a gestão do patrimônio passa a ocorrer dentro da pessoa jurídica.

Para tornar isso concreto: imagine uma família com três imóveis avaliados em R$ 2 milhões que transfere esses bens para uma LTDA familiar. A partir daí, os aluguéis são recebidos pela pessoa jurídica e os lucros são distribuídos aos sócios como dividendos. Isso muda completamente a forma como os tributos incidem sobre a renda da família.

O processo envolve o Código Civil Brasileiro, a Receita Federal e o registro na Junta Comercial do estado. O contrato social da LTDA define as regras internas: quem tem poder de decisão, como as cotas são transferidas e quais cláusulas protetivas se aplicam. Por isso, a estrutura jurídica é tão importante quanto a tributária — e não pode ser negligenciada.

Holding familiar vs. holding empresarial: qual é a diferença?

A holding familiar foca no patrimônio de uma família específica. Já a holding empresarial controla participações em outras empresas operacionais. Ambas podem coexistir na mesma estrutura, mas têm finalidades distintas. Para o investidor pessoa física com imóveis e herdeiros, a holding familiar é o modelo mais relevante.

Quais são as principais vantagens da holding familiar?

As principais vantagens da holding familiar são: economia tributária significativa, planejamento sucessório sem inventário judicial, proteção patrimonial contra credores e litígios, e centralização da gestão de múltiplos bens. Cada um desses benefícios pode representar dezenas de milhares de reais em economia ao longo do tempo.

Para que essas vantagens se materializem, porém, é necessário que a estrutura seja corretamente montada. O planejamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar — advogado societário, contador e planejador financeiro trabalhando juntos. Sem isso, os benefícios podem ser anulados por erros na implementação.

Vantagem 1: Economia de impostos sobre aluguéis

Essa é a vantagem mais concreta e calculável da holding familiar. A pessoa física paga IR progressivo sobre aluguéis — podendo chegar a 27,5% sobre o valor recebido. Já a holding tributada pelo Lucro Presumido paga uma carga efetiva de aproximadamente 11,33% a 14,53% sobre a mesma receita.

No regime do Lucro Presumido, a Receita Federal presume que 32% da receita de aluguéis é lucro para fins de IRPJ. Sobre esse percentual presumido incidem: IRPJ (15%), adicional de IRPJ (10% sobre o lucro que exceder R$ 20 mil/mês), CSLL (9%), PIS (0,65% sobre a receita bruta) e COFINS (3% sobre a receita bruta). Os percentuais acima são estimativas baseadas em premissas simplificadas — o contador da holding calculará a carga real conforme o mix de receitas e os adicionais aplicáveis.

Veja a diferença em números reais para um imóvel gerando R$ 10 mil mensais em aluguel:

Regime Carga estimada Valor mensal
Pessoa Física (alíquota marginal 27,5%) 27,5% ~R$ 2.750/mês
Holding (Lucro Presumido) ~11,33% ~R$ 1.133/mês
Diferença (economia estimada) ~16 p.p. ~R$ 1.617/mês = R$ 19.400/ano

Nota: a tributação de pessoa física sobre aluguéis admite deduções (IPTU, condomínio, manutenção quando pagos pelo locador), o que pode reduzir a alíquota efetiva real. O contador deverá calcular o benefício líquido para cada situação específica.

Segundo levantamento da Planejar citado pela InfoMoney (2026), famílias com imóveis de aluguel podem economizar até R$ 15 mil anuais apenas com a diferença tributária entre pessoa física e pessoa jurídica. Para quem tem múltiplos imóveis, essa economia se multiplica proporcionalmente.

Vantagem 2: Planejamento sucessório sem inventário

A holding familiar permite transferir o patrimônio aos herdeiros em vida, sem necessidade de inventário judicial. O mecanismo funciona assim: o sócio fundador doa as cotas da holding aos herdeiros, mantendo para si o usufruto vitalício. Isso significa que ele continua recebendo os frutos do patrimônio (aluguéis, dividendos) até o fim da vida, mas a propriedade já foi transferida.

