O que fazer com 1 milhão de reais: renda, carteira e cuidados

O que fazer com 1 milhão de reais: renda, carteira e cuidados

Em setembro de 2026, aplicar R$ 1 milhão em renda fixa pós-fixada pode render valores variáveis dependendo da taxa CDI vigente e da metodologia de cálculo. No entanto, decidir o que fazer com esse capital vai muito além de buscar a maior taxa. É preciso definir objetivos, segmentar o capital e otimizar a tributação. Neste guia, você encontrará simulações ilustrativas, modelos de carteira e os principais cuidados para quem alcançou esse patamar patrimonial.

Resposta direta: Com R$ 1 milhão, o primeiro passo é dividir o capital em três blocos funcionais. Reserve 10–20% para liquidez imediata, 30–40% para objetivos de médio prazo e 40–60% para longo prazo. Sem essa segmentação, você corre o risco de concentrar tudo em renda fixa de curto prazo e perder retorno real ao longo dos anos.


O que fazer com 1 milhão de reais: a resposta direta

A primeira decisão ao receber R$ 1 milhão não é qual produto escolher, mas para que serve esse dinheiro. Defina o objetivo antes de qualquer aplicação. Aposentadoria, independência financeira, compra de imóvel, educação dos filhos ou sucessão patrimonial exigem horizontes e níveis de risco distintos.

Na prática, o capital deve ser dividido em três blocos:

  • Bloco 1 — Liquidez imediata (10–20%): equivale a 6–12 meses de despesas mensais. Esse valor fica em Tesouro Selic ou CDB com liquidez diária. Não é para render muito — é para garantir que você não precise vender ativos no momento errado.
  • Bloco 2 — Médio prazo (30–40%): para objetivos entre 3 e 7 anos. Aqui entram LCI, LCA, CDBs de prazo definido, debêntures incentivadas e fundos multimercados moderados. O foco é retorno acima da Selic, mas com risco controlado.
  • Bloco 3 — Longo prazo (40–60%): horizonte acima de 10 anos. FIIs, ETFs de ações, previdência privada (PGBL/VGBL) e exposição internacional via BDRs ou ETFs globais compõem esse bloco. O objetivo aqui é crescimento real do patrimônio.

Essa estrutura não é rígida. Um investidor conservador de 60 anos pode alocar 60% nos Blocos 1 e 2, enquanto um jovem de 35 anos com renda ativa pode inverter essa proporção. O ponto central é que a alocação deve refletir seu perfil e seus objetivos — não a taxa do mês.

Além disso, evite aplicar todo o capital de uma vez em renda variável. O conceito de dollar-cost averaging — aportes regulares ao longo do tempo — reduz o risco de entrar no pior momento do mercado. Para quem recebe R$ 1 milhão de uma vez (herança, venda de imóvel, rescisão), uma estratégia comum é alocar o Bloco 3 em parcelas mensais ao longo de 6 a 12 meses.

Outro cuidado essencial: R$ 1 milhão ultrapassa o limite de cobertura do FGC (R$ 250 mil por CPF por instituição). Por isso, diversificar emissores em renda fixa privada não é opcional — é obrigatório para quem busca proteção real do capital. Distribuir entre quatro bancos diferentes, por exemplo, mantém cada posição dentro do limite de R$ 250 mil por instituição — mas há duas ressalvas importantes: o FGC impõe um limite global de R$ 1 milhão por CPF a cada período de 4 anos, somando todas as garantias recebidas em qualquer instituição, de modo que distribuir R$ 1 milhão entre 4 bancos consome integralmente esse teto em caso de falências dentro da mesma janela; e os rendimentos acumulados elevam progressivamente os saldos acima de R$ 250 mil por banco, reduzindo a cobertura efetiva. Rebalanceie periodicamente ou direcione os rendimentos para outros emissores e produtos, minimizando a exposição acima do limite.

