CSN Mineração (CMIN3) dobra recompra para até 100 milhões de ações

CSN Mineração dobra recompra para 100 mi de ações em sinal de confiança no papel

Renova Invest · 27 de julho de 2026

CSN Mineração eleva programa de recompra para até 100 milhões de ações

A CSN Mineração (CMIN3) comunicou ao mercado, em 27 de julho de 2026, que seu Conselho de Administração aprovou um aditamento ao Programa de Recompra de Ações originalmente aprovado em 19 de maio de 2026. O movimento acrescenta até 50 milhões de ações ordinárias ao lote original, elevando o teto total do programa para até 100 milhões de ações — o dobro do que havia sido autorizado há pouco mais de dois meses. O prazo permanece inalterado: as aquisições podem ocorrer até 19 de novembro de 2027, respeitando a duração de 18 meses prevista desde o início. As ações adquiridas ficam em tesouraria para posterior alienação ou cancelamento, conforme o artigo 3º da Resolução CVM nº 77/2022.

A decisão, assinada pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidores Pedro Barros Mercadante Oliva, sinaliza que a administração enxerga os papéis negociando abaixo do valor que ela mesma atribui ao negócio — o argumento mais clássico da recompra como instrumento de alocação de capital. Com CMIN3 cotada a R$ 5,69 no dia do comunicado, a ação recuava 2,4% na sessão e operava abaixo do teto de 52 semanas de R$ 6,56, com piso recente em R$ 4,08 e valor de mercado ao redor de R$ 30,7 bilhões.

Uma linha do tempo de retorno ao acionista

Para entender por que o programa foi criado em maio e agora ampliado em julho, é preciso recuar ao ciclo de resultados. Em março de 2026, a CSN Mineração divulgou os números do quarto trimestre e do exercício completo de 2025: receita líquida de R$ 15,3 bilhões no ano, avanço de 17,9% sobre 2024, e lucro líquido de R$ 1,194 bilhão no 4T25, alta de 72% em relação ao 3T25 — o melhor resultado trimestral do ano. O balanço de 2025 também revelou um capex de R$ 2,365 bilhões, crescimento de 31,8% sobre o exercício anterior, refletindo os investimentos no projeto de expansão P15.

Em abril de 2026, o conselho aprovou R$ 768,6 milhões em dividendos adicionais, equivalentes a aproximadamente R$ 0,14 por ação, com pagamento previsto até 31 de dezembro de 2026. O último dividendo antes desse fluxo, segundo base de mercado, havia sido de R$ 0,17 por ação em 19 de novembro de 2025. O retrato que emerge é de uma empresa que terminou 2025 com geração de caixa robusta, acelerou o capex de crescimento e, ao mesmo tempo, não reduziu a distribuição — condição que favorece a manutenção e a ampliação de um programa de recompra.

Minério sob pressão: o setor que torna a recompra ainda mais significativa

O contexto setorial, porém, não é de bonança. A CSN Mineração compete no mercado transoceânico de minério de ferro como a segunda maior exportadora do Brasil e uma das cinco mais competitivas globalmente, segundo a própria companhia. Mas 2026 trouxe um cenário adverso de preços: o minério de ferro foi cotado a cerca de US$ 98,25 por tonelada no início de julho de 2026, refletindo queda mensal de 7,76% — pressionado pela demanda siderúrgica chinesa ainda abaixo das expectativas e por incertezas macroeconômicas globais.

Num ambiente assim, as mineradoras que mantêm custo caixa competitivo e conseguem expandir volume ganham vantagem relativa. A CSN Mineração revisou sua projeção de produção e compra de minério de terceiros em 2026 para 45,0 a 47,0 milhões de toneladas (ante 43,5 a 47,5 milhões anteriormente), com custo caixa C1 estimado em US$ 22,0–23,5 por tonelada — patamar que, mesmo com minério abaixo de US$ 100, ancora geração de caixa operacional. O projeto P15, estruturante para sustentar o crescimento de volume, segue como principal alavanca da tese de longo prazo.

A leitura para o investidor: valuation, governança e os dois lados da balança

O que favorece

Com CMIN3 negociando a R$ 5,69, um market cap de R$ 30,7 bilhões e mínima de 52 semanas em R$ 4,08, o papel opera com desconto relevante em relação ao teto recente de R$ 6,56. A combinação de geração de caixa sólida evidenciada no 4T25, dividendo adicional já aprovado e agora a duplicação da recompra aponta para uma administração que lê o papel como subavaliado. Conteúdos de mercado secundários têm apontado dividend yield próximo de 9% e P/L em torno de 12x — números que devem ser verificados em relatórios atualizados de casas de análise antes de qualquer decisão, pois não vêm de relatório oficial.

O que pesa

Do lado dos riscos, dois vetores merecem atenção. O primeiro é estrutural: o preço do minério de ferro abaixo de US$ 100 por tonelada comprime margens e testa a capacidade de manter o nível de distribuição. O segundo é de governança: a CSN Mineração integra o grupo controlado pela CSN, e o mercado monitora decisões da holding — incluindo uma agenda de alienação estruturada de ativos que a controladora vem avaliando para equacionar sua estrutura de capital. Movimentos nesse nível podem influenciar a alocação de recursos na mineradora, variável relevante para quem analisa a ação de forma isolada.

O que acompanhar nos próximos meses

Com o programa de recompra agora autorizado a adquirir até 100 milhões de ações e o prazo aberto até novembro de 2027, o mercado vai acompanhar o ritmo de execução — a velocidade e o preço médio das recompras serão indicadores do grau de convicção da gestão. Outros gatilhos relevantes a monitorar:

  • Divulgação dos resultados do 1T26 e 2T26, que traduzirão o impacto do minério mais fraco na geração de caixa;
  • Pagamento dos R$ 768,6 milhões em dividendos adicionais, previsto até 31 de dezembro de 2026;
  • Atualizações sobre o projeto de expansão P15 e o cumprimento das projeções de produção para 2026;
  • Eventuais movimentos da controladora CSN que possam afetar a estrutura de capital ou a política de dividendos da mineradora;
  • Trajetória do preço do minério de ferro no mercado spot, dado o peso direto sobre margens e fluxo de caixa.

A duplicação do programa em menos de 60 dias da aprovação original é um sinal claro: a diretoria da CSN Mineração considera o preço atual uma oportunidade. Se o mercado vai concordar depende de variáveis que estão, em boa parte, fora do controle da companhia — sobretudo a demanda chinesa e o preço do minério de ferro.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 23/07/2026

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