Historicamente, o CDI entregou muito mais retorno que o dólar no Brasil. R$ 100 investidos no CDI entre 2000 e 2024 se transformaram em aproximadamente R$ 1.705,70 — contra cerca de R$ 345,97 no dólar no mesmo período (dados de fonte secundária, detalhados adiante). Mas essa diferença brutal esconde uma verdade que muda tudo: o dólar não é concorrente do CDI, é proteção contra ele. Enquanto produtos indexados ao CDI geram juros em reais, o dólar protege contra a desvalorização da moeda brasileira — duas funções completamente diferentes numa carteira bem construída.
⚠️ Aviso importante: As taxas, cotações e simulações deste artigo têm uma data-base de referência e mudam com frequência. A menos que indicado de outra forma, os cálculos usam a Selic meta em 14,25% a.a. e a Taxa DI anualizada em torno de 14,15% a.a. (referência de julho/2026), além de uma cotação de dólar de referência que deve ser conferida antes de qualquer decisão. Atualize todos os números com as fontes oficiais (Banco Central, B3, IBGE, Tesouro Direto e Receita Federal) antes de decidir.
Resposta direta: O CDI rendeu, segundo dados de fonte secundária, cerca de 12,02% ao ano entre 2000 e 2024, contra aproximadamente 5,10% do dólar — mas essa comparação omite o essencial: produtos em CDI ficam vulneráveis em crises cambiais, enquanto o dólar tende a se valorizar justamente nesses cenários. A escolha correta não é qual “rende mais”, mas qual função cada um cumpre na sua carteira.
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Dólar ou CDI: entender a função antes de escolher
O erro mais comum é comparar “qual rende mais” como se o CDI e o dólar competissem pelo mesmo espaço numa carteira. Não competem. Produtos indexados ao CDI são geradores de juros em reais. O dólar é uma proteção contra o enfraquecimento da moeda brasileira.
Quando o real se desvaloriza fortemente — como em 2002, 2015 e 2020 —, o dólar sobe em reais e protege o patrimônio do investidor contra a inflação cambial. Os produtos de renda fixa continuam pagando juros, mas em reais que valem menos na conversão para moeda forte. Portanto, quem tem 100% do patrimônio em renda fixa em reais está exposto ao risco cambial sem perceber.
Por outro lado, quem mantém dólar puro em conta — sem nenhum investimento remunerado — abre mão de um CDI que, na data de referência, acumula em torno de 14,15% ao ano. Com a Selic em 14,25% a.a., esse custo de oportunidade é concreto: em doze meses, R$ 10.000 em CDB 100% do CDI chegam a cerca de R$ 11.167 líquidos de IR (17,5% de alíquota para aplicações entre 361 e 720 dias) — enquanto o mesmo valor em dólar puro só cresce se o câmbio subir.
A resposta prática para a maioria dos investidores brasileiros é: CDI como base da carteira, dólar como proteção estrutural. Assessorias como a Renova Invest costumam recomendar entre 10% e 20% de exposição cambial para carteiras de perfil moderado — não como aposta direcional, mas como seguro contra cenários extremos.
Na data de referência, com o CDI em torno de 14,15% ao ano e o dólar em um patamar que deve ser conferido no momento da leitura, o custo de oportunidade de ficar 100% dolarizado é elevado. Mas manter zero exposição cambial também é uma decisão de risco — especialmente para quem tem dívidas em dólar, viagens frequentes ou filhos estudando no exterior.
A inteligência está em combinar os dois — não em escolher apenas um. Dito isso, vamos aos números que explicam por que essa combinação funciona.
O que é o CDI e por que ele domina a renda fixa brasileira?
O CDI — Certificado de Depósito Interbancário — é o instrumento negociado em operações de empréstimo de curtíssimo prazo entre bancos brasileiros. Diariamente, instituições financeiras com excesso de caixa emprestam recursos para as que estão com déficit. A partir desses depósitos interfinanceiros de um dia, a B3 apura uma média: a Taxa DI.