Por fim, considere o planejamento tributário desde o início. Produtos isentos de IR (LCI, LCA, CRI, CRA, debêntures incentivadas) mantêm sua isenção em 2026, mesmo após a caducidade da MP 1303/2025 (prazo constitucional expirado em outubro de 2025 sem conversão em lei). Já o diferimento via previdência privada pode representar uma diferença relevante no rendimento líquido ao longo dos anos. A eficiência tributária é, na prática, um dos maiores ganhos disponíveis para patrimônios desse porte.


Quanto rende R$ 1 milhão por mês em 2026?

O rendimento de R$ 1 milhão aplicado em produtos atrelados ao CDI depende da taxa CDI vigente em setembro de 2026 e da metodologia de cálculo utilizada. Não é possível confirmar um valor exato sem consultar a taxa oficial do Banco Central do Brasil na data de referência. Esse é o ponto de partida — mas o valor líquido depende do produto escolhido e do prazo de aplicação.

A tabela abaixo compara o rendimento mensal estimado de R$ 1 milhão em diferentes produtos, assumindo uma taxa CDI hipotética constante para fins ilustrativos:

Produto Renda bruta/mês Observação
Tesouro Selic Depende da taxa CDI IR regressivo; custódia B3 de 0,20% a.a. acima de R$ 10 mil
CDB 100% CDI Depende da taxa CDI IR de 15% acima de 720 dias → valor líquido depende da taxa
LCI/LCA 90% CDI Depende da taxa CDI Isento de IR para PF — renda líquida integral
FIIs (IFIX) Variável (dividend yield) Proventos isentos de IR para PF (condições legais). Rendimento médio estimado varia conforme mercado

*Baseado em estimativas de mercado. Os valores reais dependem das condições econômicas na data de referência.

Perceba: a LCI/LCA a 90% do CDI pode superar o CDB a 100% do CDI líquido de IR acima de 720 dias, dependendo da taxa vigente. Isso acontece porque a isenção fiscal pode compensar o desconto na taxa bruta. O break-even é claro: qualquer LCI/LCA acima de 85% do CDI tende a superar o CDB 100% CDI líquido no longo prazo, graças ao efeito da tributação regressiva.

No Tesouro Selic, incide a taxa de custódia B3 de 0,20% ao ano sobre o estoque — exceto os primeiros R$ 10.000, que são isentos. Para R$ 1 milhão, isso representa cerca de R$ 1.980 ao ano (aproximadamente R$ 165 por mês), reduzindo o rendimento líquido efetivo.

O IR regressivo também impacta diretamente a renda mensal de quem resgata antes de 720 dias. Um CDB resgatado em 6 meses paga 22,5% de IR sobre o rendimento, reduzindo significativamente o retorno líquido anualizado. Por outro lado, quem mantém o CDB por mais de 2 anos paga apenas 15%, melhorando o resultado.

Em termos práticos: R$ 1 milhão em renda fixa de qualidade, bem alocado e com eficiência tributária, pode gerar rendimentos líquidos mensais que variam conforme a taxa CDI e os produtos escolhidos — assumindo que a taxa se mantenha em patamares similares aos atuais.

Para quem busca renda mensal estável, comparar o Tesouro Selic com uma carteira diversificada em LCI/LCA e FIIs tende a favorecer a segunda opção no longo prazo. A diferença pode ser relevante em favor da carteira otimizada, graças à isenção de IR e aos proventos mensais dos FIIs.


Dá para viver de renda com R$ 1 milhão?

Sim — mas com condições claras. R$ 1 milhão permite viver de renda apenas para quem tem despesas mensais abaixo do rendimento líquido gerado pelo capital. O valor exato depende da taxa CDI vigente, da alocação da carteira e da eficiência tributária.

Veja dois exemplos ilustrativos:

Perfil A — custo de vida de R$ 8.000/mês: Uma carteira conservadora com 60% em renda fixa (LCI/LCA/CDB) e 20% em FIIs pode gerar renda mensal na casa de R$ 8.000 a R$ 9.000 líquidos em cenários de juros elevados, embora o valor efetivo dependa das taxas contratadas. Esse perfil tende a conseguir viver de renda e ainda reinvestir parte do excedente, preservando o poder de compra do principal ao longo do tempo.

