Giga Mais Fibra capta R$ 1,346 bi em debêntures a 12,455% ao ano

Giga Mais Fibra encerra 10ª emissão de debêntures com R$ 1,346 bi captados a 12,455% ao ano e fiança da EB Fibra.
Giga Mais Fibra capta R$ 1,34 bi em debêntures da Lei 12.431 com taxa de 12,46% ao ano

A captação e seus termos exatos

A Giga Mais Fibra Telecomunicações S.A. comunicou ao mercado, em 21 de setembro de 2026, o encerramento da oferta pública de sua 10ª emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, da espécie quirografária com garantia adicional fidejussória, em série única. O montante total colocado foi de R$ 1.346.472.000,00, correspondentes a 1.346.472 debêntures de valor nominal unitário de R$ 1.000,00, com data de emissão em 15 de setembro de 2026.

A remuneração definida no procedimento de bookbuilding conduzido pelo coordenador líder ficou em 12,4550% ao ano, incidentes sobre o valor nominal unitário atualizado — ou seja, trata-se de uma estrutura indexada à inflação com cupom real, formato típico das emissões enquadradas na Lei 12.431. A oferta foi feita sob o rito de registro automático de distribuição, sem análise prévia da CVM, e destinada exclusivamente a investidores profissionais, conforme o artigo 11 da Resolução CVM 30.

Houve distribuição parcial: o volume mínimo previsto era de R$ 800 milhões, patamar superado — o total captado ficou cerca de 68% acima do piso —, e as debêntures não colocadas foram canceladas pela companhia. Os recursos líquidos, por força do artigo 1º da Lei 12.431/2011 e do Decreto 11.964/2024, serão usados exclusivamente para pagamento futuro ou reembolso de gastos, despesas ou dívidas ocorridos em prazo igual ou inferior a 48 meses contados da divulgação do Anúncio de Encerramento, todos vinculados a projetos de investimento descritos na escritura de emissão.

Quem garante a operação

A fiança da emissão foi prestada pela EB Fibra Participações S.A., controladora do grupo, detentora de 70,207% do capital votante da Giga Mais Fibra. O agente fiduciário é a Oliveira Trust DTVM. A escritura foi celebrada em 10 de setembro de 2026 e aditada em 17 de setembro de 2026. Vale registrar: a concessão de garantia pela própria controladora direta não é detalhe formal — é o dado mais objetivo de que a estrutura de crédito da operação dependeu do balanço da holding para atingir esse volume.

Por que essa emissão importa para a tese de crédito

A Giga Mais Fibra é companhia aberta registrada na CVM (código 2750-2), mas não possui ações negociadas em bolsa — não há ticker na B3 nem cotação de referência. Isso significa que a tese relevante aqui é de crédito, não de equity: quem acompanha o nome o faz via debêntures, rating e covenants, não via múltiplos de mercado.

E é justamente aí que a emissão gera leitura. A companhia — que operou por um período com a marca Alloha Fibra — chegou a esta captação depois de um ciclo claramente adverso. Em 2024, o release da empresa reportou receita líquida de R$ 1,4 bilhão, EBITDA ajustado de R$ 806 milhões, lucro líquido de R$ 44,9 milhões e base de 1,7 milhão de clientes (cobertura setorial posterior trabalha com um lucro de R$ 11,2 milhões para 2024, provavelmente por critério contábil distinto — vale a ressalva de que as duas medidas não são diretamente comparáveis).

Em 2025, o quadro virou. O 1S25 ainda mostrou EBITDA de R$ 194 milhões, alta de 2,7% na comparação anual, mas o 3T25 trouxe EBITDA ajustado na casa de R$ 65 milhões e forçou revisão de projeções: o EBITDA anual estimado caiu de R$ 833 milhões para R$ 700 milhões. No resultado líquido, os nove primeiros meses de 2025 acumularam prejuízo de R$ 78,1 milhões, contra lucro de R$ 45,4 milhões em 9M24, e o ano fechou com prejuízo líquido de R$ 128,5 milhões, segundo cobertura setorial.

