A análise de risco e retorno dos FIIs de tijolo vs papel em 2026 exige atenção especial ao cenário de juros elevados. Com a meta Selic em 14,00% ao ano desde a reunião do Copom de 5 de agosto de 2026, a comparação entre os FIIs deve considerar tanto o nível atual dos juros quanto as expectativas para sua trajetória futura. Este artigo compara os dois modelos com exemplos de cálculo em R$.
Resposta direta: FIIs de tijolo investem predominantemente em imóveis físicos e geram renda por aluguéis. FIIs de papel concentram sua carteira em títulos e valores mobiliários ligados ao crédito imobiliário, especialmente os CRIs, e geram renda por juros e correção monetária. Em 2026, com juros elevados, FIIs de papel com exposição pós-fixada podem apresentar distribuições mais altas no curto prazo, enquanto FIIs de tijolo dependem de aluguéis, ocupação e da precificação dos imóveis ao longo do tempo.
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O que são FIIs de tijolo e papel?
FIIs de tijolo são fundos imobiliários cujo patrimônio é formado principalmente por imóveis físicos. Shoppings, galpões logísticos, lajes corporativas, hospitais e hotéis são exemplos típicos. A renda do cotista vem, principalmente, dos aluguéis pagos pelos inquilinos desses imóveis.
FIIs classificados como de papel concentram mais de dois terços do patrimônio, segundo a classificação ANBIMA, em títulos e valores mobiliários permitidos pela regulamentação, frequentemente Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). A composição exata deve ser confirmada no regulamento e nos relatórios do fundo. A renda vem dos juros e da correção monetária desses papéis, lastreados em recebíveis como aluguéis futuros ou financiamentos imobiliários. A CVM regula ambos os tipos de fundo.
A diferença estrutural é relevante para o investidor. No FII de tijolo, o patrimônio é composto majoritariamente por ativos reais — imóveis que podem ser avaliados pelo metro quadrado, pela localização e pela qualidade dos contratos de locação. No FII de papel, predominam instrumentos financeiros com prazo de vencimento, estrutura de garantias, eventual rating e indexadores definidos.
FIIs de papel concentram a carteira em títulos ligados ao crédito imobiliário, com prazo, indexador e estrutura de garantias definidos em cada emissão.
Essa distinção influencia o comportamento de cada tipo em diferentes cenários macroeconômicos. A alta do CDI tende a elevar a remuneração dos CRIs pós-fixados, embora o efeito sobre a distribuição dependa da carteira e do resultado de caixa. A queda dos juros pode favorecer a precificação de FIIs de tijolo, mas não garante valorização dos imóveis ou das cotas.
Os FIIs de tijolo se subdividem por segmento. Galpões logísticos costumam ter contratos longos e inquilinos corporativos. Shoppings dependem do fluxo de consumidores e do varejo. Lajes corporativas tendem a sofrer mais com ciclos de vacância em grandes centros. Hospitais, agências e outros imóveis especializados podem ter contratos longos, mas frequentemente apresentam concentração e menor facilidade de reposicionamento. Prazo contratual, risco de crédito do locatário e uso alternativo do imóvel devem ser analisados em conjunto.
Os FIIs de papel também variam internamente. Alguns concentram posições pós-fixadas ao CDI; outros, créditos indexados ao IPCA. Alguns priorizam operações com devedores de maior porte e estruturas mais robustas; outros buscam retorno maior aceitando risco de crédito mais alto. Essa diversidade interna exige análise individual antes de qualquer decisão de alocação.
Na prática, a comparação entre tijolo e papel é uma comparação entre dois modelos de geração de renda: um ancorado em ativos reais e contratos de locação, outro ancorado em recebíveis imobiliários e taxas de juros. Compreender essa diferença é o ponto de partida para qualquer análise de risco e retorno em fundos imobiliários.
Guia completo sobre como investir em fundos imobiliários | /fundos-imobiliarios-como-investir
Como funciona a renda de FIIs de tijolo?
