Os 10 Melhores Charutos do Mundo em 2026: Guia para Apreciadores e Colecionadores

Os 10 Melhores Charutos do Mundo em 2026

Você sabia que o Cohiba Behike 56 custa cerca de R$ 3.125 no Brasil — e que a maior parte desse valor vai direto para o governo, não para o fumo? Pois é. Para quem busca os melhores charutos do mundo em 2026, o ranking deste ano traz uma mistura irresistível de tradição cubana, precisão dominicana e ousadia nicaraguense. Selecionados por especialistas, esses charutos combinam blends excepcionais, terroirs lendários e uma carga tributária que faz qualquer apreciação virar um investimento consciente.

Top 10 em 2026: (1) Cohiba Behike 56 (Cuba), (2) Cohiba Esplendidos (Cuba), (3) Davidoff Grand Cru No. 3 (República Dominicana), (4) Padrón 1964 Anniversary Series (Nicarágua), (5) Arturo Fuente Opus X (República Dominicana), (6) Montecristo No. 2 (Cuba), (7) Partagás Serie D No. 4 (Cuba), (8) Oliva Serie V Melanio (Nicarágua), (9) Romeo y Julieta Churchill (Cuba), (10) Hoyo de Monterrey Double Corona (Cuba). A seleção considera notas em Cigar Aficionado e Cigar Journal, terroir, consistência e custo-benefício no Brasil.

Os 10 melhores charutos do mundo em 2026: o ranking desvendado

No topo do pódio, marcas como Cohiba, Padrón e Arturo Fuente reinam há décadas — não por acaso, mas por uma combinação imbatível de tabaco excepcional, técnicas artesanais e uma reputação construída em fumaça e tempo. Mas como exatamente esses charutos se destacam? Quatro critérios definem a excelência:

Cuba ainda lidera, mas com concorrência à altura. Com seis posições no top 10, os charutos cubanos confirmam por que Vuelta Abajo é uma lenda. No entanto, Nicarágua e República Dominicana — com duas posições cada — não estão mais brincando: seus blends alcançaram um nível técnico comparável, provando que a arte do charuto deixou de ser exclusividade de Havana.

Para o colecionador brasileiro, porém, há um detalhe crucial: o custo. Um charuto que sai por US$ 50 lá fora pode passar de R$ 2.900 aqui, já considerando tributos e margem de varejo. Portanto, conhecer o ranking é só o começo — entender o impacto dos impostos é o que separa um gasto impulsivo de um investimento calculado.

Como escolhemos: os critérios por trás dos melhores charutos

Definir o “melhor charuto do mundo” não é tarefa simples — afinal, existem centenas de blends, vitolas e estilos. Para tornar essa seleção objetiva, estruturamos o ranking em quatro pilares, cada um com seu peso específico.

1. Pontuação em publicações renomadas

A Cigar Aficionado é a Bíblia dos apreciadores, com notas que vão de 0 a 100. Um score acima de 90? Excelência comprovada. A Cigar Journal, por sua vez, traz a perspectiva europeia, avaliando aroma, combustão, construção, sabor e complexidade. Quando um charuto ultrapassa consistentemente os 92 pontos, ele automaticamente ganha destaque neste ranking.

Vale um alerta metodológico: comparações diretas entre notas de publicações diferentes devem ser feitas com cautela, já que cada revista adota seus próprios critérios e painéis de degustação.

2. Origem e qualidade do tabaco: o peso do terroir

Se o terroir define o vinho, ele também molda o charuto. Em Vuelta Abajo, no oeste de Cuba, o solo, a topografia suave e o clima tropical úmido criam a combinação perfeita para folhas de tabaco com complexidade ímpar — especialmente a capa (wrapper), que responde por uma parcela expressiva do sabor percebido.

Essas condições são praticamente irreplicáveis. Jalapa, na Nicarágua, chega perto em intensidade, enquanto o Recôncavo Baiano entrega um tabaco Mata Fina doce e flexível, muito valorizado em capas e ligas. Mas Cuba ainda detém a primazia: nenhum outro lugar do mundo consegue juntar tantos ingredientes naturais em perfeita harmonia.

Além disso, vale destacar: o Brasil, apesar de ser um dos maiores exportadores mundiais de tabaco como matéria-prima, ainda não transforma esse potencial em charutos acabados de prestígio internacional em larga escala. Um paradoxo que merece reflexão.

