Arandu (ARND3) revisa OPA: R$ 0,666677 a vista ou R$ 1,00 em 12m; laudo de R$ 0,59

Arandu Investimentos revisa OPA: R$ 0,666677 à vista ou R$ 1,00 em 12 meses, com laudo de R$ 0,59

Renova Invest · 13 de julho de 2026

A Arandu Investimentos S.A. (ARND3) informou ao mercado, em 13 de julho de 2026, que sua acionista controladora, a Arandu Partners Holding S.A., celebrou o Segundo Aditamento ao Contrato de Compra e Venda de Ações firmado com a Reag Asset Management Ltda. e o Reag Alpha Fundo de Investimento Financeiro em Ações – Classe Única — os Vendedores que cederam o controle da companhia. O movimento recalibra a estrutura da oferta pública de aquisição (OPA) por alienação de controle, unificada com cancelamento de registro, já em processo de registro na CVM, ajustando os preços por ação que serão colocados à escolha dos minoritários no leilão.

Pelo aditamento, os componentes contingentes originalmente embutidos no preço foram excluídos e o montante destinado à quitação das dívidas de aquisição dos Vendedores foi reduzido. Com isso, o preço por ação efetivamente pago pela controladora aos Vendedores foi fixado em R$ 0,666677. A partir desse referencial, a OPA passa a oferecer duas opções:

  • Opção I — R$ 0,666677 por ação, pago à vista na Data de Liquidação do Leilão, com atualização pro rata die pela Taxa SELIC desde a data de recebimento pelos Vendedores até a liquidação do leilão;
  • Opção II — R$ 1,00 por ação, pago em até 12 meses da data de liquidação, também atualizado pro rata die pela Taxa SELIC desde a publicação do edital até o pagamento efetivo.

Simultaneamente, a Ofertante contratou a Técnica Assessoria de Mercado de Capitais e Empresarial Ltda. para elaborar o laudo de avaliação com data-base de 31 de março de 2026 — exigência da CVM no processo de registro da oferta. O resultado pelo método de fluxo de caixa descontado (FCD), considerado pelo avaliador a metodologia mais adequada para apurar o preço justo, chegou a R$ 0,59 por ação. Segundo a Ofertante, tanto a Opção I quanto a Opção II superam esse valor justo quando ajustadas pela SELIC desde a data-base até a liquidação. A partir de 13 de julho de 2026, corre novo prazo de 15 dias para que acionistas apresentem eventual requerimento de revisão de preço, nos termos do art. 4º-A, §1º, da Lei das S.A. e do art. 39 da Resolução CVM 215/24.

A linha do tempo: de Reag a Arandu, passando por investigações e troca de controle

Este fato relevante não pode ser lido sem o pano de fundo que a companhia carrega desde o segundo semestre de 2025. O que hoje se chama Arandu Investimentos era a Reag Investimentos S.A., holding híbrida de gestão de recursos e de fortunas. A companhia chegou à B3 por meio de um “IPO reverso”: em maio de 2021, a antiga GetNinjas precificou seu IPO a R$ 20 por ação, movimentando cerca de R$ 554 milhões, e essa estrutura listada foi posteriormente transformada na Reag, que passou a negociar sob o código REAG3.

O ponto de inflexão chegou em 28 de agosto de 2025, quando a Operação Carbono Oculto — considerada a maior investigação já conduzida no país contra o crime organizado — cumpriu mandados de busca e apreensão contra cerca de 350 alvos, entre eles 42 gestoras de fundos ou instituições financeiras. A operação apurava um esquema bilionário de fraude no setor de combustíveis e lavagem de dinheiro atribuído ao PCC, e a Reag figurava entre as gestoras investigadas. No dia da deflagração, as ações REAG3 chegaram a cair mais de 17% antes de entrar em leilão. A companhia negou irregularidades e afirmou colaborar com as autoridades.

A pressão sobre a estrutura societária foi imediata. Em setembro de 2025 — primeiro dos fatos relevantes mencionados no comunicado atual, divulgado em 7 e republicado em 8 de setembro —, foi anunciada a venda de 123,2 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 87,38% do capital social, à Arandu Partners Holding, veículo formado pelos principais executivos da casa. O acordo, fechado com o fundador da Reag, João Carlos Mansur, previa parcelas mensais equivalentes a 5% da receita líquida e cerca de R$ 100 milhões destinados à quitação de dívidas de aquisição. A operação foi consumada em 14 de outubro de 2025.

