Vendas brutas sobem 66,9% e lançamentos superam R$ 600 milhões no trimestre
A Trisul (TRIS3) divulgou em 22 de julho de 2026 a prévia operacional do segundo trimestre, que reforça a aceleração comercial iniciada no começo do ano. As Vendas Brutas (% Trisul) totalizaram R$ 529,9 milhões no 2T26, alta de 66,9% em relação ao 2T25 e avanço de 22,2% frente ao 1T26. Já as Vendas Líquidas (% Trisul) chegaram a R$ 465,2 milhões, crescimento de 63,9% ano a ano e de 18,5% na comparação trimestral. No semestre, a companhia soma R$ 963,4 milhões em Vendas Brutas — avanço de 46,7% sobre o 6M25 —, indicando que 2026 já é, numericamente, outro patamar operacional para a incorporadora paulistana.
- Vendas Brutas (% Trisul): R$ 529,9 mi (+66,9% a/a; +22,2% t/t)
- Vendas Líquidas (% Trisul): R$ 465,2 mi (+63,9% a/a; +18,5% t/t)
- VGV de Lançamentos (% Trisul): R$ 602,9 mi (+38,2% t/t frente ao 1T26)
- Unidades Lançadas: 729 (+115,7% a/a)
- Unidades Vendidas: 806 (+60,6% a/a; +6,2% t/t)
- VSO Trimestral (em VGV): 12,5% (vs. 11,4% no 1T26 e 14,3% no 2T25)
- Landbank Total: R$ 6,8 bilhões em VGV (em 30/06/2026)
Vale lembrar que os números divulgados são preliminares, não auditados e sujeitos à revisão. O resultado financeiro completo, com receita reconhecida pelo PoC (percentual de conclusão de obras), EBITDA e lucro líquido, será divulgado em 13 de agosto de 2026, após o fechamento do mercado, com teleconferência no dia seguinte.
Base de comparação fraca em 2025 amplifica o salto — mas o crescimento é real
Para calibrar o entusiasmo com os percentuais de três dígitos, é preciso olhar o denominador. No 2T25, a Trisul havia lançado apenas um empreendimento, com 338 unidades e VGV de R$ 102 milhões — um trimestre reconhecidamente fraco em lançamentos, que o BTG Pactual havia destacado na época como aquém das estimativas de VGV para o período. Entregas no mesmo trimestre do ano anterior somaram cerca de R$ 142 milhões em VGV, segundo análise do banco. Esse baixo patamar de comparação explica parte expressiva do salto percentual anual, mas não toda ela: o crescimento sequencial também é consistente.
No 1T26, a Trisul já havia acelerado, lançando três empreendimentos com VGV (% Trisul) de R$ 436,1 milhões em 1.591 unidades e entregando ativos que somaram cerca de R$ 560 milhões em VGV. O 2T26 manteve o ritmo de três lançamentos simultâneos e elevou o VGV total para R$ 602,9 milhões — alta de 38,2% sobre o 1T26 —, enquanto as unidades lançadas caíram de 1.591 para 729, o que evidencia uma migração de mix para produtos de tíquete médio mais alto. O Atílio 870, empreendimento de alto padrão com apenas 29 unidades e VGV de R$ 373,5 milhões — mais de R$ 12 milhões por apartamento —, é o principal responsável por esse efeito de concentração de valor em volume menor de unidades. No acumulado do semestre, os lançamentos totais de R$ 1,04 bilhão em VGV (% Trisul) representam mais que o dobro dos R$ 507,3 milhões registrados em igual período de 2025 (+104,8%).
Mix cirúrgico: MCMV puxa volume, alto padrão puxa valor
A estratégia de portfólio da Trisul no 2T26 é, em si, uma declaração de posicionamento. Os três lançamentos do trimestre cobrem três segmentos distintos — e revelam uma empresa que apostou na diversificação como proteção contra ciclos.
Minha Casa Minha Vida: demanda estrutural e capilaridade
O Elev Anhaia Mello – Fase 1, na Vila Prudente, com 424 unidades e VGV de R$ 126,3 milhões, representa a âncora de volume do trimestre. O MCMV segue sendo o segmento de maior previsibilidade de demanda no ciclo atual, beneficiado pelo programa federal e por condições de financiamento que isolam parte desse comprador das oscilações da Selic. O landbank da Trisul reserva 55% do total de R$ 6,8 bilhões para esse segmento — sinal de que a empresa mantém o MCMV como motor de giro e de caixa futuro.
