A Alpargatas, dona da marca Havaianas, reportou forte melhora de resultados no segundo trimestre fiscal de 2026 (2T26). A companhia registrou lucro líquido de R$ 169,7 milhões, alta de 95,1% em relação aos R$ 87,0 milhões do 2T25. A margem líquida subiu para 13,8%, ante 7,9% um ano antes.
A receita operacional líquida consolidada somou R$ 1.226,4 milhões, avanço de 11,3% na comparação anual. A receita da marca Havaianas alcançou R$ 1.215 milhões, alta de 11,4%. O volume total vendido foi de 53,3 milhões de pares, crescimento de 9,0% frente aos 48,8 milhões do 2T25.
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Rentabilidade em expansão
O destaque do trimestre foi a alavancagem operacional. O EBITDA atingiu R$ 269,1 milhões, salto de 54,1% ante o 2T25, elevando a margem EBITDA para 21,9% (+6,1 p.p.). Já o EBITDA Ajustado foi de R$ 286,0 milhões, alta de 48,5%, com margem ajustada de 23,3%.
A companhia também informou ROIC de 18%, mantendo trajetória de melhora consistente desde 2023, além de redução de 1,3% das despesas operacionais na comparação anual. O lucro bruto consolidado cresceu 14,6%, para R$ 690,8 milhões, com margem bruta de 56,3% (+1,6 p.p.).
Brasil e Europa lideram; EUA recuam
No Brasil, a receita da Havaianas subiu 17%, para R$ 809 milhões, com volume de 45,6 milhões de pares (+9%). A empresa destacou nível de serviço (OTIF) de 83,5%, crescimento de 17% no sell-out do canal DTC e de 5% no canal especializado, além de ganho de 2,1 p.p. de market share no canal alimentar frente a junho de 2025.
Na Europa, tanto volume quanto receita cresceram 21% (R$ 309 milhões), impulsionados pela alta temporada, com sell-in também em alta de 21%. Nos Mercados Distribuidores Internacionais (MDI), o volume avançou 12% e a receita 2%.
Na contramão, os Estados Unidos mostraram queda expressiva: o volume caiu 30% e a receita recuou 67% no trimestre (R$ 22 milhões), em função de mudanças na sazonalidade sob o novo modelo de distribuição. No acumulado do semestre (1S26), porém, o sell-in nos EUA cresceu 40% na comparação anual, indicando um ritmo encorajador de abertura de novos pontos de venda.
Disciplina de caixa e alavancagem
A Alpargatas reportou geração de caixa (LTM) de R$ 463 milhões, uma melhora de R$ 74 milhões, e alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA LTM) de 0,5x, ante -0,3x no 2T25. O Capex do trimestre foi de R$ 54 milhões, praticamente estável frente aos R$ 55 milhões do 2T25.
Rothy’s e leitura da tese
A subsidiária Rothy’s teve receita líquida de US$ 61 milhões (-3% a/a) e lucro líquido de US$ 2,9 milhões (-52%), refletindo menor volume em e-commerce e expansão de lojas físicas (39 vs. 29 no ano anterior).
Os números reforçam a leitura do mercado sobre uma reprecificação operacional da companhia após um ciclo de reestruturação pesada. Em 2024, a Alpargatas voltou ao lucro (R$ 107,4 milhões) depois de perda de R$ 1,867 bilhão em 2023, vendendo 226,6 milhões de pares de Havaianas no ano, alta de 9,5%. O resultado do 2T26 dá continuidade a essa trajetória de crescimento com disciplina de capital.
Riscos e oportunidades
Entre as oportunidades estão a expansão da categoria Kids (+29% em volume no trimestre), o avanço na Europa e a maturação da nova operação nos EUA. Entre os riscos, destacam-se a volatilidade da operação americana, exposição cambial e a dependência da marca Havaianas como principal alavanca de receita. Não há, nas informações oficiais divulgadas, dados sobre estrutura de controle, rating de crédito ou recomendações formais de casas de análise para o período.
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