Na prática, a Taxa DI funciona como um benchmark do “preço do dinheiro” no mercado interbancário brasileiro. Ela fica consistentemente próxima da Selic Over — a taxa média das operações compromissadas de um dia do Banco Central. Na data de referência, com a Selic meta em 14,25% a.a., a Taxa DI anualizada está em torno de 14,15% a.a. Vale distinguir: a Taxa DI anualizada na data (expressa em base de 252 dias úteis) é diferente do CDI efetivamente acumulado ao longo dos últimos 12 meses, que resulta da composição dos fatores diários da série oficial da B3.
O investidor pessoa física nunca investe diretamente no CDI. O que existe são produtos que referenciam a Taxa DI como base de remuneração. Um CDB que paga “100% do CDI” acompanha a variação dessa taxa durante o período de aplicação, mas continua sujeito ao risco do emissor, às condições contratuais, à liquidez e à tributação. Um fundo DI busca replicar o índice com baixo custo. Uma LCI a “90% do CDI” paga 90% da variação do índice — com isenção de IR para pessoa física.
Esse sistema de percentual do CDI é o coração da renda fixa privada brasileira. Veja o que diferentes percentuais entregam na data de referência:
| % do CDI | Taxa efetiva anual | Tributação (PF) |
|---|---|---|
| 85% CDI | 12,03% a.a. | IR regressivo |
| 90% CDI | 12,74% a.a. | IR regressivo |
| 100% CDI | 14,15% a.a. | IR regressivo |
| 90% CDI (LCI/LCA) | 12,74% a.a. | Isento |
| 110% CDI | 15,57% a.a. | IR regressivo |
CDI é taxa, dólar é ativo — por que isso importa
Essa distinção é crítica. Um produto indexado ao CDI acumula remuneração conforme seu contrato — os juros correm independentemente do que aconteça no câmbio, embora a trajetória futura de uma taxa pós-fixada não seja previsível nem garantida. O dólar é diferente: ele só rende se a moeda americana se valorizar em relação ao real. Se o câmbio não se mexer, o retorno em dólar puro é zero.
Exemplo numérico: R$ 10.000 em CDB 100% CDI a 14,15% ao ano entregam cerca de R$ 1.415 em 12 meses (bruto), sujeitos ao risco do emissor. R$ 10.000 convertidos em aproximadamente US$ 1.972 (no câmbio de referência de R$ 5,07) só valem R$ 10.000 novamente se o dólar permanecer nesse patamar. Se o câmbio cair para R$ 4,50, aqueles US$ 1.972 passam a valer cerca de R$ 8.874 em reais — uma perda em torno de 11% em reais nominais, enquanto o CDB teria gerado ganho bruto próximo de 14,15%.
Por outro lado, se o dólar subir para R$ 6,00, aqueles US$ 1.972 valem cerca de R$ 11.834 em reais — um ganho de aproximadamente 18% que supera o CDI. Mas isso depende exclusivamente da variação cambial, não de um juro que se acumula todos os dias.
A diferença entre taxa (CDI) e ativo (dólar) é o que torna a comparação “qual rende mais” enganosa. Os produtos de CDI têm remuneração mais estável; o dólar é volátil. Ambos têm lugar numa carteira inteligente — em proporções que dependem do seu horizonte, necessidade de proteção e tolerância a risco.
O que significa investir em dólar para o investidor brasileiro?
O dólar, por si só, não paga juros. Quem compra dólar puro aposta exclusivamente na valorização da moeda americana frente ao real. O retorno em reais depende inteiramente da variação do câmbio USD/BRL, cuja cotação de referência deve ser conferida na data da leitura (a PTAX oficial é divulgada diariamente pelo Banco Central).
Existem várias formas de o investidor brasileiro ter exposição ao dólar. Cada uma tem custos, tributação e características distintas. Veja a comparação concreta com exemplo de R$ 10.000 alocados em cada instrumento:
| Instrumento | Spread/Custo inicial | Taxa admin/ano | Come-cotas | Custo anual em R$ (aprox.) | Indicado para |
|---|---|---|---|---|---|
| Moeda física/conta dólar | 0,5–2% (spread bancário) | — | — | R$ 50–200 | Viagens, despesas em dólar |
| Fundo cambial | — | 0,5–1,5% a.a. | 15% (ou 20% em fundos de curto prazo) | R$ 100–350 | Exposição cambial sem sair do Brasil |
| ETF dolarizado (IVVB11) | Spread de negociação | ~0,20–0,23% a.a. | — | R$ 20–23 | Exposição cambial + ações americanas |
A escolha entre moeda física, fundo cambial ou ETF dolarizado não é trivial. A moeda física tem spread cambial maior (0,5–2%), mas não sofre come-cotas. Os fundos cambiais têm taxa de administração variável e sofrem tributação periódica no último dia útil de maio e novembro, conforme a Lei 14.754/2023 — em regra 15%, podendo haver antecipação de 20% em fundos classificados como de curto prazo, dependendo da classificação tributária do fundo, com eventual complemento no resgate. ETFs dolarizados como o IVVB11 têm taxa de administração baixa — o regulamento e o factsheet oficiais do produto indicam taxa em torno de 0,20% a 0,23% ao ano, o que deve ser confirmado no documento vigente —, mas oferecem exposição combinada ao dólar e ao mercado acionário americano, o que amplifica tanto ganhos quanto perdas.
