Dexxos: receita cai 22,9% no 2T26, mas lucro ajustado sobe 8% com ganho de margem

Dexxos Participações: receita cai 22,9% no 2T26, mas lucro líquido ajustado avança 8% com ganho de margem

Renova Invest · 12 de agosto de 2026

A Dexxos Participações S.A. apresentou, na teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2026, uma combinação típica de empresas expostas a commodities industriais: queda expressiva de receita acompanhada de melhora de rentabilidade. A receita líquida consolidada ficou em R$ 460,3 milhões, recuo de 22,9% na comparação anual, reflexo da contração de volumes nos dois segmentos da companhia — Químicos e Aço. Mesmo assim, o lucro líquido ajustado atribuído aos controladores alcançou R$ 42,0 milhões, alta de 8,0% sobre o 2T25, com margem líquida ajustada de 9,1%, ganho de 2,6 pontos percentuais.

O EBITDA ajustado foi de R$ 58,8 milhões, queda de 13,2% na base anual, mas com margem de 12,8%, avanço de 1,4 p.p. O lucro bruto somou R$ 83,9 milhões, recuo de 9,6%, com margem bruta de 18,2% — expansão de 2,7 p.p. frente ao mesmo período do ano anterior. Vale distinguir as métricas: a receita bruta consolidada do trimestre foi de R$ 571,7 milhões, contra R$ 483,6 milhões no 1T26, alta sequencial de 18,2%.

Do lado do balanço, o destaque é a virada da estrutura de capital: a companhia encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 16,6 milhões (ex-IFRS 16), um incremento de R$ 98,7 milhões em relação ao 2T25 — sinal de que a geração de caixa sustentou o desendividamento mesmo com receita menor.

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Dois segmentos em ritmos diferentes

A Dexxos opera por meio de duas controladas principais: a GPC Química S.A., no segmento Químico, e a Apolo Tubos e Equipamentos S.A., no segmento Aço. A Metanor S.A., terceira participação relevante, é reconhecida por equivalência patrimonial e não entra nas linhas operacionais consolidadas.

Químico: volume menor, margem melhor

No segmento Químico, a pressão apareceu no volume: o 1S26 recuou 21,6% ante o 1S25, de 339,3 mil para 266,0 mil toneladas, refletindo a menor comercialização de produtos químicos. A receita bruta do segmento no 2T26 somou R$ 434,6 milhões, alta de 19,9% frente ao 1T26, influenciada pela oscilação dos preços das matérias-primas e pela variação cambial — mas ainda 19,1% abaixo do 2T25.

O ponto positivo é a rentabilidade: apesar da queda de volume, o EBITDA ajustado do segmento Químico cresceu 1,0% no 1S26, de R$ 118,6 milhões para R$ 119,8 milhões, com a margem saltando de 14,0% para 18,6% (+4,7 p.p.). A companhia atribui o desempenho ao mercado de painéis de madeira — que cresceu cerca de 20% no 1S26 na comparação anual, com 6,0% de expansão no mercado doméstico — e à gestão do mix de vendas. No trimestre isolado, o EBITDA ajustado do segmento foi de R$ 55,8 milhões, com margem de 15,9%.

Aço: recuperação sequencial após semestre negativo

No segmento Aço, o 2T26 trouxe recuperação relevante na comparação trimestral: o volume cresceu 19,1% frente ao 1T26, impulsionado pelas vendas nos mercados de óleo e gás (O&G) e fotovoltaico, e a receita bruta avançou 13,2%, para R$ 137,1 milhões. O EBITDA ajustado do segmento voltou ao positivo, em R$ 1,6 milhão (margem de 1,5%), após R$ 4,7 milhões negativos no 1T26 — melhora de R$ 6,4 milhões no trimestre.

Na base semestral, porém, os números ainda expõem a fase difícil da Apolo: o volume caiu 39,5% no 1S26 (de 44,1 mil para 26,7 mil toneladas), a receita bruta recuou 42,8% (de R$ 451,5 milhões para R$ 258,3 milhões) e o EBITDA ajustado saiu de R$ 43,3 milhões positivos no 1S25 para R$ 3,1 milhões negativos no 1S26, com margem de -1,5%. O lucro bruto do segmento Aço encolheu 72,8% no semestre.

O movimento estratégico do período foi o lançamento, em março de 2026, da nova linha de tubos Artemis®, que passa a integrar o portfólio voltado ao mercado fotovoltaico. A companhia aponta o produto como vetor de diversificação de clientes e ampliação de mercados de atuação, com entrega dos primeiros pedidos já iniciada.

Custos sob controle e crédito para investir

O controle de despesas ajudou a sustentar a margem. O SG&A (ex-não recorrentes e depreciação operacional) caiu 5,7% no 2T26 frente ao 2T25, para R$ 51,0 milhões, e 7,5% no 1S26, para R$ 95,4 milhões — reflexo, sobretudo, de menores despesas com vendas em razão do menor volume vendido nos dois segmentos. Como proporção da receita líquida, porém, o indicador subiu de 9,1% no 2T25 para 11,1% no 2T26, efeito da diluição menor.

