Eneva (ENEV3) troca térmica Itaqui por 50% da PPTM e R$ 400 milhões da Diamante

Eneva (ENEV3) permuta a térmica Itaqui por 50% da PPTM e recebe R$ 400 milhões de torna da Diamante.
Fato relevante: ENEVA S.A

O que a Eneva anunciou

A Eneva (B3: ENEV3) comunicou ao mercado, em fato relevante divulgado em 2 de setembro de 2026, que celebrou na noite anterior um Contrato de Permuta de Participações Societárias com Torna e Outras Avenças com a Diamante Geração de Energia Ltda. e suas afiliadas, com base no artigo 533 do Código Civil.

ENEV3 Eneva Ação Energia
R$ 26,52 1,18%
Cotação · atualizada há 5 horas
P/L 53,09
DY (12 meses) 0,0%
LPA R$ 0,50
Cotação de ENEV3 — últimos 6 meses
máx R$ 27,59 mín R$ 20,04

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

Pelos termos acordados, na data de fechamento da operação: a Eneva transferirá à Diamante 100% das ações da Itaqui Geração de Energia S.A.; a Diamante transferirá à Eneva 50% das ações da Porto do Pecém Transportadora de Minérios S.A. (PPTM), de modo que a Eneva passará a deter a totalidade do capital social da PPTM; e a Diamante pagará à Eneva torna em dinheiro no valor nominal de R$ 400,0 milhões.

Esse montante está sujeito a correção monetária pro rata temporis desde a data-base de 30 de junho de 2026 até o fechamento, além de ajustes positivos ou negativos previstos no contrato.

A parcela contingente de até R$ 467 milhões

O contrato prevê ainda o pagamento, pela Diamante à Eneva, de parcela contingente adicional à torna de até R$ 467,0 milhões, também corrigida monetariamente. Esse valor não é automático: está condicionado à eventual antecipação da data de início do período de suprimento de energia previsto no contrato de reserva de capacidade celebrado no âmbito do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência de 2026 (LRCAP 2026) da ANEEL.

Ou seja, o caixa firme e imediato da operação para a Eneva é a torna de R$ 400 milhões (ajustada); os até R$ 467 milhões são um earn-out dependente de um gatilho regulatório e operacional.

Os ativos que trocam de mãos

Itaqui: carvão com contratos até 2027 e novo ciclo em 2031

A Itaqui tem como principal ativo operacional a UTE Porto do Itaqui, usina termelétrica a carvão com capacidade instalada de 360 MW. Segundo o fato relevante, a usina possui Contratos de Comercialização de Energia no Ambiente Regulado (CCEARs) vigentes até 21 de dezembro de 2027 e sagrou-se recentemente vencedora no LRCAP 2026, no produto 2031, com prazo de 10 anos a partir de 1º de agosto de 2031.

Informações setoriais sobre o leilão indicam receita fixa anual da ordem de R$ 503,6 milhões (base setembro/2025) para o novo contrato de capacidade da Itaqui — ou seja, o comprador leva um ativo com receita contratada de longo prazo já assegurada, o que ajuda a explicar a combinação de torna em dinheiro mais earn-out.

PPTM: a peça logística do terminal de GNL do Pecém

Já a PPTM será parte da implementação do terminal de importação, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL) no Complexo Industrial do Pecém, com capacidade de escoamento de gás de até 14 milhões de m³/dia, conforme o comunicado.

Com a permuta, a Eneva sai de 50% para 100% da PPTM, assumindo controle integral de uma engrenagem logística estratégica para o seu projeto de gás no Ceará.

Diamante desiste da opção de 30% do Hub Ceará

Na mesma data, a Eneva informou que foi notificada pela Diamante de que esta não tem interesse em exercer a opção de compra que lhe dava o direito de adquirir participações correspondentes a 30% do capital social total e votante das SPEs detentoras dos projetos de geração do Hub Ceará. A opção fica, assim, cancelada sem exercício.

Do ponto de vista de tese de investimento, esse é um ponto tão relevante quanto a permuta em si: a Eneva preserva 100% do capital — e do potencial de valorização — dos projetos de geração do Hub Ceará, sem diluição para o sócio.

