FIIs com yield real positivo em 2026: como encontrar fundos que realmente vencem a inflação

FIIs com yield real positivo: onde investir com Selic em queda 2026

Você investe R$ 100.000 em um FII que distribui 9% ao ano em proventos. Parece atrativo — até você notar que a cota caiu 5% e o IPCA subiu 4,72%. No final do período, seu ganho real foi zero ou negativo. Esse cenário é comum entre investidores que focam apenas no dividend yield nominal, ignorando o yield real. Este artigo mostra como calcular, comparar e selecionar FIIs que realmente entregam ganho acima da inflação — especialmente agora, com a Selic em trajetória de queda.

Resposta direta: FIIs com yield real positivo são aqueles cujos proventos superam o IPCA e compensam a variação da cota. Em 2026, com a Selic em trajetória de queda, os segmentos de papel (CRI atrelado ao IPCA) e galpões logísticos apresentam os melhores yields reais, acima de 4% ao ano após inflação.

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O que é yield real positivo em FIIs e por que importa em 2026

Yield real positivo em FIIs significa que os proventos distribuídos superam a inflação e a eventual desvalorização da cota. É o ganho que sobra no bolso depois de descontar o IPCA do período.

A distinção entre yield nominal e yield real é fundamental — e muitos investidores a ignoram. Um FII pode distribuir 9% ao ano de dividend yield e, ainda assim, entregar retorno real negativo.

Exemplo prático: suponha um FII com 9% de dividend yield, cota que cai 6% e IPCA de 4,72%. O retorno total seria 9% − 6% − 4,72% = −1,72% real. Apesar dos proventos mensais consistentes, você perdeu poder de compra.

Em 2026, esse cálculo ganhou urgência. A Selic meta está em 14,25% a.a., mas o mercado precifica cortes graduais ao longo do ano. Quando os juros caem, duas dinâmicas afetam os FIIs simultaneamente:

  • As cotas tendem a se valorizar — pois o desconto aplicado aos fluxos futuros diminui.
  • Os FIIs de papel com CDI distribuem menos — seus proventos nominais caem com a redução dos juros.

Por isso, a métrica de yield real se torna o filtro correto para separar fundos que entregam renda sustentável daqueles que apenas parecem atrativos no curto prazo.

Os três componentes do retorno total de um FII

O retorno total de um FII é composto por três fatores:

  1. Dividend yield — proventos dos últimos 12 meses divididos pelo preço atual da cota.
  2. Variação do preço da cota — valorização ou queda das cotas.
  3. IPCA do período — correção monetária que corrói o poder de compra.

A fórmula simplificada do yield real é:

Yield Real = Dividend Yield Nominal − IPCA − (Queda percentual da cota, se houver)

Exemplo concreto: um FII distribui 8,5% ao ano, a cota sobe 2% e o IPCA é 4,72%. O yield real seria 8,5% + 2% − 4,72% = 5,78% ao ano. Esse número representa o ganho efetivo acima da inflação.

Agora, se a cota cair 3%, o yield real cai para 8,5% − 3% − 4,72% = 0,78%. Ainda positivo, mas muito mais estreito — e vulnerável a pequenas mudanças nos fundamentos do fundo.

O erro mais comum do investidor iniciante é olhar apenas o dividend yield sem considerar a variação da cota — o que pode transformar um fundo aparentemente generoso em um investimento com retorno real negativo.

Em 2026, com a Selic em queda projetada, os FIIs de tijolo tendem a se beneficiar da valorização das cotas. Já os FIIs de papel com indexação ao IPCA mantêm a proteção inflacionária mesmo com juros menores. Entender qual dos dois mecanismos domina cada fundo é o ponto de partida para uma carteira com yield real consistentemente positivo.

Na prática, você deve acompanhar o yield real ao longo de pelo menos 12 meses — não apenas o snapshot atual. Fundos com histórico de yield real acima de 3% ao ano em diferentes ciclos de juros demonstram gestão de qualidade e portfólio resiliente.

Como calcular o yield real de um FII — passo a passo

O cálculo do yield real combina três variáveis: dividend yield nominal, variação da cota e IPCA acumulado. Veja como fazer na prática.