3. Consistência: a marca registrada das grandes grifes

Imagine comprar uma caixa de Cohiba Behike e encontrar variações de sabor entre unidades do mesmo lote. Inaceitável, certo? Pois é justamente essa consistência absoluta que separa as grandes marcas das demais.

Marcas como Cohiba e Davidoff investem em torcedores treinados por décadas e processos produtivos rigorosamente controlados. Por trás de cada charuto, há um compromisso com a qualidade que poucos conseguem igualar.

Na prática, essa confiabilidade é avaliada por compradores especializados que testam amostras de diferentes lotes ao longo do ano. E é por isso que, no ranking, as marcas com histórico imaculado ganham pontos extras.

4. Custo-benefício para o mercado brasileiro

Com a carga tributária brasileira, até um charuto modesto pode custar uma pequena fortuna. Por esse motivo, modelos que entregam uma experiência premium mesmo em vitolas menores — e, portanto, mais acessíveis — ganham destaque neste guia.

Dessa forma, a relação qualidade-preço se torna um fator decisivo, especialmente quando se considera que um produto de US$ 30 lá fora pode superar os R$ 1.500 aqui, dependendo do câmbio e da margem do varejo.

Critério Peso no ranking Fonte de avaliação
Pontuação técnica 40% Cigar Aficionado / Cigar Journal
Origem do tabaco 30% Terroir e blend documentado
Consistência e reputação 20% Histórico de produção
Custo no Brasil 10% Tabacarias e importadores

Afinal, entender esses critérios é essencial para saber por que alguns charutos custam mais — e valem cada centavo. Uma nota alta não é fruto de marketing, mas sim de décadas de dedicação a sementes, solo e técnica.

Os 5 primeiros colocados: o ápice da excelência

Os cinco primeiros colocados deste ranking não são apenas charutos — são obras-primas que definem o padrão de qualidade para o resto do mundo. Cada um deles traz uma história única de blend, vitola e sabor, construída ao longo de gerações.

1º — Cohiba Behike 56 (Cuba): o sonho de consumo de qualquer colecionador

Poucas coisas no universo dos charutos geram tanto fascínio quanto o Behike 56. Sua liga inclui a folha Medio Tiempo — colhida apenas no topo de algumas plantas de Vuelta Abajo — tão rara quanto luxuosa. Essa folha confere ao charuto uma complexidade de sabores e uma cremosidade que poucos blends conseguem igualar.

Com um anel 56 e 6,5 polegadas (166 mm) de extensão, ele oferece uma fumada longa e equilibrada. No paladar, cedro, cacau e especiarias se misturam em um corpo médio-forte. Não à toa, é consistentemente avaliado na faixa de 94 a 96 pontos pela Cigar Aficionado.

Preço no Brasil: cerca de R$ 3.125 por unidade.

2º — Cohiba Esplendidos (Cuba): elegância em vitola Churchill

Sinônimo de sofisticação, o Esplendidos é o charuto de gala da Cohiba. Com sete polegadas e anel 47, sua vitola Churchill é um convite para celebrações. O blend, de tabacos cubanos de Vuelta Abajo devidamente envelhecidos, entrega um perfil médio com notas de couro, mel e madeira — uma combinação clássica que agrada tanto iniciantes quanto veteranos.

Seu preço no Brasil varia entre R$ 1.200 e R$ 1.800, o que o torna um dos cubanos mais acessíveis do topo do ranking.

3º — Davidoff Grand Cru No. 3 (República Dominicana): precisão suíça aplicada ao charuto

Davidoff não brinca em serviço. O Grand Cru No. 3 é a síntese dessa filosofia: um charuto que combina tabaco dominicano envelhecido com uma capa equatoriana de Connecticut. O resultado é um perfil leve a médio, com notas florais, creme e nozes — perfeito para quem busca elegância sem exagero.

Além disso, com preços entre R$ 350 e R$ 500 no Brasil, ele se destaca como uma porta de entrada inteligente para o mundo premium.