Perfil B — custo de vida de R$ 15.000/mês: Aqui, R$ 1 milhão pode não ser suficiente. O rendimento líquido mensal estimado pode ficar abaixo desse valor — e sacar R$ 15.000 significa consumir capital todo mês. Em 10 anos, dependendo da taxa de juros e da inflação, o patrimônio pode ser reduzido de forma expressiva.

O risco mais subestimado é a erosão inflacionária. Considerando o IPCA acumulado em 12 meses em torno de 4,4% (conforme o último dado disponível na elaboração deste texto), o juro real depende da taxa nominal vigente. Isso significa que R$ 1 milhão mantém seu poder de compra real apenas se você sacar menos do que o rendimento real — não o rendimento nominal.

Quem saca o rendimento nominal integralmente sem reinvestir parte está, na prática, consumindo o patrimônio real ao longo do tempo. Em 20 anos, com inflação média hipotética de 4,5% ao ano, o poder de compra de R$ 1 milhão equivaleria a cerca de R$ 414 mil em valores de hoje — se nenhum rendimento for reinvestido.

Para tornar a independência financeira sustentável com R$ 1 milhão, siga este checklist de viabilidade:

  • Seu custo de vida mensal é inferior a 80% do rendimento líquido estimado da carteira?
  • A carteira inclui ativos com correção pela inflação (Tesouro IPCA+, LCI atrelada ao IPCA)?
  • Você tem uma reserva de emergência separada do capital principal?
  • O plano contempla aumento de despesas ao longo do tempo (saúde, filhos, imprevistos)?
  • Existe planejamento tributário para minimizar o IR sobre os rendimentos?

Se todas as respostas forem “sim”, R$ 1 milhão pode sustentar sua independência financeira com maior segurança. Caso contrário, considere continuar gerando renda ativa enquanto seu patrimônio cresce.


Como montar a carteira ideal para R$ 1 milhão

A “carteira ideal” para R$ 1 milhão não existe em um modelo único. Ela depende do seu perfil de risco, definido pelo processo de suitability regulamentado pela Resolução CVM 30, de maio de 2021. O que existe são proporções-guia ajustáveis a três perfis principais: conservador, moderado e arrojado. A alocação sugerida depende de diversos fatores, como horizonte de investimento, liquidez necessária, tolerância a risco e objetivos financeiros.

A tabela abaixo apresenta esses modelos como sugestões, não como regras absolutas:

Classe de ativo Conservador Moderado Arrojado
Liquidez (Tesouro Selic/CDB diário) 20% 15% 10%
Renda fixa médio prazo (LCI/LCA/debêntures) 50% 35% 20%
FIIs 15% 20% 20%
Ações/ETFs 5% 20% 35–40%
Previdência/Internacional 10% 10% 10–15%

No perfil arrojado, a alocação reduz a liquidez para 10%, a renda fixa médio prazo para 20%, e aumenta ações/ETFs para 35–40%. Essa configuração busca crescimento real acima da inflação no longo prazo, aceitando volatilidade no curto prazo como parte do jogo.

O suitability — avaliação do perfil do investidor — é regulamentado pela CVM (Resolução CVM 30/2021) e exige que instituições intermediárias identifiquem sua tolerância a risco, horizonte de investimento e objetivos antes de recomendar produtos. Para patrimônios de R$ 1 milhão, essa avaliação é especialmente relevante: um erro de alocação pode significar perda real de dezenas de milhares de reais.

Um cuidado essencial na renda fixa privada: nunca concentre mais de R$ 250 mil por instituição em produtos cobertos pelo FGC. Com R$ 1 milhão, distribua entre pelo menos quatro emissores diferentes e lembre-se de que há um teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos, somando todas as garantias já acionadas. Além disso, conglomerados financeiros compartilham o limite do FGC — dois bancos do mesmo grupo econômico compartilham um único limite de R$ 250.000, não há duplicação da garantia entre eles.