Fórmula e exemplo

Yield Real = (Dividend Yield Nominal + Variação % da Cota) − IPCA acumulado

Considere um FII hipotético com essas características nos últimos 12 meses:

  • Dividend yield nominal: 9,0% ao ano
  • Variação da cota: −2,0% (queda)
  • IPCA acumulado 12 meses: 4,72%

Cálculo: Yield Real = (9,0% − 2,0%) − 4,72% = 7,0% − 4,72% = 2,28% ao ano

Agora compare com um segundo FII de papel com dividend yield de 11%, cota estável (0% de variação) e o mesmo IPCA:

Cálculo: Yield Real = (11,0% + 0%) − 4,72% = 6,28% ao ano

A diferença é expressiva. O segundo fundo entrega quase o triplo do yield real do primeiro, mesmo que ambos estejam no mesmo ambiente macroeconômico.

Tabela comparativa de yields reais

A tabela abaixo ilustra como o yield real varia conforme o dividend yield nominal e a variação da cota, mantendo IPCA fixo em 4,72%:

Dividend Yield Variação Cota Yield Real
7,0% −3,0% −0,72%
8,5% 0,0% 3,78%
9,0% +2,0% 6,28%
11,0% 0,0% 6,28%
12,0% −1,0% 6,28%

Observe que três combinações diferentes chegam ao mesmo yield real de 6,28%. Isso demonstra que não existe uma única forma de obter yield real positivo — o que importa é o resultado combinado dos três fatores.

Um FII com dividend yield de 7% e queda de cota de 3% entrega yield real negativo mesmo pagando proventos mensais consistentes — um dado contraintuitivo que muitos investidores ignoram.

Dicas práticas para cálculos precisos

Use o preço médio de compra, não o preço atual. Se você comprou a cota a R$ 100 e ela está a R$ 97, a queda de 3% deve entrar no cálculo — independentemente do preço de mercado hoje.

Além disso, anualizar os proventos corretamente faz diferença. Some os 12 últimos proventos pagos e divida pelo preço médio de compra. Evite usar o dividend yield divulgado pelas plataformas sem verificar o período de referência.

Ferramentas para acompanhar o yield real

As principais plataformas gratuitas são o Clube FII e o Status Invest. Ambas exibem dividend yield histórico, variação de cota e permitem filtrar por segmento. O Status Invest também mostra o P/VP (preço sobre valor patrimonial), útil para identificar cotas negociadas com desconto.

Para análises mais aprofundadas, Economatica e Quantum Finance oferecem séries históricas e comparativos entre fundos — mas são ferramentas pagas, mais indicadas para investidores intermediários.

Na prática, use Status Invest para triagem inicial (filtrar por dividend yield acima de 8% e P/VP abaixo de 1,1), depois valide no Clube FII a consistência dos proventos nos últimos 24 meses. Fundos que cortaram proventos mais de duas vezes em dois anos merecem atenção redobrada.

Quais FIIs entregam yield real positivo com a Selic em queda

Com a Selic em queda, os FIIs com maior probabilidade de entregar yield real positivo são aqueles com contratos atrelados ao IPCA, baixa vacância e portfólios diversificados. Fundos de papel com CRIs indexados à inflação protegem o rendimento mesmo quando os juros nominais caem.

O raciocínio é direto. Quando a Selic cai, o CDI cai junto. FIIs de papel que pagam CDI + spread veem seus proventos diminuírem. Já os FIIs com CRIs atrelados ao IPCA mantêm o rendimento real estável, pois a correção monetária continua operando independentemente da política monetária.

Segmentos com melhor histórico de yield real positivo

Os segmentos com melhor histórico de yield real positivo em ciclos de queda de juros são:

  • FIIs de papel com CRI IPCA: a correção monetária garante que os proventos cresçam junto com a inflação, preservando o yield real independentemente da Selic.
  • Galpões logísticos: contratos longos, tipicamente atrelados ao IPCA, com inquilinos de grande porte e baixa inadimplência histórica. Demanda estrutural crescente com e-commerce.
  • Shoppings com contratos percentuais: parte do aluguel é calculada sobre o faturamento das lojas, criando correlação com o crescimento econômico.

Por outro lado, FIIs de escritórios com alta vacância e contratos curtos tendem a ter yield real mais volátil. A reposição de inquilinos em cenário de queda de juros pode ser mais lenta do que esperado.