4º — Padrón 1964 Anniversary Series (Nicarágua): o ícone nicaraguense

Criado para celebrar o aniversário da marca, o Padrón 1964 é um monumento ao tabaco nicaraguense — trata-se de um puro nicaraguense, com todas as folhas cultivadas no país. Seus tabacos, envelhecidos por anos e disponíveis em capa natural ou maduro, entregam uma experiência intensa: chocolate amargo, café e terra se destacam em um corpo médio-forte.

Com notas historicamente muito altas na Cigar Aficionado, ele é presença garantida nos tops globais. No Brasil, custa entre R$ 400 e R$ 700 — um valor justo para quem busca qualidade sem ostentação.

5º — Arturo Fuente Opus X (República Dominicana): o impossível tornado possível

Durante décadas, cultivadores juravam que fazer uma capa de qualidade na República Dominicana era impossível. Até que, nos anos 1990, a família Fuente provou o contrário. O Opus X, produzido com tabaco da Fazenda Chateau de la Fuente, em Bonao, revolucionou o mercado.

Com um corpo forte e notas de pimenta, cedro e frutas vermelhas, ele é um dos charutos mais procurados — e difíceis de encontrar — do planeta. Seu preço no Brasil varia entre R$ 600 e R$ 1.200, refletindo sua exclusividade.

Reflexão para quem coleciona: Quem compra dois Behike 56 por mês desembolsa cerca de R$ 6.250 só em produto — sem contar tributos adicionais. Para esse público, entender o impacto financeiro e, consequentemente, planejar as compras pensando no câmbio é fundamental. Afinal, a paixão por charutos não precisa virar um rombo no orçamento.

6º ao 10º lugar: os charutos que todo colecionador deveria experimentar

Da 6ª à 10ª posição, encontramos charutos com perfis tão variados quanto fascinantes — cubanos clássicos, blends nicaraguenses encorpados e vitolas históricas. Cada um deles merece espaço no humidor de quem leva a sério essa paixão.

6º — Montecristo No. 2 (Cuba): o clássico que conquistou o mundo

Se há um charuto que simboliza Cuba para além dos clichês, é o Montecristo No. 2. Sua vitola torpedo (6,1 polegadas, anel 52) é uma referência no segmento, e a ponta afilada concentra sabores de forma única, especialmente na reta final da fumada.

Elaborado com tabaco cubano de Vuelta Abajo, ele entrega um perfil médio: cedro, couro e especiarias suaves. Com preços entre R$ 600 e R$ 900 no Brasil, é a porta de entrada mais segura para o universo cubano premium.

7º — Partagás Serie D No. 4 (Cuba): intensidade em formato Robusto

Para quem prefere charutos curtos e intensos, o Serie D No. 4 é uma aula de autenticidade cubana. Com 4,8 polegadas e anel 50, seu blend de Vuelta Abajo entrega um corpo forte, com notas marcantes de terra, café e cacau.

Um clássico entre colecionadores experientes, seu preço varia entre R$ 500 e R$ 750 no Brasil — um custo acessível para quem deseja complexidade sem rodeios.

8º — Oliva Serie V Melanio (Nicarágua): a joia nicaraguense com melhor custo-benefício

O Melanio é a linha premium da Oliva, um blend de tabacos de Jalapa e Estelí com capa Sumatra cultivada no Equador. O resultado é um corpo médio-forte, onde cacau, especiarias e frutas secas se destacam com elegância.

Premiado como Charuto do Ano (Cigar of the Year 2014, vitola Figurado) pela Cigar Aficionado, ele é um dos destaques do top 10 em termos de valor. No Brasil, custa entre R$ 250 e R$ 400, provando que qualidade nem sempre exige ostentação.

9º — Romeo y Julieta Churchill (Cuba): celebrando a tradição

Este é o legítimo Churchill: 7 polegadas, anel 47 e um perfil médio com notas de madeira, mel e flores. Seu nome homenageia Winston Churchill, notório apreciador de charutos — e, de fato, essa vitola é sinônimo de celebração.

Com preços entre R$ 700 e R$ 1.000 no Brasil, é uma opção sofisticada para momentos especiais.

10º — Hoyo de Monterrey Double Corona (Cuba): elegância em longa duração

Com 7,6 polegadas e anel 49, o Double Corona é um dos maiores charutos em circulação — e uma prova de fogo para apreciadores. Tabacos de Vuelta Abajo compõem um blend suave, com corpo leve a médio e notas de flores, creme e madeira.