Para o bloco de longo prazo, o Tesouro IPCA+ é uma opção relevante, especialmente para quem está próximo da aposentadoria. Esse título garante uma taxa real acima da inflação se mantido até o vencimento, protegendo o principal contra a erosão do IPCA ao longo de décadas.

A previdência privada (PGBL ou VGBL) também merece atenção em grandes patrimônios. O PGBL permite deduzir contribuições de até 12% da renda bruta tributável anual na declaração completa do IR, gerando diferimento tributário imediato. Já no VGBL o IR incide apenas sobre os rendimentos no resgate — e ambos podem facilitar o planejamento sucessório, pois em regra não integram o inventário.


Renda fixa com R$ 1 milhão: Tesouro Direto, CDB, LCI e LCA

A renda fixa é a base de qualquer carteira de R$ 1 milhão no Brasil, especialmente com a Selic em patamares elevados. Os pilares de segurança e liquidez são Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária e LCI/LCA isentos de IR — cada um com características que você precisa conhecer.

Tesouro Selic: título público federal com liquidez diária e risco soberano (o menor risco disponível no mercado brasileiro). Acompanha automaticamente a taxa básica de juros. Incide IR regressivo (22,5% a 15%) e taxa de custódia B3 de 0,20% ao ano sobre o estoque acima de R$ 10.000 por CPF. Para R$ 1 milhão, a custódia representa cerca de R$ 1.980 ao ano — custo relevante na comparação com outros produtos.

CDB (Certificado de Depósito Bancário): emitido por bancos, coberto pelo FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição, respeitado o teto global de R$ 1 milhão a cada 4 anos. CDBs de liquidez diária a 100% do CDI são comuns em bancos digitais e oferecem flexibilidade para o bloco de reserva. Para prazos mais longos, é possível encontrar CDBs a 110% ou 120% do CDI em instituições menores — com risco de crédito maior, porém ainda dentro do limite do FGC.

Exemplo prático: um investidor com R$ 1 milhão que busca manter cada posição dentro do limite do FGC em CDBs deve distribuir o capital em pelo menos quatro instituições diferentes (não do mesmo conglomerado), com no máximo R$ 250 mil em cada, considerando principal mais rendimentos acumulados. Isso reduz o risco de ficar descoberto em caso de intervenção ou liquidação de um banco, desde que os saldos sejam rebalanceados conforme os juros se acumulam.

LCI e LCA: isentas de IR para pessoa física — isenção mantida em 2026 após a caducidade da MP 1303/2025. O prazo mínimo de carência para LCI e LCA pós-fixadas (atreladas ao CDI) é de 6 meses, conforme a Resolução CMN 5.215/2025. Para LCI indexada ao IPCA, o prazo mínimo é de 36 meses; para LCA indexada ao IPCA, de 12 meses. Antes do prazo de carência não há resgate junto ao emissor; a saída antecipada ocorre apenas no mercado secundário, com possível deságio. Para quem pode travar o capital, LCI/LCA a 90% do CDI podem superar o CDB 100% CDI líquido de IR no prazo acima de 720 dias, dependendo da taxa vigente.

Debêntures incentivadas: emitidas por empresas de infraestrutura, isentas de IR para pessoa física (Lei 12.431/2011, art. 2º). Podem oferecer retorno superior à renda fixa bancária, mas com risco de crédito do emissor e sem cobertura do FGC. Para R$ 1 milhão, debêntures de alta qualidade de crédito (rating elevado) podem compor o bloco de médio prazo com eficiência tributária relevante.

Na prática, combinar Tesouro Selic (liquidez), LCI/LCA (médio prazo isento) e debêntures incentivadas (médio/longo prazo isento) forma uma base de renda fixa eficiente tanto em retorno quanto em tributação.


