Alguns FIIs apresentaram, em determinado período histórico, dividend yield superior ao CDI acumulado no mesmo intervalo; isso não garante que continuarão superando o CDI no futuro. Parece uma vitória fácil, mas há uma armadilha: dividend yield alto nem sempre significa retorno total positivo. A diferença entre capturar esse ganho e perder patrimônio está em entender a distância entre essas duas métricas.
Resposta direta: dizer que um FII “paga acima do CDI” significa comparar o fluxo de rendimentos distribuídos com o retorno líquido de um produto atrelado ao CDI, como um CDB de 100% do CDI. Em uma simulação em que a Taxa DI permaneça em 14,15% ao ano — valor anualizado em base de 252 dias úteis, na data-base consultada, sujeito a mudança após decisões do Copom — por 12 meses, um CDB de 100% do CDI tributado a 15% (prazo acima de 720 dias) renderia cerca de 12,03% líquidos. Para a pessoa física que cumpra os requisitos legais de isenção, os rendimentos distribuídos pelo FII podem ser isentos de IR; ainda assim, um DY acima de 12,03% não implica, isoladamente, retorno total maior, porque a cota pode se valorizar ou desvalorizar.
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O que significa ‘FIIs pagam dividendos acima do CDI’?
A expressão é usada quando o dividend yield (DY) de um FII supera o rendimento líquido estimado de uma aplicação atrelada ao CDI, já descontado o imposto de renda. A comparação com o valor líquido tende a ser mais informativa do que confrontar DY bruto com taxa bruta, porque os rendimentos distribuídos por FIIs podem ser isentos para pessoa física que atenda às condições da legislação.
Na data-base consultada, a Taxa DI estava em 14,15% ao ano, percentual anualizado em base de 252 dias úteis. Esse número não representa o CDI já acumulado em 2026 e pode mudar ao longo do ano. Em um CDB ou outra aplicação de renda fixa sujeita à tabela regressiva, o IR é de 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Em uma simulação que suponha a Taxa DI constante por 12 meses, o retorno líquido estimado com IR de 15% seria de aproximadamente 12,03%; com IR de 22,5%, cerca de 10,97%. O retorno efetivo dependerá do CDI acumulado durante todo o período.
Nessa simulação, e olhando apenas o fluxo de rendimentos, um FII com DY efetivo superior a 12,03% superaria o rendimento líquido estimado do CDB. Isso não implica retorno total superior, porque falta considerar variação da cota, custos, momento dos pagamentos e risco de crédito ou de vacância.
Aqui está o ponto crítico. O DY é calculado sobre o preço da cota — e se a cota cair, o retorno total pode ser negativo mesmo com rendimentos altos. Exemplo: um FII com cota a R$ 100 que distribua R$ 15 no ano. Se a cota terminar o período a R$ 85, a perda de R$ 15 em preço anula, sobre o capital inicial, o ganho com rendimentos.
Por isso, a análise consistente usa o retorno total: rendimentos recebidos mais (ou menos) a variação do preço da cota, apurados no mesmo período. Se você utilizar rankings de plataformas de dados, verifique a metodologia publicada por cada uma: universo de fundos, data-base, fórmula de retorno total, critérios de liquidez e tratamento de rendimentos não recorrentes.
Outro ponto importante é o tipo de FII. Fundos de papel — que investem em CRIs e outros títulos de crédito imobiliário — costumam ter DY mais sensível à trajetória dos indexadores, porque suas receitas são atreladas ao CDI ou ao IPCA. Fundos de tijolo — shoppings, lajes corporativas, galpões logísticos — dependem de ocupação, reajustes contratuais e valor dos imóveis.
Na prática, a afirmação “FII paga acima do CDI” deve ser testada com três perguntas: (1) o DY é projetado ou realizado? (2) o retorno total nos últimos 12 meses foi positivo? (3) o fundo tem liquidez suficiente para você entrar e sair sem deságio relevante? Essas três perguntas são apenas uma triagem inicial. A análise também deve abranger riscos do portfólio, concentração, garantias, despesas, alavancagem, recorrência dos rendimentos e adequação ao seu perfil.
Como calcular se um FII paga acima do CDI?
