A virada já começou: de que lado da mesa você quer estar?

Primeiro foi banco ou assessoria. Agora a pergunta é outra: quando o mercado terminar de se reprecificar, de que lado da mesa a sua carteira vai estar?
Profissional do mercado financeiro olha a cidade pela janela do escritório ao pôr do sol, refletindo sobre a carreira

Durante muito tempo, decidir onde construir carreira no mercado financeiro foi simples. O bancão concentrava estrutura, marca, distribuição e fluxo de clientes. Para quem começava, era o caminho óbvio. Para quem já estava dentro, era onde se construía uma vida inteira de carreira. Aí veio a primeira virada. E a segunda já está em curso.

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Resposta direta: a primeira virada do mercado de assessoria de investimentos, entre 2015 e 2022, foi a migração do banco para a assessoria. A segunda, em curso agora, é movida por três forças simultâneas: o regime fiduciário das resoluções CVM 175, 178 e 179; os grandes bancos passando a atuar como plataforma por trás de especialistas independentes; e um cliente que rejeita o atendimento puramente transacional. A pergunta deixou de ser “banco ou assessoria” e passou a ser: quando o mercado terminar de se reprecificar, de que lado da mesa a sua carteira vai estar?

Como foi a primeira virada do mercado de assessoria?

A XP criou a categoria “assessor de investimentos” no Brasil. Provou que o modelo B2B funcionava e forçou os bancões a reagirem.

O BTG entrou de forma agressiva, atraiu escritórios da XP para formar sua rede e institucionalizou a disputa. O Itaú tentou comprar a XP: foi bloqueado no controle, mas não na tese.

Quem migrou do banco para a assessoria entre 2015 e 2022 capturou essa virada. Só que o mercado não parou ali.

O que move a segunda virada?

A pergunta agora não é mais “banco ou assessoria”. É outra, mais fina. E três movimentos simultâneos tornam essa janela particularmente relevante:

Movimento O que está acontecendo O que muda para o profissional
O fiduciário virou obrigação Resoluções CVM 175, 178 e 179, entre 2022 e 2024: consultoria CVM, fee fixo e transparência plena de remuneração Quem está posicionado para o regime fiduciário captura a virada; quem não está passa a administrar atrito
Os bancões redesenharam a entrada Grandes bancos atuando como plataforma por trás de especialistas independentes, com fee fixo ancorando a relação A disputa pelo mercado de assessoria existente fica mais direta, por vias orgânicas e inorgânicas
O cliente mudou antes do mercado Com juros elevados e maior sensibilidade ao custo total, o investidor rejeita o atendimento transacional puro Quem não entrega aconselhamento ao longo de todo o ciclo perde o cliente

O fiduciário deixou de ser retórica

As resoluções CVM 175, 178 e 179, publicadas entre 2022 e 2024, formam a maior atualização do arcabouço de investimentos desde a formalização do agente autônomo, no início do século. O que antes era diferencial competitivo — consultoria CVM, fee fixo, transparência de remuneração — virou infraestrutura regulatória. Para entender como esses papéis se dividem, vale ler sobre as diferenças entre assessoria, consultoria e gestão.

Os bancos viraram plataforma

Depois de tentativas B2C com impacto limitado, os grandes bancos encontraram um caminho mais consistente: atuar como plataforma por trás de especialistas independentes. Santander unificando corretoras, C6 atraindo 70 family offices em sete meses, bancos digitais entrando no Open Investment.

Como Filipe Medeiros descreve em A Virada do Mercado de Investimentos, os bancos estão escolhendo um caminho de crescimento mais eficiente em capital, com melhor relação risco-retorno e alinhado às mudanças regulatórias e de comportamento do investidor. Esse movimento é o prenúncio de uma disputa ainda mais direta pelo mercado de assessoria existente.

O cliente quer aconselhamento em todo o ciclo

O investidor pessoa física começou a rejeitar o atendimento transacional puro. Ele quer aconselhamento ao longo de todo o ciclo, não só no momento pró-cíclico, quando há uma oferta nova para apresentar. Quem não entrega isso, perde o cliente.

Se você ainda está no banco: quando a estrutura passa a restringir?

Em algum momento da carreira, a estrutura que acelerou passa a restringir. Não é descontentamento. É precisão. Os sinais costumam ser estes:

  • O cliente pede um fundo exclusivo e a grade não permite estruturar.
  • Faz sentido propor fee fixo para um cliente fiduciário, e o modelo só comporta rebate.
  • O cliente cresceu e precisa de holding, planejamento sucessório, seguros estruturados e operação internacional — e tudo isso sai do perímetro do atendimento.
  • A originação passa a depender mais da sua rede pessoal do que da marca do banco.

Quando isso começa a acontecer com frequência, não é sinal de insatisfação. É sinal de maturidade profissional. E é exatamente o ponto em que migrar para o B2B deixa de ser ruptura e passa a ser consequência lógica da carreira.

Se você já está numa assessoria: o que pesa mais do que o payout?

