No dia 15 de Julho de 2021, a CBA – Companhia Brasileira de Alumínio concluiu seu processo de abertura de capital e realizou sua estreia na bolsa de valores com o ticker CBAV3. No IPO, ela captou R$ 1,6 bilhão.

A equipe de analistas do BTG Pactual iniciou em Setembro sua cobertura das ações CBAV3. Para isso, foi divulgado um relatório que apresenta o modelo de negócios da empresa, a tese de investimento, os riscos e a recomendação.

Neste artigo, você confere os pontos principais do relatório.

Modelo de Negócios da CBA

Linha do Tempo

Segundo o relatório do BTG Pactual, a operação da primeira unidade de mineração em Poços de Caldas (MG) começou em 1941. A CBA, primeira empresa brasileira integrada de alumínio, foi fundada mais de uma década depois, em 1955.

Em 1973, ela havia se tornado o maior produtor de alumínio do país e estabelecido como uma liderança local. Nesse momento, era responsável por aproximadamente 30% do volume total de alumínio produzido no Brasil.

Em 1974, a CBA inaugurou as operações de sua primeira usina hidrelétrica. Esse foi o início da história de autossuficiência energética da empresa.

Em 1986, a CBA já havia se tornado uma referência global, como um dos maiores produtores integrados de alumínio do mundo. Em 1992, expandiu suas operações de mineração em Itamarati de Minas (MG).

Em 2002, foi fundado o Instituto Votorantim. Em 2006 e 2007, foram inauguradas, respectivamente, a única fábrica da América Latina capaz de produzir bobinas de 2 metros e a maior fábrica de alumínio da América Latina. Em 2008, foram iniciadas as operações de mineração de bauxita em Miraí (MG).

Também em 2008, foram estabelecidos os Princípios de Sustentabilidade da Votorantim. Em 2009, a empresa assinou a Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas.

Entre 2002 e 2009, a CBA atravessou um período de grande expansão. Nesse período, ela atingiu números impressionantes. Por exemplo, a capacidade de produção das refinarias de alumínio ultrapassou 460 kt, e a capacidade de fundição ultrapassou 230 kt.

Em 2010, a empresa realizou a aquisição da Metalex, assumindo uma unidade de reciclagem industrial de alumínio em Araçariguama.

Em 2015, teve início o Projeto Horizon, com foco na excelência operacional para produtos primários e no fornecimento de soluções e serviços para produtos downstream.

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Em 2017 e 2018, a empresa transicionou para a nova marca CBA.

Em 2020, realizou a aquisição da planta Arconic.

Entre 2019 e 2020, a CBA recebeu importantes certificados: ASI, Great Place to Work, IATF e CDP – Ranking de Liderança (A-).

A empresa

Segundo o relatório do BTG Pactual, a CBA tem cinco divisões de negócios: primário, transformados, reciclagem, outros, níquel/energia.

A divisão de primário é responsável por cerca de 41% da receita líquida e sua produção equivale a 228 mil toneladas.

A divisão de transformados é responsável por cerca de 31% da receita líquida e sua produção equivale a 122 mil toneladas.

A divisão de reciclagem é responsável por cerca de 9% da receita líquida e sua produção equivale a 103 mil toneladas.

A divisão de outros realiza trading e vendas de bauxita e alumina, e é responsável por cerca de 10% da receita líquida.

A divisão de níquel/energia é responsável por cerca de 1% da receita líquida.

A cadeia integrada da empresa começa na mina de bauxita, que tem capacidade produtiva de 3.000 kt/ano. Em seguida, passa à refinaria de alumina, com capacidade de 800 kt/ano.

O próximo passo são as salas de fornos, com capacidade de 430 kt/ano. Depois, a fundição, com capacidade de 518 kt/ano.

Na sequência, a produção de transformados, com capacidade de 55 kt/ano para extrusão e 165 kt/ano para folhas e chapas. Finalmente, a reciclagem, com capacidade de 227 kt/ano. Esses números já consideram as três unidades industriais da empresa.