Comparativo de segmentos por dinâmica de yield real

A tabela abaixo apresenta um comparativo ilustrativo de segmentos, com base nas dinâmicas típicas de cada categoria em cenários de Selic cadente:

Segmento Indexador típico Yield real esperado
Papel (CRI IPCA) IPCA + spread Alto (>5%)
Galpões logísticos IPCA Médio-alto (4–6%)
Shoppings IPCA + % faturamento Médio (3–5%)
Escritórios IPCA/IGP-M Variável (1–4%)
Papel (CRI CDI) CDI + spread Cai com Selic

Para tickers específicos com dados atualizados de dividend yield e composição de portfólio, consulte o portal da B3, que lista todos os FIIs negociados com suas características.

Na prática, priorize FIIs com histórico de pelo menos 24 meses de proventos consistentes, vacância abaixo de 10% e gestoras com track record comprovado. Esses três filtros eliminam a maioria dos fundos com yield nominal alto, mas yield real negativo.

FIIs de papel vs. FIIs de tijolo: qual segmento performa melhor em 2026

Em ciclos de queda da Selic, os FIIs de tijolo historicamente se beneficiam mais da valorização das cotas. A lógica é simples: quando os juros caem, o valor presente dos fluxos futuros de aluguel aumenta, pressionando as cotas para cima.

Já os FIIs de papel com CRI indexado ao IPCA mantêm proventos estáveis em termos reais, mas a valorização das cotas é menor. O trade-off é entre renda previsível (papel IPCA) e ganho de capital potencial (tijolo em queda de juros).

Para quem busca renda passiva de longo prazo, a combinação ideal em 2026 é ter parte da carteira em papel IPCA (proteção inflacionária dos proventos) e parte em tijolo de qualidade (captura da valorização das cotas com a queda dos juros). Essa estrutura equilibra yield real presente com potencial de retorno total futuro.

O checklist para escolher entre segmentos inclui:

  • Horizonte de investimento: se for menor que 3 anos, papel IPCA é mais previsível.
  • Necessidade de renda mensal: papel paga com mais consistência.
  • Tolerância à volatilidade de cota: tijolo oscila mais no curto prazo.

Como a tributação afeta o yield real dos FIIs

A tributação reduz o yield real dos FIIs em duas frentes. A primeira é o IR de 20% sobre ganho de capital na venda de cotas. A segunda é a isenção condicional de IR sobre proventos distribuídos.

Isenção de IR sobre proventos — as condições

Conforme as regras vigentes em 2026, os rendimentos distribuídos por FIIs são isentos de IR para pessoa física, desde que:

  • O fundo tenha no mínimo 100 cotistas (a Lei 14.754/2023 elevou esse limite anterior de 50).
  • As cotas sejam negociadas exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão organizado.
  • O cotista pessoa física detenha menos de 10% das cotas individualmente.
  • Trava coletiva: a isenção não se aplica ao conjunto de cotistas pessoas físicas ligadas — definidas como cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo ou afim até o 2º grau, conforme art. 3º, inciso III, da Lei 11.033/2004, com redação incluída pela Lei 14.754/2023 (que remete à definição de pessoas ligadas do art. 2º, parágrafo único, inciso I, alínea a, da Lei 9.779/1999) — que detenham cotas representando 30% ou mais do total emitido pelo fundo, ou cujas cotas lhes deem direito a 30% ou mais dos rendimentos auferidos.

A isenção de IR sobre proventos representa uma vantagem tributária relevante frente à renda fixa, cuja alíquota vai de 22,5% (até 180 dias) a 15% (acima de 720 dias) sobre o rendimento — o que torna o yield líquido dos FIIs significativamente superior ao de CDBs tributados no mesmo prazo.