Compactos e alto padrão: tíquete e margem
O Auren Studios Vila Clementino, com 276 unidades de 21m² a 31m² próximas à UNIFESP e ao Ibirapuera, mira o segmento de compactos, que combina localização premium com tíquete acessível para o investidor de renda. Já o Atílio 870, com apartamentos de 361m², um por andar, em três bairros nobres de São Paulo, é o projeto que mais contribui para o VGV do trimestre com o menor número de unidades — 29 — e representa a aposta da Trisul na margem elevada que o alto padrão costuma entregar. Os 45% do landbank alocados em Médio/Alto Padrão indicam que esse equilíbrio deve se manter nos próximos trimestres.
No lado das entregas, o Península Vila Madalena, com 324 unidades e VGV (% Trisul) de R$ 382,9 milhões, foi concluído em abril de 2026 — o maior projeto entregue no trimestre e um ativo que confirma a penetração da companhia no segmento de alto padrão. No acumulado do ano, a Trisul já entregou 967 unidades em quatro empreendimentos, com VGV total de R$ 1,02 bilhão.
O que o resultado muda na tese de TRIS3
Velocidade de vendas e distratos: ponto de atenção
O VSO de 12,5% no 2T26 melhora em relação aos 11,4% do 1T26, mas recua frente aos 14,3% registrados no 2T25 — numa base de estoque que, naturalmente, cresceu com o ritmo acelerado de lançamentos. O estoque disponível chegou a 4.027 unidades em R$ 3,25 bilhões em VGV ao início de julho. Paralelamente, os distratos (% Trisul) saltaram 91,6% em relação ao 2T25, alcançando R$ 64,7 milhões no trimestre — ritmo superior ao crescimento das vendas brutas —, e acumulam R$ 105,5 milhões no semestre, alta de 30,9% sobre o 6M25. Embora o nível absoluto ainda seja administrável frente ao volume de vendas, a aceleração dos distratos merece acompanhamento na divulgação do resultado financeiro completo.
Landbank e visibilidade de crescimento
Com R$ 6,8 bilhões em landbank — sendo R$ 0,9 bilhão on balance e R$ 5,9 bilhões off balance, segundo o gráfico divulgado —, a Trisul tem visibilidade de lançamentos para vários anos à frente. O crescimento do landbank de R$ 6,0 bilhões no 1T26 para R$ 6,8 bilhões no 2T26 indica que a companhia seguiu prospectando ativamente mesmo enquanto consumia parte do pipeline em lançamentos.
Ação e mercado
As ações TRIS3 eram negociadas a R$ 4,12 nesta sessão, com alta de 2,49%, dentro de uma banda de R$ 3,85 a R$ 7,64 nas últimas 52 semanas — o que significa que o papel ainda opera a menos de 54% da máxima anual, refletindo o desconto que o mercado aplica ao setor imobiliário num ambiente de Selic em patamar restritivo. O market cap da companhia está em torno de R$ 0,9 bilhão. Sem rating formal de crédito ou consenso amplo de analistas confirmado nesta edição, a leitura que se extrai dos números operacionais é de recuperação de ritmo — mas o impacto financeiro (margem, receita reconhecida, caixa) só será quantificável no balanço de agosto.
O que observar nos próximos 90 dias
A data mais importante no calendário da Trisul é 13 de agosto de 2026, quando a companhia publicará o resultado financeiro completo do 2T26 — receita líquida pelo PoC, EBITDA, lucro líquido, endividamento e geração de caixa. A teleconferência com analistas ocorrerá no dia seguinte, 14 de agosto, às 14h30 (horário de Brasília), e deve trazer mais cor sobre o volume de lançamentos previsto para o 2S26.
Além dos números de agosto, três pontos merecem monitoramento contínuo: (1) a evolução da velocidade de vendas (VSO) sobre o estoque ampliado, dado que o pipeline de lançamentos do 1S26 foi robusto; (2) o comportamento dos distratos, que cresceram em ritmo acima das vendas brutas; e (3) o ritmo de ativação dos terrenos off balance no landbank, que determinará se a companhia consegue sustentar o patamar de R$ 500 milhões-plus por trimestre em lançamentos ao longo do segundo semestre. O mix entre MCMV e médio/alto padrão nos próximos lançamentos também será um indicador relevante da estratégia de margem que a Trisul pretende defender.
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