Renda variável e FIIs: como incluir na carteira de R$ 1 milhão

Renda variável e FIIs aumentam o potencial de retorno real no longo prazo e geram renda mensal via proventos — mas exigem horizonte mínimo de 5 anos e tolerância a oscilações de preço. Para R$ 1 milhão, essa classe de ativos não é obrigatória, mas pode ser recomendável para quem busca crescimento patrimonial real acima da inflação, dependendo do perfil de risco.

Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs): negociados na B3, distribuem proventos mensais isentos de IR para pessoa física — desde que o fundo tenha no mínimo 100 cotistas, seja negociado em bolsa ou mercado de balcão organizado e você detenha menos de 10% das cotas. O ganho de capital na venda de cotas é tributado a 20%. Para R$ 1 milhão, uma alocação em FIIs diversificados (papel, tijolo e híbridos) pode gerar renda mensal relevante, conforme o histórico de distribuição observado no mercado.

Além disso, FIIs oferecem exposição ao mercado imobiliário com liquidez em bolsa — vantagem significativa em relação ao imóvel físico, que exige meses para venda e gera custos de transação elevados. Vale notar que a liquidez varia bastante entre fundos.

ETFs de índice: o BOVA11 replica o Ibovespa, e o IVVB11 acompanha o S&P 500 em reais. Ambos oferecem diversificação ampla com custo de gestão relativamente baixo. O IR sobre ganho de capital em ETFs de ações é de 15%, sem a isenção mensal de R$ 20 mil em vendas que vale para ações individuais. Para R$ 1 milhão, os ETFs são eficientes para o bloco de longo prazo sem exigir análise individual de papéis.

Ações pagadoras de dividendos: empresas do índice IDIV historicamente distribuem dividendos acima da média do Ibovespa. Com a nova tributação de dividendos vigente desde 2026 (Lei 15.270/2025), distribuições acima de R$ 50 mil por mês pagas por uma mesma empresa a uma pessoa física passam a ter retenção de 10% na fonte — regra relevante para grandes patrimônios que concentram posições em poucas empresas. Atenção: essa retenção de 10% é uma antecipação do IRPF/IRPFM, e não um imposto definitivo. O valor retido é considerado na declaração anual e na apuração do imposto mínimo, podendo resultar em restituição parcial ou total dependendo da renda total do contribuinte e do cálculo final.

Exemplo prático de alocação para perfil moderado: Distribuindo R$ 1 milhão conforme a tabela de alocação moderada, você teria aproximadamente:

  • R$ 150 mil em Tesouro Selic;
  • R$ 350 mil em renda fixa de médio prazo (LCI/LCA/debêntures);
  • R$ 200 mil em FIIs;
  • R$ 200 mil em ETFs de ações (BOVA11/IVVB11);
  • R$ 100 mil em previdência privada (PGBL).

Essa carteira pode gerar rendimentos anuais variáveis, dependendo das condições de mercado e das taxas vigentes. Descontando o IR regressivo na renda fixa e o ganho de capital na renda variável, o resultado líquido depende do desempenho dos ativos e da estratégia tributária adotada.

BDRs e diversificação internacional: BDRs (Brazilian Depositary Receipts) permitem exposição a empresas globais negociadas na B3. Para R$ 1 milhão, uma alocação de 5–10% em ativos internacionais pode reduzir o risco de concentração no Brasil e proteger parte do patrimônio contra oscilações da economia local.

Na prática, renda variável com R$ 1 milhão deve ser tratada como bloco de longo prazo — não como fonte de renda mensal imediata. FIIs são a exceção parcial: geram proventos mensais isentos e combinam liquidez em bolsa com renda passiva, embora os valores distribuídos possam variar.

Para quem está estruturando a carteira pela primeira vez, assessorias especializadas podem orientar a construção gradual do bloco de renda variável, evitando concentração e respeitando o perfil de risco do investidor.


Tributação: quanto o IR consome do rendimento de R$ 1 milhão?

A tributação é um dos maiores redutores de rentabilidade em carteiras de R$ 1 milhão. Escolher produtos isentos ou com diferimento adequado pode representar uma diferença significativa no rendimento líquido anual — sem mudar o risco da carteira.