Um ponto frequentemente ignorado: o IOF cambial incide sobre operações de câmbio conforme a finalidade, e as alíquotas mudam por regulamentação. A título de referência (verifique a tabela vigente antes de operar):
- Compra de moeda estrangeira em espécie: tem sido tributada a 3,5% em 2026, segundo o Decreto 6.306/2007 e alterações — sem “isenção ampla por limite de viagem”.
- Transferências para investimento no exterior e uso de cartão internacional: possuem alíquotas próprias, que devem ser consultadas na regra vigente.
- Nota técnica: o teto legal de 25% previsto no Código Tributário Nacional é apenas um limite teórico, jamais praticado nas operações cambiais comuns.
Quem investe em IVVB11, por exemplo, negocia cotas em bolsa e ganha exposição simultânea ao dólar e às ações do S&P 500, o que amplifica volatilidade. Para quem quer proteção cambial pura, os fundos cambiais são diretos. Para quem busca diversificação internacional com exposição ao dólar, ETFs podem ser mais eficientes.
CDI vs dólar: o que 24 anos de dados históricos revelam?
Os dados de fonte secundária relativos a 2000–2024 apontam o CDI como o ativo de maior retorno nominal e real para o investidor brasileiro no período. Mas essa afirmação esconde nuances importantes que explicam quando (e por quê) o dólar protege.
Segundo dados compilados pelo Clube dos Poupadores (fonte secundária, cuja metodologia não é totalmente reproduzível — datas exatas, tipo de PTAX e método de acumulação não estão detalhados), os CAGRs nominais atribuídos ao período 2000–2024 foram:
- CDI: 12,02% ao ano
- Ibovespa: 8,12% ao ano
- IPCA: 6,17% ao ano
- Dólar: 5,10% ao ano
Em termos reais — descontada a inflação medida pelo IPCA —, o CDI teria entregado cerca de 5,51% ao ano acima da inflação. O dólar teria tido retorno real médio negativo de aproximadamente −1,01% ao ano. Isso sugere que, em média, quem manteve dólar puro nesse período perdeu poder de compra em reais. Para uma análise definitiva em conteúdo desta natureza, o ideal é recalcular a comparação diretamente com as séries oficiais (série 4391 do CDI no BCB, IPCA do IBGE e metodologia da Taxa DI da B3), declarando o intervalo exato e a série cambial utilizada.
Por que o dólar teria tido retorno real negativo? O Brasil viveu um ciclo de apreciação do real entre 2003 e 2011, impulsionado pelo boom de commodities e pela entrada de capital estrangeiro. Nesse período, o dólar recuou fortemente — corroendo o retorno de quem estava dolarizado. Nos anos seguintes, o real voltou a se desvalorizar, mas o dano ao CAGR de longo prazo já estava feito.
Outro ponto relevante: esses dados são brutos, sem considerar tributação. O CDI em produtos como CDB sofre IR regressivo (de 22,5% até 15%). O dólar tem regras específicas conforme a modalidade (detalhadas mais adiante). Portanto, a comparação líquida de IR reduziria o gap — mas, no período analisado, o CDI ainda venceria com margem significativa.
Para o investidor de longo prazo no Brasil, a mensagem histórica é clara: ignorar a renda fixa em reais em favor do dólar puro custou caro nas últimas duas décadas. Mas ignorar o dólar completamente também criou vulnerabilidade em momentos de crise cambial aguda.
