Melhores economistas do Brasil: quem acerta mesmo nas previsões

Melhores Economistas do Brasil: quem realmente importa para o investidor

Imagine abrir o noticiário e ver três economistas diferentes dando previsões opostas sobre a Selic. Um diz que vai cair, outro que vai subir, e o terceiro que vai ficar igual. Quem você acredita? A resposta pode definir se você ganha ou perde dinheiro nos próximos meses.

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O problema é que fama e precisão são critérios diferentes. Popularidade nas redes sociais mede alcance e comunicação; acurácia de projeções mede distância entre o número previsto e o número realizado. Não há relação necessária entre as duas coisas — e apenas a segunda é auditável, quando há metodologia, indicador, horizonte e data de corte definidos.

No final, você terá um mapa claro: não para seguir modismos, mas para tomar decisões de investimento com base em critérios verificáveis.

Os três critérios para avaliar economistas: qual você deve usar?

Não existe uma lista oficial dos “melhores economistas”. O que existe são critérios diferentes — e cada um serve para uma finalidade específica. Confundir esses critérios pode levar você a seguir análises bonitas, mas inúteis para investir.

Veja como cada filtro funciona:

Critério O que mede Exemplos Para que serve ao investidor
Contribuição histórica Quem mudou a forma de pensar sobre economia no Brasil Celso Furtado, Mário Henrique Simonsen Entender debates estruturais do país — indexação, desigualdade, inflação persistente
Trajetória institucional Quem ocupou cargos que definiram regras econômicas (BC, ministérios) Armínio Fraga, Gustavo Franco Compreender como decisões de política monetária e fiscal foram construídas
Precisão em projeções Distância entre projeções de IPCA, Selic, PIB e câmbio e os valores realizados Rankings Top 5 Focus do Banco Central Avaliar o histórico recente de acurácia das instituições que você acompanha

Na prática: Se você só acompanha economistas famosos na TV, está olhando apenas para quem tem boa comunicação — o que não diz nada sobre a qualidade das projeções. O investidor que quer resultados consistentes precisa distinguir esses três critérios antes de tirar conclusões.

Os economistas que construíram o pensamento econômico brasileiro

Alguns economistas não são lembrados por suas previsões, mas por terem criado interpretações que ainda organizam o debate sobre o Brasil. São eles que ajudam a entender por que certos problemas do país são tão persistentes.

José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu: o primeiro economista do Brasil

Em 1804, anos antes da Independência, um baiano chamado José da Silva Lisboa publicou um livro pioneiro: Princípios de Economia Política. Foi um dos primeiros textos sobre economia escritos por um brasileiro, inspirado nas ideias de Adam Smith. Nele, Cairu defendia uma tese simples, mas controversa para a época: o Brasil deveria abrir seus portos para o comércio internacional.

Essa defesa não foi meramente teórica. Com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808, Cairu teve influência relevante na argumentação a favor da abertura dos portos, autorizada por Carta Régia assinada por Dom João na condição de Príncipe Regente — ele só se tornaria João VI em 1816. Historiadores apontam, porém, que a medida resultou de múltiplos fatores, como a pressão britânica, as necessidades fiscais da Coroa e a atuação de outros conselheiros. O debate sobre abertura comercial que ele antecipou continua central nas discussões sobre crescimento.

Celso Furtado: o economista que explicou por que o Brasil não cresce como os outros

Se você já se perguntou por que o Brasil é rico em recursos naturais, mas ainda luta para oferecer qualidade de vida à sua população, uma das interpretações mais influentes está nos livros de Celso Furtado. Formado na Sorbonne, membro da Cepal e ministro do Planejamento nos anos 1960, Furtado desenvolveu uma tese poderosa: as economias periféricas, como a brasileira, não seguem o mesmo caminho das economias centrais.

Formação Econômica do Brasil (1959), sua obra mais famosa, é um raio-X da desigualdade estrutural do país. Furtado mostrou como o modelo colonial deixou marcas profundas — dependência de commodities, concentração de renda e um Estado que oscila entre intervencionismo e abandono. Sua análise ajuda a discutir por que copiar receitas de política econômica de outros países raramente produz aqui os mesmos resultados.

Para o investidor, entender Furtado é entender os limites das políticas econômicas. Quando o governo anuncia medidas para controlar a inflação ou estimular o crescimento, é útil perguntar: “Isso ataca os problemas estruturais que Furtado identificou, ou é só um remendo temporário?”

