A Natura Cosméticos (NATU3) protocolou nesta quarta-feira, 8 de julho de 2026, um fato relevante de caráter excepcional para antecipar ao mercado que sua receita líquida consolidada no segundo trimestre deve ficar entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões — queda anual de 9% a 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. A divulgação é incomum: a companhia só recorre a esse tipo de comunicado quando o desvio em relação às expectativas é grande demais para esperar pelo calendário ordinário. O resultado completo do 2T26 está marcado para 10 de agosto de 2026, e a empresa entrará em período de silêncio a partir de 12 de julho.
Uma linha do tempo de tropeços que se acumulam desde a reestruturação
Para entender a magnitude do comunicado desta quarta-feira, é preciso recuar ao menos dois anos. A Natura passou por uma das maiores reestruturações de sua história recente: desmontou a holding Natura & Co, incorporando-a à Natura Cosméticos em assembleia realizada em 2025, desfazendo na prática a arquitetura criada para abrigar a aquisição da Avon em 2019.
O problema é que 2026 começou mal. No 1T26, a Natura registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões — salto expressivo ante o resultado negativo de R$ 50 milhões do mesmo período de 2025. A receita líquida somou R$ 4,75 bilhões, recuo de 7,7% anual, com o EBITDA recorrente despencando 55,7% para R$ 346 milhões, margem de apenas 7,3%. A dívida líquida subiu para R$ 4,0 bilhões, com alavancagem de 2,11x.
Setor de beleza cresce, mas a venda direta enfrenta sua própria crise estrutural
O mercado brasileiro de cosméticos e beleza segue sendo um dos mais vigorosos do mundo. O Brasil é o terceiro maior mercado global do setor, responsável por cerca de 45% do mercado latino-americano, com faturamento estimado em R$ 242,3 bilhões em 2026. O problema é que o vetor de crescimento do setor se deslocou: e-commerce, marketplaces e marcas direct-to-consumer ganham terreno enquanto a venda por relações, pilar histórico da Natura e da Avon, definha.
Os números da própria empresa ilustram o movimento: o número de consultoras no Brasil caiu 4,3% em 2025 e 10,6% na América Latina. É nesse pano de fundo que a Natura vem apostando na expansão para novos marketplaces e na ferramenta “Minha Loja” como tentativa de modernizar um modelo de distribuição que a era digital colocou sob pressão crescente.
A leitura para o investidor: entre o alívio da Advent e o peso do balanço
Do lado positivo, há um movimento societário relevante: a gestora americana Advent International adquiriu participação na Natura em julho de 2026. Leia mais sobre a OPA da Natura e Advent e o acordo com os acionistas fundadores. O acordo prevê que a Advent pode comprar entre 8% e 10% do capital, com direito a indicar membros ao Conselho.
As ações da Natura (NATU3) foram negociadas a R$ 9,02 no encerramento de 8 de julho, com valor de mercado de cerca de R$ 6,3 bilhões. O papel acumula queda de 61% em cinco anos.
O que observar daqui para frente
O foco imediato estará no resultado do 2T26, a ser divulgado em 10 de agosto. Além dos números trimestrais, o mercado vai buscar sinais sobre como a empresa pretende contornar os gargalos operacionais e se há plano para recompor margens em um cenário de demanda ainda incerta.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
A queda projetada na receita da Natura no 2T26 pode ser contrastada com o desempenho de outras empresas do setor de consumo, como a Automob, que registrou aumento de 13,1% na receita bruta no mesmo período, atingindo R$ 3,7 bilhões sem a necessidade de abrir novas lojas.
Enquanto a Natura projeta uma queda na receita, outros setores têm apresentado desempenho positivo. Por exemplo, a receita bruta da Automob (AMOB3) aumentou 13,1% no 2T26, atingindo R$ 3,7 bilhões, sem a necessidade de abrir novas lojas, demonstrando uma estratégia de crescimento eficaz em um mercado desafiador.