Impacto real na carteira: FII vs. CDB

Veja o impacto concreto em dois investimentos de R$ 100.000:

Cenário A — FII com dividend yield de 9% ao ano (isento de IR nos proventos):

  • Proventos anuais brutos: R$ 9.000
  • IR sobre proventos: R$ 0 (isenção)
  • Proventos líquidos: R$ 9.000
  • Yield real (descontado IPCA 4,72%): aproximadamente 4,28% ao ano

Cenário B — CDB 100% CDI (14,15% a.a. bruto, IR 15% para prazo acima de 720 dias — para 12 meses, a alíquota seria 20%):

  • Rendimento bruto anual: R$ 14.150
  • IR (15% sobre R$ 14.150): R$ 2.122,50
  • Rendimento líquido: R$ 12.027,50 (aproximadamente 12,03% líquido)
  • Yield real: aproximadamente 7,31% ao ano

Nesse cenário, o CDB ainda supera o FII em yield real — mas a comparação muda quando o FII tem dividend yield mais alto, a cota se valoriza ou quando você considera a diversificação do portfólio imobiliário.

IR sobre ganho de capital na venda de cotas

A alíquota é de 20% sobre o lucro na venda. Diferentemente das ações, não há isenção para vendas abaixo de R$ 20.000 mensais. Portanto, o yield real total deve incorporar o impacto do IR sobre ganho de capital se você planeja vender as cotas.

Na declaração de IR, os proventos isentos de FIIs devem ser informados na ficha de “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis” do IRPF 2026. O ganho de capital na venda de cotas deve ser apurado mensalmente e recolhido via DARF até o último dia útil do mês subsequente ao da operação.

Vale a pena investir em FIIs com yield real positivo em 2026

Sim, mas a resposta depende do seu perfil de investidor e da qualidade dos ativos selecionados. FIIs com yield real positivo são adequados para quem busca renda passiva mensal com proteção inflacionária — não para quem precisa de liquidez imediata ou tem horizonte menor que 12 meses.

O argumento central a favor dos FIIs em 2026 é a combinação de dois fatores simultâneos:

  1. A queda da Selic tende a valorizar as cotas, especialmente dos FIIs de tijolo.
  2. Os FIIs de papel com IPCA mantêm proventos reais estáveis, mesmo com juros nominais caindo.

Essa conjuntura é historicamente favorável para o segmento.

Contexto macroeconômico: FII vs. Renda Fixa

Para contextualizar: com a Selic em 14,25% a.a. e o CDI em 14,15% ao ano, o juro real bruto do CDI está em aproximadamente 9,43% ao ano. Um FII precisaria entregar yield real acima de 9% para superar o CDI em termos puramente numéricos — o que é raro.

Portanto, a comparação correta não é “FII vs. CDI puro”, mas “FII vs. carteira de renda fixa após impostos e com horizonte de 5+ anos”.

Nesse horizonte mais longo, os FIIs têm vantagens estruturais:

  • A isenção de IR sobre proventos eleva o yield líquido.
  • A valorização das cotas em ciclos de queda de juros agrega retorno de capital.
  • A diversificação do portfólio imobiliário reduz o risco específico de cada ativo.

Alocação recomendada por perfil

Para o investidor com perfil moderado e horizonte de 3 a 5 anos, uma alocação de 20% a 30% da carteira em FIIs de qualidade — com yield real acima de 3% ao ano — é uma estratégia razoável. Para perfis mais conservadores, a parcela pode ser menor, priorizando FIIs de papel com CRI IPCA de alta qualidade de crédito.

O ponto de atenção é a seleção. FIIs com yield nominal muito alto (acima de 13%) frequentemente escondem riscos de vacância, inadimplência ou cotas negociadas com desconto por razões fundamentalistas. O yield alto pode ser um sinal de alerta, não de oportunidade.

Especialistas em fundos imobiliários recomendam avaliar o yield real histórico de pelo menos 24 meses antes de alocar, cruzando dados de proventos com variação de cota e qualidade do portfólio. Essa análise reduz significativamente o risco de comprar yield nominal alto que se desfaz em retorno real negativo.

Como montar uma carteira de FIIs com yield real positivo

Uma carteira de FIIs com yield real positivo deve diversificar segmentos, indexadores e gestoras. A concentração em um único segmento — mesmo que aparentemente sólido — expõe você a riscos setoriais que podem comprometer o yield real por anos.