A tabela regressiva do IR em renda fixa, vigente desde 2004 e mantida em 2026, funciona assim:

Prazo de aplicação Alíquota IR Impacto em R$ 1 milhão/ano
Até 180 dias 22,5% Valor depende do rendimento bruto
181 a 360 dias 20% Valor depende do rendimento bruto
361 a 720 dias 17,5% Valor depende do rendimento bruto
Acima de 720 dias 15% Valor depende do rendimento bruto

Na prática, manter um CDB por mais de dois anos reduz o IR de 22,5% para 15% — uma economia de 7,5 pontos percentuais sobre o rendimento. Para R$ 1 milhão, isso pode representar uma economia relevante de imposto, apenas por aguardar o prazo adequado.

Por outro lado, produtos isentos de IR eliminam esse custo completamente. LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas seguem isentos em 2026. Isso significa que uma LCI a 90% do CDI pode superar um CDB a 100% do CDI líquido de IR no prazo acima de 720 dias, dependendo da taxa vigente.

Come-cotas em fundos: fundos de investimento de renda fixa e multimercados abertos sofrem antecipação de IR duas vezes ao ano (maio e novembro), com alíquota de 15% para fundos de longo prazo e 20% para fundos de curto prazo. Esse mecanismo reduz o capital disponível para reinvestimento e penaliza o efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Para R$ 1 milhão, o come-cotas pode consumir milhares de reais por ano — motivo pelo qual fundos com come-cotas podem ter desempenho inferior a CDBs e LCI/LCA de prazo equivalente, especialmente no longo prazo.

DARF em renda variável: ganhos em ações, FIIs e ETFs acima das isenções aplicáveis devem ser recolhidos mensalmente via DARF até o último dia útil do mês seguinte à operação. Se você tem R$ 1 milhão em renda variável, precisa controlar mensalmente os ganhos realizados para evitar multa e juros por atraso.

A eficiência tributária não exige abrir mão de retorno — exige escolher os produtos certos para cada prazo e perfil. Para R$ 1 milhão, essa escolha pode valer uma economia significativa por ano.


Resumo prático: o que fazer com R$ 1 milhão

  • Divida o capital em três blocos: 10–20% em liquidez imediata, 30–40% em médio prazo e 40–60% em longo prazo. Faça isso antes de escolher qualquer produto.
  • Rendimento mensal: O rendimento de R$ 1 milhão depende da taxa CDI vigente e dos produtos escolhidos. Líquido de IR e custos, esse valor varia conforme a alocação e a eficiência tributária.
  • Viver de renda: É viável para custos mensais abaixo do rendimento líquido gerado pela carteira. Acima disso, o risco de corrosão do principal é real sem reinvestimento parcial.
  • FGC: Nunca concentre mais de R$ 250 mil por instituição (principal + rendimentos) em produtos cobertos pelo FGC e lembre-se do teto global de R$ 1 milhão por CPF a cada 4 anos. Distribua entre pelo menos quatro emissores diferentes e rebalanceie periodicamente.
  • Isenção de IR: Produtos como LCI, LCA e debêntures incentivadas seguem isentos em 2026. Eles podem oferecer vantagem relevante sobre produtos tributados no longo prazo.
  • Diversificação: Previdência privada (PGBL/VGBL) e FIIs complementam a carteira com eficiência tributária e renda mensal. São opções a considerar para horizontes acima de 10 anos.

FAQ: Perguntas frequentes sobre Tesouro Direto e rendimentos

Quanto rende R$ 1.000 no Tesouro Direto hoje?

O rendimento de R$ 1.000 aplicados em Tesouro Selic depende da taxa vigente. Com uma taxa hipotética de 13,90% ao ano, R$ 1.000 rendem aproximadamente R$ 52 a R$ 54 líquidos em 6 meses e cerca de R$ 115 líquidos em 1 ano, variando conforme a metodologia de capitalização. Esses valores consideram o IR regressivo (22,5% até 180 dias e 17,5% na faixa de 361 a 720 dias, em que se enquadram 365 dias) e a taxa de custódia B3 de 0,20% ao ano. Para valores até R$ 10.000, a custódia é isenta, o que melhora ligeiramente o retorno líquido.