Defina primeiro o produto comparável e o prazo. Para um CDB de 100% do CDI, use a alíquota correspondente ao período efetivo da aplicação; a comparação com 15% só é adequada para prazo superior a 720 dias. Como FIIs não têm prazo fixo, é o horizonte do investidor que determina qual faixa faz sentido.
Fórmula do CDI líquido
Retorno líquido estimado = rentabilidade bruta acumulada no período × (1 − alíquota de IR)
Em uma simulação com a Taxa DI constante em 14,15% por um ano: 14,15% × 0,85 = 12,03% líquidos estimados
Essa conta é um cenário simplificado. Um CDB de 100% do CDI acumula as taxas DI diárias, que variam ao longo do prazo, de modo que o resultado final pode ficar acima ou abaixo dos 12,03% estimados.
Fórmula do dividend yield
DY histórico = (soma dos rendimentos dos últimos 12 meses ÷ preço atual da cota) × 100
Exemplo prático: FII com cota a R$ 100 que pagou R$ 1,10 por mês nos últimos 12 meses.
Rendimentos no período = R$ 1,10 × 12 = R$ 13,20
DY = (R$ 13,20 ÷ R$ 100) × 100 = 13,2%
Atenção à consistência de períodos: essa fórmula combina rendimentos passados com preço presente. Para comparação histórica, calcule o retorno total do FII no mesmo intervalo em que se apura o CDI acumulado. Para comparação prospectiva, trate tanto o DY quanto o CDI como projeções sujeitas a premissas e incerteza. Sem alinhar as janelas, a comparação perde sentido econômico.
Metodologia: DY histórico vs. projetado
Existem duas metodologias comuns para o DY:
- DY histórico: baseado nos rendimentos efetivamente pagos nos últimos 12 meses — mais verificável, mas influenciado por eventos não recorrentes.
- DY projetado: baseado em expectativas de resultado futuro do portfólio — mais atrativo e menos confiável, pois depende de premissas sobre vacância, inadimplência, indexadores e juros.
Para replicar a análise manualmente, você precisa de três dados: preço da cota, histórico de rendimentos dos últimos 12 meses e o CDI acumulado no mesmo período. Com esses dados, a comparação é feita em uma planilha simples, desde que as janelas sejam idênticas.
Um detalhe importante: o DY varia conforme o preço da cota oscila. O yield on cost — rendimentos medidos sobre o preço de compra — mostra a renda atual em relação ao custo histórico, mas não substitui o DY sobre o preço atual, o retorno total, o risco e o custo de oportunidade. Para decidir manter ou vender, o que importa é o retorno esperado sobre o capital hoje exposto.
Exemplo prático: quanto rende R$50 mil em FIIs acima do CDI?
Considere um investidor que aplica R$ 50.000 em um FII com DY projetado de 12,5% ao ano — acima dos 12,03% líquidos estimados na simulação anterior.
Rendimento mensal estimado com FII:
Se o fundo efetivamente distribuir 12,5% sobre o capital ao longo de um ano, a média mensal equivalente será de aproximadamente R$ 521. Os pagamentos reais podem variar de mês para mês, ou não ocorrer em determinados meses.
Agora compare com R$ 50.000 em CDB de 100% do CDI mantido por um ano (IR de 17,5%, faixa de 361 a 720 dias), supondo a Taxa DI constante:
Rendimento bruto estimado: R$ 50.000 × 14,15% = R$ 7.075
IR (17,5%): R$ 7.075 × 0,175 ≈ R$ 1.238
Ganho líquido estimado ao fim de um ano: ≈ R$ 5.837
Equivalente a uma média de R$ 486 por mês — valor que, em regra, não é pago mensalmente, e sim acumulado até o resgate ou vencimento.
| Investimento | Renda mensal equivalente (simulação) | IR sobre rendimentos |
|---|---|---|
| FII (DY 12,5% a.a.) | ≈ R$ 521 (distribuições podem variar) | Isento para PF que cumpra os requisitos legais |
| CDB 100% CDI (1 ano) | ≈ R$ 486 (média; pago no resgate) | 17,5% sobre rendimento |
| CDB 100% CDI (>2 anos) | ≈ R$ 501 (média; pago no resgate) | 15% sobre rendimento |
A diferença de cerca de R$ 35 por mês pode parecer pequena, mas, com reinvestimento ao longo de anos, tende a se acumular. Por outro lado, o FII pode entregar valorização ou desvalorização da cota — e o eventual ganho na venda é tributado a 20%.
