CVC (CVCB3) aprova 7ª emissão de debêntures de até R$ 450 milhões em troca de dívida

CVC aprova 7ª emissão de debêntures de até R$ 450 milhões, a DI + 3,90%, em troca das 4ª e 5ª emissões.
Fato relevante: CVC BRASIL OPERADORA E AGÊNCIA DE VIAGENS S.A.

O que a CVC comunicou

A CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S.A. (B3: CVCB3) informou ao mercado, em fato relevante divulgado em 4 de setembro de 2026, que seu Conselho de Administração aprovou a realização da 7ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações.

CVCB3 CVC Brasil Ação Consumo Cíclico
R$ 1,88 5,03%
Cotação · atualizada há 1 hora
P/L -7,49
DY (12 meses) 0,0%
LPA R$ -0,25
Cotação de CVCB3 — últimos 6 meses
máx R$ 2,50 mín R$ 1,08

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

O valor total da emissão é de até R$ 450 milhões, com a emissão de até 450 milhões de debêntures. A operação admite distribuição parcial, desde que observado o montante mínimo de colocação de 150 milhões de debêntures, equivalentes a R$ 150 milhões.

Uma troca de dívida, não uma captação

O ponto central da operação é que não haverá captação de recursos líquidos pela companhia. As debêntures serão colocadas por meio de oferta pública de distribuição primária, nos termos da Resolução CVM nº 160, destinada exclusivamente a investidores profissionais (conforme Resolução CVM nº 30) que já sejam titulares de debêntures da 4ª e da 5ª emissão da CVC — estrutura conhecida no mercado como exchange offer.

Isso porque a subscrição e integralização ocorrem à vista, no ato da subscrição, mediante dação em pagamento das debêntures da 4ª ou da 5ª emissão. Em outras palavras, o investidor entrega os papéis antigos e recebe os novos: trata-se de um reperfilamento de passivo, e não de dinheiro novo entrando no caixa.

A oferta é coordenada pelo Banco Citibank S.A.

Condições financeiras dos novos papéis

  • Prazo de vencimento: três anos, contados da data de emissão.
  • Carência de principal: 12 meses.
  • Remuneração: 100% da Taxa DI, acrescida de sobretaxa de 3,90% ao ano.
  • Redução de custo: a sobretaxa representa uma queda de 60 basis points (0,60 ponto percentual) em relação às 4ª e 5ª emissões.

Demanda já sinalizada

A companhia informou que já recebeu manifestações de intenção de subscrição, por investidores elegíveis, no montante aproximado de R$ 200 milhões. A melhor estimativa de volume máximo de colocação das debêntures, segundo a CVC, é de R$ 428 milhões — ou seja, abaixo do teto de R$ 450 milhões, mas bem acima do piso de R$ 150 milhões.

Por que a operação importa para a tese de investimento

No próprio comunicado, a CVC afirma que a emissão “reforça o compromisso da Companhia em otimizar sua estrutura de capital e gestão de caixa”, reafirmando o foco em desalavancagem, redução do custo de capital e disciplina financeira, sem comprometer a capacidade de investimento.

O movimento se encaixa em um ciclo mais amplo. Em 2024, a companhia já havia aprovado um reperfilamento das debêntures da 4ª e 5ª emissões em acordo com os debenturistas, com vencimento ajustado para 30/10/2028 e pagamento do valor nominal em cinco parcelas semestrais, sendo a primeira em 30/10/2026 — data que se aproximava justamente no momento desta nova oferta.

Do ponto de vista de crédito, o histórico recente ajuda a explicar por que os debenturistas aceitariam receber menos prêmio (60 bps a menos) pelo novo papel:

  • A CVC encerrou 2024 com dívida líquida de aproximadamente R$ 241 milhões e alavancagem de 0,6x EBITDA, contra 2,1x um ano antes — a primeira vez abaixo de 1,0x desde a emissão das debêntures, segundo a própria companhia.
  • No 1T25, a alavancagem financeira recuou de 1,9x para 0,9x EBITDA (base 12 meses), com dívida líquida de R$ 358,3 milhões.
  • No 3T25, o release apontou queda adicional da alavancagem financeira, de 0,9x para 0,5x EBITDA-LTM.
  • A companhia informa possuir rating nacional BBB(bra), perspectiva estável, atribuído pela Fitch Ratings em 10/10/2024.

Resultados dão suporte — com ressalvas

A recuperação operacional acompanhou a queda do endividamento. Em 2024, o lucro líquido ajustado somou cerca de R$ 53,8 milhões, revertendo prejuízo de R$ 238,3 milhões em 2023. No 1T25, o EBITDA ajustado foi de R$ 104,7 milhões, com margem ajustada de 28,9% (+21,4% na comparação anual). No 3T25, a companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 62 milhões, e no acumulado de 2025 o lucro ajustado chegou a cerca de R$ 67 milhões, mais que o dobro de 2024.

Ainda assim, a leitura de casas de análise é de melhora com ressalvas. Em relatório sobre o 4T24, o BTG Pactual destacou “melhora na lucratividade, mas piora no fluxo de caixa”, apontando que os avanços em margem e resultado ajustado conviviam com desafios de geração de caixa livre. Trimestres específicos seguiram apresentando prejuízo contábil, e o 4T25 registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 3,6 milhões — ainda negativo, embora 71,6% melhor que o 4T24.

Riscos e pontos de atenção

  • Sem caixa novo: por ser uma troca, a operação não aumenta a liquidez da empresa. O benefício é de custo e perfil de amortização, não de reforço de caixa.
  • Distribuição parcial: se a adesão ficar próxima do mínimo de R$ 150 milhões, parte relevante das 4ª e 5ª emissões permanece no cronograma original, reduzindo o efeito do reperfilamento.
  • Volatilidade de resultado: o histórico de oscilação entre lucro ajustado e prejuízo contábil mostra que a normalização financeira ainda não está consolidada.
  • Exposição setorial: turismo e viagens é um setor cíclico e sensível a renda disponível, juros, malha aérea e câmbio.
  • Custo indexado ao DI: mesmo com sobretaxa menor, a remuneração segue atrelada à Taxa DI, mantendo a despesa financeira sensível ao ciclo de juros.

Onde encontrar os documentos

Segundo a companhia, os debenturistas da 4ª e da 5ª emissão que sejam investidores profissionais podem obter detalhes no Comunicado ao Mercado, no Aviso aos Debenturistas, no Aviso ao Mercado da Oferta, na Ata de reunião do Conselho de Administração e na Escritura de Emissão, todos divulgados na mesma data e disponíveis nos sites da CVM e de relações com investidores da CVC Corp.

A companhia ressalta que o fato relevante tem caráter exclusivamente informativo e não deve ser interpretado como material de venda ou divulgação das debêntures. O documento foi assinado por Felipe Pinto Gomes, Diretor Financeiro e de Relações com Investidores.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 03/09/2026

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