Arandu eleva laudo da OPA a R$ 0,66, mas mantém oferta de R$ 0,67 por ação

Arandu (ex-Reag) revisa laudo da OPA de R$ 0,60 para R$ 0,66 por ação e mantém o preço de R$ 0,67 aos minoritários.
Arandu (ex-Reag) atualiza laudo da OPA para R$ 0,66 por ação, mas mantém preço de R$ 0,67 ao minoritário

Laudo sobe, preço fica: CVM e B3 exigem revisão e valor por DCF vai a R$ 0,66

A Arandu Investimentos S.A. divulgou, em 14 de setembro de 2026, fato relevante informando que sua acionista controladora, a Arandu Partners Holding S.A., encaminhou à companhia uma nova versão do laudo de avaliação — documento central no processo de registro, perante a CVM, da Oferta Pública de Aquisição (OPA) de até a totalidade das ações ordinárias, exceto as detidas pela ofertante e as eventualmente mantidas em tesouraria.

A revisão atendeu a exigências da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da B3, e os ajustes incorporados alteraram o valor por ação apurado pela metodologia de fluxo de caixa descontado (DCF): passou de R$ 0,60 para R$ 0,66 por ação. O preço a ser oferecido na OPA, no entanto, permanece em R$ 0,67 por ação, atualizado pro rata die pela variação acumulada da Taxa Selic desde a data de fechamento da operação com os antigos controladores até a data de liquidação do leilão, observados os demais termos do futuro edital. O documento é assinado por Dario Graziato Tanure, Diretor Presidente e Diretor de Relações com Investidores.

A consequência prática é mais simbólica do que financeira. Com o laudo migrando de R$ 0,60 para R$ 0,66, o prêmio do preço ofertado sobre o valor econômico apurado encolheu de cerca de 11,7% para aproximadamente 1,5%. Do ponto de vista do controlador, isso reforça o argumento de que a oferta segue formalmente acima do valor do laudo; do ponto de vista do minoritário, estreita o espaço para sustentar tese de subavaliação no âmbito da análise regulatória — cuja palavra final sobre o registro ainda cabe à CVM e à B3.

A reestruturação que começou com a crise da Reag e a saída de Eduardo Mansur

Para entender o que está em jogo, é preciso recuar a setembro de 2025. A companhia ainda se chamava Reag Investimentos e havia se tornado alvo de cobertura negativa após operações da Polícia Federal e do Ministério Público envolvendo o controlador fundador, Eduardo Mansur.

A resposta veio na forma de um management buyout: a Arandu Partners Holding S.A., veículo controlado pelos próprios executivos da casa, assinou contrato de compra de 87,38% do capital social junto aos antigos controladores — a Reag Asset Management e o Reag Alpha Fundo de Investimento Financeiro em Ações. Documentos de compliance da própria companhia confirmam a Arandu Partners como controladora direta com esse mesmo percentual. Vieram então novo nome, nova composição de comando e uma tentativa explícita de separar o negócio da imagem do antigo controlador.

A trilha de fatos relevantes até o preço único de R$ 0,67

O próprio comunicado se declara em continuidade aos fatos relevantes de 7 e 8 de setembro de 2025, 14 de outubro de 2025, 13 de novembro de 2025, 13 de julho de 2026 e 24 de agosto de 2026 — uma trilha que ajuda a explicar a irritação de parte dos minoritários.

No fato relevante de 13 de julho de 2026, a arquitetura da oferta previa duas alternativas: (i) R$ 0,666677 por ação, corrigidos pela Selic, à vista na liquidação do leilão; ou (ii) R$ 1,00 por ação, também corrigidos pela Selic, com pagamento em até 12 meses após a liquidação. Aquele mesmo comunicado indicava que o preço pago pelo bloco de controle, ajustado para excluir componentes contingentes e valores destinados a dívidas de aquisições anteriores, equivalia a R$ 0,666677 por ação. A leitura de mercado era de que a segunda opção funcionava como escolha entre liquidez imediata e prêmio de espera.

Em 24 de agosto de 2026, porém, a ofertante abandonou a Opção II e passou a oferecer apenas o preço único de R$ 0,67 por ação, à vista e corrigido pela Selic. Foi o momento em que a percepção de redução do prêmio implícito ao minoritário se consolidou — e é exatamente nesse contexto que a revisão do laudo de setembro chega, empurrando o valor econômico para muito perto do preço mantido.

Holding financeira em saneamento: receita desaba, lucro volta após prejuízo bilionário

O pano de fundo operacional é o de uma companhia em processo visível de limpeza de balanço. Nos dados do primeiro semestre de 2026 divulgados via B3, a receita caiu de R$ 37,425 milhões no 1S25 para R$ 4,299 milhões no 1S26, com resultado bruto recuando de R$ 34,250 milhões para R$ 4,299 milhões — uma contração severa da atividade recorrente.

