Bradesco BBI compra 14,86% da Motiva (MOTV3) do Grupo Mover em recuperação

Bradesco BBI compra fatia de 14,86% na Motiva (MOTV3) do Grupo Mover em recuperação judicial

Renova Invest · 28 de julho de 2026

Bradesco BBI fecha acordo para comprar fatia do Grupo Mover na Motiva

O Banco Bradesco BBI S.A. assinou documentos vinculantes e definitivos para adquirir a totalidade das ações detidas pelo Grupo Mover na Motiva Infraestrutura de Mobilidade S.A. (B3: MOTV3). A operação, formalizada em 28 de julho de 2026, envolve 300.149.832 ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, representativas de aproximadamente 14,86% do capital social da companhia. O fato relevante foi protocolado pela Motiva na mesma data, em cumprimento à Resolução CVM nº 44/2021, e é continuação de comunicados anteriores publicados em 27 de abril de 2026 e 25 de junho de 2026.

A alienação parte das acionistas Sucea Participações S.A. – Em Recuperação Judicial e Sincro Participações S.A. – Em Recuperação Judicial, os dois veículos que compõem o Grupo Mover no quadro acionário da Motiva. A consumação do negócio permanece condicionada à obtenção de aprovações governamentais aplicáveis e ao cumprimento das demais condições precedentes previstas nos documentos definitivos, usuais em transações dessa natureza.

Uma saga em três atos: do direito de preferência ao acordo definitivo

A venda para o Bradesco BBI não surgiu de uma decisão isolada: é o desfecho de um processo que se arrasta publicamente desde abril de 2026. Em 27 de abril daquele ano, a Motiva divulgou o primeiro fato relevante sobre o tema, tornando público que o Grupo Mover avaliava a alienação de sua participação no âmbito do Plano de Recuperação Judicial das empresas do grupo. Em 24 de junho de 2026, nova notificação chegou à companhia: o Bradesco BBI havia apresentado oferta vinculante pelas ações — em substituição a uma proposta anterior — e o prazo para exercício do direito de preferência previsto no Acordo de Acionistas, celebrado originalmente em 5 de julho de 2022, havia sido aberto formalmente aos demais signatários.

O prazo transcorreu in albis. Nenhum dos acionistas parte do acordo se manifestou formalmente para exercer a preferência sobre o lote de 300 milhões de ações. Com a janela encerrada sem disputa interna, as acionistas do Grupo Mover aceitaram a oferta e assinaram os documentos definitivos em 28 de julho de 2026, conforme comunicado ao mercado pelo Diretor Vice-Presidente de Finanças e de Relações com Investidores, Rodrigo Araujo Alves.

A sequência tem lógica clara: empresas em recuperação judicial precisam monetizar ativos para honrar obrigações com credores. O lote na Motiva, uma das maiores plataformas de infraestrutura de mobilidade listadas na B3, representava um dos ativos mais líquidos disponíveis para desinvestimento do grupo.

Motiva no ciclo de monetização: rodovias, aeroportos e reciclagem de portfólio

A saída do Grupo Mover se insere em um contexto mais amplo de transformação da própria Motiva. Ao longo de 2025 e 2026, a companhia adotou uma agenda declarada de reciclagem de capital e reorganização de portfólio. Em 2025, a empresa contratou Lazard e Itaú BBA para conduzir um processo competitivo envolvendo seus ativos aeroportuários, processo que culminou na venda da plataforma de aeroportos: a Motiva alienou a totalidade de sua participação na CPC para a operadora mexicana ASUR, com equity value de R$ 5,0 bilhões.

No segmento rodoviário, movimento oposto: a Motiva avançou na expansão do portfólio de concessões com a compra da Autopista Fernão Dias, adquirida da Arteris por R$ 381,375 milhões à vista, com possível ajuste de preço adicional de R$ 19,587 milhões. Na frente regulatória, a companhia obteve em 2026 um aditivo na concessão da Renovias, com crédito regulatório estimado em R$ 75 milhões a favor da concessionária, em valores de julho de 2025.

O setor de concessões de infraestrutura no Brasil atravessa um ciclo de consolidação. O pipeline de novos leilões de rodovias federais e estaduais, combinado com a revisão de contratos antigos, tem atraído capital institucional e bancário para ativos de longa duração e receita previsível — exatamente o perfil que a Motiva representa após a saída dos aeroportos.

O que muda para o investidor: free float, governança e o papel do Bradesco BBI

Impacto na estrutura acionária

A entrada do Bradesco BBI como novo detentor de uma fatia de 14,86% altera o perfil do quadro acionário da Motiva de forma relevante. O Grupo Mover era um bloco associado a uma situação de estresse financeiro — duas holdings em recuperação judicial —, o que criava incerteza sobre o destino final dessas ações e eventual pressão vendedora no mercado secundário. A migração desse lote para um banco de investimento de grande porte pode ser lida como uma reorganização da base de acionistas relevantes, ainda que o objetivo final do Bradesco BBI com a posição — manutenção estratégica, revenda futura ou intermediação para terceiros — não tenha sido divulgado.

Leitura de mercado e cotação

As ações MOTV3 eram negociadas a R$ 14,69, com variação positiva de 0,55% na data do comunicado, segundo dados de mercado. O papel oscila entre a mínima de R$ 12,07 e a máxima de R$ 17,82 nas últimas 52 semanas, com market cap de R$ 29,5 bilhões. O preço atual está aproximadamente no meio do intervalo anual, o que sugere que o mercado ainda pondera os desdobramentos do reposicionamento estratégico da empresa.

Não há, no material apurado, comentário formal de casas de análise especificamente sobre esta operação de 28 de julho de 2026. O que a cobertura de imprensa indicava até aqui é que a Motiva vem sendo tratada pelo mercado como uma história de destravamento de valor: a venda dos aeroportos e a reorganização rodoviária deveriam, no médio prazo, simplificar o portfólio e melhorar a alocação de capital.

Riscos a considerar

  • A operação ainda não está concluída: depende de aprovações governamentais e condições precedentes, sem prazo divulgado para fechamento.
  • A intenção final do Bradesco BBI com o bloco — manter, sindicar ou revender — pode gerar pressão sobre o papel caso o banco opte por distribuir as ações no mercado secundário.
  • A estrutura do acordo (preço por ação, prazo de lock-up, eventuais direitos de tag-along) não foi divulgada no fato relevante, limitando a avaliação de impacto nos múltiplos.

O que observar nos próximos meses

O evento de 28 de julho marca a assinatura dos documentos definitivos, mas não o encerramento do processo. Os próximos marcos a acompanhar são:

  • Aprovações governamentais: o fato relevante não especifica quais órgãos precisam se manifestar, mas a obtenção dessas autorizações definirá o calendário de fechamento.
  • Comunicado de conclusão da operação: um novo fato relevante deverá ser publicado quando as condições precedentes forem cumpridas e a transferência das ações for efetivada.
  • Posição do Bradesco BBI: qualquer sinalização do banco sobre retenção estratégica ou distribuição do bloco será determinante para o comportamento do papel no curtíssimo prazo.
  • Andamento da recuperação judicial do Grupo Mover: com a alienação da participação na Motiva, uma das últimas fichas líquidas do grupo é convertida em caixa para o plano de credores — acompanhar o andamento judicial pode antecipar outros movimentos.
  • Agenda regulatória da Motiva: novas revisões contratuais em concessões rodoviárias (como Renovias e Fernão Dias) e eventuais novos leilões em que a companhia participe seguem como vetores de valor a monitorar.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 27/07/2026

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