Tabela comparativa: CDI x Dólar x Ibovespa x IPCA (2000–2024)
A tabela abaixo sintetiza os dados de fonte secundária para o período 2000–2024 para os principais ativos comparados neste artigo. Use como referência aproximada — não como projeção futura.
| Ativo | CAGR nominal (2000–2024) | R$ 100 viraram |
|---|---|---|
| CDI | 12,02% a.a. | R$ 1.705,70 |
| Ibovespa | 8,12% a.a. | R$ 704,33 |
| IPCA (referência) | 6,17% a.a. | R$ 446,70* |
| Dólar | 5,10% a.a. | R$ 345,97 |
*Para manter a comparabilidade, o IPCA foi recalculado sobre o mesmo número de períodos (25 anos-calendário) dos demais ativos: R$ 100 × 1,0617²⁵ ≈ R$ 446,70. O valor originalmente divulgado (R$ 424,30) parecia usar período/base diferente. Fonte primária recomendada: série histórica do IPCA (IBGE). Dados históricos não garantem retorno futuro. Tributação não considerada nesta simulação bruta.
O retorno real de cada ativo — descontado o IPCA — revela o verdadeiro poder de geração de riqueza:
| Ativo | Retorno real estimado | Risco principal |
|---|---|---|
| CDI | +5,51% a.a. | Risco de crédito (emissor) |
| Ibovespa | +1,84% a.a. | Volatilidade de mercado |
| Dólar | −1,01% a.a. | Apreciação do real |
Esses números precisam ser lidos com cuidado. O CDI no período 2000–2024 se beneficiou de uma fase em que o Brasil praticou juros reais entre os mais altos do mundo. Não há garantia de que esse prêmio se mantenha — especialmente se o país avançar em reformas fiscais que permitam reduzir a Selic de forma sustentável.
O Ibovespa, apesar do CAGR menor, inclui períodos de alta volatilidade. Quem entrou em 2008 ou 2020 e vendeu no fundo realizou perdas severas. Em contrapartida, quem manteve posição capturou recuperações expressivas.
O dólar tem períodos de desempenho excepcional — como 2002 (crise eleitoral), 2015 (crise fiscal) e 2020 (pandemia) — que não aparecem no CAGR de longo prazo, mas foram decisivos para quem precisava de liquidez nesses momentos.
Por que o CDI rendeu mais, mas pode enganar em dólares?
Aqui está o paradoxo central: o CDI pode ter rendido cerca de 12% ao ano em reais durante uma década — mas, convertido em dólares, esse ganho pode ser muito menor, ou até negativo, dependendo do câmbio.
Um exemplo concreto ilustra. No início de 2015, o dólar estava em torno de R$ 2,65. Um investidor converteu R$ 100.000 em dólares — recebendo aproximadamente US$ 37.736. Outro manteve R$ 100.000 em CDB 100% CDI.
Ao longo de 2015, o CDI rendeu cerca de 13,24%. O segundo investidor (CDB) terminou com aproximadamente R$ 113.240 em reais. Mas o dólar fechou 2015 em torno de R$ 3,90 (PTAX de referência) — uma valorização de aproximadamente 47%. O primeiro investidor (dólar), com US$ 37.736, tinha o equivalente a cerca de R$ 147.000 ao final do ano. (Os valores exatos dependem da série cambial adotada; para precisão, use uma única série oficial, como a PTAX do BCB.)
Resultado: em termos de poder de compra em dólar, a aposta cambial venceu naquele ano. Esse é o efeito da desvalorização cambial corroendo o ganho nominal em reais.
Agora considere o cenário atual. Com o dólar em um patamar de referência de R$ 5,07 e o CDI em torno de 14,15% ao ano, veja como diferentes cenários cambiais afetam a comparação:
| Cenário cambial (1 ano) | CDB 100% CDI (líquido IR 17,5%) | Dólar puro (sem juros) |
|---|---|---|
| Dólar cai para R$ 4,50 | R$ 11.167 | R$ 8.874 |
| Dólar estável em R$ 5,07 | R$ 11.167 | R$ 10.000 |
| Dólar sobe para R$ 6,00 | R$ 11.167 | R$ 11.834 |
Valores com R$ 10.000 como principal. CDB com IR de 17,5% (prazo 361–720 dias, aplicável a 365 dias). Dólar puro sem remuneração adicional e sem considerar spread/IOF. Câmbio hipotético para fins ilustrativos — atualize as cotações.