Perfeito para uma fumada relaxada de mais de duas horas, custa entre R$ 650 e R$ 950 no Brasil.

Investimento estimado para colecionadores: Montar um humidor com um exemplar de cada marca do top 10 exige entre R$ 8.000 e R$ 25.000, dependendo das vitolas escolhidas. E não se esqueça: um bom humidor pode custar entre R$ 800 e R$ 3.000 a mais — afinal, armazenamento adequado é essencial para preservar a qualidade.

Charutos brasileiros: por que não estão no top 10 — ainda

O Brasil é gigante na produção de matéria-prima para charutos, mas ainda não figura entre os produtores de destaque internacional em produto acabado. O tabaco Mata Fina, cultivado no Recôncavo Baiano, é considerado um dos mais nobres do planeta e aparece em ligas de marcas internacionais reconhecidas, como CAO, Drew Estate e Herrera Esteli. Vale a ressalva, porém: ele não integra os charutos deste ranking — os cubanos listados são puros cubanos e o Padrón 1964 é um puro nicaraguense, conforme as ligas divulgadas pelos próprios fabricantes.

A contradição é evidente: exportamos aproximadamente 85% da nossa produção de folha, principalmente para países europeus como Bélgica e Alemanha, que a redistribuem para fabricantes europeus e americanos (recomenda-se checar o dado mais recente do Sinditabaco). E quando queremos charutos de qualidade, importamos o produto final com uma carga tributária que multiplica o preço em cerca de nove a dez vezes. É como vender madeira nobre e recomprar móveis de luxo a peso de ouro.

Dona Flor Robusto: o brasileiro que provou que dá para competir

No cenário dos charutos acabados, um nome se destaca: Dona Flor Robusto. Na linha Seleção, com vitola 5×52 e um blend integralmente brasileiro — capa Mata Fina e liga com folhas de Mata Norte —, ele entregou uma performance Nota 92 na Cigar Aficionado, uma das maiores pontuações já atribuídas a um charuto brasileiro pela publicação.

Essa pontuação o coloca na mesma faixa de charutos premium internacionais avaliados pela mesma revista. Seu perfil: corpo médio, notas suaves de mel, madeira e especiarias. E o melhor: custa entre R$ 150 e R$ 250 por unidade, o que o torna um dos melhores custo-benefício desta seleção.

Por que isso importa? O Dona Flor é a prova concreta de que o Brasil tem condições de produzir charutos de padrão internacional. Além disso, representa uma alternativa inteligente para colecionadores que buscam qualidade sem arcar com a carga tributária elevada da importação. Em outras palavras: por que gastar R$ 1.200 em um cubano quando você pode ter um brasileiro de 92 pontos por uma fração desse valor, com um retorno sensorial expressivo?

Por que um charuto premium custa tão caro no Brasil?

No Brasil, um charuto da NCM 2402.10.00 enfrenta uma das cargas tributárias mais agressivas do mundo. Para entender o tamanho do problema, basta seguir o dinheiro: do produtor internacional ao seu humidor, cada etapa traz um novo acréscimo fiscal. E, no final, quem paga é o consumidor.

Desvendando a cadeia de impostos

No desembaraço aduaneiro, incide a seguinte sequência de tributos:

  • Imposto de Importação (II): 35% sobre o valor CIF (custo, seguro e frete) para a NCM 2402.10.00 — conforme a tabela vigente.
  • IPI: 300% sobre o valor aduaneiro acrescido do II. O IPI é tributo antigo no sistema brasileiro (com base legal na Lei nº 4.502/1964 e no Código Tributário Nacional de 1966); o que ocorreu ao longo do tempo foi a majoração e consolidação de alíquotas elevadas para produtos fumígenos como instrumento de saúde pública, chegando à alíquota atual de 300% para charutos.
  • PIS/COFINS-Importação: 12,35% em 2026 (PIS-Importação: 2,1% + COFINS-Importação: 10,25%, já considerando o acréscimo previsto em lei), nos termos da Lei nº 10.865/2004.
  • ICMS: Varia conforme o estado (por exemplo, alíquota interna de 18% em São Paulo e 20% no Rio de Janeiro, este último com adicional de 4% do Fundo de Combate à Pobreza para produtos selecionados), incidindo sobre o valor aduaneiro somado a todos os tributos federais — e calculado “por dentro”, ou seja, o próprio ICMS integra a sua base de cálculo.