Mário Henrique Simonsen: a teoria que ajuda a entender a inflação brasileira

Mário Henrique Simonsen é frequentemente citado como um dos mais influentes economistas brasileiros do século XX. Ministro da Fazenda e do Planejamento, sua contribuição mais lembrada é a discussão sobre inflação inercial.

Segundo essa leitura, a inflação brasileira não decorria apenas do excesso de demanda. Aqui, ela se alimentava também de um mecanismo de indexação: contratos corrigidos pela inflação passada tendiam a perpetuar a alta de preços. Trata-se de uma contribuição histórica importante para entender a resistência da inflação no país — mas ela não explica, isoladamente, o nível atual dos juros.

Em agosto de 2026, a Selic está em 14,00% ao ano, após uma sequência de reduções decididas pelo Copom nas reuniões anteriores. Ainda assim, o patamar permanece elevado em termos reais: considerando o IPCA acumulado em 12 meses de 4,44% divulgado pelo IBGE em julho de 2026, o juro real aproximado fica em torno de 9,2% ao ano. Vale a ressalva metodológica: essa é uma comparação ex post, entre uma taxa nominal corrente e inflação já ocorrida, antes de impostos e custos — o juro real efetivo dependerá da inflação futura. As decisões do Copom, por sua vez, são fundamentadas em inflação corrente e projetada, expectativas, atividade econômica, riscos fiscais e externos, e não na aplicação direta de uma tese específica. O que se pode dizer é que o histórico de indexação descrito por Simonsen segue sendo parte do contexto em que o Brasil convive com juros reais altos.

Para o investidor: Juros reais elevados tendem a tornar a renda fixa mais competitiva, inclusive títulos atrelados à inflação. Mas o resultado depende de prazo, marcação a mercado, tributação e do seu objetivo — não apenas do nível atual da Selic.

Economistas presentes no debate econômico atual

Se os economistas históricos ajudam a entender o pano de fundo, há nomes que hoje ocupam espaço no debate público e cujas análises são acompanhadas por gestores e investidores. Importante deixar claro: a Selic é definida pelos membros do Copom. As expectativas coletadas no Focus reúnem projeções de instituições de mercado e apenas subsidiam análises do Banco Central — não são orientações desses economistas ao Comitê.

Armínio Fraga: o homem que trouxe o realismo para o BC

Entre 1999 e 2003, Armínio Fraga presidiu o Banco Central em um período turbulento. O câmbio flutuante foi adotado em janeiro de 1999, antes de sua posse, em meio à crise cambial e à transição na presidência do BC; Fraga assumiu depois, deu sustentação operacional a esse regime e conduziu a implantação do regime de metas de inflação, em junho de 1999. Depois de deixar o BC, fundou a Gávea Investimentos, uma das gestoras mais conhecidas do país.

Hoje, suas opiniões sobre política monetária e câmbio são ouvidas com atenção por gestores de fundos multimercados e de renda fixa. Quando ele fala sobre juros ou sobre riscos fiscais, o mercado presta atenção — pela trajetória institucional que acumula. Para o investidor: Acompanhar essas análises ajuda a entender os argumentos que circulam sobre a curva de juros, sem tratá-las como previsão garantida.

Gustavo Franco: o arquiteto do Real

Gustavo Franco foi um dos responsáveis pela concepção do Plano Real. Como presidente do BC entre 1997 e 1999, atuou na consolidação da nova moeda e na defesa de políticas econômicas ortodoxas. Sua gestão foi marcada pela sustentação do regime de câmbio semi-fixo e terminou com a crise cambial de janeiro de 1999, que forçou a transição para o câmbio flutuante — regime posteriormente consolidado sob a presidência de Armínio Fraga.

Sua formação em Harvard e sua defesa do equilíbrio fiscal fazem dele uma voz influente no debate sobre reforma tributária e déficit público. Quando o governo anuncia medidas que podem aumentar o gasto público, parte do mercado acompanha o que Franco escreve — porque ele discute com profundidade o impacto disso nas expectativas inflacionárias.

Marcos Lisboa: o economista que olha para o detalhe

Ex-presidente do Insper, Marcos Lisboa é um dos economistas brasileiros mais ouvidos quando o assunto é eficiência de mercados e regulação financeira. Suas análises se destacam pela profundidade técnica e pela capacidade de traduzir questões complexas — como a regulação de bancos ou os impactos de políticas públicas — em leituras aplicáveis ao mercado.

