AXIA Energia fecha acordo de R$ 1,3 bi com Piauí e União na ACO 3.024

AXIA Energia fecha acordo de R$ 1,3 bilhão com Piauí e União na ACO 3.024, em duas parcelas de R$ 650 milhões.
Fato relevante: CENTRAIS ELÉTRICAS DO NORTE DO BRASIL S.A

AXIA Energia encerra disputa bilionária com o Piauí por R$ 1,3 bilhão

A AXIA Energia S.A. (CNPJ 00.001.180/0001-26), companhia resultante da privatização da antiga Eletrobras, comunicou ao mercado em 21 de agosto de 2026 a celebração de Termo de Transação com a União e o Estado do Piauí, encerrando consensualmente a integralidade do valor decorrente do julgamento da Ação Cível Originária nº 3.024 (ACO 3.024), em tramitação no Supremo Tribunal Federal.

Segundo o fato relevante, assinado pelo vice-presidente financeiro e de relações com investidores, Eduardo Haiama, o acordo foi firmado no dia 20 de agosto de 2026, após a audiência de conciliação realizada em 23 de junho de 2026. O comunicado dá continuidade aos fatos relevantes divulgados em 31 de maio, 7 de junho e 10 de dezembro de 2024 sobre o mesmo processo.

Como será o pagamento

O Termo de Transação, que ainda será submetido à homologação pelo STF, prevê o pagamento pela AXIA Energia de duas parcelas de R$ 650 milhões — total de R$ 1,3 bilhão:

  • 1ª parcela: em até 5 dias úteis após o trânsito em julgado da homologação do acordo pelo Supremo;
  • 2ª parcela: até 20 de dezembro de 2026.

A companhia esclareceu, no próprio documento, que o valor envolvido na transação já se encontra provisionado. Em termos práticos, isso significa que o efeito esperado é de saída de caixa ao longo de 2026, e não de uma nova baixa contábil relevante no resultado.

O que estava em jogo na ACO 3.024

A ACO 3.024 foi proposta pelo Estado do Piauí no STF e está associada à federalização e posterior privatização da Cepisa (Companhia Energética do Piauí), distribuidora federalizada nos anos 1990 e vendida em 2018. Ao longo do processo, reportagens registraram estimativas do Estado que variaram de cerca de R$ 860 milhões a R$ 3,6 bilhões contra a União e a companhia, envolvendo dividendos e alegados prejuízos na venda da distribuidora.

Em 2024, decisões do ministro Luiz Fux concederam efeito suspensivo à execução da cobrança enquanto a ação não transitasse em julgado, afastando naquele momento medidas coercitivas contra a então Eletrobras. O acordo agora anunciado substitui essa disputa por um valor definido e conhecido.

Leitura de risco jurídico

Para o investidor, a transação tem três efeitos principais:

  • Redução de incerteza: troca um passivo de valor indefinido, discutido no STF, por um cronograma de pagamento fechado;
  • Sem surpresa contábil: como o montante estava provisionado, o impacto é essencialmente de caixa;
  • Menor risco de precedente: encerra uma das disputas mais visíveis remanescentes do processo de federalização e privatização de ativos do antigo grupo Eletrobras.

O acordo no contexto da tese de investimento

A AXIA Energia opera como holding de geração e transmissão de energia elétrica, herdeira do portfólio da antiga Eletrobras — hidrelétricas, térmicas e linhas de transmissão —, em setor regulado pela Aneel e sustentado por contratos de longo prazo. Desde a privatização, concluída em 2022, a companhia adotou o formato de corporation, sem controlador único, com a União mantida como acionista relevante.

Em dezembro de 2025, o STF homologou acordo que ampliou a presença do governo federal no Conselho de Administração da companhia, sem retomada do controle direto — ajuste de governança que também reduziu litígios ligados ao desenho da privatização.

Crédito e percepção das agências

Em 17 de novembro de 2025, a companhia informou que a Fitch reafirmou os ratings de longo prazo em BB- (moeda local e estrangeira) e AA(bra) em escala nacional, elevando a perspectiva de estável para positiva. A combinação — grau especulativo na escala global e classificação alta no mercado doméstico com viés positivo — sustenta acesso competitivo ao mercado de capitais.

Caixa, capex e dividendos

O acordo chega em um ano de investimento intenso. Na divulgação referente ao quarto trimestre de 2025, a administração destacou lucro ajustado cerca de 141% superior ano a ano, na casa de R$ 1,2 bilhão no trimestre, e investimentos próximos de R$ 4 bilhões no período, alta de cerca de 30% na comparação anual. A companhia também declarou dividendos recordes da ordem de R$ 8,3 bilhões referentes a 2025 e comunicou que considera concluído o ciclo de turnaround herdado da estatal.

Casas de análise, entre elas o BTG, mantinham recomendação de compra para o papel após esses resultados, citando expansão de margens, retorno sobre capital investido crescente e a política de dividendos como pilares da tese. Os números de receita, EBITDA e lucro divulgados por diferentes compiladores para 2023–2025 apresentam variações e efeitos extraordinários relevantes — inclusive resultado negativo em 2025 por fatores contábeis e regulatórios em algumas bases —, e por isso devem ser conferidos diretamente nas demonstrações financeiras da companhia.

Pontos de atenção

  • Disciplina de caixa em 2026: R$ 1,3 bilhão de desembolso concentrado no ano, somado a capex elevado e política de dividendos generosa, exige acompanhamento da alavancagem;
  • Condição suspensiva: o pagamento da primeira parcela depende do trânsito em julgado da homologação do acordo pelo STF — ou seja, o cronograma ainda não é definitivo;
  • Passivos remanescentes: a transação encerra a ACO 3.024, mas não elimina, por si só, outras discussões judiciais e regulatórias do grupo.

O que observar a seguir

Os próximos marcos são a homologação do Termo de Transação pelo STF, o respectivo trânsito em julgado e a confirmação do desembolso da primeira parcela, além do pagamento da segunda até 20 de dezembro de 2026. Também vale acompanhar como a companhia tratará a reversão ou utilização da provisão nas próximas demonstrações financeiras e eventuais atualizações sobre política de dividendos e plano de investimentos.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

Facilidades da Renova Invest para você:

Conta digital gratuita

Abra sua conta sem custo e tenha acesso a uma plataforma para investir com praticidade e segurança.

Viver de renda

Construa uma carteira inteligente com foco em geração de renda passiva e alcance sua independência financeira.

CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,71%
  • CDI em 20268,93%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 20/08/2026

Mais artigos em