O LFTB11 é um ETF de renda fixa listado na B3, gerido pela Investo Gestão de Recursos e administrado pelo Banco BNP Paribas Brasil. Ele replica o MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration, índice que combina Letras Financeiras do Tesouro (LFT, o Tesouro Selic) com uma pequena fatia da NTN-B de vencimento mais longo. A mistura existe para manter o prazo médio da carteira perto de 760 dias.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
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Resposta direta: o LFTB11 é o ETF de Tesouro Selic da Investo desenhado para manter o prazo médio de repactuação da carteira acima de 720 dias, a faixa que a Lei 13.043/2014 tributa em 15% nos ETFs de renda fixa. Para isso, o índice põe perto de 91% em LFTs e perto de 9% na NTN-B mais longa disponível, hoje a de 2060. O fundo cobra 0,19% ao ano, reinveste o que recebe e não sofre come-cotas. A alíquota depende do enquadramento da carteira e da interpretação das autoridades, e pode mudar.
A cotação do dia, o retorno em 12 meses e o patrimônio atualizado estão na ficha do LFTB11.
O que é o LFTB11
O LFTB11 nasceu como resposta a um problema do próprio catálogo da Investo. O LFTS11, ETF de Tesouro Selic lançado pela gestora em 2022, foi divulgado com IR de 15%. Em fevereiro de 2024, a Secretaria do Tesouro Nacional entendeu que carteiras de Tesouro Selic têm prazo de repactuação de um dia, porque a Selic é uma taxa diária. Com isso, o LFTS11 passou para a faixa de 25%, a mais alta da tabela dos ETFs de renda fixa.
A saída encontrada foi mudar a carteira. Se as LFTs contam como um dia, é preciso um título longo que puxe a média para cima. O LFTB11 começou a ser negociado na B3 em 5 de novembro de 2024 e, segundo a gestora, retém IR de 15% na fonte sobre o ganho de capital, qualquer que seja o tempo que o investidor fique com as cotas.
Como o índice MarketVector 760 Day monta a carteira
O índice é calculado pela MarketVector Indexes, empresa do grupo VanEck, controlador da Investo. Ele foi inaugurado em 30 de agosto de 2024. Pelo documento de informações do índice publicado pelo fundo, a regra tem três passos:
- Universo: entram LFTs e NTN-Bs emitidas pelo Tesouro Nacional com pelo menos seis meses até o vencimento.
- Seleção: todas as LFTs elegíveis entram, e só uma NTN-B entra, a de prazo mais longo até o vencimento.
- Peso: o peso da NTN-B é 760 dividido pela duração modificada do título, em dias. O restante vai para as LFTs, proporcional ao valor de mercado de cada uma.
A carteira é revista todo mês, após o fechamento do último dia útil no Brasil. Não há derivativo nem contrato de DI futuro na metodologia: o prazo médio sai da própria NTN-B longa. Como a duração dessa NTN-B muda com o tempo e com os juros, o peso dela é recalculado a cada rebalanceamento para manter a média perto do alvo.
Nos materiais da Investo, a composição aparece com cerca de 91% em Tesouro Selic e 9% em Tesouro IPCA+ 2060. Na página do fundo, consultada em 28/09/2026, o prazo médio informado estava em torno de 780 dias. Os cupons semestrais da NTN-B são reinvestidos na carteira, não pagos ao cotista.
Ficha técnica do LFTB11
| Item | LFTB11 |
|---|---|
| Nome na CVM | Investo ETF MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration Classe de Índice Responsabilidade Limitada |
| Gestora | Investo Gestão de Recursos Ltda. |
| Administradora | Banco BNP Paribas Brasil S/A |
| CNPJ | 56.176.507/0001-55 |
| Índice de referência | MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration (MVLFTB) |
| Início do fundo (CVM) | 31/07/2024 |
| Início das negociações na B3 | 05/11/2024 |
| Taxa de administração | 0,19% ao ano (consultado em 28/09/2026) |
| Distribuição de rendimentos | Não distribui; acumula (cupons reinvestidos) |
| Classe | Renda Fixa |
| Patrimônio líquido | Cerca de R$ 5,89 bilhões (CVM, 22/09/2026) |
A taxa de administração ficou zerada até março de 2025, como condição de lançamento, e desde então é de 0,19% ao ano. Com patrimônio perto de R$ 5,9 bilhões, o LFTB11 está entre os ETFs de renda fixa mais líquidos da B3.
