Usiminas (USIM5) revisa CAPEX 2026 para R$ 1,2 bi–R$ 1,4 bi na véspera do balanço do 2T26

Usiminas revisa CAPEX 2026 para R$ 1,2 bi–R$ 1,4 bi às vésperas do balanço do 2T26

Renova Invest · 30 de julho de 2026

A Usiminas (USIM5) protocolou na CVM, em 30 de julho de 2026, um fato relevante revisando sua projeção de investimentos totais para o exercício corrente. O novo intervalo de CAPEX situa-se entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, em complemento ao fato relevante divulgado em 13 de fevereiro de 2026. O documento é assinado por Diego Eduardo Garcia, Vice-Presidente de Finanças e Relações com Investidores, e chega praticamente junto com a divulgação dos resultados do 2T26, prevista para 30 de julho de 2026, o que confere peso adicional ao movimento de contenção de gastos.

USIM5 Usiminas Ação Materiais Básicos
R$ 7,95 -4,45%
Cotação · atualizada há 11 minutos
P/L -3,90
DY (12 meses) 0,0%
LPA R$ -2,12
Cotação de USIM5 — últimos 6 meses
máx R$ 12,04 mín R$ 6,03

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

O comunicado é explícito ao lembrar que as projeções dependem de condições de mercado fora do controle da administração e integrarão a seção 3 do Formulário de Referência da companhia, nos termos das Resoluções CVM 44/2021 e 80/2022. A linguagem é cautelosa e o recado, claro: a Usiminas prefere reforçar a disciplina de capital antes de apresentar os números do trimestre.

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Um ajuste que tem história: CAPEX revisado não é novidade em Ipatinga

A revisão de 30 de julho de 2026 não surge do nada. A Usiminas já havia divulgado, em 2025, fato relevante específico sobre a alteração de projeções de CAPEX e sobre o pad-up da Bateria 4 da Coqueria 2 em Ipatinga — sinal de que o plano de capital vem sendo calibrado de forma recorrente em função do ambiente operacional. O ciclo de revisões reflete a complexidade de gerir uma usina integrada de grande porte em conjuntura de margens voláteis.

Outro elemento relevante do pano de fundo é o front jurídico-ambiental: em julho de 2026, a companhia obteve decisão favorável quando um desembargador de Minas Gerais suspendeu uma liminar que bloqueava R$ 346,7 milhões da Usiminas, em ação civil pública do Ministério Público sobre suposta poluição na usina de Ipatinga. A Usiminas havia informado ao mercado que o bloqueio não teria efeito materialmente relevante sobre sua situação financeira nem impediria o cumprimento de obrigações. Somado à revisão de CAPEX, o movimento sugere uma companhia buscando estabilizar o terreno antes de apresentar seus números.

Siderurgia sob pressão: antidumping, importados e a batalha pelo aço plano

O contexto setorial em que a Usiminas opera em 2026 é desafiador. A siderurgia brasileira de aços planos enfrenta a concorrência crescente de importados — especialmente o aço chinês —, que comprimiu spreads e volumes ao longo dos últimos trimestres. O processo de antidumping sobre HRC (laminados a quente) é apontado por casas de análise como o catalisador comercial mais aguardado para as siderúrgicas locais em 2026. Para a Usiminas, que concentra sua produção em aços planos e tem a usina de Ipatinga como principal ativo industrial, a resolução desse processo pode ser determinante para a recuperação de participação de mercado no segundo semestre.

No segmento de mineração, a companhia mantém parceria estratégica com a japonesa Sumitomo Corporation, que adquiriu 30% da Mineração Usiminas em operação avaliada em até US$ 1,929 bilhão — com parte do valor condicionada a eventos futuros. Esse ativo de mineração, ligado ao projeto integrado de Serra Azul (MG), permanece como vetor de longo prazo da companhia, embora seu peso na estratégia de CAPEX de curto prazo seja limitado pelo momento de caixa.

O que muda na tese: USIM5 entre disciplina de capital e espera pelo re-rating

Mercado em dia de cautela

Na sessão de referência, as ações USIM5 negociavam a R$ 8,32, com queda de 4,26% no dia — sinal de que o mercado já estava em modo de precaução. O papel acumula uma faixa de oscilação expressiva: mínima de R$ 3,92 e máxima de R$ 12,18 nas últimas 52 semanas, com market cap em torno de R$ 10 bilhões. A amplitude dessa janela traduz bem a volatilidade da tese.

Riscos e oportunidades para o investidor

A leitura da Genial Investimentos resume o dilema da tese em 2026: o EBITDA estável ao longo do ano, apesar da pressão de custos, é a condição necessária para um eventual re-rating do papel — ou seja, para que o mercado aceite pagar um múltiplo mais alto por cada real de resultado. A revisão de CAPEX para o intervalo de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão pode ser lida em duas chaves:

  • Positiva: sinaliza disciplina de capital e preservação de caixa num ano em que o fluxo de caixa livre ainda está sob pressão, reduzindo o risco de deterioração mais acentuada do balanço.
  • Negativa: pode indicar postergação de projetos estratégicos de modernização, como nas revisões anteriores envolvendo a coqueria — o que, no médio prazo, pode comprometer a competitividade e a eficiência operacional da usina.

Indicadores de mercado apontavam LPA (lucro por ação) de 12 meses negativo, em torno de R$ -2,12 no início de julho, evidenciando que a companhia ainda não saiu do vermelho em base anual. O resultado do 2T26, previsto para 30 de julho, será o próximo teste concreto para avaliar se a recuperação de margens está em curso. Não há, nas fontes disponíveis, rating de crédito recente das agências S&P, Moody’s ou Fitch para a companhia.

O que observar nos próximos meses

A agenda é densa. Em ordem de prioridade para quem acompanha a tese:

  • 30 de julho de 2026: divulgação do ITR do 2T26 — o número mais aguardado. Receita líquida, EBITDA, alavancagem e geração de caixa livre serão os termômetros para calibrar se o guidance de CAPEX reduzido faz sentido estratégico ou é sintoma de deterioração.
  • Antidumping sobre HRC: decisão do governo sobre proteção tarifária a laminados a quente é apontada como o principal gatilho regulatório para a recuperação de volumes e margens no segundo semestre.
  • Normalização de estoques importados: analistas monitoram o comportamento dos estoques de aço chinês no mercado doméstico; a descompressão desse canal é condição para a Usiminas recuperar participação de mercado.
  • Execução do CAPEX revisado: a companhia precisará demonstrar que o novo intervalo é suficiente para manter a confiabilidade operacional dos ativos de Ipatinga e Cubatão, sem comprometer planos de médio prazo em mineração.
  • 30 de outubro de 2026: divulgação do ITR do 3T26 — data em que o mercado terá condições de avaliar se o segundo semestre entregou a recuperação prometida pelos analistas.

Em síntese, a revisão de CAPEX para R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão é um sinal de postura conservadora em ano desafiador. O próximo capítulo da história se escreve praticamente no dia seguinte, com os números do 2T26.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

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Fonte: Banco Central · 28/07/2026

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