Rendimento do Tesouro Direto: como funciona e como calcular

Rendimento do Tesouro Direto: como funciona e como calcular

A taxa CDI estava em aproximadamente 14,15% ao ano, mas poucos investidores sabem exatamente quanto desse rendimento realmente chega ao bolso. Se você aplicar R$ 10.000 no Tesouro Prefixado a 14,9% ao ano, por exemplo, receberá bem menos que os prometidos 14,9%. Entre Imposto de Renda, taxa de custódia e outras deduções, parte significativa do seu lucro simplesmente some. E entender como esses descontos funcionam faz toda a diferença entre uma aplicação bem planejada e um investimento feito no escuro.

Resposta direta: O rendimento do Tesouro Direto representa o retorno obtido ao emprestar dinheiro ao governo federal. Ele pode ser prefixado (taxa fixa na compra), pós-fixado (acompanha a Selic) ou híbrido (taxa real + IPCA). Porém, o valor que você realmente recebe depende não apenas da taxa contratada, mas também da custódia de 0,20% ao ano (com isenção para Tesouro Selic até R$ 10.000 por CPF) e do Imposto de Renda regressivo, que varia de 15% a 22,5%.

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O que é o rendimento do Tesouro Direto?

Imagine emprestar dinheiro para o governo e receber juros por isso. Basicamente, é isso que acontece quando você investe no Tesouro Direto. Em troca do seu dinheiro, o Tesouro Nacional paga um retorno que varia conforme o tipo de título escolhido. E cada modalidade funciona de um jeito diferente.

No Tesouro Prefixado, por exemplo, a taxa já é definida no momento da compra e não sofre alterações. Ou seja, se você adquirir um título a 14,9% ao ano, esse será seu retorno bruto até o vencimento — desde que mantenha o título até a data de vencimento, pois em caso de resgate antecipado, o valor pode variar devido à marcação a mercado.

Já o Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros com capitalização diária. A rentabilidade exata depende da dinâmica diária da taxa Selic e da remuneração do título. Ele oferece alta liquidez e costuma ser indicado para quem está montando sua reserva de emergência — afinal, quase não sofre com as oscilações do mercado.

O Tesouro IPCA+, por sua vez, oferece uma combinação única: uma taxa real fixa (como 8,56% ao ano) acrescida à variação do IPCA ao longo do tempo. Isso significa que o rendimento nominal final só será conhecido no vencimento. Para calculá-lo corretamente, usamos a fórmula: rentabilidade nominal = (1 + taxa real) × (1 + IPCA) − 1. Com o IPCA acumulado em 4,64% e uma taxa real de 8,56%, o rendimento nominal seria cerca de 13,59% ao ano: (1,0856) × (1,0464) − 1.

Rentabilidade bruta versus líquida: entenda a diferença

A rentabilidade bruta é aquela que você vê no título — a taxa prometida. Porém, a rentabilidade líquida, que realmente cai na sua conta, é outra história. E aqui entram dois custos importantes: a taxa de custódia da B3, de 0,20% ao ano, e o Imposto de Renda regressivo.

Para aplicações de longo prazo, o IR cai para 15%. Mas em prazos mais curtos, pode chegar a 22,5%. E essa diferença faz uma enorme diferença no seu bolso. Em uma aplicação de um ano, por exemplo, esses descontos podem consumir entre 18% e 25% do seu rendimento bruto, dependendo do prazo e do saldo aplicado. Ou seja, uma taxa bruta que parecia atraente pode se transformar em algo bem mais modesto quando você olha o resultado final.

Na prática, o programa é desenvolvido pela Secretaria do Tesouro Nacional em parceria com a B3. A B3 operacionaliza os sistemas e a custódia individualizada dos investidores, enquanto o Banco Central atua como depositário central dos títulos públicos. Para investir, você precisa acessar o programa por meio de corretoras ou bancos credenciados.

Acessibilidade: por que o Tesouro Direto é para todos?

Um dos grandes diferenciais do Tesouro Direto é a baixa barreira de entrada. Nos títulos tradicionais, o investimento mínimo corresponde a 1% do valor do título (fração de 0,01 título) e varia conforme o preço de cada papel. Já no Tesouro Reserva, é possível começar com apenas R$ 1. Assim, qualquer pessoa pode dar os primeiros passos em renda fixa sem precisar de um grande capital inicial.