Tese de Investimento

Segundo o relatório do BTG Pactual, os pontos a seguir são os principais destaques da tese de investimento da CBA (CBAV3).

As projeções de preços de alumínio são de US$ 2.600/t em 2022 e US$ 2.500/t em 2023. Essas são projeções conservadoras, pois os mercados estão caminhando para déficits à frente com uma maior racionalização da oferta.

A CBA é um produtor de alumínio de nível 1, isto é, posicionado no começo da curva de custo. A justificativa está em seu modelo altamente integrado, pois a empresa supre 100% das suas necessidades de energia e conta com minas próprias de bauxita.

A CBA usa fontes de energia 100% renováveis. Esse é um diferencial, já que a indústria global de alumínio usa principalmente carvão como insumo de energia.

A indústria do alumínio está em uma encruzilhada, após anos de excesso de oferta. Por um lado, existe a necessidade de cortar e racionalizar o fornecimento para descarbonizar. Por outro lado, é preciso atender à crescente demanda de alumínio para projetos verdes, como plantas de energia renovável e veículos elétricos.

Os produtos da CBA podem comandar um “prêmio verde” crescente no futuro.

Atualmente, as ações CBAV3 estão negociando a um valuation barato em torno de 3x EBITDA 22/ 17% de FCF yield (excluindo projetos de crescimento). Elas também estão negociando com um desconto de cerca de 40% em relação aos pares internacionais.

A empresa conta com projetos de acúmulo de bauxita, em Rondon do Pará, com TIRs em torno de 15%, e uma série de projetos menores de maior retorno. Esses são projetos ainda não precificados.

Para finalizar, existe a expectativa de que a trajetória de lucros siga um contango, contexto em que o preço futuro de uma mercadoria é mais alto do que o preço à vista atual. Assim, é uma boa alternativa para diversificação do portfólio em commodities, com a expectativa de alta nos preços do alumínio no futuro.

Riscos

Segundo o relatório do BTG Pactual, existem quatro principais riscos para a tese.

O primeiro risco é a não aplicação dos cortes na China. Ainda existem dúvidas em relação à aplicação da restrição de produção no país asiático a 45 Mt. Essa restrição é fundamental para uma tese otimista, pois ajudaria a controlar o excesso de capacidade de produção e impulsionar os preços do alumínio.

O segundo risco é a crise hidrográfica. A CBA tem um negócio que depende fortemente de consumo de energia elétrica, e a crise hidrográfica pode prejudicar sua capacidade de geração de energia para manter as operações em andamento.

O terceiro risco é a baixa liquidez. As ações CBAV3 apresentam menor nível de liquidez, se comparadas a outras, o que pode causar algum desconforto.

O quarto risco é cambial. A CBA tem um negócio principalmente dolarizado, com receita altamente influenciada por movimentos cambiais. Nesse caso, a valorização do real seria negativa para os resultados da empresa.

Recomendação: CBA (CBAV3)

Segundo o relatório do BTG Pactual, a CBA é um dos poucos ativos de alumínio totalmente integrados globalmente e uma tese temática.

Ela se posiciona na ponta mais baixa da curva de custos. Além disso, está entre as 10 empresas que mais geram energia no Brasil. Ela se diferencia de outras empresas do mesmo setor por utilizar apenas energia 100% renovável em seu processo produtivo, e pode se beneficiar da tendência de descarbonização.

A indústria está se reestruturando após anos de excesso de oferta e baixos retornos. Para o futuro, existe a expectativa de uma situação estruturalmente muito mais saudável.

Assim, estabelece recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 19,00.

Continue acompanhando os conteúdos da Renova Invest para conhecer outros ativos que podem entrar na sua carteira de investimentos pessoal.

Disclaimer: As informações apresentadas neste artigo são provenientes de relatórios elaborados por terceiros. Esse material tem caráter puramente informativo, e não configura recomendação ou sugestão de investimento.