Quando o sócio falece, não há inventário sobre os bens da holding — eles já pertencem aos herdeiros via cotas. O que ocorre é apenas a extinção do usufruto, um processo muito mais simples e barato. Dessa forma, elimina-se um dos maiores custos e atrasos do processo sucessório brasileiro.

O inventário judicial pode consumir de 10% a 20% do patrimônio total, segundo especialistas citados pela InfoMoney. Isso inclui honorários advocatícios, custas judiciais e o ITCMD. Para uma família com R$ 3 milhões em imóveis, esse custo pode variar entre R$ 300 mil e R$ 600 mil — montante que simplesmente desaparece sem planejamento.

Sobre o ITCMD: em São Paulo, a alíquota vigente em 2026 é de 4% sobre o valor das cotas doadas. Em outros estados, as alíquotas variam. Confirme sempre a legislação vigente no seu estado antes de estruturar.

Além disso, o contrato social da holding pode incluir cláusulas que protegem o patrimônio mesmo após a doação das cotas — como inalienabilidade e incomunicabilidade, que impedem que as cotas sejam vendidas ou incluídas na partilha em caso de divórcio dos herdeiros.

Vantagem 3: Proteção patrimonial contra credores e litígios

A holding familiar separa o patrimônio pessoal dos sócios do patrimônio empresarial. Na prática, dívidas pessoais de um sócio não alcançam automaticamente os bens dentro da holding. A estrutura atua como uma camada de proteção relevante — especialmente em um país com alto índice de litígios.

Nas cotas doadas a herdeiros, é possível incluir três cláusulas protetivas fundamentais:

  • Inalienabilidade: as cotas não podem ser vendidas sem autorização
  • Impenhorabilidade: as cotas não podem ser penhoradas por dívidas do herdeiro
  • Incomunicabilidade: as cotas não integram a meação em caso de divórcio do herdeiro

Um alerta importante: a proteção patrimonial da holding não é absoluta. O Judiciário pode desconsiderar a personalidade jurídica em casos de fraude contra credores ou confusão patrimonial entre sócio e empresa. Por isso, a holding deve ser gerida com rigor contábil e separação real entre finanças pessoais e empresariais.

💡 O que poucos explicam sobre a holding familiar

A maioria das análises sobre holding familiar se concentra na economia de IR sobre aluguéis. Esse é o benefício mais fácil de calcular — mas raramente é o mais relevante para famílias com patrimônio expressivo.

O verdadeiro ganho está na combinação: economia tributária recorrente mais o custo do inventário que nunca vai acontecer. Para uma família com R$ 2,5 milhões em imóveis, esse inventário evitado pode representar entre R$ 250 mil e R$ 500 mil que ficam no patrimônio — não no bolso de advogados e no caixa do estado.

E aqui está o detalhe que a maioria ignora: antecipar a estruturação antes de eventuais mudanças no ITCMD pode ser uma das decisões financeiras mais valiosas de 2026. Quem espera para “ver o que acontece” pode pagar mais. Na prática, esse é o erro mais caro que vemos em famílias com patrimônio consolidado.

⚠️ Atenção: ganho de capital na integralização de imóveis

Este é um custo que frequentemente surpreende famílias no meio do processo — e pode representar dezenas ou centenas de milhares de reais de tributação inesperada.

Quando um imóvel é integralizado ao capital social da holding pelo valor de mercado, a diferença entre esse valor e o valor declarado no IR (valor histórico de aquisição) é tributada como ganho de capital — com alíquotas de 15% a 22,5%, conforme a Lei nº 13.259/2016.

Exemplo: família que comprou um imóvel por R$ 300 mil em 2008 e hoje ele vale R$ 1,5 milhão. Se integralizar pelo valor de mercado, o ganho tributável é R$ 1,2 milhão. A alíquota de 22,5% gera R$ 270 mil de imposto antes de qualquer benefício da holding.

Se integralizar pelo valor histórico da declaração de IR, não há tributação de ganho de capital — mas o imóvel entra na holding pelo valor antigo, o que pode afetar a base de cálculo do ITCMD na doação de cotas. A decisão deve ser avaliada pelo contador antes de qualquer estruturação.