A renda de FIIs de tijolo vem dos aluguéis pagos pelos inquilinos dos imóveis. O fundo recebe esse fluxo, desconta as despesas e distribui o resultado aos cotistas. Pela legislação aplicável, fundos imobiliários devem distribuir no mínimo 95% do lucro auferido em regime de caixa a cada semestre — na prática, muitos distribuem mensalmente.
Os contratos de locação nos FIIs de tijolo seguem diferentes modelos. O modelo triple net transfere ao inquilino despesas como manutenção, IPTU e seguros, conforme o contrato. O modelo built-to-suit envolve imóvel construído sob medida para o inquilino, com contrato de longo prazo e cláusulas de multa por rescisão antecipada. Esses contratos podem reduzir a frequência esperada de desocupação e aumentar a previsibilidade do fluxo de caixa, sem eliminar o risco de crédito do locatário.
Os indexadores mais comuns nos contratos de locação são o IGP-M e o IPCA. Contratos indexados podem repassar parte da inflação nas datas de reajuste, mas o efeito sobre os rendimentos depende da ocupação, da capacidade de pagamento dos inquilinos, das renegociações e das despesas do fundo.
vacância — indicador que deve ser analisado por área e por receita, sempre comparado ao histórico do próprio fundo e a fundos semelhantes
A vacância é um dos principais fatores de risco operacional dos FIIs de tijolo. Quando um imóvel fica desocupado, o fundo perde a receita daquele ativo. Após uma desocupação, o fundo pode receber multa rescisória, valores referentes ao aviso prévio ou garantias contratuais, conforme o contrato; esses pagamentos são temporários e não eliminam o risco de vacância.
Exemplo prático (hipotético): considere um FII com patrimônio de R$ 100 milhões, distribuído em 10 imóveis comerciais. Cada imóvel gera, em média, R$ 500 mil por ano em aluguéis. Com receita bruta anual de R$ 5 milhões sobre patrimônio de R$ 100 milhões, a receita bruta equivaleria a 5% do patrimônio. O dividend yield somente poderia ser calculado após determinar o valor efetivamente distribuído e compará-lo ao preço de mercado das cotas. Se dois imóveis ficarem vazios, a receita bruta cairia para R$ 4 milhões, o que reduziria o resultado disponível para distribuição, na medida das despesas e obrigações do fundo.
Além da vacância física, pode-se acompanhar a vacância financeira, que mede a perda de receita potencial associada às áreas sem geração integral de aluguel. O não pagamento por locatário ocupante deve ser tratado separadamente como inadimplência. Inadimplência pontual pode ser absorvida pelo fundo, mas atrasos prolongados de um inquilino relevante podem comprometer a distribuição de rendimentos.
A implicação prática é direta: ao analisar um FII de tijolo, o investidor deve verificar a vacância histórica, a diversificação de inquilinos, o prazo médio dos contratos e o percentual de receita concentrado nos maiores locatários. Vacância baixa em relação ao histórico do próprio fundo e a fundos comparáveis pode favorecer a previsibilidade, mas deve ser analisada por área e por receita, em conjunto com concentração, qualidade dos imóveis e condições contratuais.
Como funciona a renda de FIIs de papel?
A renda de FIIs de papel vem dos juros e da correção monetária dos CRIs e demais títulos que compõem a carteira. O fundo adquire esses ativos no mercado primário ou secundário, recebe os pagamentos periódicos e distribui o resultado apurado aos cotistas, conforme as regras aplicáveis. A estrutura guarda semelhanças com a de um fundo de crédito, mas com lastro imobiliário.
Os CRIs são emitidos por securitizadoras e lastreados em recebíveis imobiliários: aluguéis futuros, parcelas de financiamento habitacional ou contratos de compra e venda de imóveis. Cada CRI tem prazo de vencimento, indexador e taxa definidos na emissão. A CVM regula as condições de emissão e as obrigações de transparência das securitizadoras.
