CDB: como funciona, tipos, rentabilidade e riscos em 2026
O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um dos produtos mais conhecidos da renda fixa brasileira. como investir tesouro selic Ele pode oferecer liquidez diária ou vencimento definido, rentabilidade prefixada ou vinculada a indicadores como o CDI e cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), desde que respeitadas as regras e os limites da garantia.
Neste artigo, você entenderá o que é CDB, como a rentabilidade é calculada, quais são os principais tipos, como funciona o FGC, quais riscos precisam ser considerados e como informar o investimento na declaração do Imposto de Renda.
Resposta direta: CDB é um título de renda fixa emitido por uma instituição financeira. Ao investir, você empresta dinheiro ao emissor e recebe juros conforme as condições contratadas. A rentabilidade, a liquidez, o vencimento e o risco variam de uma emissão para outra.
O que é CDB e como funciona?
CDB é a sigla para Certificado de Depósito Bancário. As instituições financeiras utilizam esse instrumento para captar recursos que podem financiar suas operações de crédito, como empréstimos e financiamentos.
Ao aplicar, o investidor deve observar principalmente:
- a instituição financeira emissora;
- a forma de remuneração;
- o prazo de vencimento;
- a possibilidade ou não de resgate antecipado;
- o valor mínimo de aplicação;
- a tributação;
- a cobertura do FGC.
Como o CDB paga rentabilidade?
A remuneração pode ser definida como uma taxa fixa, um percentual do CDI ou uma combinação entre inflação e taxa fixa. Um CDB que paga 100% do CDI, por exemplo, acompanha a variação desse indicador durante o período da aplicação.
Para os exemplos deste artigo, usamos um cenário meramente ilustrativo de Selic a 14,25% ao ano e CDI a 14,15% ao ano. Essas taxas variam ao longo do tempo e não representam promessa de rentabilidade futura.
Liquidez e vencimento
Alguns CDBs possuem liquidez diária e permitem solicitar o resgate antes do vencimento, de acordo com as regras do produto. Outros só devolvem o dinheiro na data estabelecida ou dependem de eventual recompra pela instituição, que não deve ser presumida.
Antes de investir, confirme no documento da oferta se existe carência, quando o resgate pode ser solicitado e em quanto tempo o dinheiro será creditado.
Tributação
Os rendimentos do CDB estão sujeitos ao Imposto de Renda regressivo, normalmente retido na fonte pela instituição responsável. Também há incidência de IOF sobre os rendimentos quando o resgate ocorre nos primeiros 30 dias.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Quais são os tipos de CDB?
Os CDBs podem ser classificados em três grupos principais:
| Tipo | Rentabilidade | Característica principal |
|---|---|---|
| Prefixado | Taxa definida na contratação | Permite estimar o retorno no vencimento |
| Pós-fixado | Percentual de um indicador, geralmente o CDI | Acompanha a variação do indexador |
| Híbrido | Inflação mais taxa fixa | Busca preservar o poder de compra |
CDB prefixado
No CDB prefixado, a taxa é conhecida na contratação. Se o título pagar 12% ao ano, essa será a taxa bruta contratada caso o investimento seja mantido até o vencimento e a instituição cumpra a obrigação. O valor final também dependerá do prazo exato, da tributação e da forma de capitalização prevista.
Como a taxa não acompanha mudanças posteriores do mercado, o investidor deve comparar o retorno contratado com o prazo e com outras alternativas disponíveis.
CDB pós-fixado
O CDB pós-fixado costuma pagar um percentual do CDI, como 100%, 105% ou 110%. As ofertas variam conforme emissor, prazo, liquidez, valor aplicado e condições de mercado.
Em um cenário ilustrativo de CDI constante em 14,15% ao ano, um título a 110% do indicador teria retorno bruto aproximado superior ao CDI. Na prática, o CDI muda diariamente, e a rentabilidade efetiva deve ser calculada com base no período da aplicação.
CDB híbrido
O CDB híbrido combina um índice de inflação, normalmente o IPCA, com uma taxa fixa. Em um título IPCA + 6% ao ano, por exemplo, a parcela de 6% representa a taxa real contratada, antes de impostos, desde que o título seja mantido nas condições previstas.
A rentabilidade nominal resulta da composição entre inflação e taxa fixa, e não da simples soma dos dois percentuais.
Como funciona a cobertura do FGC?
Os CDBs elegíveis contam com a garantia ordinária do FGC até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição ou conglomerado financeiro. O limite considera a soma do principal com os rendimentos acumulados até a data da intervenção ou liquidação.
