Alpargatas (ALPA4) aprova 4ª emissão de debêntures de R$ 300 milhões a DI + 0,55%

Alpargatas aprova 4ª emissão de debêntures de R$ 300 milhões a DI + 0,55% ao ano para refinanciar dívida.
Fato relevante: ALPARGATAS S.A.

Alpargatas capta R$ 300 milhões em debêntures para trocar dívida

A Alpargatas S.A. (CNPJ 61.079.117/0001-05), dona da marca Havaianas, comunicou ao mercado que seu Conselho de Administração aprovou, em 9 de setembro, a 4ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária, em série única. O fato relevante foi divulgado em São Paulo, assinado pelo vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores, André Corrêa Natal, em cumprimento à Resolução CVM nº 44/2021 e ao artigo 157, §4º, da Lei nº 6.404/1976.

ALPA4 Alpargatas SA Pfd Ativo
R$ 13,23 -0,15%
Cotação · atualizada há 2 horas
Variação (6 meses) 15,7%
Máxima (6 meses) R$ 14,99
Mínima (6 meses) R$ 10,97
Cotação de ALPA4 — últimos 6 meses
máx R$ 14,99 mín R$ 10,97

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

A operação será composta por 300.000 debêntures, com valor nominal unitário de R$ 1.000,00, totalizando R$ 300 milhões na data de emissão.

Termos da operação

  • Volume total: R$ 300 milhões (300 mil debêntures de R$ 1.000 cada).
  • Prazo: 6 anos contados da data de emissão, com vencimento em 20 de setembro de 2032.
  • Remuneração: 100% da variação acumulada das taxas médias diárias do DI over extra grupo, divulgadas pela B3, acrescidas de sobretaxa de 0,55% ao ano (base 252 dias úteis).
  • Garantia: espécie quirografária — sem garantia real ou fidejussória.
  • Distribuição: oferta pública sob rito automático de registro, nos termos da Resolução CVM nº 160/2022, com garantia firme de colocação para a totalidade das debêntures.
  • Público-alvo: exclusivamente investidores profissionais, conforme artigos 11 e 13 da Resolução CVM nº 30/2021.

Para onde vai o dinheiro

Segundo o documento, a totalidade dos recursos líquidos captados será destinada, prioritariamente, ao resgate antecipado facultativo da totalidade das debêntures da 2ª emissão da companhia — operação de duas séries realizada com esforços restritos, cuja escritura foi celebrada em 2 de dezembro de 2022. O saldo remanescente ficará para propósitos corporativos gerais, no curso ordinário dos negócios.

Na prática, trata-se de uma troca de dívida: a companhia substitui um passivo contratado no fim de 2022 — período de juros domésticos em patamar elevado — por um novo papel com prazo até 2032. É uma operação de gestão de passivo, e não de captação incremental relevante para investimentos.

O que a operação diz sobre a tese de investimento

O ponto mais informativo para o investidor não é o volume, e sim o spread. Captar a DI + 0,55% ao ano em papel sem garantia real, com garantia firme de colocação por parte dos coordenadores, indica que o mercado de crédito voltou a tratar a Alpargatas como emissora com acesso normalizado — algo que não era óbvio no biênio 2023-2024.

De prejuízo bilionário à retomada do lucro

O contexto ajuda a explicar. Em 2023, a Alpargatas registrou prejuízo da ordem de R$ 1,8 bilhão, acumulando cinco trimestres consecutivos no vermelho. Só no quarto trimestre daquele ano o prejuízo alcançou cerca de R$ 1,6 bilhão, fortemente influenciado por itens extraordinários — excluídos esses efeitos, o resultado normalizado seria próximo do zero.

A virada começou em 2024. No primeiro trimestre, a companhia reportou lucro líquido de aproximadamente R$ 24,8 milhões, revertendo prejuízo de cerca de R$ 199,6 milhões um ano antes, com EBITDA saindo de negativo em torno de R$ 221,6 milhões para positivo em cerca de R$ 99,8 milhões. No terceiro trimestre, o lucro líquido ficou perto de R$ 57,3 milhões, com EBITDA em torno de R$ 137 milhões.

No consolidado de 2024, a empresa fechou com lucro líquido de aproximadamente R$ 107,4 milhões, contra o prejuízo bilionário do ano anterior, e receita líquida próxima de R$ 4,1 bilhões, avanço de cerca de 10% sobre 2023.

Choque de gestão e simplificação de portfólio

A recuperação está associada a uma sequência de mudanças no comando. Roberto Funari deixou a presidência em abril de 2023, pouco antes da divulgação dos resultados fracos do primeiro trimestre. O conselheiro Luiz Fernando Edmond, ex-CEO da Ambev, assumiu interinamente e conduziu a fase inicial do ajuste. Em 2024, Liel Miranda, ex-CEO da Mondelez Brasil, tornou-se presidente, inaugurando uma segunda etapa da reestruturação.

A agenda operacional tem se concentrado em redução de SKUs, normalização de estoques, corte de capital de giro e redução do endividamento, com foco renovado na marca Havaianas como ativo central do portfólio. A nova emissão de debêntures é coerente com essa linha: alonga prazo e busca reduzir o custo do passivo financeiro.

Bloco de controle concentrado

A companhia é controlada por um bloco liderado pela Itaúsa, maior acionista, com participação em torno de 30%, e pela Cambuhy Alpa Holding, da família Moreira Salles, com cerca de 23,77% do capital, segundo dados da B3. Em 2023, no auge da crise operacional, os Moreira Salles reforçaram a aposta por meio da MS Alpa Participações, que lançou oferta pública de aquisição de até 32 milhões de ações preferenciais a R$ 10,50 por papel — prêmio de cerca de 17,2% sobre o fechamento anterior, de R$ 8,96.

Um bloco de controle coordenado e com bolso profundo é fator relevante na leitura de risco de crédito de uma emissão quirografária, embora não constitua garantia formal alguma sobre as debêntures.

Riscos e pontos de atenção

  • Espécie quirografária: o papel não conta com garantia real nem fidejussória, o que coloca o debenturista em posição de credor sem preferência específica.
  • Exposição a juros: a remuneração é 100% do DI mais sobretaxa, ou seja, o custo da dívida acompanha integralmente a política monetária.
  • Turnaround em consolidação: o lucro de 2024 foi obtido sobre base deprimida e ainda modesto frente à receita anual, o que mantém a tese dependente de recomposição de margens.
  • Histórico de revisões: em 2023, o Citi rebaixou a recomendação de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 21 para R$ 10; a XP mantinha visão neutra para ALPA4, com preço-alvo de R$ 11, condicionando a tese à execução consistente da reestruturação.
  • Rating: não foi possível confirmar, em fontes públicas, a existência de rating específico atribuído a esta 4ª emissão ou nota atualizada da companhia.

Onde consultar os documentos

A ata da reunião do Conselho de Administração que aprovou os termos e condições da emissão, bem como o Instrumento Particular de Escritura da 4ª Emissão de Debêntures, ficarão disponíveis nos sites de relações com investidores da Alpargatas, da CVM e da B3.

A companhia reforça no comunicado que o fato relevante tem caráter exclusivamente informativo e não constitui oferta, convite ou solicitação de oferta para aquisição das debêntures, nem deve ser interpretado como esforço de venda dos papéis.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 10/09/2026

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