E tem mais: o Imposto Seletivo vem aí. A Lei Complementar nº 214 de 2025 instituiu o Imposto Seletivo (IS), que passa a incidir sobre produtos fumígenos a partir de janeiro de 2027; as alíquotas aplicáveis a cada produto ainda serão definidas em lei ordinária. Sua lógica é substituir gradualmente o IPI, mantendo — ou até aumentando — a carga tributária como forma de desestimular o consumo.

Na prática: um cálculo que assusta

Exemplo: Um charuto com valor CIF de US$ 50 — equivalente a R$ 260, considerando um câmbio hipotético de R$ 5,20 — com ICMS de 18% (alíquota interna de São Paulo).

Etapa Cálculo Valor (R$)
Valor CIF US$ 50 × 5,20 260,00
+ Imposto de Importação (35%) 260 × 0,35 91,00
Base para IPI 260 + 91 351,00
+ IPI (300%) 351 × 3,00 1.053,00
Subtotal aduaneiro 260 + 91 + 1.053 1.404,00
+ PIS/COFINS-Importação (12,35%) 1.404 × 0,1235 173,39
Base do ICMS (cálculo “por dentro”) (1.404 + 173,39) ÷ (1 − 0,18) 1.923,65
+ ICMS (18% — SP) 1.923,65 × 0,18 346,26
Custo ao importador Valor CIF + total de impostos (1.663,65) 1.923,65
Margem do varejo (30%): + R$ 577,10 | Preço final ao consumidor: ≈ R$ 2.501

O resultado? Um charuto de US$ 50 passa de R$ 260 no exterior para cerca de R$ 2.500 nas tabacarias brasileiras — uma multiplicação de aproximadamente nove a dez vezes. Em alguns casos, devido a margens comerciais maiores, adicionais estaduais ou variações cambiais desfavoráveis, o mesmo charuto pode superar R$ 3.000 no varejo premium.

Zona Franca de Manaus? Não para charutos.

Quem pensa em driblar os tributos usando a Zona Franca de Manaus pode tirar o cavalo da chuva. O artigo 3º do Decreto-Lei nº 288 de 1967 lista as exceções, e o fumo está entre elas. Em outras palavras: não há isenção nem benefícios fiscais para importadores de charutos.

Além disso, para empresários que exploram o segmento, a escolha entre lucro real, presumido ou holding patrimonial faz diferença na hora de precificar. E já que mencionamos: comprar informalmente ou exceder a franquia de bagagem é um convite para problemas com a Receita Federal. Segundo as regras vigentes da Receita, a franquia para viajantes que chegam por via aérea ou marítima é de US$ 1.000 por pessoa; em fronteiras terrestres o limite é menor (US$ 500), e remessas postais ou por courier seguem regras próprias, em geral mais restritivas. Afinal, o fisco sempre está de olho.

Resumo prático: o que você precisa saber sobre os 10 melhores charutos de 2026

  • O Cohiba Behike 56 é um dos charutos mais caros regularmente comercializados no Brasil, com preço médio em torno de R$ 3.125.
  • Cuba lidera com 6 das 10 posições, mas Nicarágua e República Dominicana (duas cada) provaram que chegaram a um nível técnico comparável.
  • O tabaco baiano Mata Fina é usado em ligas de marcas internacionais, embora não apareça nos charutos deste top 10 — e cerca de 85% da produção brasileira de folha de tabaco é exportada.
  • O Dona Flor Robusto (linha Seleção, 5×52, puro brasileiro), alcançou 92 pontos na Cigar Aficionado — mesma faixa de premium internacionais — e custa entre R$ 150 e R$ 250.
  • Um charuto de US$ 50 é tributado em cascata: II (35%) + IPI (300%) + PIS/COFINS-Importação (12,35% em 2026) + ICMS (18% em SP, calculado por dentro), podendo chegar a cerca de R$ 2.500 no varejo.
  • Zona Franca de Manaus não isenta charutos — eles integram a lista de exceções desde 1967.
  • O Imposto Seletivo passa a incidir sobre produtos fumígenos em janeiro de 2027, substituindo parte do IPI; as alíquotas ainda serão definidas em lei ordinária.