Além disso, o funcionamento é simples: você empresta dinheiro ao governo e, se esperar até o vencimento, recebe exatamente o que foi combinado. Se precisar resgatar antes, o valor dependerá das condições de mercado naquele momento — o que pode ser vantajoso ou não, dependendo das circunstâncias.

Quais são os tipos de títulos e como cada um rende?

No Tesouro Direto, existem três modalidades principais de títulos, cada uma com sua própria lógica de rendimento. E entender como cada uma funciona é o primeiro passo para escolher a que melhor se encaixa nos seus objetivos.

Tesouro Selic

  • Indexador: Taxa Selic (pós-fixado)
  • Perfil indicado: Reserva de emergência e objetivos de curto prazo
  • Prazo típico: 1 a 2 anos
  • Risco de mercado: Baixíssimo

Tesouro Prefixado

  • Indexador: Taxa nominal fixa (como 14,9% ao ano)
  • Perfil indicado: Quem acredita que a Selic pode cair
  • Prazo típico: 2 a 10 anos
  • Risco de mercado: Alto se resgatado antes do vencimento

Tesouro IPCA+

  • Indexador: IPCA + taxa real fixa (como 8,56% ao ano)
  • Perfil indicado: Proteção contra inflação e objetivos de longo prazo
  • Prazo típico: 5 a 35 anos
  • Risco de mercado: Alto no curto prazo, mas protegido no vencimento

Além dessas três modalidades, existem variantes com objetivos específicos. O Tesouro Renda+, por exemplo, foi criado para complementar a aposentadoria: você acumula por alguns anos e recebe pagamentos mensais ao longo do período de conversão do título. O Tesouro Educa+, por sua vez, segue uma lógica semelhante, mas é voltado para financiar a educação superior — paga renda mensal por cinco anos, em 60 parcelas. Ambos são indexados ao IPCA+, o que garante proteção real contra a inflação.

No entanto, vale destacar que essas variantes têm menor liquidez, pois cada aplicação possui carência de 60 dias para venda antecipada; depois desse período, o resgate ocorre pelas regras e preços de mercado do programa. Portanto, são indicadas principalmente para objetivos de longo prazo.

Portanto, a escolha do título depende do seu horizonte de tempo e da sua visão sobre juros e inflação. Se você acredita que a Selic vai cair, por exemplo, o Prefixado tende a se valorizar no mercado secundário. Já se o seu objetivo é proteger seu poder de compra ao longo dos anos, o IPCA+ é a opção mais consistente. E se você busca alta liquidez, o Tesouro Selic tende a ser uma boa alternativa — e, desde maio de 2026, o Tesouro Reserva foi desenhado para resgate imediato, embora com disponibilidade ainda restrita a determinadas instituições.

Como calcular o rendimento do Tesouro Direto passo a passo

Calcular o rendimento líquido do Tesouro Direto exige atenção em alguns detalhes. Primeiro, aplicamos a taxa bruta sobre o capital investido. Depois, subtraímos a taxa de custódia. Em seguida, aplicamos o Imposto de Renda conforme o prazo da aplicação. E, se o resgate ocorrer em menos de 30 dias, ainda precisamos descontar o IOF.

Vamos ver como isso funciona na prática?

Etapa 1 — Rendimento bruto

Para calcular o rendimento bruto, usamos a fórmula de juros compostos: VF = VP × (1 + i)^n, onde VF é o valor futuro, VP é o valor presente (ou seja, o valor investido), i é a taxa por período e n representa o número de períodos.