LFTB11 x LFTS11, LTBX11, Tesouro Selic e fundo DI
As alternativas mais próximas cumprem a mesma função, que é render perto da Selic com pouca oscilação, mas diferem em tributação, custo e forma de acesso.
| Alternativa | O que compra | Estrutura do IR | Come-cotas | Custo |
|---|---|---|---|---|
| LFTB11 (Investo) | LFTs e a NTN-B mais longa, prazo médio-alvo de 760 dias | Faixa pelo prazo médio da carteira; a gestora informa 15% retido na fonte | Não | 0,19% a.a. |
| LFTS11 (Investo Teva Tesouro Selic) | Só LFTs | Faixa pelo prazo médio; com prazo de um dia, fica em 25% | Não | 0,19% a.a. |
| LTBX11 (Trend Teva ITBR Selic Target 760, XP Asset) | Cerca de 92% LFTs e 8% NTN-Bs longas, prazo médio-alvo de 760 dias | Mesma lógica do LFTB11 | Não | 0,14% a.a. |
| Tesouro Selic direto | O título, sem fundo no meio | Tabela regressiva de 22,5% a 15% pelo tempo de aplicação; IOF nos primeiros 30 dias | Não | Custódia da B3 zerada até R$ 10 mil; 0,20% a.a. sobre o excedente |
| Fundo DI | Títulos públicos e crédito pós-fixado, conforme o regulamento | Tabela regressiva pelo tempo de aplicação | Sim, semestral | Varia por fundo |
O LTBX11, lançado em março de 2026, segue a mesma ideia com outro índice e taxa menor, e histórico mais curto. No Tesouro Selic direto, a alíquota só chega a 15% depois de dois anos. No LFTB11, quem sai antes disso continua na faixa do fundo, desde que o enquadramento se mantenha. Em troca, carrega a fatia de NTN-B longa e paga taxa de administração.
Para comparar o LFTB11 com ETFs de outros indexadores, veja BPRE11 x LFTB11 (prefixados), LFTB11 x AREA11 (NTN-Bs com distribuição mensal) e LFTB11 x B5P211 (IMA-B 5 P2).
Riscos do LFTB11
- Marcação a mercado da NTN-B longa: a fatia de perto de 9% está num título que vence em 2060. Uma alta forte dos juros reais derruba o preço desse título e pode fazer a cota cair em poucos dias, algo que o Tesouro Selic puro quase não sofre. O próprio CEO da Investo reconheceu, no lançamento, que momentos de estresse podem trazer mais volatilidade.
- Risco regulatório e tributário: a faixa de 15% depende de como o prazo médio de repactuação é calculado e de como Tesouro e Receita interpretam a regra. O precedente do LFTS11 mostra que essa interpretação pode mudar depois do lançamento.
- Liquidez em bolsa: a cota é vendida na B3, pelo preço do momento. O fundo tem formador de mercado e volume alto, mas o spread entre compra e venda pode abrir em dias de estresse.
- Tracking error: taxa de administração e custos de rebalanceamento fazem o fundo render um pouco menos que o índice, e o preço em bolsa pode se afastar um pouco do valor da carteira.
- Crédito soberano: a carteira é toda de títulos do Tesouro Nacional, então o risco de crédito é o do governo federal, sem crédito privado.
- Histórico curto: o fundo negocia desde novembro de 2024, pouco tempo para avaliar o comportamento em ciclos completos de juros.
Como o LFTB11 é tributado
O LFTB11 segue a regra dos ETFs de renda fixa da Lei 13.043/2014. A alíquota de IR não depende do tempo que o investidor fica com a cota, e sim do prazo médio de repactuação da carteira do fundo. A lei prevê três faixas: 25% para prazo médio de até 180 dias, 20% entre 181 e 720 dias e 15% acima de 720 dias. A metodologia de cálculo desse prazo foi definida pela Portaria MF nº 163/2016.
O imposto incide sobre o ganho na venda da cota e é retido na fonte pela instituição intermediária. Não há come-cotas, e a gestora informa que não há IOF na negociação das cotas. O investidor não precisa emitir DARF, como faria num ETF de ações.
É aqui que mora a tese do fundo e o risco dela. Com LFTs contando como um dia, só a NTN-B longa sustenta a média acima de 720 dias. Se a regra de cálculo ou a interpretação das autoridades mudar, a alíquota pode mudar. No caso do LFTS11, a mudança de entendimento em 2024 levou o fundo à faixa de 25%. Em setembro de 2026, a XP suspendeu novas aplicações em seis ETFs de renda fixa atrelados ao CDI por dúvida sobre qual faixa aplicar. O LFTB11 não estava na lista, mas o episódio mostra que o enquadramento dos ETFs de renda fixa segue em discussão.
A MP 1.303/2025, que propunha mudar a tributação de aplicações financeiras, caducou sem virar lei, e as faixas pelo prazo médio seguem como referência. As regras vigentes ficam na página de tributação de ETF, onde a regra vigente é mantida atualizada.