Quais FIIs pagam dividendos acima do CDI em 2026?
Levantamentos de plataformas especializadas costumam identificar FIIs com DY projetado acima do CDI em ambientes de juros elevados. Esses números mudam com o preço da cota e com a distribuição de cada mês, e devem ser verificados na fonte, com data-base explícita, antes de qualquer decisão.
Grande parte dos destaques desse tipo de lista pertence à categoria de FIIs de papel. Fundos com exposição relevante a CRIs pós-fixados ao CDI podem ter aumento de receita nominal quando o CDI sobe. O efeito não é igual para CRIs indexados ao IPCA — que dependem da inflação e da taxa contratada — nem para papéis prefixados, cujo fluxo não cresce automaticamente com a alta da Selic.
CRIs indexados ao CDI mais spread podem elevar a receita de fundos de papel, mas o DY final depende do preço da cota, das despesas e taxas, da inadimplência, do caixa, de eventual alavancagem e dos demais ativos do portfólio. O FII deve distribuir pelo menos 95% dos lucros apurados segundo o regime de caixa, observada a apuração semestral prevista em lei — o que não equivale a distribuir 95% da rentabilidade bruta dos CRIs.
FIIs de tijolo, que detêm imóveis físicos como shoppings, galpões e escritórios, têm receita ligada a aluguéis e reajustes contratuais, normalmente menos sensível a movimentos rápidos de juros. A contrapartida é o potencial de valorização (ou desvalorização) patrimonial no longo prazo.
Comparação entre tipos de FIIs
A tabela abaixo resume as características qualitativas de cada perfil. Não apresentamos faixas de DY “típicas” porque qualquer número desse tipo exigiria um levantamento reproduzível, com lista de fundos, data-base, fonte dos rendimentos, critério de ponderação e separação entre DY recorrente e não recorrente:
| Tipo de FII | Origem predominante da receita | Principal risco |
|---|---|---|
| Papel (CRI) | Juros e indexadores dos títulos de crédito (CDI, IPCA, prefixado) | Crédito/inadimplência e marcação dos papéis |
| Tijolo (imóveis) | Aluguéis e reajustes contratuais | Vacância/desvalorização dos imóveis |
| Híbrido | Combinação de crédito e imóveis | Combinado, conforme a carteira |
A queda dos juros tende a reduzir a receita futura de carteiras muito expostas ao CDI, mas pode favorecer a valorização das cotas. O efeito líquido depende da composição da carteira, do preço de mercado e das expectativas embutidas. Em 2023, por exemplo, o comportamento variou entre os fundos de papel: qualquer afirmação sobre desvalorização precisa identificar os FIIs analisados e separar retorno de preço e retorno total — vale lembrar que o IFIX, índice amplo do mercado de FIIs, encerrou 2023 com alta nominal de 15,50%.
A implicação prática é clara: para buscar rendimentos superiores ao CDI de forma sustentável, o investidor precisa avaliar não apenas o DY atual, mas a qualidade do portfólio de crédito ou dos contratos, as despesas do fundo e o cenário macroeconômico esperado.
Metodologia: como identificar FIIs acima do CDI
Um filtro objetivo pode combinar três critérios, sempre com metodologia e data-base declaradas:
- DY projetado comparado ao retorno líquido estimado do produto de referência: calculado sobre o preço atual da cota e sobre premissas explícitas de rendimentos futuros.
- Retorno total positivo nos últimos 12 meses: rendimentos recebidos mais a variação da cota no mesmo período. Filtra fundos com DY alto apenas porque o preço caiu.
- Liquidez mínima: volume médio diário negociado na B3 acima de um patamar aceitável para o seu tamanho de posição.
Esse filtro triplo ajuda a eliminar “armadilhas de DY”. Exemplo numérico consistente: cota inicial de R$ 100, cota final de R$ 80 e rendimentos de R$ 15 no período resultam em retorno total de −5% sobre o preço inicial; o DY calculado sobre a cota final seria de 18,75%, e não 15%.
Para replicar o exercício, é possível usar plataformas gratuitas de dados de FIIs, desde que você confira como cada uma calcula DY, retorno total e liquidez. A análise deve ser atualizada periodicamente, pois o DY muda conforme o preço da cota oscila.