Os dois principais indexadores dos CRIs são o CDI e o IPCA. CRIs atrelados ao CDI pagam taxa flutuante, acompanhando os juros de curto prazo. CRIs atrelados ao IPCA pagam uma taxa real contratada mais a variação da inflação e são mais sensíveis à marcação a mercado quando as taxas reais exigidas pelo mercado sobem.
Exemplo prático (hipotético): um FII de papel com R$ 100 milhões investidos em CRIs com taxa média de CDI mais 2 pontos percentuais ao ano. Com a taxa CDI próxima de 14,15% ao ano em julho de 2026, um CRI hipotético remunerado a CDI mais 2 pontos percentuais teria remuneração contratual bruta próxima de 16,15% ao ano, antes de despesas, inadimplência, amortizações e demais efeitos da carteira. A taxa média dos CRIs não equivale ao rendimento distribuído pelo FII. Para estimá-lo, é necessário examinar a carteira efetivamente alocada, o cronograma de recebimentos, as despesas, as provisões, as amortizações e o resultado apurado em regime de caixa.
CRIs pós-fixados acompanham o CDI, mas a distribuição do fundo depende da carteira alocada, das despesas e do resultado de caixa.
Por outro lado, FIIs de papel com CRIs atrelados ao IPCA têm comportamento diferente. A taxa real contratada é fixa — o que varia é a parcela inflacionária. Em períodos de inflação mais alta, o valor corrigido tende a ser maior; em períodos de inflação baixa, menor, ainda que a Selic esteja elevada.
O risco de crédito é um dos principais elementos de análise em FIIs de papel. O risco de crédito do CRI depende da capacidade de pagamento dos devedores e coobrigados, da estrutura da securitização, da qualidade dos recebíveis e das garantias. A securitizadora é a emissora, mas seu risco deve ser analisado separadamente do risco do patrimônio vinculado à emissão.
A análise deve considerar o rating da emissão, quando existente, os devedores e coobrigados, a estrutura de subordinação, os covenants, o fluxo dos recebíveis e a existência, suficiência e liquidez das garantias. Na prática, o investidor precisa avaliar a composição da carteira: quais operações estão presentes, o perfil dos devedores, o prazo médio de vencimento e o percentual atrelado ao CDI em comparação com o IPCA.
Qual o impacto da Selic em FIIs de tijolo e papel?
FIIs de papel com CRIs pós-fixados ao CDI têm exposição mais direta aos juros de curto prazo. Já os CRIs indexados ao IPCA dependem da inflação acumulada, da taxa real contratada e da variação das taxas reais de mercado. FIIs de tijolo são afetados de forma mais indireta — os juros influenciam o custo de capital, a demanda por imóveis e a atratividade relativa do rendimento frente à renda fixa.
Quando os juros de curto prazo sobem, os CRIs atrelados ao CDI passam a render mais. O aumento do CDI pode elevar o resultado de CRIs pós-fixados, mas a cota do FII pode subir ou cair conforme expectativas de juros, risco de crédito, liquidez e preço relativo do fundo. Do outro lado, os FIIs de tijolo enfrentam concorrência da renda fixa: com a meta Selic em 14,00% ao ano, o Tesouro Selic oferece retorno bruto próximo à taxa básica, sujeito a preço de negociação, custos e Imposto de Renda; sua rentabilidade líquida não deve ser comparada diretamente com a distribuição potencialmente isenta de um FII.
