Equatorial (EQTL3): Fio B cresce 4,2% no 2T26

EQTL3: Distribuição da Equatorial acelera no 2T26, com Fio B crescendo 4,2% e perdas abaixo do regulatório

Renova Invest · 29 de julho de 2026

A Equatorial S.A. (EQTL3) entregou, no segundo trimestre de 2026, um avanço consistente em seu segmento mais relevante: a distribuição de energia. A energia injetada bruta consolidada cresceu 4,7% na comparação anual, passando de 18.143 GWh no 2T25 para 18.994 GWh no 2T26. O Mercado Fio B — a métrica que mais importa para a receita regulada — avançou 4,2%, de 13.923 GWh para 14.512 GWh. Excluindo um efeito extraordinário de contabilização em Alagoas, o crescimento teria alcançado 5,0%. No segmento de renováveis, o trimestre foi mais difícil: a geração líquida consolidada recuou 14,6%, para 1.014,2 GWh, pressionada por ventos mais fracos e pelo constrained-off. No saneamento, o volume faturado de água caiu 6,0%, enquanto o de esgoto avançou 11,8%.

EQTL3 Equatorial Energia Ação Energia
R$ 37,82 -2,60%
Cotação · atualizada há 34 minutos
P/L 30,66
DY (12 meses) 4,2%
LPA R$ 1,23
Cotação de EQTL3 — últimos 6 meses
máx R$ 45,35 mín R$ 36,86

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

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  • Energia injetada bruta (distribuição): 18.994 GWh (YoY +4,7%)
  • Mercado Fio B consolidado: 14.512 GWh (YoY +4,2%; ex-Alagoas: +5,0%)
  • Geração líquida — renováveis: 1.014,2 GWh (YoY -14,6%)
  • Perdas de energia (12 meses): 17,9% (QoQ -0,1 p.p.; YoY -0,2 p.p.; 1,0 p.p. abaixo do regulatório)
  • Economias de água faturadas: 93,4 mil (YoY -6,2%)
  • Volume faturado de esgoto: 1.139,6 mil m³ (YoY +11,8%)
  • Número de consumidores (distribuição): 14.993 mil (YoY +2,9%)

O termômetro adiantado: Fio B acima do 1T26 e o resultado financeiro do trimestre

O release operacional do 2T26 funciona, na prática, como um indicador antecedente do resultado financeiro da Equatorial. E o sinal é positivo para quem acompanha a tese de redes reguladas da companhia.

No 1T26, segundo análise da Empiricus divulgada à época, o EBITDA ajustado consolidado ficou em torno de R$ 2,9 bilhões, alta de 11,3% na comparação anual, com o Mercado Fio B crescendo 3,8% — resultado classificado como “sólido” e acima das expectativas do mercado. O 2T26 traz um Fio B de 4,2%, uma aceleração de 0,4 ponto percentual na mesma métrica, o que sustenta a narrativa de que o momentum operacional de distribuição se manteve.

No plano financeiro consolidado do 2T26, os dados apurados apontam receita operacional líquida em torno de R$ 10,1 bilhões (cerca de 0,6% abaixo do 2T25, mas 7,1% acima do 1T26), EBITDA próximo de R$ 2,21 bilhões (queda de 2,1% a/a e alta de 5,2% t/t) e lucro líquido ao redor de R$ 1,56 bilhão (recuo de 2,1% ante o 2T25, porém 7% acima do 1T26), com margem líquida próxima de 15,4%. A leitura é de estabilidade na comparação anual, com melhora sequencial, sustentada pela distribuição. Em Alagoas, o efeito extraordinário de postergação de receita de clientes livres (cerca de um mês de faturamento diferido) criou uma distorção pontual que reduziu o crescimento do Fio B consolidado em aproximadamente 0,9 p.p. — ruído relevante para leitura comparativa, mas sem impacto estrutural na concessão.

Os motores do trimestre: Norte lidera, El Niño entra em cena e perdas continuam caindo

Distribuição: demanda disseminada com puxão do Norte

O crescimento foi geograficamente disseminado, mas com liderança clara da Região Norte e do Centro-Oeste. Goiás registrou o maior avanço em energia injetada bruta (+6,8%), impulsionado pelas classes residencial e rural — esta última beneficiada pelo acionamento antecipado de pivôs de irrigação —, além da contribuição dos segmentos comercial e industrial. O Fio B goiano avançou 5,6%. No Pará, a energia injetada bruta cresceu 5,4% e o Fio B saltou 6,2%, sustentados pela expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD, +21,3%) e pelo consumo do segmento de mineração. No Amapá, o Fio B avançou 6,1%, puxado pelo residencial (+9,8%) e pela redução de perdas na concessão. A MMGD saltou 30,1% no Amapá na comparação entre trimestres.

O início das condições associadas ao El Niño a partir de junho — com aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial — é citado no release como fator de contexto climático. Em distribuição, esse fenômeno tende a elevar as temperaturas médias nas regiões atendidas, com efeito positivo sobre o consumo residencial e comercial, especialmente no Norte e Nordeste.