Lisboa não aparece tanto quanto outros economistas na imprensa tradicional, mas suas ideias circulam nas discussões sobre reformas estruturais. Para investidores institucionais e gestores de fundos, esse tipo de análise ajuda a entender como mudanças regulatórias podem afetar setores específicos da economia.

Zeina Latif: análise de conjuntura com foco em riscos

Zeina Latif construiu sua trajetória como economista-chefe em bancos e gestoras, com atuação reconhecida em análise de conjuntura, política fiscal e microeconomia do crescimento. É uma presença frequente em artigos, painéis e eventos de mercado, como o DN Business.

Convém evitar, aqui, atalhos do tipo “ela acertou quando o mercado errou”: afirmações desse tipo só fazem sentido quando se especifica a previsão original, a data em que foi feita, o horizonte e o resultado comparável. Registros de 2020, por exemplo, mostram economistas — inclusive ela — advertindo justamente contra a expectativa de uma recuperação rápida em “V” após o choque da pandemia, cenário em que o PIB brasileiro recuou 3,9% naquele ano. Para quem opera no mercado: o valor de acompanhar analistas experientes está no método e nos riscos que eles apontam, não em placares de acertos sem base auditável.

Outros nomes que merecem atenção:

  • Eduardo Giannetti: Especialista em filosofia econômica, ajuda a entender o impacto das decisões econômicas na vida das pessoas;
  • Ana Paula Vescovi: Referência em política fiscal, fala sobre o equilíbrio das contas públicas;
  • Caio Megale: Economista-chefe com foco em conjuntura e renda fixa, uma voz importante para quem investe em juros.

Acompanhar esses economistas não é um hobby intelectual — é uma forma de entender os argumentos por trás dos movimentos de juros, câmbio e inflação que afetam sua rentabilidade.

Em agosto de 2026, a Selic está em 14,00% ao ano. Ela é a taxa básica de juros e a principal referência para a remuneração de diversos investimentos pós-fixados — mas não constitui um “piso” de rentabilidade: títulos podem render acima ou abaixo dela, dependendo de preço, prazo, risco de crédito, tributação, taxas e marcação a mercado.

Quem acerta mais? Os rankings Top 5 Focus do Banco Central

Se você pudesse escolher entre dois médicos — um carismático e famoso na TV e outro com histórico documentado de bons diagnósticos, mas que raramente aparece nas redes — qual preferiria para a sua saúde? Com projeções econômicas, a lógica de preferir o histórico verificável é a mesma.

Os rankings Top 5 Focus do Banco Central são a referência pública de acurácia de projeções no Brasil. Eles não medem popularidade, simpatia ou número de seguidores: classificam instituições conforme a diferença entre suas projeções e os valores efetivamente realizados, em indicadores, horizontes e períodos determinados.

Como funcionam os rankings Top 5 Focus?

O Banco Central coleta projeções diariamente de instituições cadastradas no Sistema de Expectativas de Mercado — mais de 160 participantes, entre bancos, gestoras, consultorias e empresas do setor real. O Relatório Focus, publicado semanalmente, consolida essas expectativas e mostra medianas e medidas de dispersão.

A partir dessas informações, o BC calcula rankings Top 5 em periodicidades diferentes: mensais, trimestrais e anuais, e em horizontes distintos (curto, médio e longo prazo, além do ano corrente). Os rankings anuais referentes a um ano são divulgados no ano seguinte, e a cerimônia de premiação costuma ocorrer no primeiro semestre. A metodologia atribui notas às diferenças absolutas entre projeções e resultados — não existe uma “taxa de acerto” binária.

O que chama atenção não é o número de prêmios, mas a consistência: algumas casas aparecem entre as melhores em vários períodos. Ainda assim, boa colocação em um indicador e horizonte não comprova acurácia geral da instituição.

Por que isso importa para você?

Imagine que você está decidindo entre comprar um título prefixado longo ou um atrelado à inflação. Saber quais casas tiveram bom histórico recente de projeções de Selic e IPCA ajuda a ponderar as análises que você lê. Mas atenção: o que já está precificado na curva de juros e nas inflações implícitas costuma importar mais do que a projeção isolada de qualquer instituição.