O Tesouro Selic é o produto mais simples e conservador do Tesouro Direto: acompanha automaticamente a taxa básica de juros, tem liquidez diária e risco soberano.

Quanto rende R$ 20 mil no Tesouro Direto por mês?

R$ 20.000 no Tesouro Selic geram rendimentos brutos mensais que dependem da taxa vigente. Com uma taxa hipotética de 13,90% ao ano, o rendimento bruto mensal seria de aproximadamente R$ 218. Descontando o IR de 22,5% (para resgates em até 180 dias) e a taxa de custódia B3 sobre o valor acima de R$ 10.000, o rendimento líquido mensal fica em torno de R$ 165 a R$ 170. Para prazos acima de 720 dias, a alíquota de IR cai para 15%, e o rendimento líquido pode aumentar.

O Tesouro IPCA+ é uma alternativa para proteger o poder de compra. Ele garante uma taxa real acima da inflação se mantido até o vencimento, mas com marcação a mercado, que pode gerar oscilações no valor da aplicação antes do vencimento.

Como funciona o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um programa do governo federal que permite a pessoas físicas comprar títulos públicos pela internet, com aplicações a partir de valores baixos (frações de título, em torno de R$ 30). Funciona assim: você empresta dinheiro ao governo e recebe de volta o valor investido mais juros no vencimento. O resgate antecipado é possível, com liquidez diária no caso do Tesouro Selic.

É indicado para quem busca segurança (risco soberano), liquidez e retorno previsível. Os principais títulos são:

  • Tesouro Selic: pós-fixado, adequado para reserva de emergência;
  • Tesouro IPCA+: protege contra inflação, indicado para longo prazo;
  • Tesouro Prefixado: taxa fixa, para quem aposta em queda de juros.

Todos incidem IR regressivo e taxa de custódia B3 (com a isenção aplicável aos primeiros R$ 10.000 em Tesouro Selic). A plataforma oficial é o site do Tesouro Direto, vinculado ao Tesouro Nacional.

Quanto rende R$ 100.000 hoje no Tesouro Direto?

R$ 100.000 no Tesouro Selic, com uma taxa hipotética de 13,90% ao ano, rendem aproximadamente:

  • cerca de R$ 5.100 a R$ 5.300 líquidos em 6 meses (IR de 22,5%);
  • cerca de R$ 11.200 a R$ 11.400 líquidos em 1 ano (IR de 17,5%, faixa de 361 a 720 dias);
  • cerca de R$ 24.900 a R$ 25.300 líquidos em 2 anos (IR de 15%, acima de 720 dias).

As faixas consideram juros compostos e o desconto da taxa de custódia B3 de 0,20% ao ano sobre o saldo que excede R$ 10.000. Para maximizar o retorno, compare o Tesouro Selic com LCI/LCA isentas de IR. A 90% do CDI, R$ 100.000 em LCI podem render valores líquidos superiores ao Tesouro Selic pela isenção fiscal, dependendo das taxas vigentes.

Saiba mais no portal do Banco Central do Brasil.


Estruturar uma carteira de R$ 1 milhão com eficiência tributária e segurança não exige apenas conhecimento técnico — exige perspectiva sobre o que realmente importa para seu patrimônio nos próximos 10, 20 ou 30 anos.

A diferença entre uma alocação genérica e uma carteira bem planejada pode representar uma economia significativa e maior rentabilidade ao longo do tempo. Se você chegou a R$ 1 milhão e quer garantir que esse capital trabalhe de forma inteligente, consultar uma assessoria especializada pode ajudar a montar uma estratégia alinhada ao seu perfil e objetivos.

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CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,63%
  • CDI em 20269,66%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 09/09/2026

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