Como isso se encaixa na estratégia: trocar carvão por gás

A operação dá sequência a um rearranjo que já vinha em curso entre as duas companhias. Em março de 2026, a Eneva assinou contrato para vender 100% da térmica a carvão Pecém II (365 MW) à Diamante, por valor econômico (EV) de R$ 872,3 milhões, a ser atualizado até o fechamento, mais earn-out de até R$ 149 milhões também vinculado à antecipação do início do contrato de reserva de capacidade de 2026. Em agosto de 2026, veículos de imprensa noticiaram a conclusão dessa venda, em operação próxima a R$ 1 bilhão.

Com Itaqui somada a Pecém I e Pecém II, a Diamante consolida um cluster de geração a carvão no Nordeste. Registros de atos de concentração no CADE mostram que a empresa já vinha adquirindo participações no Complexo do Pecém, incluindo Porto do Pecém Geração de Energia (Pecém I), EP Gás, 50% da POM e 50% da própria PPTM.

A Eneva, do outro lado, vai na direção oposta: reduz exposição a carvão e concentra capital em gás natural, GNL e infraestrutura. O Hub Ceará inclui uma nova usina termelétrica a gás no Complexo do Pecém, vencedora do Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, com investimento estimado em torno de R$ 6,5 bilhões, além da estrutura de terminal de GNL de até 14 milhões de m³/dia.

O que os números do segmento carvão mostram

Os resultados divulgados pela companhia ajudam a contextualizar a decisão. No 4T24, o segmento de geração a carvão — que incluía Itaqui e Pecém II — registrou receita operacional bruta de R$ 432,5 milhões, alta de cerca de R$ 117 milhões sobre o 4T23, puxada por maior receita variável contratual e exportações. Ainda assim, o EBITDA do segmento foi negativo em R$ 11,6 milhões no período, contra EBITDA positivo de R$ 47,8 milhões um ano antes.

Em outras palavras: receita crescente, mas rentabilidade volátil e pressionada por custos e estratégia de despacho — o tipo de perfil que justifica migrar o ativo para um operador especializado enquanto se captura valor com contratos de capacidade já garantidos.

Leitura para o investidor: o que muda na tese

Para quem acompanha ENEV3, a permuta mexe em três frentes ao mesmo tempo:

  • Caixa e alocação de capital: entrada de R$ 400 milhões firmes (corrigidos e ajustados), com opcionalidade de até R$ 467 milhões adicionais, em um momento de ciclo intensivo de investimentos no Hub Ceará.
  • Perfil do portfólio: menos carvão, mais gás e infraestrutura de GNL — mudança relevante tanto do ponto de vista regulatório quanto de percepção ESG. A companhia informou, em 2023, melhora de rating MSCI de BB para BBB.
  • Controle de ativos-chave: 100% da PPTM e 100% das SPEs de geração do Hub Ceará, sem sócio minoritário no projeto de expansão.

Do lado do risco, a operação não está concluída: depende de aprovação do CADE e de outras condições precedentes usuais. A parcela contingente é incerta por definição, e a execução do Hub Ceará envolve capex elevado e prazos longos, com o novo contrato de capacidade a gás e o de Itaqui só iniciando suprimento em 2031.

Vale notar que o valor econômico atribuído à Itaqui e aos 50% da PPTM não foi divulgado no fato relevante, o que impede, neste momento, o cálculo de múltiplo implícito da transação.

Contexto de crédito e estrutura acionária

Em escala nacional, a Eneva é avaliada em brAAA pela S&P, com perspectiva estável, e em AA+(bra) pela Fitch, também com perspectiva estável, segundo relatórios de mercado. O BTG Pactual aparece em reportagens como o maior acionista da companhia. Casas como o Itaú BBA vêm tratando a Eneva como um dos nomes de referência em transição energética no Brasil, com destaque para o pipeline de gás e GNL.

Próximos passos

O Bradesco BBI atuou como assessor financeiro exclusivo da transação de permuta. A Eneva afirmou que manterá acionistas e o mercado informados sobre atualizações relevantes. O marco a acompanhar é a análise do CADE e o cumprimento das demais condições precedentes, que definem o fechamento e o momento do ingresso da torna no caixa da companhia.

Na sessão de referência, ENEV3 era negociada a R$ 26,52, com alta de 1,18%, valor de mercado em torno de R$ 50 bilhões, em faixa de 52 semanas entre R$ 14,84 e R$ 28,12.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 31/08/2026

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