A próxima década não será dos maiores escritórios de investimento

Escala deixou de bastar. Com a falta projetada de 100 mil advisors até 2034, crescem os escritórios que unem tecnologia e relacionamento.
Equipe de assessores de investimento analisa painéis de dados em escritório com vista para a cidade ao pôr do sol

Durante muito tempo, o mercado financeiro premiou escala: mais agências, mais assessores, mais clientes, mais distribuição. E isso funcionou por muitos anos. Mas existe uma mudança acontecendo de forma silenciosa, e talvez irreversível: a próxima década provavelmente não será dos maiores escritórios de investimento. Será dos mais adaptáveis.

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Resposta direta: os escritórios de investimento com mais chance de crescer nos próximos anos são os que combinam tecnologia e relacionamento. Eles usam inteligência artificial e automação para tirar do profissional o trabalho operacional e liberam o assessor para estratégia, contexto e confiança. A McKinsey projeta de 67 a 71 milhões de relações assessoradas nos Estados Unidos em 2034 e uma escassez de cerca de 100 mil advisors no mesmo horizonte: o gargalo passa a ser a produtividade de cada profissional, e não o tamanho da operação.

Por que escala deixou de ser suficiente no mercado financeiro?

Quando se discute o futuro dos escritórios de investimento, o ponto de partida é este: o mercado mudou, o cliente mudou e a velocidade da informação mudou completamente a forma como negócios são construídos. Hoje não basta ter uma operação grande. É preciso ter capacidade de execução, capacidade de personalização e capacidade de ganhar escala sem perder profundidade.

A diferença entre os dois modelos fica clara quando se compara o que cada um valoriza:

Dimensão Escritório orientado a escala Escritório adaptável
Vantagem competitiva Acesso ao cliente e volume de distribuição Velocidade, eficiência e integração entre áreas
Papel do assessor Distribuidor de produtos Profissional estratégico, consultivo e integrado
Tecnologia Apoio pontual Esteiras, automações e IA no centro da operação
Como cresce Aumentando time e expandindo operação Transformando relacionamento em escala sem perder qualidade

O que os números da McKinsey mostram sobre o futuro do wealth management?

A McKinsey projeta que, no wealth management americano, as relações assessoradas podem chegar a 67 a 71 milhões até 2034, um crescimento de 28% a 34% em relação a 2024.

Ao mesmo tempo, a consultoria aponta uma possível escassez de 100 mil advisors até 2034. A combinação dos dois dados indica que produtividade, tecnologia e eficiência operacional serão cada vez mais críticas para sustentar o crescimento do setor.

E isso começa a mudar o perfil do profissional que cresce no mercado.

Como será o assessor de investimentos do futuro?

O assessor ou consultor do futuro dificilmente será apenas um distribuidor de produtos. Ele precisará atuar de forma mais estratégica, consultiva e integrada — um movimento que já se vê na forma como assessor, consultor e gestor passam a dividir a relação com o cliente.

Enquanto isso, atividades operacionais, processos repetitivos e parte das tarefas de suporte começam, cada vez mais, a ser automatizadas. Não como substituição da relação humana, mas como amplificação da capacidade do profissional.

A própria McKinsey, em sua visão sobre o wealth management em 2035, aponta que o assessor tende a evoluir para um papel mais próximo de conselheiro de vida financeira, apoiado por agentes de IA, enquanto mantém o foco em contexto, empatia e tomada de decisão com o cliente.

A inteligência artificial vai substituir o assessor de investimentos?

A inteligência artificial provavelmente não vai substituir os melhores profissionais do mercado financeiro. Mas certamente vai ampliar a vantagem de quem estiver inserido em estruturas que saibam utilizá-la.

Essa visão também apareceu em discussões recentes do Goldman Sachs RIA Professional Investor Forum: líderes de grandes plataformas independentes de wealth management reforçaram que a IA deve aumentar a produtividade, sem substituir o papel humano na construção de confiança, no aconselhamento e no relacionamento em momentos relevantes da vida do cliente.

