Aegea: André Pires renuncia e Yaroslav Memrava assume finanças e RI interinamente

Aegea troca CFO após ciclo de capitalização: André Pires sai e Yaroslav assume interinamente finanças e RI

Renova Invest · 14 de agosto de 2026

Aegea troca o comando de finanças e RI em transição organizada

A Aegea Saneamento e Participações S.A. comunicou ao mercado, em 14 de agosto de 2026, que o Conselho de Administração acolheu o pedido de renúncia do Sr. André Pires de Oliveira Dias aos cargos de Diretor Financeiro e Diretor de Relações com Investidores, bem como aos demais cargos que ocupava nas sociedades controladas pela companhia. Na mesma data, o Conselho elegeu, de forma interina, o Sr. Yaroslav Memrava Neto, atual Vice-Presidente de Novos Negócios, para as duas funções.

O tom do documento assinado pelo diretor-presidente Radamés Andrade Casseb é de transição planejada, não de ruptura. Segundo o fato relevante, André Pires passará a se dedicar a projetos de Estratégia e Governança junto ao Grupo Equipav, acionista da companhia, e continuará contribuindo para a conclusão do processo de sucessão definitiva de sua posição. A Aegea afirmou que manterá o mercado informado sobre o andamento e a conclusão desse processo.

Por que a saída acontece ao fim de um ciclo, e não no começo de uma crise

Para dimensionar o movimento, é preciso reconstruir os últimos 18 meses da companhia. Em 22 de setembro de 2025, a Aegea divulgou fato relevante sobre a reapresentação de demonstrações financeiras, com ajustes contábeis sem efeito caixa que elevaram o lucro líquido em R$ 147,5 milhões no primeiro semestre de 2025, R$ 348,0 milhões em 2024 e R$ 245,1 milhões em 2023, detalhados em notas explicativas dos ITRs e das demonstrações reapresentadas.

Em 2 de março de 2026, veio o comunicado de conclusão da capitalização da companhia. Nessa operação, a Equipav Saneamento — veículo do Grupo Equipav para o setor — optou por não exercer integralmente seu direito de preferência, preservando liquidez e aceitando leve diluição. Reportagens e análises apuradas indicam participação em torno de 68,69% das ações ordinárias após a operação, partindo de cerca de 70,7% em 2024, com projeção de aproximadamente 65,39% após a subscrição pelos demais sócios — sem mudança na governança. Em 30 de março de 2026, outro fato relevante tratou da postergação da divulgação das demonstrações financeiras.

Foi André Pires quem assinou essa sequência de comunicados, ora como Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, ora como Vice-Presidente de Finanças e RI. Formado em Administração de Empresas com ênfase em finanças pela FGV, com Advanced Management Program pela Wharton (Universidade da Pensilvânia) e mais de 35 anos de mercado financeiro e de capitais, ele chegou à Aegea em outubro de 2020 e foi a principal interface da empresa com investidores e credores durante a reapresentação contábil e o aumento de capital. Em 2025, foi apresentado como CFO e Diretor de RI da Aegea em perfil ligado ao Prêmio Equilibrista IBEF-SP.

Nas comunicações institucionais da companhia, o discurso da área financeira enfatiza gestão de risco e precaução após um intenso período de crescimento em ativos de saneamento — perfil coerente com estruturação de dívida de longo prazo. Não há, nas fontes apuradas, qualquer associação da renúncia a deterioração financeira ou a questões de compliance.

A estrutura societária: Arcos, Equipav, GIC e Itaúsa

A Aegea é o principal ativo de saneamento do Grupo Equipav, conglomerado de infraestrutura que atua também em rodovias, por meio da EPR. Documentos societários apurados indicam que a Arcos Saneamento e Participações S.A. detém 100% das ações ordinárias do veículo registrado como companhia aberta categoria A, enquanto a Equipav Saneamento concentra a fatia relevante do capital da operadora. Os outros dois acionistas de peso são o fundo soberano de Cingapura GIC e a Itaúsa, holding ligada ao Itaú.

Análise publicada em julho de 2026 aponta que, após a capitalização, o capital da Aegea passou a ficar concentrado nesses três nomes — Equipav, GIC e Itaúsa. A opção da controladora por aceitar diluição em vez de subscrever integralmente foi lida como gestão prudente de caixa e alavancagem, e não como fragilidade, além de sinalizar confiança na capacidade da Aegea de atrair capital institucional de longo prazo.