Também existe um teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas ao mesmo CPF ou CNPJ dentro de um período de quatro anos. A contagem começa na data da primeira intervenção ou liquidação que resulte em pagamento de garantia dentro desse período.
Como principal e juros entram no cálculo, aplicar exatamente R$ 250 mil em um único conglomerado pode fazer o saldo ultrapassar a cobertura. Quem utiliza o limite do FGC como critério deve manter uma margem para os rendimentos.
O pagamento do FGC é automático?
A cobertura do produto elegível não exige contratação separada, mas o recebimento não ocorre sem participação do credor. Depois que o liquidante envia e consolida a lista de credores, a pessoa física deve solicitar a garantia pelo aplicativo do FGC, validar sua identidade, indicar uma conta de sua titularidade e assinar o termo correspondente.
Não há prazo regulamentar para o liquidante concluir e encaminhar a lista. Segundo o FGC, depois que as informações estão disponíveis e a solicitação é concluída sem pendências, o pagamento pode ser disponibilizado em até dois dias úteis.
Antes de investir, consulte no site do FGC se o produto é coberto, se a instituição é associada e quais empresas pertencem ao mesmo conglomerado.
CDB, poupança e Tesouro Selic: quais são as diferenças?
Não basta comparar apenas a taxa anunciada. Tributação, liquidez, risco de crédito, garantia e prazo podem alterar o resultado.
| Alternativa | Tributação para pessoa física | Proteção e liquidez |
|---|---|---|
| CDB | IR regressivo e IOF nos primeiros 30 dias | Pode ter FGC; liquidez depende da emissão |
| Poupança | Isenta de IR | FGC e resgate conforme as regras da conta |
| Tesouro Selic | IR regressivo e IOF nos primeiros 30 dias | Risco do Tesouro Nacional e liquidez oferecida pelo programa |
Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança segue a regra de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial. Já o CDB pós-fixado acompanha o percentual do CDI contratado.
No Tesouro Selic, a B3 cobra taxa de custódia de 0,20% ao ano, mas o estoque de até R$ 10 mil por CPF nesse título é isento. Acima desse valor, a taxa incide apenas sobre o excedente. A instituição financeira também pode cobrar uma taxa própria, que deve ser conferida antes da aplicação.
O Tesouro Selic possui risco de crédito soberano. O CDB possui risco da instituição emissora, mitigado pelo FGC apenas quando o produto e o valor estão dentro das regras de cobertura.
Como analisar um CDB?
1. Defina o objetivo e o prazo
O dinheiro destinado a despesas imprevisíveis exige disponibilidade compatível com essa finalidade. Recursos com data de uso definida podem ser associados a vencimentos próximos desse objetivo, evitando depender de resgate antecipado.
2. Confira a liquidez
“Liquidez diária” não significa necessariamente crédito imediato a qualquer hora. Verifique carência, horário de solicitação, dias úteis e prazo de liquidação.
3. Compare o retorno líquido
Compare produtos com o mesmo prazo e condições semelhantes. Considere Imposto de Renda, IOF, eventuais custos e o período em que o dinheiro ficará indisponível.
4. Identifique o emissor
A corretora ou plataforma pela qual o título é comprado pode não ser a emissora do CDB. Confirme o nome da instituição financeira responsável pelo pagamento e o conglomerado ao qual ela pertence.
5. Avalie o risco de crédito
Quando houver rating público, ele pode ser usado como uma das informações da análise, mas não deve ser o único critério. Considere também o prazo, a liquidez, a situação da instituição, a concentração do investimento e a cobertura do FGC.
6. Confirme as condições no momento da aplicação
Bancos e corretoras distribuem CDBs de diferentes instituições. Taxas, valores mínimos, vencimentos e disponibilidade mudam diariamente. Por isso, informações comerciais vistas em comparadores ou artigos devem ser confirmadas na tela de contratação e nos documentos do produto.
Como investir em CDB
- Abra conta em uma instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central.
- Transfira os recursos pelos meios oferecidos pela instituição.
- Acesse a área de renda fixa e localize os CDBs disponíveis.
- Compare emissor, taxa, prazo, liquidez, carência e aplicação mínima.
- Confirme a cobertura do FGC e o conglomerado financeiro.
- Leia as condições da aplicação antes de confirmar a ordem.
- Guarde a nota de negociação, os extratos e os informes de rendimentos.
O investimento pode ser distribuído por banco, corretora ou plataforma, mas o risco de crédito permanece vinculado ao emissor indicado no título.
Quais são os riscos do CDB?