FIIs acima do CDI valem a pena em 2026?
FIIs podem fazer sentido em 2026 para investidores que buscam fluxo de renda com potencial de isenção de IR e têm horizonte de médio a longo prazo. Mas a decisão depende de perfil de risco, prazo, necessidade de liquidez e diversificação.
O argumento favorável é o diferencial de fluxo: se um fundo distribuir consistentemente acima do retorno líquido estimado de um CDB de 100% do CDI, a renda corrente pode ser maior. O argumento contrário também é sólido. FIIs não contam com garantia do FGC, ao contrário de CDBs, LCIs e LCAs elegíveis. Em caso de inadimplência nos CRIs do portfólio ou de vacância elevada, a distribuição pode cair ou ser interrompida — e a cota pode se desvalorizar.
Considere o cenário: investidor aloca R$ 100.000 em FIIs que distribuam 15% no ano, o que resultaria em R$ 15.000 de rendimentos. No mesmo período, R$ 100.000 em CDB de 100% do CDI acima de 720 dias renderiam, na simulação com Taxa DI constante, cerca de R$ 12.028 líquidos. Diferença de aproximadamente R$ 2.972 a favor do FII — assumindo que a cota não oscilou.
Se a cota cair 5% no período, a perda de R$ 5.000 reduz o retorno total a R$ 10.000, já abaixo dos cerca de R$ 12.028 do CDB. Com queda de 15%, o retorno total vai a zero. Portanto, a vantagem do FII sobre alternativas atreladas ao CDI depende criticamente do comportamento da cota.
A leitura estratégica é que FIIs tendem a funcionar melhor como componente de uma carteira diversificada do que como substituto integral da renda fixa. O percentual adequado de FIIs depende dos objetivos, da situação financeira, da tolerância a perdas, do horizonte e das demais posições do investidor — não existe faixa universal aplicável a todos.
Para perfis conservadores, um CDB elegível à garantia do FGC pode oferecer maior previsibilidade. A cobertura ordinária é limitada a R$ 250.000 por CPF ou CNPJ por instituição ou conglomerado, somando principal e rendimentos, observado o teto de R$ 1 milhão em garantias pagas ao mesmo titular a cada quatro anos.
Como montar uma carteira de FIIs para bater o CDI?
Para buscar um retorno superior ao CDI com FIIs, o investidor precisa combinar diversificação de tipos, análise de qualidade dos ativos e acompanhamento periódico do portfólio. Não basta escolher os fundos com maior DY — é preciso avaliar risco, despesas e recorrência dos rendimentos.
A título de exemplo hipotético, sem recomendação, uma carteira poderia ser dividida em 40% em FIIs de papel (CRI), 40% em FIIs de tijolo (logístico e renda urbana) e 20% em outros mandatos. Vale destacar que fundos híbridos de renda e fundos de desenvolvimento não são equivalentes: os de desenvolvimento envolvem prazo mais longo, execução de obra, geração de caixa irregular e risco substancialmente diferente.
Projeção de renda para R$ 200.000 investidos
- R$ 80.000 em FIIs de papel (hipótese de DY de 15% a.a.): cerca de R$ 1.000/mês em rendimentos
- R$ 80.000 em FIIs de tijolo (hipótese de DY de 9% a.a.): cerca de R$ 600/mês em rendimentos
- R$ 40.000 em FIIs híbridos (hipótese de DY de 12% a.a.): cerca de R$ 400/mês em rendimentos
- Total hipotético: cerca de R$ 2.000/mês, com distribuições que podem variar mês a mês
Comparando: R$ 200.000 em CDB de 100% do CDI acima de 720 dias renderiam, na mesma simulação, cerca de R$ 2.005 por mês em média (R$ 200.000 × 14,15% × 0,85 ÷ 12), acumulados até o resgate. A carteira hipotética de FIIs projetaria valor semelhante, mas com oscilação de cota, risco de crédito e sem garantia do FGC.
Para chegar a R$ 10.000 por mês em rendimentos de FIIs, o investidor precisaria de aproximadamente R$ 1.000.000 aplicados em fundos que distribuam, em média, 12% ao ano. Com 15%, o capital necessário cairia para cerca de R$ 800.000 — sempre lembrando que essas taxas são premissas, não garantias.