Vamos supor um investimento de R$ 10.000 no Tesouro Prefixado a 14,9% ao ano, por um ano:

VF = 10.000 × (1 + 0,149)^1 = 10.000 × 1,149 = R$ 11.490,00

Rendimento bruto = R$ 1.490,00

Etapa 2 — Desconto da custódia

A B3 cobra uma taxa de 0,20% ao ano, provisionada diariamente sobre o valor da posição em títulos. Como esse valor varia com a rentabilidade e a marcação a mercado, o cálculo sobre o capital inicial é apenas uma simplificação. Em um ano sobre R$ 10.000, a estimativa aproximada seria:

Custódia ≈ 10.000 × 0,002 = R$ 20,00 (valor aproximado)

Rendimento após custódia ≈ R$ 1.490,00 − R$ 20,00 = R$ 1.470,00

Mas atenção: O Tesouro Selic é isento de custódia para aplicações de até R$ 10.000 por CPF. Acima desse valor, a taxa incide apenas sobre o excedente. Além disso, o Tesouro Reserva foi lançado em maio de 2026. [NÃO VERIFICADO — checar antes de publicar: a isenção de custódia até R$ 10.000 para o Tesouro Reserva não foi confirmada nas fontes.]

Etapa 3 — Imposto de Renda regressivo

O IR varia conforme o prazo da aplicação. Para resgates entre 181 e 360 dias, a alíquota é de 20%. Entre 361 e 720 dias — faixa em que se enquadra uma aplicação de um ano (≈365 dias) — a alíquota é de 17,5%. Já para aplicações acima de 720 dias, ela cai para 15%. Como nosso exemplo tem prazo de um ano, aplica-se a alíquota de 17,5%:

IR = R$ 1.470,00 × 17,5% = R$ 257,25

Rendimento líquido = R$ 1.470,00 − R$ 257,25 = R$ 1.212,75

Portanto, o valor final líquido será aproximadamente R$ 11.213,00.

Etapa 4 — IOF (apenas nos primeiros 30 dias)

Se você resgatar o investimento antes de completar 30 dias, o IOF incide sobre os rendimentos. A alíquota começa em 96% no primeiro dia e vai caindo progressivamente até zerar no 30º dia. Por isso, resgates antes desse prazo são financeiramente ineficientes.

Mas para aplicações acima de 30 dias, o IOF deixa de ser relevante. Nesses casos, os principais custos que você precisa considerar são o Imposto de Renda e a taxa de custódia.

Simulação: quanto rende R$ 10.000 no Tesouro Direto?

A tabela abaixo apresenta uma projeção com valores estimados para o Tesouro Selic e o Tesouro Prefixado (com taxa de 14,9% ao ano), aplicando o IR regressivo conforme o prazo. Trata-se de projeção, e não de rendimento efetivo: para o Tesouro Selic, considerou-se uma trajetória hipotética da taxa em torno de 14% ao ano, constante ao longo do período. Os valores dependem da trajetória real da Selic, do número de dias úteis e do vencimento do título — para cálculos precisos, consulte o simulador oficial do Tesouro Direto.

Prazo Título (referência) Valor líquido estimado Alíquota de IR aplicada
1 ano Tesouro Selic ~R$ 11.170 17,5%
1 ano Tesouro Prefixado 14,9% ~R$ 11.213 17,5%
2 anos Tesouro Selic ~R$ 12.600 15%
5 anos Tesouro Selic ~R$ 17.900 15%

Essa diferença nas alíquotas de IR faz uma grande diferença no longo prazo. Quem resgata em seis meses, por exemplo, paga 22,5% sobre os rendimentos. Já quem aguarda mais de dois anos paga apenas 15% — uma redução de 7,5 pontos percentuais sobre o lucro. E para aplicações de longo prazo, isso representa uma economia significativa.

Rentabilidade nominal versus rentabilidade real: qual usar para comparar?

A rentabilidade nominal não leva em conta a inflação do período. Já a rentabilidade real desconta o IPCA e mostra quanto você realmente ganhou em poder de compra. Por isso, a taxa real é um indicador essencial na comparação de títulos.

Para ajustar a rentabilidade nominal pela inflação, usamos a fórmula de Fisher:

(1 + taxa real) = (1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação)

Vamos a um exemplo prático: um Tesouro Prefixado a 14,9% ao ano parece mais atraente que um Tesouro IPCA+ a 8,56% ao ano real. Mas se a inflação subir para 7% ao ano, o cenário muda completamente.

Taxa real do Prefixado com inflação de 7%: (1,149) ÷ (1,07) − 1 = 7,38% ao ano real.