A seguir, veja exemplos de vencedores oficiais dos rankings anuais de 2025, reconhecidos na cerimônia realizada em abril de 2026 (a premiação ocorreu em 2026, mas os rankings referem-se a 2025):

Instituição Indicador premiado
Santander IPCA — curto prazo (ranking anual de 2025)
J. Safra Asset Selic — curto prazo (ranking anual de 2025)
Banco BMG Câmbio — médio prazo (ranking anual de 2025)
Banco BRP IPCA — longo prazo do ano corrente (2025)

Como há várias categorias, indicadores e horizontes, a lista completa de vencedores deve ser consultada diretamente na divulgação oficial do Banco Central.

Um cuidado importante: a metodologia mede apenas a proximidade entre projeção e resultado. Ela não avalia se a instituição foi otimista, pessimista ou contrária ao consenso — uma projeção vencedora pode, inclusive, coincidir com a mediana do mercado.

Como comparar a acurácia de economistas sem cair em comparações inválidas

É tentador montar tabelas comparando projeções individuais de economistas conhecidos. O problema é que, em geral, não existe repositório público que registre, de forma padronizada, a previsão de cada pessoa para um mesmo indicador, horizonte e data de corte. Sem isso, qualquer “placar” é indefensável. Um exemplo do risco: a meta Selic ao fim de 2024 foi elevada para 12,25% ao ano na reunião de dezembro daquele ano — usar um valor realizado equivocado invalidaria toda a coluna de erros de uma comparação.

Em vez de um ranking pessoal sem fonte, use este roteiro de verificação:

Item a verificar Por que importa Como checar
Fonte primária da projeção Sem relatório, entrevista datada ou release, não há como auditar Procurar o documento original e o autor institucional
Data de corte Uma projeção feita em janeiro e outra em novembro não são comparáveis Registrar a data exata em que a previsão foi publicada
Indicador e horizonte Acertar Selic de curto prazo é diferente de acertar IPCA longo Comparar apenas o mesmo indicador e o mesmo horizonte
Métrica de erro “Taxa de acerto” sem definição não significa nada Usar erro absoluto ou quadrático médio, explicitando a fórmula

O que isso mostra? Trajetória institucional e acurácia de projeções são dimensões distintas — e comparar economistas exige base auditável. Quando essa base não existe, o caminho mais honesto é recorrer aos rankings oficiais por instituição, que têm metodologia pública.

Rankings acadêmicos: IDEAS/RePEc — quem produz conhecimento de verdade?

Se os rankings Top 5 Focus mostram quem teve boa acurácia em projeções, o IDEAS/RePEc (Research Papers in Economics) indica quem produz pesquisa com repercussão na literatura. É uma outra dimensão: produção científica, não previsão de curto prazo.

O Brasil no mapa da pesquisa econômica global

O Brasil se destaca na América Latina no IDEAS/RePEc. Instituições como Insper, USP/FEA, PUC-Rio e as escolas de economia da FGV aparecem com pesquisas de repercussão internacional, reflexo de um sistema de pós-graduação em economia maduro e competitivo.

Entre os nomes que apareciam nas primeiras posições do ranking brasileiro em 2026 estão os listados abaixo. Duas ressalvas metodológicas são essenciais: as posições mudam a cada atualização mensal, e o próprio RePEc alerta que a amostra é incompleta, pois depende do cadastro voluntário dos autores e das afiliações que eles declaram. Para números exatos de rank nacional, W.Rank e score, consulte o ranking na data-base desejada.

Nome Afiliação declarada no RePEc Situação no ranking Temas de pesquisa
Rodrigo Soares Insper Entre os primeiros colocados do ranking brasileiro (consulte a data-base) Economia do crime, saúde, desenvolvimento
Sergio Firpo Insper Entre os primeiros colocados do ranking brasileiro (consulte a data-base) Econometria aplicada, mercado de trabalho, avaliação de políticas
Emanuel Ornelas FGV EESP Entre os primeiros colocados do ranking brasileiro (consulte a data-base) Comércio internacional, política comercial
Carlos Carvalho Afiliação conforme exibida no RePEc Entre os primeiros colocados do ranking brasileiro (consulte a data-base) Macroeconomia, política monetária, rigidez de preços
Marcelo J. Moreira FGV EPGE Entre os primeiros colocados do ranking brasileiro (consulte a data-base) Econometria teórica, inferência
Naércio Menezes Filho Insper Pesquisador com produção destacada no ranking nacional Educação, mercado de trabalho
Ricardo Paes de Barros Insper Pesquisador com produção destacada no ranking nacional Desigualdade, educação
Fernando Veloso FGV IBRE Pesquisador com produção destacada no ranking nacional Crescimento econômico, produtividade
Vladimir Ponczek FGV EESP Pesquisador com produção destacada no ranking nacional Economia do trabalho, desenvolvimento
Samuel Pessôa FGV IBRE Pesquisador com produção destacada no ranking nacional Finanças públicas, crescimento

Conhecimento acadêmico vs. utilidade prática: qual escolher?