Para quem o LFTB11 pode fazer sentido
- Quem busca exposição à Selic pela bolsa: investidores que já usam home broker e preferem comprar renda fixa pós-fixada como compram ações, com liquidação na B3.
- Quem pode sair antes de dois anos: no Tesouro Selic direto, a alíquota fica acima de 15% nos primeiros dois anos. A estrutura do LFTB11 busca evitar esse degrau, com o risco regulatório descrito acima.
- Quem quer fugir do come-cotas: diferente de um fundo DI, o imposto só incide na venda, e o valor não recolhido segue rendendo.
- Quem aceita uma oscilação pequena: a fatia de NTN-B longa faz a cota variar mais que a de um Tesouro Selic puro. Para uma reserva de emergência que não pode cair nem num dia ruim, o Tesouro Selic direto ou um fundo DI com liquidez diária tendem a ser mais previsíveis.
Como investir no LFTB11 passo a passo
- Abra conta numa corretora com acesso à B3.
- Busque o ticker LFTB11 no home broker.
- Envie a ordem de compra: o lote padrão é de 1 cota, e a ordem com preço limitado evita pagar acima do que você aceita.
- Acompanhe o fundo pela ficha do LFTB11.
- Declare as cotas no Imposto de Renda, com base no informe de rendimentos da corretora.
Para decidir quanto do seu caixa faz sentido deixar no LFTB11 e quanto em Tesouro Selic ou fundo DI, converse com um assessor da Renova Invest.
Perguntas frequentes sobre o LFTB11
O LFTB11 vale a pena?
Depende do objetivo e do prazo. O LFTB11 cobra 0,19% ao ano, não tem come-cotas e busca a faixa de 15% de IR, o que pode ajudar quem sairia do Tesouro Selic antes de dois anos. Em troca, carrega uma fatia de NTN-B longa que oscila com os juros e um risco regulatório sobre a alíquota. Para quem precisa de estabilidade total, o Tesouro Selic direto tende a ser mais simples.
O LFTB11 paga dividendos?
Não. O LFTB11 é um fundo de acumulação. Os juros das LFTs e os cupons da NTN-B ficam no fundo e são reinvestidos, e o resultado aparece na valorização da cota.
Qual a taxa de administração do LFTB11?
A taxa de administração do LFTB11 é de 0,19% ao ano, segundo a página do fundo na Investo consultada em 28/09/2026. Ela ficou zerada até março de 2025, como condição de lançamento. O fundo não cobra taxa de performance.
Qual o IR do LFTB11?
A alíquota do LFTB11 depende do prazo médio de repactuação da carteira, e não do tempo de aplicação. Acima de 720 dias, a Lei 13.043/2014 prevê 15%, que é a faixa que a gestora informa aplicar, com retenção na fonte. Como o enquadramento depende do cálculo desse prazo e da interpretação das autoridades, a alíquota pode mudar.
Como declarar o LFTB11 no Imposto de Renda?
Informe as cotas em Bens e Direitos, no grupo de fundos, pelo custo de aquisição, com o CNPJ 56.176.507/0001-55. O ganho nas vendas já teve IR retido na fonte e vai para rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, conforme o informe da corretora. Não há DARF mensal a pagar.
Qual a diferença entre LFTB11 e LFTS11?
Os dois são da Investo e cobram 0,19% ao ano. O LFTS11 tem só LFTs, e a carteira conta prazo médio de um dia, o que o coloca na faixa de 25% de IR. O LFTB11 soma uma fatia de NTN-B longa para levar o prazo médio acima de 720 dias e buscar a faixa de 15%, em troca de um pouco mais de oscilação.
Do mesmo tipo: BPRE11, o ETF de prefixados do Bradesco e AREA11, o ETF de Tesouro IPCA+ que distribui rendimentos.
Veja também: LFTS11: o ETF do Tesouro Selic, ETFs de renda fixa listados na B3, FIXA11 e todos os ETFs da B3.
Fontes:
- Investo: página do LFTB11
- Investo: lançamento do LFTB11
- Informações sobre o índice e Index Guide do MarketVector Brazil Treasury 760 Day Target Duration
- Investo: página do LFTS11
- InfoMoney: LFTS11 perde benefício de IR mais baixo (29/02/2024)
- Seu Dinheiro: lançamento do LFTB11 (05/11/2024)
- Lei 13.043/2014, art. 2º
- Portaria MF nº 163/2016
- Investidor10: XP suspende aplicações em seis ETFs de renda fixa (22/09/2026)
- Nord Investimentos: LFTX11 e LTBX11
- Mais Retorno: LTBX11
- Tesouro Direto: impostos e taxas
- Agência Brasil: custódia zerada no Tesouro Selic até R$ 10 mil
- CVM: cadastro de fundos, consultado em 22/09/2026
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