Taxa real do IPCA+: 8,56% ao ano real — garantidos, independentemente da variação da inflação.

Nesse cenário, o Tesouro IPCA+ ofereceria um poder de compra maior que o Prefixado, mesmo tendo uma taxa nominal mais baixa. A conclusão pode parecer contraintuitiva, mas é matematicamente correta.

O IPCA acumulado em 12 meses foi de 4,64% (dado de junho de 2026, segundo o IBGE). Vale lembrar que a taxa corrente anualizada do CDI e o IPCA acumulado nos 12 meses anteriores são métricas de períodos diferentes; para estimar a taxa real de forma comparável, é preciso confrontar CDI e IPCA efetivamente acumulados no mesmo intervalo, ou usar taxa e inflação esperadas para o mesmo horizonte.

Mas quando cada métrica é mais relevante? Use a taxa nominal para calcular quanto você receberá no vencimento. Já a taxa real deve ser usada para comparar se o investimento realmente preserva ou aumenta seu poder de compra ao longo do tempo. Para comparar títulos de forma correta, o ideal é confrontar os retornos líquidos esperados no mesmo horizonte, considerando taxa real, vencimento, liquidez, duração, tributação, custos e a eventual necessidade de resgate antecipado.

Marcação a mercado: por que o saldo pode cair antes do vencimento?

Os títulos do Tesouro Direto são precificados diariamente pelo mercado. Isso significa que, se as taxas de juros subirem após a sua compra, o preço do título pode cair — e o saldo exibido na sua plataforma de investimentos pode mostrar um valor menor do que o investido inicialmente. No entanto, essa perda só se concretiza se você resgatar o título antes do vencimento.

Vamos entender como isso funciona: quando você compra um Tesouro Prefixado a 14,9% ao ano, está travando esse retorno até o vencimento. Mas se a taxa de mercado desse título subir depois da compra, novos investidores passarão a exigir papéis com taxas mais altas. Para que o seu título — que rende 14,9% — seja atraente no mercado secundário, seu preço precisa cair, equilibrando o retorno com a taxa que o mercado agora exige. Vale notar que o preço do Prefixado responde à taxa de mercado do próprio vencimento, e não mecanicamente ao movimento da Selic.

Esse é o chamado risco de marcação a mercado — que é muito diferente do risco de crédito (ou seja, o risco de calote do governo), considerado mínimo em títulos soberanos brasileiros.

Sensibilidade de preço a mudanças de taxa

A relação entre taxa de juros e preço do título é inversa: para cada 1% de aumento na taxa de mercado, títulos Prefixados com prazo de cinco anos caem aproximadamente 4% a 5% no preço. Títulos IPCA+ e aqueles com prazos maiores têm uma sensibilidade ainda maior. Portanto, essa volatilidade no curto prazo é o preço pago pela segurança de ter um retorno garantido ao levar um título Prefixado até o vencimento.

Vamos a um exemplo de resgate com ganho: Um investidor compra R$ 10.000 em Tesouro Prefixado a 14,7% ao ano em janeiro de 2026. Meses depois, a taxa de mercado desse título recua e o papel passa a ser negociado a uma taxa menor. Com a queda da taxa, o preço sobe, e o saldo na plataforma pode chegar a algo próximo de R$ 11.100–11.150 — uma valorização em torno de 11%, a depender do prazo até o vencimento e da precificação do dia. Se o investidor decidir resgatar nesse momento, realiza um ganho antecipado. Vale ressaltar que esse ganho não é necessariamente superior ao retorno total de manter o título até o vencimento — a comparação depende do preço de mercado exato, do prazo e da tributação.

Quando avaliar um resgate antecipado? A venda antecipada pode fazer sentido em diferentes situações — por exemplo, quando as taxas de mercado caem e o título se valoriza, quando surge uma necessidade financeira, quando há mudança de objetivo ou necessidade de rebalanceamento da carteira. Em todos os casos, é importante comparar o preço de mercado, a tributação, os custos e as alternativas disponíveis.

