R$ 875 milhões em vendas: o 2T26 que o Jardim da Hípica construiu
A Lavvi Empreendimentos Imobiliários (LAVV3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com o melhor desempenho comercial de sua história, impulsionado pelo lançamento da primeira fase do Jardim da Hípica — o maior empreendimento já desenvolvido pela companhia. As vendas líquidas totais chegaram a R$ 875 milhões, avanço de 12% sobre o 2T25 (R$ 781 milhões) e salto de 161% sobre o 1T26 (R$ 336 milhões), período em que não houve lançamentos. Os números são preliminares e não auditados, conforme prévia operacional divulgada em 16 de julho de 2026.
- Vendas líquidas totais: R$ 875 milhões (+12% a/a; +161% t/t)
- Vendas líquidas 100%: R$ 823 milhões (+21% a/a; +153% t/t)
- Vendas líquidas %Co: R$ 545 milhões (-11% a/a; +118% t/t)
- VGV lançado total: R$ 1,41 bilhão (+8% a/a)
- VGV líquido lançado %Co: R$ 848 milhões (-28% a/a)
- Unidades lançadas: 1.555 (+130% a/a)
- VSO trimestral: 22% | VSO LTM: 50%
- Queima de caixa: R$ 27 milhões (geração de R$ 72 milhões ex-terrenos)
- Estoque total (100%): R$ 3,1 bilhões | 7,2% concluído
- Landbank total (100%): R$ 9,5 bilhões
O Jardim da Hípica, localizado em frente ao Clube Hípico de Santo Amaro, no Alto da Boa Vista, zona sul de São Paulo, respondeu sozinho por mais de 64% das vendas do trimestre. Lançado em abril de 2026, o projeto encerrou o 2T26 com R$ 565 milhões em vendas, equivalente a 44% do VGV lançado na fase inicial de 1.093 unidades. Tão forte foi a procura pelas plantas maiores — de 276 m² — que a companhia antecipou a comercialização de 21 unidades originalmente previstas para fases futuras, somando cerca de R$ 80 milhões em VGV adicionais tanto em lançamentos quanto em vendas do período.
Acima do histórico recente, mas com nuances no %Co
O salto de 161% nas vendas em relação ao 1T26 reflete a sazonalidade natural do setor — o primeiro trimestre foi zerado em lançamentos — e não deve ser lido isoladamente. A comparação mais relevante é o avanço de 12% frente ao 2T25, quando a Lavvi também havia lançado dois projetos com VGV total de R$ 1,3 bilhão e registrou R$ 781 milhões em vendas, num ciclo em que a participação consolidada era de 100% dos lançamentos. No 2T26, essa participação recuou para 63%, redução de 36,6 pontos percentuais ano a ano, o que explica por que o VGV líquido no %Co caiu 28% na comparação anual, para R$ 848 milhões, mesmo com o VGV total crescendo 8%.
Em outras palavras: a Lavvi lançou mais em termos absolutos, mas dividiu uma fatia maior do bolo com sócios incorporadores. Esse movimento é recorrente em ciclos de grandes projetos, quando incorporadoras optam por estruturar veículos com menor participação para preservar o balanço e diluir risco de execução em empreendimentos de longo prazo — como é o caso do Jardim da Hípica, com entrega prevista apenas para abril de 2031 e participação Lavvi de 60%. No acumulado do 1S26, as vendas totais somam R$ 1,21 bilhão, alta de 3% sobre o 1S25, e as vendas 100% chegam a R$ 1,15 bilhão, com crescimento de 10% na comparação anual.
A prévia operacional não traz guidance público detalhado de VGV de lançamentos ou vendas para 2026. Em linhas gerais, o mercado imobiliário de alto padrão em São Paulo segue aquecido, sustentado por demanda de renda elevada e acesso a crédito de longo prazo — leitura consistente com o VSO LTM de 50% reportado pela companhia.
Os motores do resultado: Hípica, Novvo e o peso dos distratos
Jardim da Hípica: o ativo que muda a escala da Lavvi
Com VGV potencial total de aproximadamente R$ 2,6 bilhões no conjunto do projeto, o Jardim da Hípica representa um salto qualitativo na estratégia da Lavvi. O terreno de 50 mil m² no Alto da Boa Vista — dos quais 10 mil m² já foram destinados a uma praça pública entregue ao entorno — é um dos últimos grandes lotes disponíveis na zona sul consolidada de São Paulo, próximo à Linha 5-Lilás do metrô. No trimestre, o preço médio lançado dos produtos Lavvi foi de R$ 14.574/m², queda de 26% frente ao 2T25 (R$ 19.770/m²), reflexo direto do mix: a entrada massiva de unidades menores, de até 57 m², na torre de apartments puxou o preço médio para baixo, sem necessariamente indicar perda de poder de precificação nos produtos maiores. Anúncios em portais imobiliários chegam a citar tickets por metro quadrado ao redor de R$ 13,2 mil para unidades avulsas do projeto, dentro da mesma faixa.
