Credores da OSX Brasil suspendem votação do plano de recuperação judicial
A OSX Brasil S.A. – em recuperação judicial informou, em fato relevante de 3 de agosto de 2026, que foi dada continuidade à Assembleia Geral de Credores do Grupo OSX, instalada em segunda convocação em 29 de maio de 2026. Na sessão, credores representando 99,71% dos créditos presentes deliberaram pela suspensão da votação do Plano de Recuperação Judicial (PRJ).
Os trabalhos serão retomados em 17 de agosto de 2026, às 14h, novamente em ambiente virtual (plataforma Assemblex). O processo tramita sob o nº 0132006-60.2023.8.19.0001, na 3ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro, e abrange as recuperandas OSX Brasil S.A., OSX Brasil – Porto do Açu S.A. e OSX Serviços Operacionais Ltda.
Por que a votação foi suspensa
Segundo a ata da assembleia, as recuperandas informaram a apresentação nos autos de um aditivo ao PRJ, substancialmente diverso do plano até então em vigor. Diante do novo texto, o credor Em Paz requereu a suspensão por prazo razoável para que todos pudessem se informar adequadamente sobre os novos termos, sugestão acolhida pela Administração Judicial (Pansieri Advogados) e aprovada pelos credores.
A nova sessão terá como ordem do dia a votação do aditivo e a deliberação sobre aprovação, rejeição ou modificação da proposta. A data observa o prazo de encerramento previsto no art. 56, § 9º, da Lei nº 11.101/2005, cujo termo final recai em 27 de agosto de 2026.
Contexto: um dos casos emblemáticos da queda do grupo EBX
A OSX Brasil foi concebida como o braço de construção e serviços para a indústria de óleo e gás offshore do conglomerado de Eike Batista (Grupo EBX), com foco em construção de plataformas (FPSOs), leasing e suporte logístico portuário no Porto do Açu. A derrocada da OGX e do grupo EBX, a partir de 2013–2014, levou a companhia à recuperação judicial e à posterior desmobilização de ativos-chave, como o FPSO OSX-1.
Desde então, o mercado trata o nome como um ativo em distress, com liquidez extremamente reduzida e cobertura de equity tradicional praticamente inexistente. O foco atual é de analistas de reestruturação e especialistas em recuperação judicial, com leitura de baixa probabilidade de recuperação significativa para acionistas minoritários.
O que observar para a tese
A suspensão da votação, mesmo com quase a totalidade dos créditos presentes, sinaliza que o novo aditivo ao plano é materialmente diferente e ainda precisa ser digerido pelos credores — dinâmica típica de casos complexos, em que credores pressionam por mais garantias, melhor remuneração e clareza sobre desinvestimentos e fluxo de caixa. Caso não haja aprovação em agosto, o processo pode se alongar, mantendo aberto o espectro de discussões mais duras sobre o futuro da companhia.
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