Quando os juros caem, o movimento tende a se inverter. Os CRIs pós-fixados passam a render menos, o que pode reduzir a distribuição dos FIIs de papel. Os FIIs de tijolo podem se beneficiar da redução do custo de capital e da eventual melhora na demanda por locação, mas o efeito sobre imóveis, resultados e cotas não é automático nem uniforme entre os fundos.
| Cenário | FII de Tijolo | FII de Papel |
|---|---|---|
| Selic alta | Cotas tendem a sofrer pressão | Maior remuneração dos pós-fixados |
| Selic em queda | Precificação pode ser favorecida | Remuneração pós-fixada tende a cair |
| Inflação alta | Reajustes contratuais nas datas-base | Correção maior nos CRIs de IPCA |
14,00% — meta Selic definida na reunião do Copom de 5 de agosto de 2026
Em 2026, o ambiente de juros elevados cria uma dinâmica específica. FIIs de papel com maior exposição a CRIs pós-fixados podem apresentar distribuições mais altas enquanto o CDI permanecer elevado. Entender como a Selic elevada impacta seus investimentos é importante para calibrar a alocação entre os dois tipos de fundo.
Há, porém, um aspecto frequentemente ignorado: mesmo com juros altos, FIIs de tijolo com imóveis bem localizados, contratos longos e ocupação estável podem manter distribuições relativamente constantes. A queda das cotas pode representar preço de entrada mais baixo para quem tem horizonte longo, sem que isso configure garantia de recuperação. A implicação prática é que o nível de juros deve orientar a alocação tática, e não eliminar automaticamente uma das classes da carteira.
Quais os principais riscos de FIIs de tijolo?
Os principais riscos de FIIs de tijolo são vacância, inadimplência dos inquilinos, desvalorização dos imóveis e concentração de ativos. Cada um deles pode reduzir os rendimentos distribuídos ou deteriorar o valor patrimonial do fundo.
Vacância: é o risco mais imediato. Quando um imóvel fica desocupado, a receita de aluguel cessa. Em shoppings, a vacância pode afetar também receitas acessórias, como estacionamento e serviços. Em galpões logísticos, a recolocação pode levar meses, especialmente em regiões com oferta elevada de espaços.
Inadimplência: mesmo com o imóvel ocupado, o inquilino pode atrasar ou deixar de pagar o aluguel. Contratos com garantias robustas, como fiança bancária ou seguro-fiança, tendem a mitigar esse risco. A capacidade de pagamento de cada locatário deve ser avaliada por seus indicadores financeiros, garantias, setor de atuação e concentração na receita do fundo, independentemente do porte ou da notoriedade da empresa.
Desvalorização dos imóveis: o valor patrimonial do FII depende das avaliações periódicas dos imóveis. Mudanças no mercado imobiliário local, obsolescência dos ativos ou deterioração da região podem reduzir o valor dos imóveis e, consequentemente, o valor patrimonial por cota e o indicador P/VP, calculado pela divisão do preço de mercado da cota pelo seu valor patrimonial por cota.
Concentração: fundos com poucos imóveis ou poucos inquilinos concentram o risco. Se o maior inquilino representa parcela expressiva da receita e decide sair, o impacto nos rendimentos pode ser severo. Avalie a diversificação pela concentração de receita por imóvel, locatário e grupo econômico, além da dispersão geográfica, setorial e dos vencimentos contratuais, sem adotar limites universais sem justificativa.
Checklist para avaliar o risco de um FII de tijolo:
- Taxa de vacância física e financeira: compare com o histórico do fundo e com pares
- Concentração de inquilinos: verificar percentual do maior locatário e do grupo econômico
- Prazo médio dos contratos: avaliar vencimentos, cláusulas e possibilidade de revisão
- Qualidade dos imóveis: localização, padrão construtivo e certificações
- Histórico de inadimplência: verificar relatórios mensais do gestor
- Índice P/VP: P/VP inferior a 1 indica que a cota negocia abaixo do valor patrimonial contábil, mas não prova que esteja barata; é necessário avaliar a qualidade e a atualidade dos laudos, os passivos, a liquidez e as perspectivas de resultado
Na prática, o investidor deve consultar os relatórios mensais dos fundos — disponíveis na B3 e nos sites das gestoras — para monitorar vacância, inadimplência e movimentações contratuais. Transparência facilita o monitoramento dos riscos, enquanto a qualidade da gestão deve ser avaliada por processos, governança, histórico, custos e decisões efetivamente tomadas.