A engenharia financeira que corre pela holding

O contexto de dívida ajuda a explicar para onde André Pires está indo. Em abril de 2024, reportagem apontou que a Equipav buscava registro de companhia aberta categoria B para a Equipav Saneamento, voltada a emissões de títulos de dívida, quando o veículo controlava 70,72% da Aegea; na ocasião, houve emissão privada de R$ 1 bilhão em debêntures de 10 anos junto ao BTG Pactual, alongando passivo ligado ao aporte feito no leilão da Cedae, em 2021. Em dezembro de 2024, o grupo reforçou caixa para se antecipar a um cenário mais desafiador de juros e à agenda de concessões de saneamento.

Já em 2026, a Equipav Saneamento emitiu R$ 1,2 bilhão em debêntures com vencimento em 2035 e recebeu da S&P Global Ratings, em sua primeira avaliação de crédito, rating corporativo brAA+ com perspectiva estável, além de nota brAA para a 6ª emissão de debêntures do veículo. É nesse ambiente — de estrutura de capital cada vez mais sofisticada na holding — que a migração de um executivo sênior de finanças para projetos de estratégia e governança na Equipav ganha lógica estratégica.

Os ratings da operadora

Na Aegea, o perfil de crédito segue robusto. O site de RI da companhia registra rating corporativo em escala nacional A(bra) pela Fitch, com rating global B+ e perspectiva estável, em junho de 2026. Entre as emissões:

  • 9ª emissão: 7 anos, R$ 800 milhões, rating A(bra) pela Fitch em 09/06/2025;
  • 7ª emissão: 6 anos, R$ 400 milhões, rating brA- pela S&P em 20/04/2026;
  • 19ª emissão: 5 anos, R$ 750 milhões, rating brA-;
  • 23ª emissão: 7 anos, R$ 2,3 bilhões, rating brA-;
  • 25ª emissão: 7 anos, R$ 1,0 bilhão, rating brA-.

Esse conjunto coloca a Aegea na faixa de grau de investimento em escala nacional, compatível com companhias de infraestrutura de fluxo de caixa regulado e concessões longas — e é o que garante acesso recorrente ao mercado de dívida.

O que muda e o que fica para quem acompanha a companhia

O perfil do interino

A escolha de Yaroslav Memrava Neto comunica continuidade. Conforme o fato relevante, o executivo integra a Aegea há mais de 15 anos, com funções de liderança em Relações com Investidores, Planejamento e Controle e Novos Negócios — combinação que sugere domínio tanto da narrativa de investimento quanto dos modelos econômico-financeiros das concessões e do pipeline de licitações. Em infraestrutura regulada, onde o relacionamento com credores e agências de rating é construído em anos, nomear um executivo interno tende a reduzir a percepção de risco de execução. Detalhes adicionais de formação e trajetória anterior do novo interino não foram localizados em fontes públicas nesta apuração.

O ponto de atenção

A interinidade é, em si, o principal risco de curto prazo: enquanto não houver sucessão definitiva, a companhia opera com acumulação de funções e com um executivo que também respondia por Novos Negócios — justamente a frente que ganha peso em ano de licitações. O fato relevante afirma que André Pires seguirá contribuindo para concluir o processo, o que mitiga parte do risco de descontinuidade.

O que observar nos próximos meses

  • O perfil do CFO definitivo: um nome externo, mais ligado a mercado de capitais, sinalizaria agenda de funding mais agressiva; um interno consolidaria a cultura de operadora;
  • O ritmo de novas licitações e concessões de saneamento, em que a Aegea tende a ser protagonista e que exigirão estruturação adicional de dívida;
  • Eventual revisão de rating ou de perspectiva pela Fitch e pela S&P após o ciclo de reapresentação contábil e a capitalização;
  • A agenda de emissões da Equipav Saneamento, termômetro do apetite do mercado pela estrutura de capital do grupo;
  • A formalização do papel de André Pires na Equipav, que pode indicar para onde a holding pretende levar sua estratégia de governança e mercado de capitais.

Em resumo, o fato relevante marca uma troca de comando na área financeira e de RI de uma companhia que, nos últimos 18 meses, reapresentou demonstrações com efeito positivo em lucro, concluiu aumento de capital com base acionária concentrada em Equipav, GIC e Itaúsa, e viu sua controladora obter rating brAA+. Com esse pano de fundo, a leitura mais aderente aos documentos é de ajuste de governança dentro da estrutura Equipav–Aegea, com o desfecho dependendo da escolha do titular definitivo.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 13/08/2026

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