O CDI só perde para o dólar se o câmbio subir mais do que o rendimento líquido — nesse caso, acima de aproximadamente 11,7% em um ano. Partindo de R$ 5,07, isso exigiria uma cotação acima de cerca de R$ 5,66 para o dólar superar o CDB líquido, sem considerar spread, IOF e demais custos da compra e venda de moeda.
Portanto, o CDI vence o dólar em reais na maioria dos cenários de curto prazo com câmbio relativamente estável — mas o dólar vence em cenários de crise cambial aguda. Para quem tem gastos futuros em dólar (viagem, estudo, importação), manter parte do patrimônio dolarizado é proteção racional. Para quem tem despesas exclusivamente em reais, o CDI é mais eficiente.
Checklist de decisão: qual é o seu cenário?
- Você tem despesas frequentes em dólar? SIM → aloque 15–20% em dólar ou fundos cambiais. NÃO → 5–10% é suficiente como proteção estrutural.
- Você tem dívidas em moeda estrangeira? SIM → aumente para 20–30% em dólar como hedge natural. NÃO → 10–15% é seguro.
- Seu horizonte é de longo prazo (10+ anos)? SIM → o CDI como base foi mais vantajoso historicamente. NÃO → considere rebalancear mais frequentemente.
- Você está preocupado com cenários de crise cambial? SIM → mantenha pelo menos 10% em dólar como seguro. NÃO → pode ficar entre 5–10%.
- Você pretende viajar, estudar ou importar do exterior? SIM → reserve uma parte em dólar puro (moeda física) para esses gastos específicos. NÃO → dólar em fundo cambial é mais líquido e tributado de forma consistente.
Esse checklist não substitui uma conversa com um assessor — mas serve como ponto de partida para calibrar sua exposição cambial.
FAQ: Tesouro Direto, CDI e quanto cada investimento realmente rende
Quanto rende R$ 1.000 aplicados no Tesouro Selic por 1 ano?
O Tesouro Selic tem remuneração vinculada à Selic (meta de referência em 14,25% a.a.), mas seu preço também incorpora condições de mercado — não é possível afirmar hoje, de forma garantida, quanto renderá nos próximos 12 meses, e uma venda antecipada ocorre a preço de mercado (marcação a mercado). Como simulação condicionada à manutenção da taxa em torno de 14,15% e considerando exatamente 365 dias: R$ 1.000 renderiam cerca de R$ 141,50 brutos. Após IR de 17,5% (faixa de 361 a 720 dias), o ganho líquido fica em torno de R$ 116,74, resultando em aproximadamente R$ 1.116,74. Importante: Tesouro Selic até R$ 10.000 por CPF é isento de custódia B3 (0,20% a.a.) — acima desse valor, você paga taxa sobre o excedente.
Quanto rende R$ 1.000 aplicados no Tesouro IPCA+ por 1 ano?
O Tesouro IPCA+ combina inflação (IPCA) mais uma taxa fixa prefixada no momento da compra. A composição entre inflação e taxa real é multiplicativa, não uma soma simples. Como exercício teórico, supondo IPCA hipotético de 4,5% e taxa real de 5,5%, o rendimento bruto seria (1,045 × 1,055) − 1 ≈ 10,25% em 12 meses. Sobre R$ 1.000, isso resultaria em cerca de R$ 102,48 brutos; após IR de 17,5% (365 dias), aproximadamente R$ 84,54 líquidos, ou R$ 1.084,54 final, antes de custódia. Confirme o IPCA vigente na data de referência com o IBGE. Este título protege o poder de compra contra inflação, mas o retorno contratado só se materializa integralmente no vencimento — uma venda antecipada sofre marcação a mercado.
Quanto rende R$ 1.000 aplicados no Tesouro Prefixado por 1 ano?
No Tesouro Prefixado, você fixa a taxa no momento da compra. Supondo 12,5% ao ano, R$ 1.000 rendem R$ 125 brutos em 12 meses; após IR de 17,5% (365 dias), cerca de R$ 103,13 líquidos, ou R$ 1.103,13. A vantagem é a previsibilidade da taxa contratada, assegurada apenas no vencimento. A desvantagem: se as taxas de mercado subirem, novos títulos poderão oferecer retorno maior e uma venda antecipada poderá gerar perda por marcação a mercado. Este título não protege contra inflação, apenas trava uma taxa nominal.