Holding familiar vale a pena? Quando compensa e quando não compensa

Holding familiar vale a pena principalmente para famílias com patrimônio acima de R$ 1 milhão ou renda mensal de aluguéis acima de R$ 10 mil, segundo análise de especialistas citados pela InfoMoney (2026). Para patrimônios menores, o custo de abertura e manutenção pode superar o benefício obtido.

Quando a holding familiar compensa

  • Patrimônio imobiliário acima de R$ 1 milhão
  • Renda mensal de aluguéis acima de R$ 10 mil
  • Múltiplos herdeiros com risco de conflito sucessório
  • Desejo de blindagem patrimonial contra terceiros
  • Necessidade de centralizar a gestão de diferentes tipos de ativos

Quando a holding familiar NÃO compensa

  • Patrimônio abaixo de R$ 500 mil
  • Renda de aluguel abaixo de R$ 5 mil/mês
  • Família com um único herdeiro e sem disputas previsíveis
  • Custo de manutenção contábil supera a economia tributária anual
  • Proprietário sem interesse em administrar uma estrutura societária
Critério Pessoa Física Holding Familiar
Tributação sobre aluguéis Até 27,5% (IR progressivo) ~11,33% a 14,53% (Lucro Presumido, estimativa)
Custo de abertura Nenhum R$ 15 mil a R$ 30 mil
Custo anual de manutenção Declaração IRPF (baixo custo) R$ 6 mil a R$ 24 mil/ano
Proteção patrimonial Limitada Elevada (com cláusulas protetivas)
Facilidade na sucessão Inventário judicial obrigatório Transferência via cotas, sem processo judicial

Quanto custa abrir e manter uma holding familiar?

O custo inicial para abrir uma holding patrimonial gira em torno de R$ 15 mil a R$ 30 mil, incluindo honorários advocatícios, contábeis e custos cartoriais. Já a manutenção anual pode variar entre R$ 6 mil e R$ 24 mil, dependendo da complexidade patrimonial e do escritório contratado.

Custos de abertura

  • Honorários de advogado especializado: R$ 10 mil a R$ 20 mil
  • Honorários do contador: R$ 3 mil a R$ 5 mil
  • Registro na Junta Comercial: R$ 500 a R$ 2 mil (varia por estado)
  • Escritura pública de integralização de imóveis: custos cartoriais variáveis
  • ITBI: potencialmente isento (ver abaixo)
  • Ganho de capital: avaliar com contador antes de integralizar qualquer imóvel

A isenção de ITBI e o detalhe que muda tudo

O artigo 156, §2º, da Constituição Federal isenta de ITBI a integralização de imóveis ao capital social de empresas. No entanto, essa isenção tem um requisito fundamental: a atividade preponderante da empresa deve ser a administração de bens próprios, não uma atividade comercial ou de prestação de serviços.

Se a holding exercer outra atividade principal, a isenção cai — e o ITBI pode incidir com alíquotas de 2% a 5% do valor do imóvel, dependendo do município.

Custos de manutenção anual

  • Contabilidade mensal: R$ 500 a R$ 2.000/mês (R$ 6 mil a R$ 24 mil/ano)
  • Declarações fiscais obrigatórias: DCTF, ECD, ECF, SPED
  • IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre a receita de aluguéis
  • Reuniões societárias com documentação formal

Como abrir uma holding familiar: passo a passo

O processo de abertura de uma holding familiar leva entre 60 e 120 dias e exige a atuação de advogado especializado em direito societário e tributário.

