A Movida Participações (MOVI3) divulgou em 16 de julho de 2026 uma prévia de resultados que reforça a narrativa de virada da companhia: o lucro líquido preliminar do 2T26 chegou a R$135,6 milhões, mais do que o dobro dos R$68 milhões registrados no mesmo período de 2025 e o maior resultado trimestral da empresa em quatro anos. O número superou o guidance de R$110 milhões a R$130 milhões e ficou 15% acima do consenso Bloomberg de R$118 milhões, apurado em 15 de julho. O resultado veio em um ambiente de juros ainda elevados: a Selic média foi de 14,44% no 2T26, praticamente estável ante os 14,48% do 2T25, o que reforça a mensagem de resiliência operacional sem alívio monetário.
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A receita bruta total alcançou R$4,0 bilhões no 2T26, com destaque para a receita bruta de locação, que atingiu o recorde de R$2,6 bilhões, alta de 21% sobre o 2T25. O EBITDA somou R$1,7 bilhão (+22% na comparação anual), enquanto o EBIT ultrapassou pela primeira vez a marca de R$1,0 bilhão, com expansão de 29%. No segmento de Seminovos, a companhia vendeu 19,4 mil carros no trimestre, mantendo a margem EBITDA estável em 1%. Outro dado relevante: pela primeira vez em cinco anos, o resultado do segundo trimestre superou o do primeiro, quebrando a sazonalidade histórica que costumava favorecer o início do ano pela alta demanda do verão.
A virada construída trimestre a trimestre
O 2T26 é mais um capítulo de uma recuperação que a Movida vem entregando desde o fim de 2025. No 4T25, segundo o noticiário de mercado, a companhia divulgou prévia com lucro líquido de cerca de R$102 milhões, alta de aproximadamente 65% na comparação anual e acima do guidance — lido por analistas como o primeiro sinal concreto de virada operacional e financeira. No 1T26, o lucro avançou para a faixa de R$124,5 milhões a R$125 milhões, também o maior resultado trimestral em quatro anos à época, com crescimento de cerca de 59% sobre o 1T25, receita bruta em torno de R$3,84 bilhões e EBITDA de aproximadamente R$1,6 bilhão.
A leitura recorrente do mercado é a de que a descompressão financeira e a queda da alavancagem vêm destravando o resultado da empresa. A tese ganhou corpo com a consistência das entregas: eficiência operacional, disciplina na alocação de frota e controle de custos financeiros, mesmo com a Selic acima de 14%. A Movida é tratada pelo mercado como integrante do ecossistema da Simpar, seu grupo controlador. O documento foi assinado pela Diretora Administrativa e Financeira e de RI, Daniela Sabbag Papa.
O setor de locação e a lógica do ciclo
A Movida opera em três frentes — RAC (rent a car), gestão de frotas e seminovos —, um modelo altamente sensível ao custo de capital, ao valor residual dos veículos usados e ao nível de atividade econômica. Em ambiente de Selic acima de 14%, o carregamento de frota fica mais caro, pressiona margens e exige disciplina na renovação e venda de ativos. O setor convive ainda com competição crescente e pressão de precificação em RAC, segmento no qual a demanda tem se mostrado resiliente — como evidencia o próprio resultado.
A estratégia de priorizar a forte demanda do RAC tem sustentado a receita de locação, enquanto a monetização de frota via Seminovos, mesmo com margem EBITDA de apenas 1%, cumpre papel relevante no giro de ativos e na renovação do parque. O desempenho acima do esperado no 2T26 sugere que a companhia captura crescimento de receita sem deteriorar a qualidade do resultado — combinação que o mercado cobrava após trimestres de margens pressionadas.
O que os analistas projetavam e o que o papel entrega ao investidor
Antes do resultado: expectativa já era positiva
O Banco Safra projetava para o 2T26 um lucro líquido de R$131 milhões, EBITDA de R$1,6 bilhão e EBIT de R$937 milhões — expectativas que o resultado preliminar superou em todas as linhas. A XP havia tratado o 1T26 como um resultado de boa qualidade e acima das expectativas em eficiência e lucro. O consenso Bloomberg citado pela própria companhia era de R$118 milhões, superado com folga.
O papel e o que os números dizem ao acionista
Na B3, as ações MOVI3 eram negociadas a R$8,71, com variação de -1,25% na sessão, dentro de uma faixa de mínima de 52 semanas de R$5,68 e máxima de R$14,86 — o que mostra o quanto o papel já subiu desde o fundo recente, mas também a distância do topo, sinalizando que o mercado talvez ainda não tenha reapreçado completamente a melhora operacional. O market cap está em torno de R$3,5 bilhões. A combinação de EBITDA de R$1,7 bilhão no trimestre com esse valor de mercado desenha múltiplos que podem atrair investidores de valor — mas a alavancagem, o nível de juros e a natureza preliminar (não auditada) dos números seguem como variáveis críticas antes de qualquer reavaliação estrutural da tese.
O que observar nos próximos meses
O calendário imediato traz marcos importantes para validar a prévia. O primeiro é a divulgação oficial e auditada dos resultados do 2T26, que confirmará — ou revisará — os números preliminares. Os investidores devem monitorar especialmente a evolução da alavancagem financeira, principal driver da recuperação de lucro; qualquer sinal de reaceleração do endividamento líquido pode comprometer a narrativa de desalavancagem.
- Divulgação oficial do 2T26: números ainda preliminares e não auditados, sujeitos a revisão.
- Trajetória da Selic: eventual corte na taxa básica amplificaria o resultado financeiro da companhia, que opera com frota financiada; a estabilidade em torno de 14,4% já foi incorporada no trimestre.
- Margem de Seminovos: a estabilidade em 1% precisa ser acompanhada; deterioração indica pressão sobre o valor residual da frota.
- Guidance para 3T26: não divulgado no fato relevante; a conferência de resultados será o momento para avaliar se a ruptura da sazonalidade se sustenta.
- Posicionamento do grupo Simpar: movimentos da controladora em alavancagem consolidada ou desinvestimentos podem afetar a percepção de risco da Movida.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.