A construção desse patrimônio tende a ser gradual, com aportes consistentes e reinvestimento dos rendimentos nos primeiros anos, o que amplia a base de cotas ao longo do tempo.
Checklist: 5 passos para escolher FIIs acima do CDI
- Compare com o produto e o prazo certos: confronte o DY projetado com o retorno líquido estimado do produto atrelado ao CDI que você usaria, na alíquota do seu horizonte.
- Analise o retorno total nos últimos 12 meses: rendimentos mais variação da cota. Desconfie de retorno total negativo com DY alto.
- Confira a liquidez: volume médio diário negociado na B3. Fundos pouco líquidos têm spread alto e saída difícil.
- Avalie a qualidade do portfólio: para FIIs de papel, inadimplência, garantias, concentração e duração dos CRIs; para FIIs de tijolo, vacância, contratos e qualidade dos inquilinos.
- Diversifique e verifique adequação: combine mandatos diferentes e confirme se o risco cabe no seu perfil e nos seus objetivos.
Tributação: como declarar dividendos de FIIs acima do CDI?
Os rendimentos distribuídos por FIIs podem ser isentos de IR para pessoa física, desde que cumpridos os requisitos legais. A lei exige cotas admitidas à negociação exclusivamente em bolsa ou mercado de balcão organizado e fundo com pelo menos 100 cotistas. A isenção não se aplica ao cotista pessoa física que detenha 10% ou mais das cotas ou tenha direito a mais de 10% dos rendimentos, nem ao conjunto de pessoas físicas ligadas que alcance 30% ou mais das cotas ou dos rendimentos.
Quando os requisitos gerais do fundo não são cumpridos, a distribuição pode ficar sujeita ao IRRF de 20%. Nos testes de concentração de 10% e 30%, a perda da isenção alcança o cotista ou o conjunto de pessoas ligadas enquadrado na restrição. Verifique sempre o informe de rendimentos do administrador, que indica o tratamento aplicado a cada valor.
Como declarar no IRPF 2026 (ano-base 2025)
- Rendimentos isentos: cadastre o FII em Patrimônio e informe os valores isentos constantes do informe do administrador como evento de “Outros rendimentos isentos” vinculado ao ativo, preenchendo fonte pagadora e demais campos exigidos pelo sistema.
- Cotas em carteira: cadastre cada posição no tipo de patrimônio “Fundos de Investimento Imobiliário (FII)”, com CNPJ, quantidade e discriminação solicitada, informando o custo de aquisição existente em 31 de dezembro (não o valor de mercado), conforme notas de corretagem e informe do administrador.
- Ganho de capital na venda: nas vendas em bolsa, apure mensalmente o resultado de FII/FIAGRO, compense os prejuízos permitidos desse grupo próprio, aplique 20% sobre o ganho líquido e pague DARF código 6015 até o último dia útil do mês seguinte. Informe ganhos, perdas, IRRF e DARFs mês a mês em Renda Variável. Não existe isenção mensal de R$ 20.000 para cotas de FII. Vendas fora de bolsa seguem a apuração pelo programa de ganho de capital.
Um ponto de atenção: a amortização de cotas (devolução de capital) não é rendimento — é redução do custo de aquisição. Tratá-la como rendimento isento distorce a apuração e tende a aumentar o ganho de capital na venda.
As regras de enquadramento exigem, entre outros requisitos, o mínimo de 100 cotistas. Para casos específicos, consulte as orientações oficiais da Receita Federal e, se necessário, um profissional de contabilidade.
A implicação prática é direta: manter as cotas pode postergar a tributação de eventual ganho de mercado, mas não reduz a alíquota de 20%, que não segue tabela regressiva por prazo. A isenção dos rendimentos distribuídos depende dos requisitos legais, e não do tempo de permanência. Além disso, os 20% podem incidir sobre ganhos na venda ou no resgate decorrente do término ou liquidação do fundo e, quando não houver isenção, sobre os próprios rendimentos distribuídos.
Confira as orientações completas sobre tributação de FIIs no portal da Receita Federal e no site da B3, onde estão disponíveis os informes de rendimentos padronizados.
FAQ: dúvidas comuns sobre FIIs e dividendos acima do CDI
Qual o melhor FII para renda passiva em 2026?