  1. Diagnóstico patrimonial: mapear todos os bens, dívidas, herdeiros e possíveis conflitos. Incluir nesta etapa a análise do ganho de capital em cada imóvel antes de qualquer decisão de integralização.
  2. Escolha do tipo societário: LTDA é o mais comum para famílias — mais simples e barata. S/A é indicada para patrimônios muito grandes.
  3. Elaboração do contrato social: documento central da holding, com cláusulas sobre gestão, transferência de cotas, direitos dos sócios e cláusulas protetivas.
  4. Registro na Junta Comercial: formaliza a existência da empresa no estado.
  5. Obtenção do CNPJ na Receita Federal e definição do regime tributário (Lucro Presumido na maioria dos casos).
  6. Transferência dos bens: integralização de imóveis via escritura pública lavrada em cartório. Transferência de investimentos por cessão contratual.
  7. Doação de cotas com usufruto (se o planejamento sucessório for o objetivo): escritura pública de doação com reserva de usufruto vitalício e cláusulas protetivas.
  8. Abertura de conta bancária PJ em nome da holding para recebimento de aluguéis e pagamento de despesas.
  9. Contratação de contabilidade especializada em holdings patrimoniais para gerir as obrigações fiscais mensais e anuais.

Quais são as desvantagens e riscos da holding familiar?

A holding familiar tem desvantagens reais que precisam ser avaliadas com honestidade antes da decisão.

  • Custo de abertura elevado: R$ 15 mil a R$ 30 mil iniciais podem não compensar para patrimônios menores que R$ 1 milhão
  • Custo de manutenção contínuo: obrigações contábeis e fiscais mensais existem independentemente de movimentações
  • Complexidade burocrática: obrigações acessórias (SPED, ECF, ECD), reuniões societárias formais e registros contínuos
  • Risco de desconsideração da personalidade jurídica: se houver confusão patrimonial ou fraude, o Judiciário pode ignorar a separação entre sócio e empresa
  • Ganho de capital na integralização: quando imóveis são transferidos pelo valor de mercado, pode haver tributação de 15% a 22,5% sobre a diferença — que pode chegar a centenas de milhares de reais
  • Conflitos entre sócios familiares: uma holding pode amplificar desentendimentos — o que era uma disputa informal vira litígio societário com implicações legais

Sobre o ITCMD: acompanhe a legislação do seu estado. Mudanças nas alíquotas podem encarecer a doação de cotas no futuro — consulte seu advogado sobre o momento ideal para estruturar.

Holding familiar vs. testamento e inventário: qual é melhor para a sucessão?

Para famílias com patrimônio relevante, a holding familiar tende a ser superior ao inventário judicial isolado. Ela pode eliminar custos elevados, reduzir a exposição ao ITCMD e agilizar drasticamente a transferência de bens. No entanto, os três instrumentos podem ser complementares.

O testamento não evita o inventário — ele apenas orienta como os bens serão divididos dentro do processo. A holding, por outro lado, transfere as cotas em vida, tornando o processo sucessório praticamente imediato após o falecimento. Veja o comparativo:

Critério Inventário Judicial Testamento Holding Familiar
Custo estimado 10% a 20% do patrimônio Baixo (escritura) + inventário R$ 30 mil (abertura) + ITCMD na doação
Prazo 2 a 10 anos Ainda requer inventário Transferência imediata ao falecimento
Proteção patrimonial Nenhuma Nenhuma adicional Elevada
Tributação ITCMD + custas + honorários ITCMD no inventário ITCMD na doação (geralmente menor base)

Para saber mais sobre como o testamento funciona em conjunto com a holding, veja nosso guia completo sobre testamento e planejamento sucessório.

Tributação da holding familiar: IR, ITCMD, ITBI e Lucro Presumido

Lucro Presumido: como funciona na prática

No Lucro Presumido, a Receita Federal presume que 32% da receita bruta de aluguéis é lucro para fins de IRPJ. Sobre esse percentual presumido incidem os seguintes tributos:

  • IRPJ: 15% sobre o lucro presumido (+ adicional de 10% sobre a parcela que exceder R$ 20 mil/mês de lucro presumido)
  • CSLL: 9% sobre base de cálculo própria
  • PIS: 0,65% sobre a receita bruta
  • COFINS: 3% sobre a receita bruta

Vale lembrar que o Simples Nacional é geralmente vedado para holdings que detêm participações societárias em outras empresas, conforme as vedações da Lei Complementar 123/2006.

