Brisanet: lucro sobe 319% no 2T26, receita cresce 16% e empresa vai ao Centro-Oeste

Brisanet triplica lucro no 2T26 e avança para o Centro-Oeste com expansão móvel acelerada

Renova Invest · 12 de agosto de 2026

Os números do 2T26: receita cresce 16%, EBITDA sobe 12% e margem se acomoda em 42%

A Brisanet divulgou os resultados do segundo trimestre de 2026 com receita líquida de R$ 475,9 milhões, alta de 16% na comparação anual — um incremento nominal de R$ 66 milhões —, e EBITDA ajustado de R$ 200,0 milhões, avanço de cerca de 12% ano a ano, com margem EBITDA ajustada de 42%. No acumulado do primeiro semestre, a receita líquida somou R$ 930 milhões (aumento de R$ 128 milhões sobre o 1S25) e o EBITDA ajustado do semestre atingiu R$ 391,8 milhões, também com margem de 42%.

Na linha do lucro, a cobertura de mercado sobre o trimestre aponta lucro líquido de R$ 26,1 milhões, avanço de 319,4% frente ao 2T25. Esse número não consta na apresentação de resultados divulgada pela companhia — que traz receita, EBITDA, capex, base de clientes e endividamento — e deve ser conferido nas demonstrações financeiras completas do trimestre.

  • Receita líquida (2T26): R$ 475,9 milhões (+16,0% a/a)
  • EBITDA ajustado (2T26): R$ 200,0 milhões (+12% a/a)
  • Margem EBITDA ajustada (2T26): 42,0% (vs. 43,6% no 2T25 e 42,3% no 1T26)
  • Receita líquida (1S26): R$ 930 milhões (+R$ 128 milhões vs. 1S25)
  • EBITDA ajustado (1S26): R$ 391,8 milhões, margem de 42%
  • Acessos FTTH (fim do 2T26): 1.579,8 mil
  • ARPU B2C banda larga: R$ 92,65 (+4,0% vs. 1T26; +5,8% vs. 2T25)
  • Dívida líquida: R$ 1.691,4 milhões (2,17x EBITDA)
  • Capex 1S26: R$ 341 milhões (estimativa para 2026: ~R$ 700 milhões)

Contra o histórico: lucro se normaliza, mas a margem cede na comparação anual

O salto do lucro precisa ser lido com o denominador em mente. Em 2025, a Brisanet fechou o ano com lucro líquido de R$ 40,9 milhões, queda de 32,7%, mesmo com receita líquida de R$ 1,67 bilhão (+17,6%) e EBITDA ajustado de R$ 743,7 milhões (+22,9%). A companhia atribuiu a piora do bottom line a uma despesa tributária não recorrente ligada a acordo de ICMS no Rio Grande do Norte. Ou seja: parte relevante do avanço percentual anual de 2026 vem da base deprimida, ainda que o trimestre em si represente normalização efetiva.

Na rentabilidade, o quadro é mais exigente. A margem EBITDA ajustada recuou 1,6 ponto percentual na comparação anual (de 43,6% no 2T25 para 42,0% no 2T26) e 0,3 ponto percentual na sequencial (de 42,3% no 1T26). A série histórica da própria companhia mostra margens acima de 44% em trimestres de 2025 — o 3T25 em 44,5% e o 4T25 em 45,0%. Em valores absolutos o EBITDA avançou de R$ 191,8 milhões no 1T26 para R$ 200,0 milhões no 2T26, mas o mix crescente de móvel, ainda em fase de ramp-up e com custo de aquisição mais intenso, pressiona os índices de rentabilidade. É exatamente a leitura que a cobertura de mercado vinha fazendo da tese: crescimento operacional consistente com rentabilidade sujeita à competição e ao amadurecimento do móvel.

Os drivers do trimestre: fibra madura, móvel dobrando e B2B puxando

Banda larga: base crescente e ARPU no topo da série

A receita de banda larga somou R$ 417,7 milhões no 2T26, alta de 8% na comparação anual, com destaque para o B2B, que cresceu 18% a/a e chegou a R$ 40,1 milhões, enquanto o B2C avançou para R$ 377,5 milhões sustentado principalmente pelo ticket. O ARPU B2C atingiu R$ 92,65, o maior nível da série apresentada — a companhia vinha de R$ 86,90 no 1T25 e no 2T25. A base FTTH passou de 1.567,3 mil acessos no 1T26 para 1.579,8 mil no 2T26, com take-up de 26% e market share de 21,3% em FTTH no Nordeste excluindo Bahia e Maranhão (18% considerando toda a região), conforme dados da Anatel citados no material. A companhia acrescentou cerca de 12 mil home connects no 2T26 e 25 mil no 1S26, e reportou redução de 0,09 ponto percentual no churn frente ao 1T26.