Quais os principais riscos de FIIs de papel?
Os principais riscos de FIIs de papel são risco de crédito, risco de mercado e risco de liquidez. Diferentemente dos FIIs de tijolo, em que o ativo subjacente é um imóvel tangível, nos FIIs de papel o risco está na capacidade de pagamento dos devedores dos créditos, na estrutura das operações e na volatilidade das taxas de juros.
Risco de crédito: é o risco de não recebimento dos juros ou do principal previstos na operação. Esse risco varia conforme a qualidade dos devedores e coobrigados, a estrutura de subordinação e as garantias vinculadas. Operações com rating mais elevado indicam, segundo a metodologia da agência, menor probabilidade estimada de inadimplência; operações com rating mais baixo costumam oferecer taxas maiores, com maior risco de perda de principal.
| Rating | Perfil de risco | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| AAA / AA | Menor risco de crédito estimado | Verificar escala da agência e escopo da avaliação |
| A / BBB | Risco de crédito intermediário | Analisar covenants, subordinação e cobertura |
| BB ou abaixo | Maior risco de crédito estimado | Avaliar garantias, liquidez e cenários de estresse |
Ratings mais altos geralmente indicam menor risco de crédito segundo a metodologia da agência que os atribui, e nem toda emissão possui rating. O spread pago por uma operação depende do prazo, do indexador, das garantias, da liquidez, da estrutura da securitização e das condições de mercado no momento da emissão ou da negociação, não havendo faixa fixa aplicável a cada categoria de rating.
Risco de mercado: CRIs atrelados ao IPCA com taxa real contratada sofrem marcação a mercado quando as taxas reais exigidas sobem. Se o mercado passa a exigir IPCA mais 8% e o fundo tem CRIs a IPCA mais 6%, o valor de mercado desses títulos tende a cair, o que pode afetar o valor patrimonial e pressionar as cotas.
Risco de liquidez: CRIs costumam ter baixa liquidez no mercado secundário. Se o fundo precisar vender um título antes do vencimento, pode enfrentar dificuldade para encontrar comprador ou aceitar deságio. Carteiras com prazos longos e operações de menor circulação tendem a ter maior exposição a esse risco.
Um FII de papel com créditos concentrados em poucos devedores e com garantias frágeis pode distribuir rendimentos elevados no curto prazo — mas expõe o cotista a perdas de principal em caso de inadimplência.
diversificação — A diversificação deve ser avaliada por devedor, grupo econômico, setor, projeto, cedente, indexador, vencimento e estrutura de garantias; não existe número mínimo universal que assegure diversificação.
A implicação prática é clara: rendimento elevado em FII de papel não é sinal automático de qualidade. O investidor deve verificar a composição da carteira, o perfil dos devedores, os ratings das emissões quando existentes, as garantias vinculadas e o prazo médio de vencimento. Carteiras diversificadas por devedor, setor e estrutura, com processo consistente de análise de crédito, tendem a favorecer a relação entre risco e retorno no longo prazo.
Qual tipo de FII tem melhor retorno em 2026?
Em 2026, com a meta Selic em 14,00% ao ano, FIIs de papel com exposição pós-fixada podem apresentar distribuições mais elevadas no curto prazo, enquanto FIIs de tijolo dependem dos aluguéis, da ocupação e da precificação dos imóveis ao longo do tempo. A resposta depende do perfil, do objetivo e do horizonte do investidor.
FIIs com maior exposição a CRIs pós-fixados podem apresentar distribuições mais elevadas enquanto o CDI permanecer alto. O dividend yield futuro, entretanto, não pode ser inferido apenas pela taxa dos títulos e deve ser tratado como estimativa sujeita à composição da carteira, às despesas, ao risco de crédito, ao preço da cota e às condições de mercado.
