A diversificação de portfólio é uma estratégia essencial para investidores que desejam reduzir riscos e aumentar o potencial de retorno dos seus investimentos. E um dos principais aspectos a ser considerado na construção de uma carteira diversificada é a correlação de ativos. Neste artigo, vamos explorar o que é correlação, seus tipos, como ela se comporta no mercado brasileiro em 2026 e como utilizá-la de forma eficiente.
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O que é a correlação de ativos?
A correlação é uma medida estatística que quantifica a relação entre dois ou mais ativos de investimento. Ela varia em uma escala de -1 a +1, indicando o quanto a variação de um ativo está relacionada à variação do outro:
- Correlação +1 (perfeita positiva): os dois ativos se movem exatamente na mesma direção e magnitude. Quando um sobe 5%, o outro também sobe 5%.
- Correlação 0 (neutra): não há relação estatística entre os movimentos dos dois ativos. Um pode subir ou cair sem nenhuma influência sobre o outro.
- Correlação -1 (perfeita negativa): os ativos se movem em direções opostas com a mesma magnitude. Quando um sobe 5%, o outro cai 5%.
Na prática, correlações perfeitas (+1 ou -1) são raras. A maioria dos ativos apresenta correlações parciais — por exemplo, +0,6 (moderada positiva) entre BOVA11 e FIIs, ou -0,4 (moderada negativa) entre Ibovespa e dólar.
Os três tipos de correlação
1. Correlação Positiva
Ocorre quando dois ativos têm comportamento similar: seus preços tendem a se mover na mesma direção. Exemplos comuns na B3:
- Ações de empresas do mesmo setor (ex.: PETR4 e PRIO3 — ambas do setor de petróleo)
- ETFs que seguem o mesmo índice ou segmento próximo
- BDRs de empresas americanas de tecnologia (ex.: AMZO34 e GOGL34)
⚠️ Atenção: carteiras formadas por ativos altamente correlacionados positivamente não estão realmente diversificadas — uma crise setorial pode impactar todos ao mesmo tempo.
2. Correlação Negativa
Ocorre quando dois ativos têm comportamento oposto. São os mais valiosos para a diversificação, pois quando um cai, o outro tende a subir — reduzindo o risco total da carteira. Exemplos:
- Bolsa (BOVA11) e dólar: historicamente negativamente correlacionados no Brasil — quando a bolsa cai, o dólar tende a subir, e vice-versa
- Ações e Tesouro Selic: em momentos de crise, investidores migram para a segurança da renda fixa, elevando a demanda por Tesouro Selic enquanto a bolsa cai
3. Correlação Neutra (próxima de zero)
Indica que não há relação clara entre os movimentos dos ativos. São ativos independentes entre si, o que também contribui para a diversificação. Exemplos: algumas commodities agropecuárias versus ações de tecnologia, ou ativos de mercados geograficamente muito distintos.
A importância da correlação de ativos na diversificação de portfólio
A diversificação de portfólio é uma estratégia fundamental para diluir riscos e maximizar retornos. Ao incluir ativos com correlações diferentes em uma carteira, você reduz a exposição a riscos específicos de um único ativo ou setor.
O princípio é simples: quando os ativos estão altamente correlacionados positivamente, todos caem juntos em momentos de crise. Por outro lado, quando a carteira inclui ativos com correlação negativa ou neutra, as perdas em um ativo podem ser compensadas pelos ganhos em outro.
💡 Exemplo prático — pandemia de 2020
O Ibovespa caiu -46% entre fevereiro e março de 2020. Quem tinha parte da carteira em Tesouro Selic (que manteve seu valor) e dólar (que disparou para R$ 5,70) amorteceu significativamente as perdas totais. A correlação negativa entre esses ativos funcionou como um amortecedor de portfólio.
Correlação entre classes de ativos na B3
A tabela abaixo apresenta correlações históricas aproximadas entre as principais classes de ativos do mercado brasileiro. Esses valores são referências gerais e podem variar conforme o período analisado:
| Classe de Ativo | vs Ibovespa | vs CDI/Selic | vs Dólar (USD) | Papel na carteira |
|---|---|---|---|---|
| Ibovespa (BOVA11) | +1,0 | ~0,0 a +0,1 | -0,3 a -0,5 | Crescimento de longo prazo |
| Tesouro Selic / CDI | ~0,0 a +0,1 | +1,0 | ~0,0 | Reserva / liquidez / proteção |
| Tesouro IPCA+ (IMA-B) | -0,1 a +0,2 | +0,3 a +0,6 | -0,1 a +0,1 | Proteção inflação longo prazo |
| FIIs (IFIX) | +0,5 a +0,7 | +0,2 a +0,4 | -0,2 a -0,3 | Renda mensal + diversificação |
| Dólar / BDRs (IVVB11) | -0,3 a -0,5 | ~0,0 | +1,0 | Proteção cambial / diversif. global |
| Ouro (GOLD11) | -0,1 a +0,1 | ~0,0 | +0,3 a +0,5 | Proteção em crises / reserva de valor |
* Correlações históricas aproximadas com base em dados de mercado. Valores variam conforme o período e o cenário econômico.
Como utilizar a correlação de ativos de forma eficiente
Ao construir uma carteira diversificada, considere a correlação como um dos principais critérios de seleção. A diversificação eficiente não significa apenas adicionar diferentes tipos de ativos, mas identificar ativos com comportamentos independentes ou opostos.