Estrutura sugerida para 2026

A estrutura recomendada para um investidor com perfil moderado é:

Alocação por segmento (carteira hipotética de R$ 50.000):

  • FIIs de papel com CRI IPCA (40% = R$ 20.000): proteção inflacionária dos proventos, yield real mais previsível. Priorize fundos com CRIs de alta qualidade de crédito e spread acima de IPCA + 5%.
  • Galpões logísticos (30% = R$ 15.000): contratos longos atrelados ao IPCA, demanda estrutural crescente com e-commerce. Vacância historicamente baixa no segmento.
  • Shoppings ou lajes corporativas (20% = R$ 10.000): captura de valorização de cota em ciclo de queda de juros. Prefira fundos com portfólio em cidades de alta renda e baixa vacância.
  • FII de fundos ou híbrido (10% = R$ 5.000): diversificação adicional com gestão ativa. Útil para investidores iniciantes que ainda estão aprendendo a analisar fundos individuais.

Essa alocação hipotética combina proteção inflacionária (papel IPCA) com potencial de ganho de capital (tijolo em queda de juros). O yield real projetado da carteira, assumindo dividend yield médio de 9% e IPCA de 4,72%, seria de aproximadamente 4,28% ao ano — antes de considerar a variação das cotas.

Critérios de seleção dos fundos individuais

Dois critérios adicionais devem guiar a seleção:

  • P/VP (preço sobre valor patrimonial): prefira fundos com P/VP abaixo de 1,05, que indicam cotas negociadas próximas ou abaixo do valor dos ativos.
  • Consistência dos proventos: fundos que mantiveram ou aumentaram os proventos nos últimos 24 meses demonstram portfólios resilientes.

Revise a carteira a cada 6 meses. Com a Selic em queda, a alocação entre papel e tijolo pode precisar de ajuste: à medida que os juros caem, aumente gradualmente o peso em tijolo para capturar mais valorização de cota.

Quais os riscos de investir em FIIs com alto yield real

Os principais riscos de FIIs com alto yield real são vacância elevada, inadimplência em contratos, concentração em poucos inquilinos e gestão de baixa qualidade. Yield real alto, isoladamente, pode ser sintoma de problema — não de oportunidade.

Os riscos mais diretos

O risco de vacância é o mais evidente. Um galpão logístico com 25% de vacância distribui proventos menores do que um com 5%, mesmo que o portfólio seja similar. Fundos com vacância acima de 15% merecem análise detalhada antes de qualquer alocação.

O risco de inadimplência afeta especialmente os FIIs de papel. CRIs com devedores de menor qualidade de crédito pagam spreads maiores — o que eleva o dividend yield nominal — mas aumentam a probabilidade de calote. Um CRI inadimplente pode zerar os proventos do fundo por meses.

A concentração em poucos inquilinos é outro vetor de risco. Fundos com 60% ou mais dos contratos com um único locatário ficam expostos à saúde financeira desse inquilino. Se ele sair ou renegociar o contrato, o yield real despenca.

FIIs com dividend yield acima de 13% em ambiente de Selic a 14,25% devem acender um alerta: ou o fundo está com problemas de vacância/inadimplência, ou a cota está muito descontada por razões fundamentalistas sérias.

Checklist de riscos antes de investir

  • Vacância física e financeira: manter abaixo de 10%
  • Concentração por inquilino: nenhum acima de 30% do portfólio
  • Qualidade de crédito dos CRIs (para fundos de papel): preferir rating acima de AA
  • Histórico de proventos: consistência nos últimos 24 meses sem cortes abruptos
  • Gestora: track record de pelo menos 5 anos com múltiplos fundos
  • P/VP: cotas muito abaixo de 0,85 podem indicar problema estrutural no portfólio

Risco de liquidez

O risco de liquidez merece atenção. FIIs com volume diário de negociação abaixo de R$ 500.000 podem ser difíceis de vender em momentos de estresse. Para carteiras acima de R$ 50.000 em um único fundo, verifique o volume médio diário antes de alocar.

Na prática, a melhor proteção contra esses riscos é a diversificação. Uma carteira com 8 a 12 FIIs de segmentos diferentes dilui o impacto de qualquer evento adverso individual. O risco sistêmico — uma recessão severa, por exemplo — afeta todos os fundos, mas o risco específico de cada fundo pode ser mitigado com diversificação bem estruturada.