ITBI, ITCMD e ganho de capital: resumo

  • ITBI: isenção prevista no art. 156, §2º, inciso I da CF para integralização de imóveis. Condição: atividade preponderante de administração de bens próprios.
  • ITCMD: incide sobre a doação de cotas. Alíquotas variam por estado — verifique a legislação vigente, pois podem ser alteradas a qualquer momento.
  • Ganho de capital: se o imóvel for integralizado pelo valor de mercado, a diferença é tributada em 15% a 22,5% (Lei nº 13.259/2016). Avalie com o contador antes de integralizar.

Simulação prática: quanto uma família pode economizar?

Cenário 1 — Família Alves: holding compensa

A família Alves possui 3 imóveis gerando R$ 15 mil/mês em aluguéis. Patrimônio total: R$ 2,5 milhões. Dois herdeiros adultos.

  • Sem holding (PF): IR progressivo sobre R$ 15 mil/mês ≈ R$ 3.375/mês (estimativa com alíquota marginal)
  • Com holding (Lucro Presumido): carga efetiva estimada ~14,53% = R$ 2.180/mês
  • Economia mensal estimada: R$ 1.195
  • Economia anual estimada: ~R$ 14.340
  • Custo de abertura: R$ 30 mil
  • Payback estimado: ~26 meses
  • Custo de inventário evitado: estimado entre R$ 250 mil e R$ 500 mil

Cenário 2 — Família com R$ 5 mil/mês em aluguéis: holding pode não compensar

  • Sem holding (PF): IR sobre R$ 5 mil/mês ≈ R$ 825/mês (estimativa)
  • Com holding (Lucro Presumido): carga efetiva estimada ~11,33% = R$ 567/mês
  • Economia mensal estimada: R$ 258
  • Economia anual estimada: R$ 3.096
  • Custo contábil anual: R$ 8.400 (R$ 700/mês)
  • Resultado líquido anual: negativo em R$ 5.304

Todas as simulações acima são estimativas baseadas em premissas simplificadas. O cálculo real depende de deduções permitidas, regime tributário específico, município do imóvel e legislação vigente. Consulte sempre um contador especializado antes de tomar qualquer decisão.

Holding familiar para investimentos financeiros: vale a pena?

Para quem tem apenas investimentos financeiros — ações, FIIs, CDBs, Tesouro Direto — a holding raramente compensa. Dividendos de ações e rendimentos de FIIs são isentos de IR para pessoa física, enquanto dentro de uma pessoa jurídica podem ser tributados.

Além disso, fundos de investimento dentro de uma holding pessoa jurídica sofrem o “come-cotas” semestral, o que reduz a eficiência do investimento ao longo do tempo. A conclusão é clara: para quem tem apenas investimentos financeiros e não tem imóveis gerando renda expressiva, a holding patrimonial não é a estrutura certa.

Para entender como estruturar investimentos financeiros dentro de um planejamento patrimonial completo, veja nosso guia sobre planejamento financeiro familiar.

Erros mais comuns ao estruturar uma holding familiar

  • Não calcular o ganho de capital antes de integralizar: o custo pode ser expressivo e inviabilizar a estrutura se não for antecipado
  • Não separar as finanças pessoais das empresariais: confusão patrimonial expõe a holding à desconsideração da personalidade jurídica
  • Usar o Simples Nacional indevidamente: holdings com participações em outras empresas são geralmente vedadas do regime simplificado
  • Ignorar a manutenção contábil: obrigações acessórias da PJ são contínuas e têm custo — descumpri-las gera multas
  • Não revisar o contrato social: assim como o testamento, o contrato social da holding precisa acompanhar mudanças no patrimônio e na família
  • Estruturar sem diagnóstico completo: imóveis com problemas documentais ou passivos fiscais ocultos travam o processo e geram custos extras