Em novembro de 2025, a companhia alterou sua denominação social para Arandu Investimentos e, a partir de 3 de dezembro de 2025, suas ações passaram a ser negociadas sob o novo ticker ARND3, em substituição ao antigo REAG3. Em 15 de janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM (já renomeada CBSF DTVM), por graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. O Segundo Aditamento, agora divulgado, representa mais um ajuste formal de preço nessa sequência de eventos.

O novo marco regulatório: a Resolução CVM 215/24 como pano de fundo

A OPA da Arandu é uma oferta por alienação de controle unificada com cancelamento de registro e saída do Novo Mercado, protocolada na CVM em novembro de 2025. Nesse contexto, o laudo de avaliação independente é peça central: é a partir da sua disponibilização que corre o novo prazo de 15 dias para que acionistas qualificados possam requerer a revisão do preço, nos termos do art. 4º-A da Lei das S.A. e do art. 39 da Resolução CVM 215/24. A exigência da CVM por laudo independente foi justamente o motivador da contratação da Técnica Assessoria e do recálculo das opções de preço.

O segmento de gestão de recursos e wealth independente em que a companhia atua vive momento de reorganização no Brasil após as turbulências regulatórias e reputacionais dos últimos meses. A narrativa de um management buyout pela Arandu Partners busca dissociar a companhia do histórico investigado — mas o ônus reputacional e as pendências societárias seguem presentes na tese.

A leitura para o investidor: prêmio sobre o laudo, mas histórico que pesa

O que os números dizem

O laudo da Técnica Assessoria, pela metodologia de fluxo de caixa descontado, apurou valor justo de R$ 0,59 por ação (data-base: 31/03/2026). As duas opções da OPA superam esse patamar: a Opção I, de R$ 0,666677, representa prêmio de cerca de 13% sobre o laudo (antes da atualização pela SELIC), e a Opção II, de R$ 1,00 em até 12 meses, cerca de 69% acima do valor justo — mas com risco de prazo e de crédito da Ofertante até o recebimento. A atualização pela SELIC em ambas as opções é relevante num cenário de juros elevados no Brasil.

O peso do histórico

A companhia carrega sinais de alerta que qualquer investidor precisa ponderar. Segundo dados de mercado, a ARND3 negocia atualmente com valor de mercado da ordem de R$ 91 milhões, ante os cerca de R$ 554 milhões movimentados no IPO de 2021 — refletindo a destruição de valor acumulada no período. A trajetória recente foi marcada pela Operação Carbono Oculto, pela troca de controle e pela liquidação extrajudicial de entidade ligada ao antigo conglomerado, fatores que continuam a pesar sobre a percepção de risco da companhia.

Riscos e oportunidades

Para o acionista minoritário que ainda detém papéis, a OPA representa a saída mais clara e com preços acima do laudo. A Opção II, mais generosa nominalmente, carrega risco de crédito da Ofertante no prazo de até 12 meses. A Opção I, à vista, oferece mais segurança, mas o valor em si — abaixo de R$ 0,70 — reflete a trajetória de uma empresa que ainda precisa demonstrar estabilidade financeira e operacional sob a nova gestão.

O que observar: prazos, leilão e sinais a acompanhar

O prazo de 15 dias a partir de 13 de julho de 2026 é a primeira data crítica: encerrado esse período sem requerimento de revisão de preço por acionistas qualificados, a OPA avança para o registro final na CVM e a definição da data do leilão. O edital da oferta, ainda não publicado, fixará o cronograma definitivo, incluindo a data de liquidação que acionará a contagem da atualização pela SELIC nas duas opções de preço.

Outros gatilhos a acompanhar: (i) a evolução do processo de registro da OPA junto à CVM e a eventual apresentação de requerimentos de revisão de preço; (ii) o cumprimento das exigências associadas ao cancelamento de registro e saída do Novo Mercado; e (iii) eventuais desdobramentos judiciais ou regulatórios associados à Operação Carbono Oculto e à liquidação da Reag Trust, que seguem com potencial de impacto reputacional sobre a holding.

Conteúdo informativo. Não constitui recomendação de investimento.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 10/07/2026

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