O que a Cemig comunicou ao mercado
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) divulgou fato relevante, nos termos da Resolução CVM nº 44/2021, informando que seu Conselho de Administração deliberou, em 11 de setembro de 2026, a eleição do Sr. Marco Aurélio Martins da Costa Vasconcelos para o cargo de Presidente da Companhia e do Sr. Alexandre Ramos Peixoto para o cargo de Presidente do Conselho de Administração.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
O comunicado foi assinado por Sérgio Lopes Cabral, Vice-Presidente de Finanças e de Relações com Investidores (em exercício), em Belo Horizonte. A Cemig é companhia aberta com ações negociadas na B3, em São Paulo, e também em Nova York.
Quem é o novo presidente da Cemig
Conforme o documento oficial, Marco Aurélio Martins da Costa Vasconcelos é advogado graduado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), com especializações em Direito de Empresa e Gestão Empresarial.
A companhia descreve sua trajetória como concentrada nas áreas jurídica, de gestão e de administração pública, com atuação em organizações dos setores de saneamento, mineração e indústria, além de passagem pelo Governo do Estado de Minas Gerais.
Na Copasa MG, outra estatal mineira, exerceu funções como Procurador-Geral Jurídico e Assessor da Presidência. Desde 2022, ocupava o cargo de Diretor Adjunto Jurídico, com responsabilidade sobre temas de governança corporativa, regulação, conformidade e desenvolvimento de negócios.
Leitura do perfil
Trata-se de um executivo de formação jurídica e com experiência em empresas de infraestrutura reguladas e na administração pública estadual — perfil distinto do de um gestor vindo da operação técnica do setor elétrico. Para o investidor, isso coloca peso na agenda de governança, regulação e conformidade, ao mesmo tempo em que mantém em evidência o tema da influência do controlador — o Estado de Minas Gerais — na escolha dos quadros de comando.
Quem assume a presidência do Conselho
Segundo o fato relevante, Alexandre Ramos Peixoto é engenheiro de carreira da própria Cemig, pós-graduado em Engenharia de Qualidade e Gestão pela PUC Minas e em Gestão e Planejamento Estratégico pela UFMG, além de possuir MBA em áreas relacionadas ao setor energético.
Sua trajetória inclui passagens pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Desde 2023, ocupa a posição de Presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Na Cemig, já exerceu os cargos de Presidente e de Diretor de Regulação e Relações Institucionais.
Por que isso importa para a tese
A presidência do Conselho fica com um nome de forte densidade técnica e regulatória, com trânsito nos principais órgãos do setor elétrico brasileiro. Na prática, o colegiado ganha uma âncora com histórico em regulação e planejamento energético, justamente os eixos que mais influenciam receita e previsibilidade de uma companhia integrada de energia — distribuição, geração, transmissão e gás.
Como a ação está sendo negociada
No momento da apuração, a preferencial CMIG4 era cotada a R$ 11,45, com variação de -0,09%. O valor de mercado da companhia era de aproximadamente R$ 38,4 bilhões. Nos últimos 12 meses, o papel oscilou entre uma mínima de R$ 9,87 e uma máxima de R$ 13,87.
A referência de 52 semanas mostra que o papel opera na parte intermediária da faixa, mais próximo do meio do intervalo do que das extremidades — ou seja, sem prêmio nem desconto extremos em relação ao próprio histórico recente de negociação.
O que o investidor deve monitorar a partir daqui
- Continuidade de estratégia: se a nova presidência executiva mantém as diretrizes de investimento em rede, geração e transição energética já em curso.
- Disciplina financeira e alavancagem: a evolução dos indicadores de endividamento e cobertura de juros, que sustentam a percepção de risco de crédito da companhia junto às agências de rating.
- Política de proventos: eventuais sinalizações sobre distribuição de dividendos, historicamente um dos pilares da tese em Cemig.
- Agenda regulatória: revisões e reajustes tarifários da distribuidora e a expansão do mercado livre de energia, tema em que o presidente do Conselho tem atuação direta via CCEE.
- Risco político: como em toda estatal listada, mudanças de comando e a interface com o governo estadual seguem sendo variável relevante de precificação.
Governança: o que muda formalmente
A deliberação foi tomada pelo Conselho de Administração e comunicada como fato relevante, o que atende ao dever de informação previsto na Resolução CVM nº 44/2021 — regra que trata da divulgação de atos ou fatos relevantes capazes de influenciar a decisão de investidores.
Vale observar que o próprio documento indica que o cargo de Vice-Presidência de Finanças e Relações com Investidores estava sendo exercido em exercício na data do comunicado, detalhe que merece acompanhamento nas próximas divulgações da companhia, já que a área de RI é o canal formal de interlocução com o mercado.
Conclusão
A Cemig formalizou a troca no topo da estrutura executiva e a definição da presidência do Conselho em um único movimento. A combinação anunciada reúne um presidente com formação jurídica e experiência em estatais de infraestrutura e um presidente de Conselho de perfil técnico-regulatório e de carreira na própria companhia. Para o mercado, o ponto de atenção nas próximas semanas será a comunicação da nova gestão sobre plano de investimentos, estrutura de capital e política de proventos — os três vetores que, na prática, definem o retorno do acionista em utilities.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.