Ainda assim, a Arandu registrou lucro de R$ 12,034 milhões no 1S26, sustentado sobretudo pelo resultado financeiro positivo de R$ 8,844 milhões. É uma inversão frente ao 1S25, quando o resultado financeiro foi negativo em R$ 21,287 milhões, o resultado líquido das operações continuadas ficou negativo em R$ 429,152 milhões e o prejuízo do período alcançou R$ 447,629 milhões — magnitude que sugere impairments, provisões e acertos contábeis pesados no ano da troca de controle.

O patrimônio líquido subiu de R$ 125,412 milhões em 31/12/2025 para R$ 138,364 milhões em 30/06/2026, e o ativo total passou de R$ 163,958 milhões para R$ 170,839 milhões no mesmo intervalo. É recuperação — mas construída sobre alicerces frágeis do ponto de vista operacional: bases de dados de mercado apontam EBIT negativo nos últimos doze meses, com o resultado dependente de componentes financeiros, não de geração operacional. Vale registrar que números bem maiores de ativo, patrimônio e caixa líquido circulam em plataformas de análise, mas referem-se a bases históricas anteriores à reestruturação, e não ao balanço de 30/06/2026 aqui citado.

Prazo de free float até dezembro adiciona pressão ao calendário

Há um elemento regulatório que dá urgência à operação. Registros da B3 indicam que, após aumento de capital privado realizado em 2025 — no qual os controladores subscreveram ações diante da baixa adesão dos minoritários —, a companhia passou a ter prazo até 31 de dezembro de 2026 para recompor seu free float, conforme o artigo 11 do regulamento de emissores da bolsa.

A OPA dialoga diretamente com essa agenda: ao adquirir os papéis dos minoritários, a Arandu Partners pode tanto reorganizar a composição acionária dentro das exigências da bolsa quanto pavimentar, no limite, um caminho de fechamento de capital. A ambiguidade sobre o destino final da listagem é, hoje, uma das principais incertezas do caso.

O que muda para quem ainda segura ARND3

A companhia é listada na B3 sob o ticker ARND3. Não há, nas fontes públicas consultadas, relatório de recomendação formal de grandes casas sell-side — como XP, Itaú BBA ou BTG — sobre o papel, nem rating de crédito atribuído por S&P, Fitch ou Moody’s à Arandu. A discussão está concentrada em portais de dados e notícias especializados, não em research tradicional de equity, o que significa que o minoritário não conta com uma referência independente de preço-alvo para confrontar a oferta.

O que pesa contra o minoritário

  • A eliminação da opção de R$ 1,00 por ação com pagamento em 12 meses, em agosto de 2026, reduziu o prêmio teórico disponível;
  • O laudo revisado, ao migrar de R$ 0,60 para R$ 0,66, enfraquece o argumento de subavaliação que poderia sustentar questionamentos na CVM;
  • A dependência de resultado financeiro, com EBIT negativo, dificulta a construção de tese de valorização orgânica;
  • Baixa liquidez do papel e ausência de cobertura de analistas independentes;
  • O prazo de free float pode ser resolvido de formas que não necessariamente favorecem quem quer permanecer sócio.

O que pode favorecer

  • O preço de R$ 0,67, corrigido pela Selic até a liquidação, segue formalmente acima do valor do laudo revisado (R$ 0,66);
  • A correção pela Selic protege o valor nominal da oferta contra a demora do processo regulatório;
  • Patrimônio líquido em crescimento e posição financeira que mitiga risco de solvência no curto prazo;
  • A limpeza de balanço executada em 2025 sugere que os resultados futuros partirão de base mais saneada.

O que observar nos próximos passos

O gatilho imediato é a análise do registro da OPA pela CVM, agora diante da nova versão do laudo. Registrada a oferta, o passo seguinte é a publicação do edital, que detalhará cronograma, condições de aceitação e data do leilão na B3. O prazo de 31 de dezembro de 2026 para recomposição do free float impõe janela estreita ao controlador — e a não regularização pode implicar medidas adicionais da bolsa.

Quem carrega ARND3 deve acompanhar, em especial: (i) eventuais manifestações da CVM sobre a adequação do laudo revisado; (ii) qualquer nova revisão de preço ou condições; e (iii) a publicação do edital definitivo, que consolidará termos finais e prazo de adesão. A companhia afirmou que manterá o mercado informado sobre desdobramentos relevantes.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

Facilidades da Renova Invest para você:

Conta digital gratuita

Abra sua conta sem custo e tenha acesso a uma plataforma para investir com praticidade e segurança.

Viver de renda

Construa uma carteira inteligente com foco em geração de renda passiva e alcance sua independência financeira.

CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,63%
  • CDI em 20269,77%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 11/09/2026

Mais artigos em