Na prática, a divisão de trabalho tende a ficar assim:

  • O que a tecnologia absorve: tarefas operacionais, processos repetitivos, consolidação de informação e parte do suporte.
  • O que continua humano: leitura de contexto, empatia, construção de confiança e decisão junto com o cliente nos momentos que importam.

O que muda na hora de escolher onde construir carreira?

O diferencial competitivo deixa de ser apenas “ter acesso ao cliente”. Passa a ser velocidade, eficiência, capacidade de integração e capacidade de transformar relacionamento em escala sem perder qualidade.

É por isso que muitos escritórios precisarão se reinventar. Crescer no mercado atual exige muito mais do que aumentar time ou expandir operação. Exige tecnologia, processos e inteligência operacional.

Algumas perguntas ajudam a avaliar se a estrutura onde você está — ou para onde pensa ir — está preparada para essa fase:

  1. Quanto do seu dia ainda vai para tarefa operacional que poderia ser automatizada?
  2. A casa usa tecnologia e IA nas esteiras comerciais e de suporte, ou só no discurso?
  3. As áreas conversam entre si, ou cada uma enxerga um pedaço diferente do mesmo cliente?
  4. Quando o cliente precisa de crédito, offshore ou planejamento patrimonial, você continua no centro da relação?

Como a Renova está se preparando para essa transformação?

Aqui na Renova, essa transformação já faz parte da construção do negócio. Nos últimos anos, estruturamos operações, esteiras e processos utilizando inteligência artificial e tecnologia para acelerar a execução, reduzir fricção operacional e aumentar a produtividade.

Isso passa por automações, integração entre áreas, ganho de velocidade comercial e criação de estruturas que permitam ao profissional focar cada vez mais no que realmente gera valor: relacionamento, estratégia e construção de negócio.

Ao mesmo tempo, seguimos fortalecendo um ecossistema completo, integrando assessoria, consultoria, gestão, crédito, offshore e planejamento patrimonial, o que permite uma atuação mais profunda junto ao cliente.

Acreditamos que a próxima fase do mercado financeiro será construída pela combinação entre tecnologia e relacionamento — não por um ou por outro isoladamente. E os profissionais inseridos em estruturas capazes de unir essas duas frentes provavelmente terão uma vantagem competitiva muito maior nos próximos anos.

Perguntas frequentes

Por que os maiores escritórios de investimento podem perder espaço na próxima década?

Porque escala, sozinha, deixou de ser vantagem. Com clientes mais exigentes e informação mais rápida, ganham espaço os escritórios capazes de executar rápido, personalizar o atendimento e crescer sem perder profundidade, o que depende de tecnologia, processos e integração entre áreas.

Quantos advisors devem faltar nos Estados Unidos até 2034?

A McKinsey aponta uma possível escassez de cerca de 100 mil advisors até 2034, ao mesmo tempo em que projeta de 67 a 71 milhões de relações assessoradas no país, um crescimento de 28% a 34% em relação a 2024.

A inteligência artificial vai substituir o assessor de investimentos?

A tendência apontada por McKinsey e por líderes do setor no Goldman Sachs RIA Professional Investor Forum é que a IA aumente a produtividade do assessor, sem substituir o papel humano na construção de confiança, no aconselhamento e nas decisões importantes do cliente.

Qual deve ser o papel do assessor de investimentos em 2035?

Segundo a visão da McKinsey para 2035, o assessor tende a se aproximar de um conselheiro de vida financeira, apoiado por agentes de IA, com foco em contexto, empatia e tomada de decisão junto com o cliente.

Como avaliar se um escritório de investimentos está preparado para o futuro?

Vale observar quanto do tempo do profissional vai para tarefas operacionais, se a casa usa tecnologia e IA nas esteiras de trabalho, se as áreas são integradas e se o assessor continua no centro da relação quando o cliente precisa de crédito, offshore ou planejamento patrimonial.

Fontes citadas: McKinsey & Company — projeções para o wealth management nos Estados Unidos até 2034; McKinsey & Company — visão sobre o wealth management em 2035; Goldman Sachs RIA Professional Investor Forum.

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Fonte: Brapi e Banco Central · 08/10/2026 às 02h30

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