Se você migrou do bancão há 5 ou 10 anos, já respondeu à pergunta anterior. A próxima é diferente. Payout deixou de ser o eixo principal da conversa. As variáveis que pesam hoje são outras:

Variável A pergunta a fazer à casa
Plataforma e speed-to-market de produto A casa entrega crédito estruturado, câmbio, previdência, internacional e M&A de forma integrada, ou cada tema vira uma fricção?
Acesso real a especialistas Quando o cliente precisa de planejamento sucessório sofisticado, há time societário, tributarista e de seguros disponível, ou vira uma corrida atrás de parceiros avulsos?
Estabilidade societária e governança Quem são os donos? Como o acordo está estruturado? Como lidam com disputas internas? Qual a previsibilidade de receita no longo prazo?
Neutralidade institucional A casa opera com uma só instituição financeira, ou consegue atender o cliente onde ele está, com o modelo que faz mais sentido para ele?
Posicionamento na virada fiduciária A casa está preparada para consultoria CVM, fee fixo e planejamento patrimonial com governança, ou ainda depende do modelo transacional?

Se essas variáveis já pesam mais do que payout marginal na sua cabeça, você não está em crise. Está no ponto certo da carreira para avaliar a próxima janela com calma.

Por que estamos tendo essa conversa agora?

Na Renova, temos conversado com bancários seniores e assessores experientes exatamente nesse recorte. Não por acaso.

Somos um hub com três estruturas operando sob o mesmo teto: assessoria, consultoria CVM e gestora. Três modelos, um time. O cliente escolhe qual faz mais sentido para ele, e o assessor deixa de precisar forçar o modelo único que a casa oferece.

Pela consultoria, conseguimos atender o cliente em qualquer instituição financeira. O vínculo é com a relação, não com a plataforma — o que nos coloca como parceiro estratégico do cliente, e não como canal de distribuição de uma única casa.

Além das três estruturas, operamos soluções que poucas casas no Brasil conseguem entregar de forma integrada:

  • Ferramenta proprietária de planejamento financeiro e sucessório, com suporte de IA e construída sobre tecnologias de Open Finance, que consolida em uma só tela a carteira do cliente em todas as instituições, veículos e jurisdições.
  • Crédito estruturado, seguros e operação internacional rodando juntos, não como produtos avulsos.
  • Sucessão patrimonial tratada como produto de prateleira, não como assunto lateral.

E, talvez o mais importante: temos clareza de tese sobre onde o mercado está indo. Não estamos reagindo à virada. Estamos construindo para ela.

Qual é o próximo passo?

Se você está no bancão e sente que a estrutura que acelerou passou a restringir, a janela para se posicionar na próxima virada é agora. Daqui a três anos, o jogo já terá sido jogado.

Se você está numa assessoria e as variáveis que pesam na sua cabeça deixaram de ser payout e passaram a ser plataforma, especialistas e posicionamento estrutural, vale entender como a sua carteira ficaria aqui: em números, em estrutura de receita, em time de suporte e em cronograma de transição.

Em qualquer um dos dois casos, a conversa começa do mesmo jeito. O mercado está em plena virada. Quem decide agora, se posiciona. Quem espera, reage.

Perguntas frequentes

O que foi a primeira virada do mercado de assessoria de investimentos?

Foi a migração de profissionais e clientes do banco para a assessoria, entre 2015 e 2022, puxada pela XP, que criou a categoria de assessor de investimentos no Brasil, e pela entrada do BTG, que institucionalizou a disputa.

O que são as resoluções CVM 175, 178 e 179?

São normas publicadas pela CVM entre 2022 e 2024 que atualizaram o arcabouço de investimentos no Brasil, com impacto sobre fundos, sobre a atividade de assessoria e sobre a transparência de remuneração. Na prática, elas fortalecem o regime fiduciário, a consultoria CVM e o modelo de fee fixo.

Quando faz sentido um bancário migrar para uma assessoria de investimentos?

Quando a estrutura do banco passa a restringir o atendimento: o cliente pede soluções que a grade não permite, o modelo de remuneração não comporta fee fixo, as necessidades patrimoniais saem do perímetro do atendimento e a originação passa a depender mais da rede pessoal do que da marca.

O que avaliar além do payout ao escolher uma assessoria?

Plataforma e velocidade de produto, acesso real a especialistas, estabilidade societária e governança, neutralidade institucional e preparo para o regime fiduciário, com consultoria CVM, fee fixo e planejamento patrimonial.

Por que os grandes bancos passaram a atuar como plataforma?

Depois de tentativas B2C com impacto limitado, os bancos passaram a atuar por trás de especialistas independentes, um caminho de crescimento mais eficiente em capital e alinhado às mudanças regulatórias e de comportamento do investidor.

Fontes citadas: Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — Resoluções CVM 175, 178 e 179; Filipe Medeiros — A Virada do Mercado de Investimentos.

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A Renova Invest é um escritório de assessoria de investimentos credenciado ao Banco BTG Pactual S/A, na forma da regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Este conteúdo tem caráter informativo, é dirigido a profissionais do mercado financeiro e não constitui recomendação de investimento. Os dados de terceiros citados pertencem às respectivas fontes.


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Fonte: Banco Central · 16/10/2026
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Fonte: Brapi e Banco Central · 20/10/2026 às 09h00

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