Risco de crédito
É o risco de a instituição emissora não cumprir a obrigação. A garantia do FGC reduz o impacto desse evento para produtos e valores elegíveis, mas não elimina a necessidade de solicitação nem o possível período de espera.
Risco de liquidez
Um CDB sem liquidez pode manter o dinheiro indisponível até o vencimento. Algumas instituições podem oferecer recompra ou transferência, mas isso não deve ser tratado como direito do investidor, salvo quando previsto nas condições do produto.
Risco de mercado e de oportunidade
Em um CDB prefixado, uma elevação posterior das taxas pode tornar novas ofertas mais atraentes. Em contrapartida, uma queda dos juros pode favorecer quem já contratou uma taxa superior, desde que mantenha o título conforme planejado.
Risco de concentração
Aplicações em instituições do mesmo conglomerado compartilham o limite do FGC. Além disso, o teto considera principal e rendimentos. A diversificação pode reduzir a exposição a um único emissor, mas deve respeitar os objetivos e a situação de cada investidor.
Como informar CDB no Imposto de Renda 2026
O Imposto de Renda sobre os rendimentos do CDB é normalmente retido na fonte, mas o patrimônio e os rendimentos devem ser informados quando o contribuinte estiver obrigado a entregar a declaração e a aplicação se enquadrar nos limites de informação.
Na interface atual do Meu Imposto de Renda, procure:
Aplicações e Investimentos > Títulos Públicos e Privados sujeitos à Tributação.
Na classificação tradicional do programa, isso corresponde ao Grupo 04 — Aplicações e Investimentos, código 02 — Títulos públicos e privados sujeitos à tributação.
Informe os dados de acordo com o informe de rendimentos da instituição, incluindo o saldo em 31 de dezembro e a identificação solicitada pelo sistema. Rendimentos recebidos no ano devem ser informados na categoria de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva ou definitiva, conforme o informe.
A Receita Federal informa que aplicações desse tipo devem ser declaradas quando o saldo individual em 31 de dezembro for superior a R$ 140, desde que o contribuinte esteja obrigado a apresentar a declaração. Utilize sempre o informe da instituição e as orientações da Receita para o exercício correspondente.
Perguntas frequentes
Quanto rende R$ 1.000 em um CDB?
Depende da taxa, do prazo, do comportamento do indexador e da tributação. Em um cenário apenas ilustrativo de CDI constante em 14,15% ao ano, um CDB a 100% do CDI mantido por aproximadamente um ano teria rendimento bruto próximo desse percentual. Sobre o ganho incidiria a alíquota de IR correspondente ao prazo.
CDB tem risco de perder dinheiro?
Sim. Existe risco de crédito do emissor, indisponibilidade antes do vencimento e perda de oportunidade em relação a novas taxas. Em situações de venda ou recompra antecipada, quando disponíveis, o valor também pode ser diferente do esperado. O FGC protege apenas produtos e valores elegíveis dentro de seus limites.
Qual é o melhor banco para investir em CDB?
Não existe uma instituição universalmente melhor. As condições mudam conforme emissor, prazo, liquidez, taxa, valor mínimo e momento de mercado. Compare produtos equivalentes e confirme a instituição que efetivamente emite o título.
LCI e LCA são sempre melhores porque não têm IR?
Não necessariamente. A isenção de IR para pessoa física aumenta a rentabilidade líquida, mas prazo, carência, liquidez, percentual do CDI, emissor e objetivo também precisam ser comparados. Uma taxa nominal menor pode ou não compensar a isenção.
Como solicitar a garantia do FGC?
Depois que o liquidante encaminha a lista de credores, a pessoa física deve acessar o aplicativo do FGC, realizar o cadastro, solicitar a garantia, indicar uma conta corrente ou poupança de sua titularidade e concluir as validações solicitadas.
Conclusão
O CDB pode atender diferentes objetivos, mas a taxa anunciada não deve ser analisada isoladamente. Prazo, liquidez, tributação, emissor, concentração e cobertura do FGC influenciam o resultado e o risco.
Antes de investir, compare o retorno líquido, confirme as condições do produto e verifique se o vencimento é compatível com a data em que o dinheiro será necessário.
Fontes oficiais:
- Banco Central — histórico das taxas de juros
- FGC — produtos e limites da garantia
- FGC — pagamento da garantia
- B3 — custos do Tesouro Direto
- Receita Federal — bens financeiros
Este conteúdo tem caráter exclusivamente educacional e informativo. Não constitui oferta, recomendação ou aconselhamento de investimento. Taxas e condições podem mudar. Antes de investir, leia os documentos do produto e avalie sua adequação ao seu perfil, aos seus objetivos e à sua necessidade de liquidez.
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