Perguntas frequentes sobre charutos premium

Charuto cubano é realmente o melhor do mundo?

Sim — mas com ressalvas. Cuba tem posição de destaque pela qualidade única de Vuelta Abajo, região que produz folhas com complexidade e aromas notáveis. No entanto, nas últimas décadas, Nicarágua e República Dominicana encurtaram a distância técnica de forma impressionante.

Portanto, embora Cuba ainda lidere em tradição, marcas como Padrón e Oliva já conseguem pontuações equivalentes às dos cubanos. A supremacia existe, mas não é mais incontestável.

Qual é o charuto mais caro do mundo?

O Behike 56 é um dos mais caros disponíveis regularmente no mercado, com preço médio em torno de R$ 3.125 no Brasil. Porém, edições limitadas e itens de leilão — como charutos históricos de Havana — podem ultrapassar a casa dos R$ 50 mil.

Vale destacar: seu alto custo é justificado, em boa parte, pela raridade da folha Medio Tiempo, colhida apenas no topo de algumas plantas.

Como guardar charutos premium corretamente?

O armazenamento adequado exige controle rigoroso: umidade entre 65% e 72% e temperatura em torno de 16°C a 18°C. Um bom humidor, que custa entre R$ 800 e R$ 3.000, é essencial para colecionadores que mantêm mais de 20 unidades.

Por outro lado, deixar charutos em geladeiras domésticas é um erro grave: a baixa umidade resseca as folhas, tornando-os quebradiços e sem sabor.

Por que charutos importados são tão caros no Brasil?

Incide uma cascata de tributos sobre charutos da NCM 2402.10.00: Imposto de Importação (35%), IPI (300%), PIS/COFINS-Importação (12,35% em 2026) e ICMS estadual (18% em SP, 20% no RJ com adicional de 4% de FCP para produtos selecionados, calculado por dentro).

Adicionalmente, a Lei Complementar nº 214 de 2025 instituiu o Imposto Seletivo, cuja cobrança sobre produtos fumígenos começa em janeiro de 2027, com alíquotas a serem fixadas em lei ordinária. Em resumo: a política brasileira usa tributação pesada como tentativa de desincentivar o consumo.

O Imposto Seletivo vai encarecer charutos em 2026?

Ainda não. Embora a LC nº 214/2025 já esteja em vigor, a cobrança do Imposto Seletivo sobre produtos fumígenos começa em janeiro de 2027, e suas alíquotas ainda serão definidas em lei ordinária. Em 2026, vale um período de transição com alíquotas-teste de IBS (0,1%) e CBS (0,9%) convivendo com o regime anterior; a carga sobre charutos já é alta: II (35%) + IPI (300%) + PIS/COFINS-Importação (12,35%) + ICMS (18% em SP).

O Imposto Seletivo deve substituir parcialmente o IPI, mas sem redução da carga — seu objetivo é manter a tributação elevada como política de saúde pública.

Onde encontrar charutos premium com melhor preço?

São Paulo e Rio de Janeiro concentram as melhores tabacarias, com preços que variam entre R$ 1.200 e R$ 3.500 para os top 10. Compras internacionais trazidas na bagagem são permitidas dentro da franquia de US$ 1.000 por pessoa em chegadas aéreas ou marítimas (US$ 500 em fronteiras terrestres); acima disso, os tributos incidem normalmente, e remessas postais seguem regras específicas.

Para quem explora a importação formal, estruturas como holding ou empresa de varejo podem reduzir a carga marginalmente — porém, as alíquotas elevadas continuam. A regra é clara: no Brasil, luxo custa caro, e sob medida custa mais ainda.

Se você coleciona charutos regularmente ou os enxerga como um ativo de colecionismo além de simples consumo, vale investir um tempo em planejamento financeiro. Afinal, operações cambiais, tributação e estruturas jurídicas fazem diferença no custo final. Aqui na Renova Invest, ajudamos colecionadores a avaliarem a viabilidade de importações recorrentes e a estruturar seus investimentos de forma inteligível. Se esse for o seu caso, fale com um de nossos assessores e descubra como otimizar seu orçamento.


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Fonte: Banco Central · 27/08/2026

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