TIM aprova Programa 9 de recompra de até R$ 1 bilhão
A TIM S.A. (B3: TIMS3; NYSE: TIMB) comunicou ao mercado, em fato relevante divulgado no Rio de Janeiro em 19 de agosto de 2026, que seu Conselho de Administração aprovou um novo programa de recompra de ações de emissão própria (Programa 9), nos termos do art. 22, V, do Estatuto Social e da Resolução CVM nº 77/22.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
O programa autoriza a aquisição de até 55.187.638 ações ordinárias, o equivalente a cerca de 2,31% do total de ações ordinárias da companhia, com valor máximo de R$ 1 bilhão. As ações adquiridas poderão permanecer em tesouraria ou ser posteriormente canceladas, observados os limites legais e regulamentares. O prazo de vigência vai até 19 de fevereiro de 2028.
Segundo o comunicado, as demais informações e condições do Programa 9 — incluindo as exigidas pelo Anexo G da Resolução CVM nº 80/22 — constam da ata da reunião do Conselho de Administração, disponível nos sites da CVM, da B3 e de Relações com Investidores da companhia. O documento é assinado por Vicente de Moraes Ferreira, Diretor de Relações com Investidores.
O argumento da administração: ação abaixo do valor intrínseco
A TIM afirma no fato relevante que a decisão “reflete a confiança da Administração nos fundamentos, na estratégia e no potencial de criação de valor de longo prazo”. A companhia é explícita ao dizer que entende que o valor atual de mercado das ações não reflete adequadamente o valor intrínseco do negócio, nem “a força e a resiliência de seu modelo de negócios, sua capacidade sustentável de geração de caixa e suas perspectivas de crescimento”.
Nesse contexto, a empresa classifica a recompra como uma alocação de capital eficiente, sustentada por sua posição financeira e preservando a capacidade de investir no negócio e buscar novas oportunidades.
Programa 8 encerrado: R$ 1 bilhão desembolsado e ações canceladas
No mesmo documento, a TIM informou o resultado do programa anterior. O Programa 8, aprovado pelo Conselho de Administração em 12 de fevereiro de 2025, foi encerrado em 12 de agosto de 2026.
- Foram adquiridas 46.884.500 ações ordinárias durante a vigência do programa;
- O desembolso foi de aproximadamente R$ 1 bilhão;
- Do total recomprado, 28.678.509 ações foram canceladas em 16 de dezembro de 2025;
- O saldo remanescente permanece em tesouraria, com destinação a ser definida pela companhia, observadas as regras do Programa 8 e a regulamentação aplicável.
Na prática, os dois programas somados mostram uma política recorrente de devolução de capital via recompra na casa de até R$ 1 bilhão por ciclo.
Como fica a ação e o que isso muda para a tese
Na cotação oficial de referência, TIMS3 negociava a R$ 18,41, em alta de 2,62%, com valor de mercado de aproximadamente R$ 42,9 bilhões. O papel opera perto da base de sua faixa de 52 semanas, cujo mínimo é R$ 17,85 e o máximo, R$ 28,74 — ou seja, bem distante da máxima do período, o que dá contexto econômico ao argumento da administração de desconto frente ao valor intrínseco.
Para o investidor, o ponto central é a combinação entre recompra e dividendos. Relatórios de research acompanhados pelo mercado, incluindo análises do BTG Pactual, vêm apontando a TIM como uma “tele de yield” no Brasil, com dividend yield projetado na faixa de 8% a 9% ao ano e desconto de valuation frente a pares globais e à própria Vivo. Comunicados de Relações com Investidores da companhia indicam ainda uma estimativa de remuneração total aos acionistas (dividendos e JCP) de cerca de R$ 13,75 bilhões no ciclo 2025–2027.
Por que a recompra pesa no retorno total
Recompras reduzem a base de ações em circulação e, quando seguidas de cancelamento — como ocorreu com 28,7 milhões de papéis do Programa 8 —, elevam o lucro por ação e a participação proporcional de quem permanece na base acionária. Somada a um yield já elevado, a recompra amplia o total shareholder return potencial sem exigir aumento do payout em caixa.
O contexto operacional por trás da geração de caixa
O pano de fundo é de resultados fortes no setor. Relatórios de resultados da companhia apontam lucro líquido em torno de R$ 4,3 bilhões em 2025, contra cerca de R$ 3,15 bilhões em 2024, com EBITDA ajustado na casa de R$ 13,5 bilhões e margem acima de 50%. O ambiente competitivo mais racional após a integração dos ativos móveis da Oi e a captura de sinergias ajudaram a sustentar margens e caixa.
No nível do controlador, a Telecom Italia (TIM S.p.A.) teve o rating de família corporativa elevado pela Moody’s para Ba1 em 2026, movimento associado à redução de dívida e à desalavancagem — o que tende a melhorar a percepção de risco do conglomerado como um todo. Não há, nas informações públicas consultadas, notícia de mudança estrutural no bloco de controle da operação brasileira.
Riscos e pontos de atenção
- Execução não é obrigação: programas de recompra estabelecem um limite máximo, não um compromisso de compra. O Programa 9 autoriza até R$ 1 bilhão e até 55.187.638 ações, mas o volume efetivo dependerá das condições de mercado ao longo do período que se encerra em fevereiro de 2028.
- Competição por capital: o próprio comunicado ressalta a necessidade de preservar a capacidade de investir no negócio. Ciclos de investimento em rede, espectro e expansão de 5G disputam o mesmo caixa que financia recompras e proventos.
- Sensibilidade a juros: teses baseadas em dividend yield elevado tendem a ser mais sensíveis ao custo de oportunidade da renda fixa, o que pode limitar a reprecificação do papel mesmo com fundamentos sólidos.
- Destinação do saldo em tesouraria: parte das ações do Programa 8 segue em tesouraria sem destinação definida, o que mantém em aberto a decisão entre cancelamento adicional e outros usos permitidos.
O que acompanhar a partir de agora
Os próximos marcos relevantes são a ata da reunião do Conselho de Administração, com as condições detalhadas do Programa 9 exigidas pelo Anexo G da Resolução CVM nº 80/22, os comunicados periódicos de negociações de ações em tesouraria — que revelam o ritmo real de execução — e a decisão sobre o saldo remanescente do Programa 8. Também vale monitorar os próximos resultados trimestrais para verificar se a geração de caixa sustenta simultaneamente investimentos, proventos e recompras.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.