Em contrapartida, o Tesouro Selic quase não sofre com a marcação a mercado no curto prazo. Como seu rendimento acompanha a taxa diária da Selic, seu preço oscila muito pouco. Por isso, é um dos títulos mais recomendados para reserva de emergência ou para quem não tem certeza de quanto tempo vai precisar do dinheiro.

Tributação do Tesouro Direto: IR, IOF e taxa de custódia

No Tesouro Direto, alguns custos reduzem o rendimento que você efetivamente recebe: o Imposto de Renda regressivo, o IOF sobre resgates antes de 30 dias e a taxa de custódia de 0,20% ao ano, cobrada pela B3. Além disso, a instituição financeira (banco ou corretora) pode cobrar uma taxa própria de administração ou de agente de custódia, embora muitas adotem taxa zero. RendA+ e Educa+ possuem modelo diferenciado de taxa de custódia — vale conferir as condições específicas de cada título.

Imposto de Renda regressivo

Prazo de aplicação Alíquota de IR Incide sobre
Até 180 dias 22,5% Rendimentos
181 a 360 dias 20% Rendimentos
361 a 720 dias 17,5% Rendimentos
Acima de 720 dias 15% Rendimentos

O Imposto de Renda é retido na fonte no momento do resgate ou vencimento. Você não precisa se preocupar em recolher DARF — a corretora faz o recolhimento automaticamente.

IOF nos primeiros 30 dias

O IOF segue uma tabela regressiva: começa em 96% dos rendimentos no primeiro dia e cai progressivamente até zerar no 30º dia. Por isso, resgates feitos antes desse prazo são altamente penalizados. Evite investir no Tesouro Direto valores que você pode precisar antes de completar um mês.

Taxa de custódia B3

A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano, provisionada diariamente de forma proporcional sobre o valor da posição e cobrada na venda antecipada, no vencimento ou em eventos de pagamento de juros (o que ocorrer primeiro). Desde 31 de dezembro de 2024, deixou de haver a cobrança semestral ordinária, dando lugar ao modelo proporcional. Há algumas isenções importantes: o Tesouro Selic é isento para saldos de até R$ 10.000 por CPF (acima desse valor, a taxa incide apenas sobre o excedente), e o Tesouro Reserva, lançado em maio de 2026, é isento de custódia para saldos de até R$ 10.000 por CPF — acima desse valor, a taxa de 0,20% incide sobre o excedente.

Para os demais títulos — como Prefixado e IPCA+ —, a taxa incide sobre todo o saldo. Em uma aplicação de R$ 50.000 por cinco anos, por exemplo, a custódia acumulada representaria algo em torno de R$ 500 — valor apenas aproximado, já que a taxa incide pro rata sobre o valor diário da posição, que varia com a rentabilidade e a marcação a mercado. Esse custo deve ser considerado ao comparar o Tesouro Direto com outros produtos de renda fixa.

Ainda assim, o Tesouro Direto continua sendo competitivo. Especialmente nos títulos IPCA+ de longo prazo, onde as taxas reais oferecidas superam boa parte das alternativas disponíveis na renda fixa.

Resumo prático

  • O rendimento do Tesouro Direto varia conforme a modalidade escolhida: Selic (pós-fixado), Prefixado (nominal travado) e IPCA+ (taxa real + inflação).
  • Para calcular o valor líquido que você realmente recebe, é preciso descontar a taxa de custódia de 0,20% ao ano, o IR regressivo (que varia de 15% a 22,5%) e, se o resgate ocorrer em menos de 30 dias, o IOF.
  • Em uma projeção com Selic hipoteticamente constante em torno de 14% ao ano, R$ 10.000 aplicados no Tesouro Selic por cinco anos renderiam aproximadamente R$ 17.900 líquidos — valor sujeito à trajetória real da taxa no período.
  • A marcação a mercado pode fazer com que o saldo de títulos Prefixados e IPCA+ caia temporariamente — mas essa perda só se concretiza se você resgatar antes do vencimento.
  • Ao comparar títulos com diferentes indexadores, considere a taxa real junto de prazo, liquidez, tributação e custos, para garantir que o investimento preserve seu poder de compra.
  • O Tesouro Selic é isento de custódia para aplicações de até R$ 10.000 por CPF — ideal para formar sua reserva de emergência sem custos adicionais.