Resumo prático — 6 pontos-chave

  • Yield real = dividend yield nominal + variação da cota − IPCA. Com IPCA em 4,72%, o fundo precisa entregar mais do que isso em proventos e valorização combinados.
  • FIIs de papel com CRI IPCA são os mais resilientes em ciclos de queda da Selic, pois mantêm proventos reais estáveis independentemente da política monetária.
  • A isenção de IR sobre proventos (mínimo 100 cotistas, cotista com menos de 10% das cotas) eleva o yield líquido dos FIIs frente a CDBs tributados — mas o ganho de capital na venda de cotas sofre IR de 20%.
  • Carteira sugerida: 40% papel IPCA, 30% galpões logísticos, 20% shoppings ou lajes, 10% híbrido. Yield real projetado de aproximadamente 4,28% ao ano com IPCA atual.
  • Evite FIIs com dividend yield acima de 13% sem analisar vacância, inadimplência e concentração de inquilinos — yield alto pode ser sinal de risco, não de oportunidade.
  • Revise a carteira a cada 6 meses: com Selic em queda, aumente gradualmente a exposição a FIIs de tijolo para capturar valorização de cotas.

Perguntas frequentes sobre FIIs com yield real positivo

O que é melhor: FII ou Tesouro Direto?

A resposta depende do seu objetivo. O Tesouro Direto oferece garantia de retorno travado no momento da compra — especialmente o Tesouro IPCA+, que protege contra inflação futura. FIIs oferecem renda passiva mensal isenta de IR, com potencial de valorização de cota.

Para quem busca segurança máxima e previsibilidade, o Tesouro IPCA+ é superior. Para quem busca renda passiva mensal de longo prazo com diversificação imobiliária, FIIs de qualidade oferecem melhor resultado em ciclos de 5+ anos. O ideal é combinar os dois na carteira: Tesouro como base segura, FIIs como incremento de renda.

Quanto rende R$ 20.000 em um FII por ano?

Um FII com dividend yield de 9% ao ano renderá aproximadamente R$ 1.800 brutos em proventos anuais sobre R$ 20.000 — distribuídos mensalmente na forma de parcelas de cerca de R$ 150. Importante: esse é o rendimento nominal. O yield real, descontando IPCA de 4,72%, seria aproximadamente R$ 856 ao ano em ganho acima da inflação — antes de considerar variação da cota.

Se a cota se valorizar, o rendimento total pode ser maior. Se a cota cair, o rendimento real pode ser menor ou até negativo. Por isso, sempre acompanhe o yield real, não apenas o dividend yield.

FIIs pagam imposto no resgate?

Sim — mas apenas sobre ganho de capital na venda de cotas, não sobre os proventos. Se você comprou cotas a R$ 100 e vende a R$ 110, o ganho de R$ 10 sofre IR de 20% = R$ 2 de imposto. Os proventos distribuídos mensalmente são isentos de IR para pessoa física (conforme requisitos citados neste artigo).

Como saber qual FII escolher?

Use este checklist: (1) dividend yield acima de 8%, mas abaixo de 13%; (2) yield real histórico acima de 3% nos últimos 24 meses; (3) vacância abaixo de 10%; (4) P/VP entre 0,95 e 1,05; (5) gestora com track record de 5+ anos. Combine filtros no Status Invest ou Clube FII e valide os dados antes de investir.

A diferença entre investir em FIIs com yield real positivo e escolher qualquer fundo com dividend yield alto não está no número do provento — está na qualidade do portfólio, gestão e proteção inflacionária. Ignorar o yield real e focar só no dividend yield nominal pode transformar uma renda aparentemente generosa em perda real de poder de compra.

Se você tem patrimônio acima de R$ 100 mil e quer estruturar uma carteira de FIIs alinhada ao seu perfil e objetivo, a Renova Invest pode ajudar. Nossos assessores analisam a qualidade real de cada fundo, calculam o yield real ajustado ao seu horizonte e constroem uma carteira equilibrada entre proteção e ganho. Fale com um assessor da Renova.

Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de ativos. Investimentos em fundos imobiliários envolvem riscos, incluindo possibilidade de perda do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Consulte seu assessor de investimentos antes de tomar decisões. A Renova Invest é escritório credenciado ao BTG Pactual, instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil e pela CVM.

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CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,63%
  • CDI em 20269,49%
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Fonte: Banco Central · 03/09/2026

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