Não existe “o melhor” FII de forma universal — depende do seu perfil de risco e horizonte. Para renda mais estável, avalie histórico de distribuições, recorrência dos resultados, inadimplência e garantias no portfólio (nos fundos de papel), vacância e contratos (nos de tijolo), despesas e liquidez. Verifique também o retorno total dos últimos 12 meses antes de decidir.
FIIs pagam dividendos todo mês?
A maioria dos FIIs distribui rendimentos mensalmente — é uma prática consolidada no mercado, mas não uma obrigação legal de periodicidade mensal. A lei exige a distribuição de no mínimo 95% dos lucros apurados pelo regime de caixa, com base em balanço ou balancete semestral. Alguns fundos podem ter meses sem distribuição, por resultado negativo ou constituição de reservas.
Como reinvestir dividendos de FIIs?
O reinvestimento é manual: ao receber os rendimentos na conta da corretora, você compra novas cotas do mesmo fundo ou de outros FIIs. Não há reinvestimento automático como em fundos abertos tradicionais. Reinvestir de forma consistente amplia a base de cotas ao longo do tempo, sem eliminar o risco de oscilação de preço.
FIIs podem falir?
FIIs não são sociedades empresárias e, portanto, não falem no sentido empresarial. Ainda assim, podem enfrentar insuficiência patrimonial, ser liquidados por deliberação dos cotistas e, quando aplicável o regime de responsabilidade limitada, sujeitar-se à insolvência judicial nos termos do Código Civil, que pode ser requerida por credores, pelos cotistas ou pela CVM. Em caso de liquidação, os ativos são vendidos e o valor é distribuído aos cotistas conforme sua participação.
O prazo de liquidação não é predeterminado: depende do regulamento, das deliberações aplicáveis, da natureza e liquidez dos ativos e da existência de passivos ou litígios. O risco relevante é a perda parcial do capital investido, especialmente se ativos imobiliários ou de crédito precisarem ser vendidos em mercado deprimido.
Qual a diferença entre FIIs e CDB?
CDB é um título de renda fixa emitido por bancos, com remuneração contratada (% do CDI, prefixada ou indexada) e, quando elegível, cobertura do FGC de até R$ 250.000 por CPF ou CNPJ por instituição ou conglomerado. FIIs são fundos negociados em bolsa, com renda variável, sem cobertura do FGC, e cujos rendimentos distribuídos podem ser isentos de IR para pessoa física que cumpra os requisitos legais. O CDB oferece mais previsibilidade; o FII, potencial de renda isenta e de valorização — com risco de perda.
Quanto preciso investir para receber R$ 10.000 por mês em FIIs?
Com uma premissa de DY médio de 12% ao ano, o capital seria: R$ 10.000 × 12 ÷ 0,12 = R$ 1.000.000. Com 15%, cerca de R$ 800.000. São estimativas: as distribuições variam com o resultado dos fundos e com o preço das cotas, e não há garantia de manutenção do DY.
Resumo prático
- Alguns FIIs já apresentaram DY superior ao CDI acumulado em determinados períodos; isso não garante desempenho futuro.
- Rendimentos distribuídos por FIIs podem ser isentos para PF que cumpra os requisitos legais; o ganho na venda é tributado a 20%.
- Carteiras com CRIs pós-fixados ao CDI podem ter receita maior quando o CDI sobe, mas o efeito difere para papéis IPCA e prefixados.
- O retorno total (rendimentos + variação da cota, na mesma janela) é o indicador correto — não o DY isolado.
- Para R$ 10.000/mês em rendimentos, o capital estimado fica entre R$ 800.000 e R$ 1.000.000, conforme a premissa de DY.
- Diversifique entre mandatos diferentes e verifique a adequação ao seu perfil antes de investir.
A diferença entre escolher o FII certo e o errado não está apenas no dividend yield — está na qualidade dos ativos, na gestão do fundo, nas despesas e no preço de entrada. Se você quer estruturar uma carteira de FIIs com foco em renda, fale com um assessor: consulte a instituição intermediária responsável para realizar a análise de adequação ao seu perfil. O assessor de investimento registrado pode prestar informações e atender o cliente como preposto do intermediário, dentro dos limites da regulamentação; para consultoria independente, procure consultor de valores mobiliários devidamente registrado.
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