Aqui está um dilema comum: um economista com dezenas de artigos publicados sobre teoria dos jogos pode saber pouco sobre como o próximo Copom vai decidir a Selic. Por outro lado, o economista-chefe de uma casa bem colocada no Top 5 Focus pode ter bom histórico de projeções sem nunca ter escrito uma linha acadêmica.

A regra é simples:

  • IDEAS/RePEc: Use para entender por que as coisas acontecem — a base teórica e empírica por trás das decisões.
  • Top 5 Focus: Use como referência sobre o histórico recente de precisão das instituições, sem tratar as projeções como certeza ou como substituto de análise de riscos.

Ambos são complementares. Os dois juntos formam um painel mais confiável do que qualquer lista informal de “melhores economistas” nas redes sociais.

Checklist do investidor: como usar essa análise na prática

Agora que você sabe quem são os economistas relevantes e como cada critério funciona, é hora de transformar isso em ações concretas. Anote essas etapas — elas ajudam a organizar sua estratégia de investimento:

  1. Identifique a casa-mãe da análise.

    Quando ler uma projeção econômica, pergunte: “Quem produziu essa informação?”. Se for uma instituição bem colocada nos rankings Top 5 Focus, verifique em qual indicador, horizonte e período — a boa colocação vale para aquele recorte, não como atestado geral de acurácia.

  2. Compare históricos por indicador e horizonte.

    Acompanhar um economista por alguns meses não é suficiente. Avalie erro médio por indicador (IPCA, Selic, PIB, câmbio), horizonte e período, com base em relatórios e nas divulgações oficiais do Banco Central. Desconfie de “taxas de acerto” apresentadas sem fórmula e sem amostra.

  3. Entenda o consenso antes de contrariá-lo.

    Saber onde está a mediana do Focus e por quais razões ela se formou é mais útil do que torcer para que o consenso esteja errado. Não há evidência de que seguir ou contrariar o consenso, por si só, aumente ou reduza o erro: o que importa é método, dados e transparência.

  4. Leia o Relatório Focus original.

    Evite consumir análises sobre o Focus. Vá direto à fonte: leia o relatório do Banco Central. É a forma mais eficiente de evitar desvios de interpretação.

  5. Conecte as projeções à sua alocação com cautela.

    Se as casas com bom histórico projetam IPCA mais alto, títulos atrelados à inflação (como o Tesouro IPCA+) podem entrar na análise — mas a decisão depende da inflação implícita já precificada, do prazo, da duration, da marcação a mercado, da tributação, da liquidez e do seu perfil. O mesmo vale para prefixados em cenários de queda de juros: projeções não determinam, isoladamente, a alocação.

  6. Estude os gigantes históricos nos momentos de calma.

    Celso Furtado e Mário Henrique Simonsen não vão te ajudar a ganhar dinheiro amanhã. Mas ajudam a entender debates estruturais do país — indexação, inflação persistente, desigualdade. Esse conhecimento é valioso em momentos de volatilidade, quando o mercado tende a reagir exageradamente.

  7. Acesse repositórios como o IDEAS/RePEc.

    Identifique pesquisadores que estudam temas relevantes para seus investimentos. Um acadêmico que pesquisa previdência complementar, por exemplo, pode ter contribuições valiosas para quem investe em planos PGBL ou VGBL.

Perguntas frequentes

Como o Banco Central decide a taxa Selic?

O Comitê de Política Monetária (Copom) realiza oito reuniões ordinárias por ano, conforme calendário divulgado previamente, para definir a meta da taxa Selic. A decisão considera inflação corrente e projetada, expectativas de mercado, atividade econômica, cenário externo, riscos fiscais e o balanço de riscos.