Algumas estratégias práticas:
- Defina o peso de cada classe: determine o percentual de renda fixa, renda variável, FIIs e ativos internacionais de acordo com seu perfil de risco.
- Busque ativos com baixa correlação entre si: combinar BOVA11 (bolsa), Tesouro Selic (RF) e IVVB11 (S&P 500) oferece três fontes de retorno com correlações relativamente baixas entre si.
- Monitore a correlação ao longo do tempo: correlações mudam, especialmente em crises. Em 2020, ações e FIIs — normalmente pouco correlacionados — caíram juntos no início da pandemia.
- Não confunda diversificação com quantidade: ter 20 ações de empresas de commodities não é diversificação real — é concentração. A correlação entre elas é alta.
- Considere exposição cambial: BDRs (IVVB11, NASD11) e fundos com ativos dolarizados protegem o portfólio em cenários de crise cambial, justamente por sua correlação negativa com a bolsa brasileira.
Correlação de ativos no Brasil em 2026
📊 Contexto macro — julho de 2026
- Selic: 14,25% a.a. (Copom junho/2026)
- CDI: ~14,20% a.a.
- Ibovespa: máxima histórica de 199.354 pts registrada em 14/abr/2026
- Cenário: juros altos tornam a renda fixa altamente competitiva frente à bolsa
Com a Selic em 14,25% ao ano, o cenário de 2026 ilustra bem as correlações na prática:
- Renda fixa vs bolsa: o CDI rendendo ~14,20% a.a. com risco quase zero eleva o “custo de oportunidade” de estar na bolsa. Isso reforça a baixa correlação histórica entre esses dois ativos — capital tende a migrar para RF em cenários de juro alto.
- Dólar como proteção: com o real valorizado em 2026 (sustentado pelo diferencial de juros), a correlação negativa entre Ibovespa e dólar permanece relevante. Uma desaceleração global ou choque externo poderia desvalorizar o real — aqui, ativos dolarizados (IVVB11, BDRs) serviriam de proteção.
- Ibovespa em máxima histórica: com o índice em território de máximas, a diversificação com ativos de menor correlação (Tesouro Selic, IVVB11, ouro) reduz o risco de concentração em bolsa próxima do topo.
- ETFs de renda fixa em alta: em 2026, ETFs como LFTB11 e IMAB11 ganharam destaque como forma eficiente de combinar diversificação via ETFs com rendimento de renda fixa — uma tendência crescente no mercado.
Ferramentas para calcular correlação
Você não precisa calcular correlação manualmente. Diversas ferramentas gratuitas oferecem essa análise para ativos brasileiros:
- Status Invest (statusinvest.com.br): permite comparar a correlação entre ações, ETFs e FIIs da B3 em diferentes períodos.
- B3 (b3.com.br): dados históricos de preços de todos os ativos listados para calcular correlação em planilhas.
- Excel / Google Sheets: função
=CORREL(intervalo1; intervalo2)calcula a correlação entre dois ativos a partir de séries históricas de retornos. - Investidor10 e apps de carteira: plataformas que calculam automaticamente a correlação da sua carteira personalizada.
Conclusão
A correlação de ativos desempenha um papel fundamental na construção de uma carteira diversificada e eficiente. Ao combinar ativos com correlações negativas ou neutras — como bolsa, Tesouro Selic, ETFs internacionais e ouro — você reduz o risco total do portfólio sem necessariamente abrir mão de retorno.
Lembre-se de que a correlação pode mudar ao longo do tempo, especialmente em momentos de crise sistêmica. Revise sua carteira periodicamente e, sempre que possível, busque a orientação de um assessor de investimentos qualificado.
⚠️ Aviso: Este conteúdo tem fins exclusivamente educacionais e não constitui recomendação de investimento. A Renova Invest atua como preposta do BTG Pactual (Resolução CVM nº 178). Converse com seu assessor antes de tomar decisões de investimento.
Perguntas frequentes sobre correlação de ativos
O que é correlação de ativos?
Medida estatística (-1 a +1) que indica a relação entre dois ativos financeiros. Correlação +1 = movimentos idênticos; 0 = independentes; -1 = opostos. É a base da diversificação eficiente de portfólio.
O que significa correlação -1 e +1?
Correlação +1 = dois ativos se movem na mesma direção e mesma magnitude. Correlação -1 = ativos com movimentos opostos de mesma magnitude. Na prática, o importante é identificar ativos com correlações baixas ou negativas para diversificar eficientemente.
Como a correlação ajuda a diversificar uma carteira?
Combinando ativos com correlação baixa ou negativa, as perdas de um são compensadas pelos ganhos do outro. Exemplo: BOVA11 + Tesouro Selic têm baixa correlação. Em crises, o Tesouro Selic mantém valor enquanto a bolsa cai, reduzindo a perda total do portfólio.
BOVA11 e Tesouro Selic têm alta correlação?
Não. Correlação histórica próxima de zero (+0,0 a +0,1) — praticamente independentes entre si. São ótimos complementos. Já BOVA11 e dólar têm correlação negativa (-0,3 a -0,5), tornando a exposição cambial via IVVB11 ou BDRs interessante para diversificação.
Como calcular correlação entre dois ativos no Excel?
Use a função =CORREL(intervalo1; intervalo2) com séries históricas de retornos (não preços). Plataformas como Status Invest e Investidor10 também calculam automaticamente para os principais ativos da B3.