Resumo prático

  • Holding familiar é indicada para famílias com renda de aluguel acima de R$ 10 mil/mês ou patrimônio acima de R$ 1 milhão, onde os benefícios superam os custos em 2 a 3 anos
  • A economia tributária no Lucro Presumido pode chegar a R$ 19 mil/ano para quem recebe R$ 10 mil/mês em aluguéis — mas calcule sempre com o seu contador
  • A doação de cotas com usufruto vitalício elimina o inventário judicial, que pode consumir de 10% a 20% do patrimônio
  • O custo de abertura gira em torno de R$ 15 mil a R$ 30 mil, com manutenção anual de R$ 6 mil a R$ 24 mil
  • O ganho de capital na integralização de imóveis é um dos maiores riscos ignorados no processo — calcule esse impacto antes de qualquer decisão
  • Para investimentos financeiros puros, a holding raramente agrega vantagem tributária
  • Acompanhe mudanças no ITCMD do seu estado — antecipar a estruturação pode ser estratégico, mas sempre com assessoria jurídica adequada

Perguntas frequentes sobre holding familiar

O que é uma holding familiar e para que serve?

Holding familiar é uma pessoa jurídica — geralmente uma LTDA — criada para centralizar e administrar o patrimônio de uma família: imóveis, investimentos e participações. Serve para reduzir impostos sobre aluguéis, planejar a sucessão sem inventário judicial, proteger o patrimônio contra credores e organizar a gestão dos bens da família em uma única estrutura.

Qual o patrimônio mínimo para abrir uma holding familiar em 2026?

Não existe um valor legal mínimo. Na prática, especialistas recomendam que a holding faça sentido para famílias com patrimônio acima de R$ 1 milhão ou renda de aluguéis acima de R$ 10 mil mensais. Abaixo disso, o custo de abertura (R$ 15 mil a R$ 30 mil) e de manutenção (R$ 6 mil a R$ 24 mil/ano) tende a superar a economia gerada.

Holding familiar paga ITBI na transferência de imóveis?

Em geral, não. O artigo 156, §2º, inciso I da Constituição Federal isenta de ITBI a integralização de imóveis ao capital social de empresas cuja atividade preponderante seja a administração de bens próprios. Se a holding exercer atividade comercial imobiliária, a isenção não se aplica. Confirme com seu advogado antes de estruturar.

Há tributação de ganho de capital ao integralizar imóveis?

Sim, se o imóvel for integralizado pelo valor de mercado. A diferença entre o valor de mercado e o valor histórico na declaração de IR é tributada em 15% a 22,5%. Para imóveis com grande valorização, esse custo pode ser expressivo. Se integralizado pelo valor histórico, não há ganho de capital — mas há implicações no cálculo do ITCMD na doação de cotas. Avalie com o contador antes de qualquer integralização.

Quanto custa abrir uma holding familiar em 2026?

O custo inicial varia entre R$ 15 mil e R$ 30 mil, incluindo honorários de advogado (R$ 10 mil a R$ 20 mil), contador (R$ 3 mil a R$ 5 mil) e custas de registro na Junta Comercial. Além disso, a manutenção mensal da contabilidade custa entre R$ 500 e R$ 2.000, totalizando R$ 6 mil a R$ 24 mil por ano em despesas recorrentes.

Holding familiar evita inventário judicial?

Sim, em grande medida. Quando as cotas são doadas aos herdeiros em vida — com usufruto vitalício para o doador —, os bens já pertencem legalmente aos herdeiros no momento do falecimento. Não há necessidade de inventário sobre esses bens. O processo se reduz à extinção do usufruto, muito mais simples e barato que um inventário judicial completo.

Holding familiar vale a pena para quem tem renda de aluguel abaixo de R$ 10 mil?

Em termos puramente tributários, geralmente não. Com renda abaixo de R$ 10 mil mensais, a economia de IR na holding raramente supera o custo da contabilidade mensal — como demonstrado no Cenário 2 deste artigo. Porém, pode fazer sentido se houver um objetivo sucessório claro com múltiplos herdeiros, patrimônio imobiliário expressivo ou necessidade de proteção patrimonial específica.

A maioria das famílias descobre tarde demais que poderia ter economizado centenas de milhares de reais com um planejamento feito antes do inventário. A Renova pode calcular quanto o seu patrimônio pagaria de impostos hoje, quais estratégias reduziriam esse custo e se a holding faz sentido para o seu perfil — fale com um assessor.

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