Novvo ganha tração no econômico
A marca Novvo, voltada ao segmento econômico e ao programa Minha Casa Minha Vida, também registrou avanço expressivo. As vendas totais da Novvo no 2T26 somaram R$ 114 milhões, crescimento de 219% sobre o 2T25, quando a marca havia registrado apenas R$ 36 milhões. No semestre, o acumulado já chega a R$ 242 milhões, alta de 94% sobre o 1S25. O novo projeto Novvo Santa Marina — localizado próximo à futura estação Santa Marina do Metrô, na Água Branca — já saiu do trimestre de lançamento com 51% do VGV vendido. A VSO LTM da Novvo é de 79%, evidenciando demanda robusta no segmento econômico paulistano, com preço médio lançado ao redor de R$ 8.437/m², bem abaixo do padrão Lavvi.
Distratos: a outra face do crescimento
O crescimento de vendas não veio sem ruído. Os distratos totalizaram R$ 122 milhões no trimestre (+94% sobre os R$ 63 milhões do 2T25), correspondentes a 123 unidades. A taxa de distratos sobre vendas brutas subiu de 8% no 2T25 para 13% no 2T26, ainda que melhor que os 23% registrados no 1T26. A companhia atribuiu os cancelamentos ao endividamento e às dificuldades financeiras dos clientes, reflexo do ambiente macroeconômico desafiador, com juros ainda elevados. Vale notar que R$ 37 milhões desses distratos já foram compensados por revendas ou trocas dentro do próprio trimestre, mitigando parte do impacto sobre o estoque.
A leitura para o investidor: pipeline robusto, mas ação longe das máximas
As ações LAVV3 eram negociadas a R$ 10,94, com variação de -1,17% no pregão, capitalizando a companhia em R$ 2,1 bilhões. O papel acumula distância relevante de sua máxima de 52 semanas, em R$ 18,98, e opera próximo da mínima do período, em R$ 10,35 — sinal de que o mercado ainda não precifica plenamente o potencial de receita do pipeline de projetos em execução.
Do ponto de vista operacional, o landbank de R$ 9,5 bilhões em VGV potencial (100%) — ou R$ 6,9 bilhões no %Co — garante visibilidade de lançamentos para os próximos anos. O estoque com apenas 7,2% concluído — 151 unidades prontas sobre um total de 2.033 — indica que a maior parte da receita futura ainda está em construção, o que é positivo para o ciclo de reconhecimento de receita pelo PoC (percentual de conclusão de obras) nos próximos trimestres. No 2T26, a empresa entregou o Green View Residence (408 unidades, 89% vendido em VGV) e o Grand Square (343 unidades, 78% vendido em VGV), dois empreendimentos de médio-alto padrão lançados em 2022.
A queima de caixa de R$ 27 milhões no trimestre, que se converte em geração de R$ 72 milhões quando excluídas as aquisições de terrenos (R$ 99 milhões), aponta que a operação em si é geradora de liquidez. O consumo de caixa no 1S26 fica em R$ 71 milhões, ou geração de R$ 102 milhões ex-terrenos. Esse ponto é relevante: a queima está sendo usada estrategicamente para ampliar landbank e não reflete deterioração operacional. A estratégia de aquisições concentra 81% em caixa e 19% em permuta, com a Lavvi como sócia majoritária em participação média de 88% dos projetos do banco de terrenos. Não há divulgação de índice de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) nesta prévia operacional, dado que será detalhado no resultado financeiro completo.
Riscos e oportunidades
Entre os riscos, o aumento de distratos em ambiente de juros elevados merece monitoramento — a taxa de 13% sobre vendas brutas no 2T26, ainda que em queda frente ao 1T26, está acima do patamar do mesmo período de 2025. O descasamento entre participação consolidada (63%) e o tamanho absoluto dos lançamentos também é uma variável a acompanhar: projetos com menor participação geram menos receita proporcional para a Lavvi, mesmo que o VGV total seja expressivo. Do lado das oportunidades, o VSO LTM de 50% sinaliza que a velocidade de vendas continua saudável, e o lançamento do Jardim da Hípica com 44% de vendas no trimestre de estreia é referência positiva de absorção de mercado para produtos de grande escala.
O que observar nos próximos meses
O calendário de acompanhamento para LAVV3 passa por alguns pontos centrais. O resultado financeiro completo do 2T26 — com receita reconhecida pelo PoC, margem bruta, EBITDA e lucro líquido — deverá ser divulgado junto ao ITR (relatório trimestral), o que permitirá avaliar como o forte ritmo de vendas está se convertendo em reconhecimento de receita e lucratividade.
No lado dos lançamentos, a Lavvi indicou que segue negociando novos terrenos para ambas as marcas. O landbank inclui um terreno a escriturar com VGV potencial de R$ 389 milhões no segmento de alto padrão, que deverá alimentar o pipeline de lançamentos nos próximos trimestres. A evolução das fases seguintes do Jardim da Hípica — cujo potencial total de R$ 2,6 bilhões está longe de ser esgotado pela primeira fase — é o principal gatilho de lançamento a monitorar.
A dinâmica de distratos e a capacidade de reabsorção de unidades devolvidas dentro do próprio período (como ocorreu com R$ 37 milhões no 2T26) também seguirão no radar. Por fim, qualquer movimento de política monetária que indique queda mais rápida da Selic tende a funcionar como catalisador positivo tanto para a demanda por imóveis de alto padrão quanto para a renegociação de crédito de clientes em dificuldade, o que poderia aliviar a pressão de distratos observada nos últimos trimestres.
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