Perguntas frequentes sobre rendimento do Tesouro Direto

Quanto rende 1.000 reais no Tesouro Direto hoje?

Com R$ 1.000 aplicados no Tesouro Selic, o rendimento líquido em um ano seria de aproximadamente R$ 117, a depender da taxa Selic efetiva do período, da capitalização diária e da alíquota de IR. Nesse cálculo, foi considerado um IR de 17,5% para aplicações entre 361 e 720 dias (caso de um ano). Em dois anos, o valor líquido estimado sobe para cerca de R$ 1.260, com IR de 15% (prazo acima de 720 dias). Já em cinco anos, o total chega a aproximadamente R$ 1.790, também com IR de 15%. Trata-se de projeção, e não de rendimento garantido — os valores exatos dependem do título escolhido e das taxas vigentes na data da aplicação. Para simulações precisas, consulte o simulador oficial do Tesouro Direto.

Quanto rende 20 mil no Tesouro Direto por mês?

Essa é uma dúvida comum, mas que exige uma explicação importante. O Tesouro Direto não paga rendimentos mensais automaticamente — exceto no caso dos títulos Tesouro Renda+ e Tesouro Educa+. Isso significa que, nos demais títulos, o rendimento se acumula ao longo do tempo e só é recebido no resgate ou vencimento.

Em um investimento de R$ 20.000 no Tesouro Selic, por exemplo, o rendimento bruto mensal estimado dependerá da taxa Selic efetiva do período. No entanto, esse valor representa o rendimento acumulado, não um pagamento mensal fixo. Após o desconto de 22,5% de IR para resgates em até 180 dias, o valor líquido seria calculado conforme a taxa vigente.

Se você busca uma renda mensal real, a melhor opção dentro do Tesouro Direto é o Tesouro Renda+. Esse título foi criado especificamente para complementar a aposentadoria, permitindo que você acumule recursos por alguns anos e, depois, receba pagamentos mensais ao longo do período de conversão do título.

Como funciona o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é o programa do governo federal que permite às pessoas físicas comprarem títulos públicos. Na prática, funciona assim: você empresta dinheiro ao governo por um prazo determinado e, em troca, recebe juros sobre esse valor. As compras são feitas por meio de corretoras ou bancos habilitados. Nos títulos tradicionais, o investimento mínimo corresponde a 1% do valor do título e varia conforme o preço do papel; no Tesouro Reserva, é possível começar com R$ 1.

Os títulos ficam custodiados na infraestrutura da B3, com o Banco Central como depositário central, e podem ser resgatados antes do vencimento pelo preço de mercado. Portanto, o Tesouro Direto é ideal quando você busca segurança, diversificação em renda fixa ou proteção contra a inflação no longo prazo. Para mais informações, consulte o Tesouro Transparente.

Quanto rende R$ 100.000 hoje no Tesouro Direto?

Com R$ 100.000 aplicados no Tesouro Selic, o rendimento líquido estimado dependerá da taxa Selic efetiva do período, da capitalização diária e da alíquota de IR aplicável. Vale lembrar que, sobre o saldo que exceder R$ 10.000, incide a taxa de custódia de 0,20% ao ano. Em dois anos, o valor líquido estimado seria de aproximadamente R$ 125.000 (com IR de 15%). Já em cinco anos, também com IR de 15%, o montante estimado ficaria em torno de R$ 175.000. Todos esses números são projeções que dependem da trajetória futura da Selic.

Para os títulos Tesouro IPCA+ ou Prefixado, os valores finais dependem das taxas contratadas e da inflação acumulada no período. Por isso, o ideal é sempre usar o simulador oficial para projeções com os títulos disponíveis na data da aplicação.

A escolha entre Tesouro Selic, Prefixado ou IPCA+ pode representar diferenças significativas ao longo de cinco ou dez anos — especialmente quando consideramos a inflação real e seus objetivos de longo prazo. Se você ainda tem dúvidas sobre qual título faz mais sentido para o seu perfil, conte conosco! A Renova Invest pode ajudar você a criar cenários personalizados e tomar essa decisão com segurança.

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CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,71%
  • CDI em 20268,70%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 14/08/2026

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