O BC opera sob o regime de metas de inflação. Desde janeiro de 2025, a meta é contínua: fixada em 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (faixa de 1,5% a 4,5%), e é avaliada mensalmente pelo IPCA acumulado em 12 meses, considerando-se descumprida quando o índice permanece fora do intervalo por seis meses consecutivos. A Selic em 14,00% ao ano, mesmo após reduções recentes, ainda representa juro real elevado em perspectiva histórica.

Por que alguns economistas acertam mais que outros?

Acurácia em projeções depende de método e de informação. Algumas equipes contam com modelos econométricos robustos, séries de dados amplas e processos disciplinados de revisão de cenários. Outras somam experiência prática em instituições como o Banco Central, o que ajuda na leitura da função de reação do Copom. Também há um componente irredutível de incerteza: choques de commodities, clima e política surpreendem a todos.

O que não é possível afirmar é que seguir o consenso aumenta o erro, ou que contrariá-lo aumenta o acerto: os rankings oficiais não classificam participantes por proximidade ou afastamento da mediana. Avalie projeções por método, transparência e histórico auditável — não por popularidade nem por postura contrária ao mercado.

Devo seguir economistas nas redes sociais?

Depende. As redes sociais são úteis para ficar por dentro de debates rápidos e reações em tempo real a eventos econômicos — como decisões do Copom ou dados de inflação. No entanto, elas são um péssimo lugar para tomar decisões de investimento. Isso porque:

  • O algoritmo prioriza conteúdo polêmico, não necessariamente preciso;
  • Há incentivo para adaptar análises ao engajamento;
  • Faltam dados e metodologia nos posts — que muitas vezes são simplificados ao extremo.

Se você segue algum economista nas redes, verifique: a casa em que ele trabalha aparece nos rankings Top 5 Focus? As projeções são publicadas com data e metodologia? Ou é só mais um influenciador?

Como escolher entre renda fixa e variável com base em projeções econômicas?

A escolha entre renda fixa e variável depende do cenário macroeconômico, dos preços já praticados no mercado e do seu perfil de risco. Veja como as projeções podem entrar na análise:

  • Selic alta: Renda fixa pós-fixada (como Tesouro Selic e CDBs) tende a ficar mais atrativa, com menor oscilação de preço;
  • Inflação alta: Títulos indexados à inflação (como Tesouro IPCA+) ajudam a proteger poder de compra, observada a marcação a mercado;
  • Expectativa de queda da Selic: Títulos prefixados longos podem se valorizar, mas o ganho depende do que já está precificado na curva;
  • Crescimento econômico forte: A bolsa tende a se beneficiar, especialmente em setores cíclicos (consumo, construção, commodities).

Em agosto de 2026, com a Selic em 14,00% ao ano e com a mediana do Relatório Focus de 3 de agosto de 2026 apontando IPCA de 5,03% para o ano — projeção que deve ser atualizada pela divulgação mais recente na data em que você lê este texto —, a renda fixa segue como alternativa conservadora relevante. Quem tem mais apetite a risco pode avaliar renda variável de forma gradual, sempre comparando cenários com os preços já embutidos nos ativos.

Resumo: como os melhores economistas impactam seus investimentos

Os melhores economistas do Brasil não são aqueles que aparecem mais na TV ou têm mais seguidores nas redes sociais. São aqueles que combinam conhecimento histórico (como Celso Furtado e Mário Henrique Simonsen), trajetória e contribuição ao debate de política econômica (como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Marcos Lisboa e Zeina Latif) e, no plano institucional, precisão verificável em projeções (como as casas reconhecidas nos rankings Top 5 Focus). Usar essas três dimensões em conjunto — sem confundi-las — é a chave para decisões mais informadas.

Com a Selic em 14,00% ao ano e juro real aproximado próximo de 9,2% na comparação ex post com o IPCA em 12 meses, ignorar o cenário macroeconômico significa decidir no escuro. Seja para proteger seu patrimônio da inflação ou para explorar tendências de crescimento, entender como avaliar projeções — e quais seus limites — faz diferença no resultado da carteira.

Quer saber como ajustar seus investimentos com base nas projeções dos melhores economistas e instituições do mercado? A Renova Invest está pronta para te ajudar. Nossos assessores analisam os dados macroeconômicos e conectam essas informações às suas necessidades específicas, ajudando você a tomar decisões alinhadas com seus objetivos. Fale com um assessor agora mesmo e descubra como transformar conhecimento em resultados.


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Fonte: Banco Central · 17/09/2026

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