Quanto rende R$ 1.000 em LCI (Letra de Crédito Imobiliário) por 1 ano?
LCI com 90% do CDI rende cerca de 12,74% ao ano (conforme tabela anterior) — portanto, aproximadamente R$ 127,40 brutos em 12 meses sobre R$ 1.000. O grande diferencial: LCI é isenta de IR para pessoa física (Lei 11.033/2004, art. 3º, IV). Você fica com R$ 127,40 líquidos — sem descontos. Valor final: R$ 1.127,40. Comparado com o Tesouro Selic (cerca de R$ 1.116,74 líquidos na simulação acima), a LCI entrega em torno de R$ 10,66 a mais no mesmo período, apenas por ser isenta de IR. Para prazos longos, essa diferença tende a crescer.
Quanto rende R$ 100.000 em Tesouro Direto por 2 anos?
Usando Tesouro Selic como referência (pós-fixado, menor risco de taxa) e supondo aplicação contínua por 2 anos (mais de 720 dias, faixa de IR de 15%). Nesse tipo de título, o IR não é descontado ano a ano — ele incide integralmente no resgate/vencimento sobre o ganho total acumulado:
- Bruto após 2 anos: R$ 100.000 × (1,1415)² ≈ R$ 130.302
- Ganho bruto: ≈ R$ 30.302 → IR de 15% sobre o ganho ≈ R$ 4.545
- Valor líquido: ≈ R$ 125.757
Valor final após 2 anos: aproximadamente R$ 125.757. Observações: esse cálculo assume Taxa DI constante em 14,15% — na realidade, ela varia diariamente. Se o prazo efetivo não ultrapassar 720 dias, aplica-se 17,5%. Além disso, incide custódia B3 de 0,20% a.a. sobre a posição, reduzindo levemente esse total (exceção: Tesouro Selic até R$ 10.000 é isento de custódia).
Resumindo: qual é a alocação inteligente hoje?
Não existe resposta única — mas existem princípios que funcionam:
- Base: CDI/Renda Fixa em reais (70–85%). O juro real positivo, calculado como (1 + retorno nominal) ÷ (1 + inflação) − 1, tem sido elevado no Brasil — para o ano-calendário de 2024, o retorno real bruto do CDI ficou em torno de 5,8%, com base em CDI acumulado próximo de 10,9% e IPCA de aproximadamente 4,83% (confira com as séries do BCB e do IBGE).
- Proteção: Exposição cambial (10–20%). Via fundos cambiais, ETFs dolarizados ou dólar puro — conforme seu objetivo específico.
- Dentro da renda fixa: Priorize LCI/LCA (isentas de IR) antes de CDB — a diferença tributária é significativa no longo prazo.
- Dentro da proteção cambial: Se tem viagens frequentes ou despesas em dólar, mantenha moeda física além da alocação em fundos — não é redundância, é segurança operacional.
- Rebalanceie anualmente. Se o dólar subiu muito, sua alocação cambial cresceu — rebalanceie para voltar ao patamar alvo e realize ganhos.
Uma observação tributária importante sobre o dólar: a tributação não é uma regra única de “ganho de capital” para tudo. Ela varia conforme a modalidade. A venda de moeda estrangeira em espécie pode ser isenta quando o total alienado no ano não supera o equivalente a US$ 5 mil; a variação cambial de contas não remuneradas no exterior pode ter tratamento próprio; e aplicações financeiras no exterior seguem o regime da Lei 14.754/2023. Separe cada situação e confirme as regras vigentes com a Receita Federal antes de declarar.
O erro mais caro não é escolher CDI ou dólar — é ficar 100% em um deles e ignorar a função do outro.
Se você quer estruturar uma carteira que equilibre CDI e proteção cambial conforme seu perfil específico e sua situação patrimonial, a Renova Invest pode ajudar a quantificar quanto de cada ativo faz sentido para você — considerando seu horizonte, suas despesas em moeda estrangeira e seu nível de conforto com volatilidade cambial. Fale com um assessor da Renova.
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