FIIs de tijolo, por sua vez, frequentemente negociam abaixo do valor patrimonial em ciclos de juros altos. Uma eventual queda das taxas de juros pode favorecer a precificação de determinados FIIs de tijolo, mas a valorização não é garantida e dependerá da qualidade dos ativos, dos resultados operacionais e das expectativas já incorporadas às cotas.
Simulação meramente hipotética, sem garantia de resultado — carteira com 50% em FIIs de tijolo e 50% em FIIs de papel. Os percentuais adotados servem apenas para demonstrar o cálculo e não representam projeção de rentabilidade:
Considere um investidor com R$ 50.000 alocados em FIIs. Ele divide igualmente: R$ 25.000 em FIIs de papel (yield hipotético de 13% ao ano sobre o valor investido) e R$ 25.000 em FIIs de tijolo (yield hipotético de 9% ao ano; eventual valorização da cota não foi estimada, pois dependerá das condições de mercado e dos resultados do fundo).
- FII de papel (R$ 25.000 × 13%): rendimento anual hipotético de R$ 3.250
- FII de tijolo (R$ 25.000 × 9%): rendimento anual hipotético de R$ 2.250
- Total de rendimentos no exemplo: R$ 5.500 ao ano (11% sobre o total investido de R$ 50.000)
Para pessoa física, os rendimentos distribuídos podem ser isentos quando as cotas forem admitidas exclusivamente à negociação em bolsa ou balcão organizado, o fundo cumprir o mínimo legal de 100 cotistas e forem respeitados os limites individuais de 10% das cotas ou dos rendimentos e o limite de 30% aplicável ao conjunto de pessoas ligadas, conforme a Lei 11.033/2004 e alterações posteriores. Atenção: a legislação editada em 2025 alterou esse regime — a isenção permanece apenas para cotas emitidas até 31 de dezembro de 2025; para cotas emitidas a partir de 1º de janeiro de 2026 aplica-se alíquota de 5% sobre os rendimentos distribuídos. Saiba como declarar FIIs no Imposto de Renda 2026 | /guia-imposto-de-renda-2026
O ganho líquido apurado na venda ou no resgate de cotas de FII é tributado à alíquota de 17,5%, após a redução promovida pela legislação de 2025 com vigência em 2026, sem a isenção mensal de R$ 20 mil aplicável a determinadas operações com ações.
A combinação dos dois tipos pode ampliar a diversificação de fontes de risco e retorno, mas sua adequação e proporção dependem do perfil, dos objetivos, da liquidez necessária e da carteira completa do investidor. FIIs de papel tendem a privilegiar renda corrente; FIIs de tijolo associam renda a ativos reais e ao ciclo imobiliário.
Investidores que priorizam renda corrente podem avaliar FIIs de papel, mas o enquadramento de risco depende da qualidade e diversificação dos créditos, das garantias, da liquidez e da volatilidade das cotas; a categoria não deve ser classificada genericamente como conservadora. Para quem tem horizonte longo e tolera oscilação de cota no curto prazo, ampliar a exposição a FIIs de tijolo — inclusive os negociados com desconto sobre o valor patrimonial — pode fazer parte da estratégia, sem garantia de retorno superior.
Percentuais hipotéticos utilizados apenas para demonstrar o cálculo da simulação
| Item | Yield hipotético usado na simulação (% a.a.) |
|---|---|
| FII Papel (yield) | 13 |
| FII Tijolo (yield) | 9 |
| Carteira 50/50 | 11 |
Resumo prático
- FIIs de tijolo geram renda por aluguéis e dependem de ocupação, contratos e do ciclo imobiliário.
- FIIs de papel geram renda por juros e correção de créditos imobiliários; os pós-fixados acompanham mais de perto o CDI.
- Risco principal do tijolo: vacância e inadimplência; verifique vacância física e financeira, concentração e prazos contratuais.
- Risco principal do papel: crédito, mercado e liquidez; avalie devedores, estrutura da operação e garantias antes de investir.
- Carteira equilibrada (50% tijolo / 50% papel) pode diversificar fontes de risco e retorno, conforme perfil e objetivos.