No plano de perdas, o consolidado de 17,9% ficou 1,0 p.p. abaixo do nível regulatório (18,9%), o que representa captura de valor direta para a rentabilidade do segmento. Destaca-se o retorno da Equatorial Maranhão ao enquadramento regulatório no trimestre, elevando para cinco o número de distribuidoras abaixo do limite estabelecido pela Aneel: MA, PI, AL, GO e AP.

Renováveis: ventos fracos e constrained-off pesam

O segmento de geração renovável foi o ponto de pressão operacional do trimestre. A geração eólica líquida recuou 18,1%, para 788,8 GWh, reflexo direto da queda na velocidade média dos ventos: 6,7 m/s no 2T26 contra 7,4 m/s no 2T25, uma redução de 9,1%. O constrained-off impôs uma perda de aproximadamente 229 GWh ao portfólio consolidado — equivalente a 18,4% da geração potencial —, problema estrutural do setor elétrico brasileiro que afeta a Equatorial e seus pares de forma sistemática. A geração solar praticamente se estabilizou (+0,3%), mas o portfólio solar, excluindo constrained-off, teria avançado 6,1%. No consolidado, a geração ex-constrained-off ainda recuou 13,0%, para 1.243,7 GWh, evidenciando que mesmo o potencial físico do portfólio foi inferior ao período comparativo por conta das condições de vento.

Saneamento: corte de inadimplentes ofusca avanço no esgoto

No saneamento, o 2T26 reflete o dilema típico de concessões em fase de maturação: a redução de 6,2% nas economias faturadas de água (de 99,6 mil para 93,4 mil) decorreu principalmente de ações de corte de inadimplentes, decisão que sacrifica volume no curto prazo, mas melhora a qualidade da carteira. A hidrometração em expansão também contribuiu para a queda no volume faturado, ao substituir consumo estimado por medição real. Em esgoto, o avanço de 11,8% no volume faturado e a expansão dos índices de cobertura (água: 71,7%; esgoto: 15,6%) apontam para uma trajetória de densificação gradual da concessão.

A leitura para o investidor: tese de redes intacta, mas papel sob pressão

Valuation e visão de analistas

As ações da Equatorial (EQTL3) são negociadas a R$ 37,82, com queda de 2,6% na sessão mais recente, market cap de R$ 47,8 bilhões e intervalo de 52 semanas entre R$ 33,75 (mínima) e R$ 46,32 (máxima). O papel opera, portanto, no terço inferior da banda anual — reflexo tanto do impairment de R$ 3,5 bilhões em renováveis registrado no 4T25, que gerou volatilidade acentuada, quanto da percepção de maior complexidade trazida pela diversificação além da distribuição.

Segundo a Empiricus, que acompanha o papel, EQTL3 negociava a cerca de 8,4x EV/EBITDA 2026 — múltiplo considerado atrativo frente ao histórico do papel e ao perfil defensivo do setor elétrico brasileiro —, mantendo recomendação positiva. A tese central permanece ancorada na distribuição: crescimento de Fio B acima da média setorial, perdas consistentemente abaixo do regulatório e replicação do modelo de turnaround em novas concessões.

Riscos e oportunidades

Do lado dos riscos, o constrained-off crônico em renováveis segue corroendo o potencial do portfólio de geração, problema que depende de expansão da capacidade de transmissão no país. O saneamento ainda opera com índice de cobertura de esgoto de apenas 15,6%, indicando longa maturação à frente. Já em Alagoas, a mudança metodológica nos clientes livres criou um ruído que, embora temporário, pode confundir a leitura do mercado no curto prazo.

Do lado das oportunidades, o El Niño e a aceleração da demanda em Goiás e no Norte sinalizam que o segundo semestre pode sustentar o ritmo de crescimento do Fio B. O retorno do Maranhão ao enquadramento regulatório amplia a base de distribuidoras capturando eficiência acima do nível regulatório, com impacto direto na margem.

O que observar nos próximos trimestres

Com o resultado financeiro do 2T26 confirmando distribuição forte e renováveis pressionadas, o mercado passa a monitorar a sustentação desse padrão nos próximos trimestres. Investidores devem acompanhar: (i) a evolução do constrained-off e eventual sinalização do governo ou da Aneel sobre soluções de transmissão para o Norte e Nordeste; (ii) o andamento do processo tarifário de 2026 na CEA (Amapá), onde o mecanismo de cobertura adicional de perdas previsto em lei se extingue neste ciclo; (iii) a política de dividendos associada ao resultado do semestre e o nível de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) após eventuais novos investimentos em saneamento e transmissão; e (iv) a velocidade de consolidação do portfólio de saneamento, cujo índice de cobertura de esgoto de 15,6% ainda deixa vasto espaço para crescimento e, simultaneamente, para queima de caixa em capex.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.

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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 28/07/2026

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