No plano financeiro, a Dexxos registrou a abertura de crédito de R$ 100 milhões junto ao FINAME–BNDES pela GPC Química, reforçando a capacidade de investimento do segmento químico. Desde 2021, a companhia acumula mais de R$ 305 milhões em investimentos consolidadosR$ 172 milhões em química e R$ 133 milhões em aço.

Setor sob pressão: commodities voláteis e tarifas na cadeia moveleira

O ambiente de 2026 não é trivial para nenhum dos dois negócios. O segmento Químico tem exposição relevante à cadeia de painéis de madeira e à distribuição de produtos químicos. A própria companhia alerta para o impacto das tarifas do governo norte-americano sobre a indústria moveleira nacional, que tem exposição ao mercado dos EUA e vem sendo afetada desde 2025 — uma retração nas exportações de móveis brasileiros comprime, na ponta, a demanda por painéis.

No lado dos insumos, a companhia reportou incremento de 2,5% no preço líquido médio das matérias-primas na comparação trimestral e destaca a gestão de estoques como proteção contra a volatilidade de curto prazo. O pano de fundo global é de incerteza: as projeções mais recentes de organismos multilaterais para os preços de commodities em 2026 divergem entre cenários de alta, puxada por choques de oferta em energia, e de queda, sustentada por ampla oferta e crescimento global mais fraco. Como a apuração não permitiu adjudicar qual projeção está vigente, o que fica é a constatação de volatilidade elevada — exatamente o risco que a Dexxos lista em sua apresentação, ao mencionar o potencial efeito da apreciação do Brent sobre o mercado de O&G.

Há ainda um risco regulatório: a GPC Química tem processo administrativo em trâmite junto à ANP relacionado à revenda de metanol. A companhia lista o tema entre os fatores de atenção, sem detalhar estágio processual ou impacto financeiro potencial.

O que muda para o investidor

Alavancagem revertida

A estrutura de capital ao fim do 2T26 é o ponto mais forte do release. A companhia saiu de dívida líquida de R$ 219,1 milhões em 2022 para caixa líquido de R$ 16,6 milhões no 2T26 (ex-IFRS 16), com relação dívida líquida/EBITDA ajustado negativa em 0,1x. O perfil do passivo também é confortável: 82,2% no longo prazo, prazo médio de 5,2 anos e custo médio de 8,8% ao ano, com apenas R$ 57,8 milhões vencendo em até 12 meses contra R$ 343,7 milhões em caixa.

Segundo programa de recompra

O sinal mais direto ao mercado de capitais foi a aprovação do 2º Programa de Recompra, que abrange 3,6 milhões de ações, equivalentes a 3,0% das ações em circulação, com prazo de 18 meses. Combinado ao caixa líquido positivo, o movimento sugere que a administração vê espaço para devolver valor ao acionista mesmo em um trimestre de receita comprimida — leitura clássica de gestão que considera o papel descontado. Sem cotação oficial disponível nesta apuração, não é possível dimensionar o desconto implícito.

Riscos e pontos de atenção

A tese carrega os dilemas típicos de uma holding industrial diversificada. De um lado, a melhora consistente de margens — lucro ajustado subindo 8% com receita caindo quase 23% — aponta ganhos reais de eficiência e mix, além de um balanço desalavancado que reduz risco financeiro. De outro, o segmento Aço ainda opera perto do zero em EBITDA no acumulado do ano, o volume químico segue em contração de dois dígitos, o processo na ANP é um passivo em aberto e a exposição indireta às tarifas americanas pode retardar a retomada de receita. Não há, nesta apuração, cobertura formal de casas de análise, rating ou múltiplos comparáveis confirmados para a companhia, o que limita a referência de valuation.

O que observar nos próximos trimestres

  • O ramp-up comercial da linha Artemis® nos mercados fotovoltaico e de O&G — o teste real vem no 3T26, para confirmar se a recuperação de 19,1% no volume de aço é tendência ou sazonalidade;
  • O andamento do processo administrativo na ANP sobre revenda de metanol pela GPC Química e eventual quantificação de impacto;
  • A execução do 2º Programa de Recompra ao longo dos 18 meses de vigência e o ritmo efetivo das aquisições;
  • O desdobramento das tarifas norte-americanas sobre a cadeia moveleira e o reflexo na demanda por painéis de madeira, hoje o principal sustentáculo da margem química;
  • A utilização da linha de R$ 100 milhões do FINAME–BNDES e os projetos que ela deve financiar;
  • A trajetória do Brent e dos preços das matérias-primas químicas, que definem tanto o custo de produção quanto o preço médio líquido do segmento Químico.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

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Fonte: Banco Central · 11/08/2026

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