- Tributação: os rendimentos distribuídos por FIIs podem ser isentos para pessoa física somente quando todas as condições da Lei 11.033/2004 forem atendidas e desde que se trate de cotas emitidas até 31 de dezembro de 2025; para cotas emitidas a partir de 1º de janeiro de 2026 incide alíquota de 5% sobre os rendimentos. O ganho líquido na venda de cotas é tributado a 17,5%.
FAQ
FIIs de tijolo ou papel: qual é mais seguro em 2026?
Depende do tipo de risco considerado. FIIs de papel podem ter fluxo mais previsível no curto prazo com juros altos, mas carregam risco de crédito, de mercado e de liquidez. FIIs de tijolo têm risco de vacância e volatilidade de cota, embora sejam lastreados em ativos reais. FIIs de papel com créditos de melhor qualidade podem apresentar maior previsibilidade de fluxo, mas continuam sujeitos a oscilação das cotas, risco de mercado, liquidez e eventos de crédito.
Qual FII paga mais dividendos em 2026: tijolo ou papel?
Em 2026, com a meta Selic em 14,00% ao ano, FIIs de papel com carteira pós-fixada podem apresentar distribuições mais altas no curto prazo. FIIs de tijolo tendem a distribuir valores menores nesse ambiente, com contratos indexados que podem repassar parte da inflação nas datas de reajuste. O yield efetivo, em ambos os casos, depende do valor distribuído e do preço da cota.
Como a Selic afeta os FIIs de tijolo e papel?
Juros altos tendem a elevar a remuneração de CRIs pós-fixados e a pressionar as cotas de FIIs de tijolo, pela concorrência com a renda fixa. Uma queda dos juros tende a inverter parte desse movimento, sem garantia de valorização das cotas. O Banco Central do Brasil publica as decisões do Copom em bcb.gov.br.
FIIs de tijolo ou papel: qual tem mais liquidez?
Em geral, as cotas de ambos os tipos são negociadas na B3 em pregão diário. A liquidez das cotas no mercado secundário depende do volume médio negociado de cada fundo. Os CRIs dentro dos FIIs de papel, porém, costumam ter baixa liquidez no mercado secundário — o que pode afetar o valor patrimonial do fundo em cenários de estresse.
Como declarar FIIs no Imposto de Renda 2026?
Na declaração do IRPF 2026, relativa ao ano-calendário de 2025, informe as cotas mantidas em 31 de dezembro na ficha de Bens e Direitos pelo custo de aquisição; os rendimentos legalmente isentos em Rendimentos Isentos e Não Tributáveis; e os resultados mensais, prejuízos compensáveis, IRRF e imposto pago na área de renda variável. O imposto sobre o ganho líquido deve ser apurado mensalmente, à alíquota de 17,5%, e recolhido por DARF (código 6015) até o último dia útil do mês subsequente ao da liquidação financeira da operação, observadas as regras de compensação de prejuízos e de IR retido na fonte.
A escolha entre FIIs de tijolo e papel não deve ser feita apenas pelo dividend yield atual. A escolha deve considerar risco, retorno, liquidez, custos e adequação ao perfil do investidor, além do cenário de juros, do prazo de investimento e da qualidade dos ativos subjacentes. Consulte um assessor de investimentos devidamente credenciado pela ANCORD, registrado na CVM e vinculado a uma instituição intermediária, observando seu papel comercial e os potenciais conflitos de interesse, para montar uma carteira alinhada ao seu perfil e objetivos.
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de ativos. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura. Antes de investir, avalie seu perfil de risco e consulte um profissional devidamente habilitado e registrado ou credenciado conforme a regulamentação aplicável.
Renova Invest
Pronto para fazer seu patrimônio trabalhar por você?
Abra sua conta e conte com assessoria especializada para investir com estratégia. Abertura gratuita, sem compromisso.
Renova Invest atua como preposto do Banco BTG Pactual S/A (Resolução CVM nº 178).