Fibra óptica: setor que consome caixa antes de devolvê-lo

Telecomunicações por fibra é um dos segmentos mais intensivos em capital da infraestrutura brasileira. A expansão de rede exige capex adiantado, com receita e margem aparecendo depois — equação em que alavancagem, churn e eficiência operacional precisam ser administrados simultaneamente. Foi esse triângulo que se desarranjou na Giga Mais em 2025: as intercorrências operacionais apontadas em relatórios de crédito pressionaram custos e margens num ambiente de juros elevados.

O enquadramento na Lei 12.431 é peça central da arquitetura da oferta. Por ser voltada a projetos de investimento em infraestrutura, a estrutura concede isenção de Imposto de Renda a pessoas físicas e investidores não residentes, o que amplia a base de demanda e tende a reduzir o custo relativo de captação frente a uma debênture comum de risco equivalente. Em outras palavras: os 12,4550% ao ano contratados precisam ser lidos como taxa de um papel incentivado e indexado, não como cupom nominal de dívida corporativa simples.

Rating e percepção de crédito: o que já está no preço

A S&P Global Ratings atribuiu classificação preliminar ‘B’ em escala global à controladora do grupo, com perspectiva estável, apontando melhora operacional recente: a agência destacou margem EBITDA de 42,1% em 2025 e patamar acima de 50% no 1T26, o maior da história da companhia. Antes disso, relatório de crédito reproduzido pela imprensa registrou rebaixamento para ‘brA-‘ na escala nacional, reflexo direto da deterioração operacional e financeira ao longo de 2025, com expectativa de recuperação em 2026–2027 — projeções de EBITDA de R$ 758 milhões em 2026 e R$ 830 milhões em 2027.

Uma ressalva importante de apuração: não há, nas fontes públicas consultadas, rating específico atribuído a esta 10ª emissão. As notas acima se referem à controladora e à escala corporativa. Também não foram identificados relatórios de bancos, corretoras ou casas independentes com avaliação dedicada a esta oferta.

Riscos

A alavancagem é a variável dominante. Adicionar R$ 1,346 bilhão de dívida bruta — mesmo com destinação a projetos de investimento e prazo de indexação favorável — acontece num momento em que o resultado líquido de 2025 foi negativo. A taxa contratada já embute o risco percebido; nova deterioração operacional encareceria captações futuras e tornaria o refinanciamento mais sensível. Há ainda o risco de enquadramento: descumprir a alocação dos recursos nos projetos elegíveis dentro da janela de 48 meses coloca em xeque o benefício fiscal que sustenta a demanda pelo papel.

Oportunidades

O bookbuilding entregou volume cerca de 68% superior ao piso de R$ 800 milhões, o que indica apetite real de investidores profissionais pela história de crédito — algo não trivial para um emissor que fechou 2025 no vermelho. Se a margem EBITDA acima de 50% do 1T26 se sustentar ao longo do ano, a geração de caixa operacional pode absorver o serviço da nova dívida com folga bem maior do que os números de 2025 sugeriam, e a fiança da EB Fibra deixa de ser muleta para se tornar reforço.

O que acompanhar nos próximos trimestres

  • Sustentação da margem: a pergunta central é se o salto de margem EBITDA do 1T26 é estrutural ou pontual. A convergência para as projeções de R$ 758 milhões (2026) e R$ 830 milhões (2027) é o teste.
  • Destinação dos recursos: a companhia terá de evidenciar, na janela de 48 meses, que o R$ 1,346 bilhão foi aplicado nos projetos elegíveis da escritura — condição do benefício da Lei 12.431.
  • Rating e perspectiva: com perspectiva estável na escala global, uma revisão positiva dependeria de geração de caixa livre consistente e queda efetiva de alavancagem.
  • Estrutura da EB Fibra: além dos 70,207% do capital votante, a holding é fiadora. Qualquer movimento societário ou mudança na sua estrutura de capital reprecificaria o risco do grupo inteiro.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 18/09/2026

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