Móvel: receita quase dobra e base supera 1,1 milhão

A receita móvel B2C saltou de R$ 32,9 milhões no 2T25 para R$ 58,9 milhões no 2T26 — quase o dobro em doze meses. Só no mês de junho, a receita móvel foi de R$ 21,1 milhões, mais de 12% da receita total. Foram 116,4 mil acessos adicionados no 2T26 (63,9 mil no móvel puro e 52,6 mil em combo), depois de 101,3 mil no 1T26, totalizando 218 mil clientes adicionados no 1S26. Ao fim de julho de 2026, já fora do trimestre, a operação móvel superou 1,1 milhão de clientes (1.108,6 mil). As ofertas convergentes respondem por cerca de 25% da base — indicador relevante de monetização cruzada e de contenção de churn. A companhia informa cobertura de 16,4 milhões de pessoas e presença em 341 cidades ativadas, com mais de 20% de market share em cidades menores onde atua há mais de dois anos.

Endividamento: alavancagem recua e perfil segue alongado

A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 1.691,4 milhões, com alavancagem de 2,17x EBITDA — abaixo dos 2,24x do 1T26 e do pico de 2,44x do 2T25. O custo da dívida está abaixo de 81% do CDI, com recuo de 2,5 pontos percentuais frente ao trimestre anterior, e o prazo médio é de 6,3 anos, com 77% dos financiamentos no médio e longo prazo. A posição de caixa e aplicações financeiras somava R$ 789,8 milhões, e a empresa ainda tem cerca de R$ 650 milhões em empréstimos subsidiados contratados e não desembolsados, o que dá visibilidade ao funding do capex dos próximos ciclos.

A leitura para o investidor: tese intacta, execução no Centro-Oeste é o novo teste

Sair do Nordeste: catalisador e risco na mesma decisão

O anúncio mais estratégico do trimestre não está nas linhas de resultado, mas na entrada no Centro-Oeste. A Brisanet planeja ativar 115 municípios de pequeno e médio porte no 2S26 — 62 em Goiás e 53 em Mato Grosso do Sul —, com capex inicial estimado em ~R$ 100 milhões e início das vendas previsto para o fim de agosto de 2026. O modelo é híbrido: parcerias em cidades abaixo de 20 mil habitantes e equipe própria nas demais. Para a tese, é uma mudança de natureza: a companhia deixa de ser uma pure play regional nordestina — onde tem escala, marca e share consolidado — para competir em um mercado onde operadoras nacionais e ISPs locais já estão instalados. O modelo de parcerias reduz o capital em risco, mas adiciona desafios de padronização de qualidade e de controle do churn na largada.

Capex e caixa: o equilíbrio a monitorar

Com R$ 341 milhões investidos no 1S26 e estimativa de ~R$ 700 milhões para 2026, o segundo semestre implica aceleração — parte dela explicada pelo Centro-Oeste. A composição do capex do período mostra 54,9% direcionados ao 5G e 24,4% a home connects, além de 9,7% em backbone e rede, confirmando o 5G como vetor central da estratégia móvel. Para referência histórica, o capex foi de R$ 751 milhões em 2025, R$ 995 milhões em 2024, R$ 464 milhões em 2023 e R$ 857 milhões em 2022.

A apresentação de resultados não detalha resultado financeiro nem fluxo de caixa livre do trimestre, o que limita a avaliação direta da geração de caixa frente ao endividamento — dados a serem buscados nas demonstrações completas. A combinação de margem em 42%, capex elevado e alavancagem em 2,17x exige disciplina de execução: pressão adicional de custos no móvel ou atraso na monetização do Centro-Oeste comprimiria o espaço de desalavancagem.

A cotação oficial das ações da companhia não estava disponível nesta apuração, de modo que não há aqui leitura de reação do mercado nem comparação de múltiplos.

O que observar nos próximos trimestres

Os gatilhos a acompanhar até o 3T26 são: a velocidade de ativação das 115 cidades do Centro-Oeste e os primeiros indicadores de take-up fora do Nordeste; a evolução do ARPU móvel agora que a base passou de 1,1 milhão de clientes e o mix de planos amadurece; a trajetória da alavancagem, com atenção a uma eventual queda do índice dívida líquida/EBITDA para baixo de 2,0x; o comportamento da margem EBITDA, que precisa parar de ceder para sustentar a tese de crescimento rentável; e o desembolso das linhas subsidiadas de R$ 650 milhões ainda não sacadas, que afetam caixa e perfil de amortização. Qualquer revisão da estimativa de capex de R$ 700 milhões para 2026, para cima ou para baixo, será sinal relevante sobre o ritmo real da expansão geográfica.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 10/08/2026

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