Fraudes Digitais E ProteçãO Do Dinheiro

Fraudes digitais: como proteger seu dinheiro em 2026

Lançado em 1º de dezembro de 2025, o BC Protege+ acrescenta uma camada gratuita de proteção contra a abertura fraudulenta de determinados tipos de conta. O serviço não substitui outras medidas de segurança digital, mas é um passo simples e sem custo para reduzir um risco específico de fraude de identidade. Neste guia, você vai entender como fraudadores atuam, quais são os golpes mais comuns contra investidores e, principalmente, como se proteger sem depender de sorte.

Resposta direta: Para proteger seu dinheiro contra fraudes digitais em 2026, comece pelo básico: ative o BC Protege+ na área Meu BC, configure autenticação em dois fatores em todas as plataformas financeiras e acesse suas contas apenas por links salvos como favoritos no navegador. Se foi vítima de golpe via Pix, acione o Mecanismo Especial de Devolução (MED) imediatamente pelo aplicativo ou canal de atendimento da sua instituição. O pedido deve ser feito em até 80 dias da transação, mas agir nas primeiras horas aumenta as chances de localizar e bloquear recursos.

Fraudes digitais e proteção do dinheiro: por que investidores são os alvos preferidos?

Fraudes digitais são golpes executados por meios eletrônicos para roubar dados, credenciais ou dinheiro. Elas variam desde e-mails falsos até aplicativos clonados de corretoras, passando por mensagens fraudulentas que simulam ofertas de investimento.

No entanto, investidores são alvos especialmente atraentes para fraudadores. Por quê? Primeiro, porque movimentam valores mais altos que a média da população. Segundo, porque acessam múltiplas plataformas financeiras com frequência – bancos, corretoras, exchanges de criptoativos, grupos de WhatsApp com análises de mercado, entre outros. Cada ponto de contato é uma porta de entrada em potencial para criminosos.

Entre as modalidades de fraude relevantes para investidores estão phishing, falsificação de perfis, falsas oportunidades de investimento, golpes com Pix e conteúdos manipulados por inteligência artificial. Três delas aparecem com frequência no dia a dia:

  • Phishing: mensagens fraudulentas que imitam comunicações oficiais de bancos ou corretoras, geralmente com links para sites falsos
  • Clonagem de WhatsApp: o fraudador sequestra o número da vítima e, se passando por ela, entra em contato com familiares ou contatos próximos solicitando transferências urgentes
  • Falsas oportunidades de investimento: promessas de retornos garantidos acima do mercado para atrair capital – especialmente comuns em criptoativos

O risco ampliado pela velocidade do Pix

A rapidez das transferências via Pix é uma faca de dois gumes. Se, por um lado, facilita operações legítimas, por outro, reduz drasticamente o tempo para identificar e reverter um golpe. Uma transferência de valor elevado é concluída em segundos – e, muitas vezes, os recursos já foram movimentados para outras contas antes mesmo que a vítima perceba o que aconteceu.

É por isso que a proteção precisa ser preventiva, não apenas reativa. Felizmente, órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central do Brasil (BCB) mantêm canais públicos com alertas atualizados. O portal Investidor do Gov.br, por exemplo, lista casos e estratégias de prevenção.

Deepfakes financeiros: quando a inteligência artificial vira arma

Conteúdos manipulados por inteligência artificial, incluindo vídeos e áudios falsos, também podem ser usados para divulgar ofertas fraudulentas. Criminosos utilizam essas ferramentas para clonar vozes e simular imagens de economistas, influenciadores ou representantes de instituições financeiras. Esses materiais circulam em redes sociais e grupos de investimento, direcionando vítimas para sites que imitam plataformas reais.

Portanto, nunca tome decisões baseadas apenas em vídeos ou áudios recebidos – mesmo que pareçam autênticos. Confirme qualquer comunicação nos canais oficiais da pessoa ou instituição mencionada.

Ativar medidas como BC Protege+ e verificação em duas etapas reduz riscos específicos, mas não elimina a possibilidade de fraude nem substitui hábitos seguros de navegação e verificação.

Proteção antifraude: como ativar o BC Protege+ e blindar seu CPF

O Banco Central oferece um serviço gratuito que impede, enquanto a proteção estiver ativa, a abertura de conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pré-paga em seu nome, bem como sua inclusão como titular ou representante nessas contas. A ativação é feita na área Meu BC, com login via conta gov.br nos níveis prata ou ouro. Veja como funciona na prática.

Como o serviço BC Protege+ funciona

Com a proteção ativa, a instituição não pode abrir, usando seu CPF, conta corrente, conta poupança ou conta de pagamento pré-paga, nem incluí-lo como titular ou representante nessas contas. O serviço não bloqueia genericamente contas de investimento ou custódia, e há exceções previstas na regulamentação, como determinadas contas destinadas ao recebimento de salários ou benefícios.

No entanto, essa proteção se torna especialmente útil em um cenário comum: fraudadores obtêm seus dados pessoais (CPF, data de nascimento, endereço) em vazamentos e tentam abrir contas em seu nome para receber valores de terceiros enganados. Com o BC Protege+ ativo, esse tipo de abertura indevida é impedido.

Passo a passo: como ativar o BC Protege+ no portal Meu BC

Etapa 1: Prepare sua conta gov.br

Para acessar o BC Protege+, você precisa de uma conta gov.br prata ou ouro com a verificação em duas etapas habilitada. Veja como elevar o nível:

  1. Acesse gov.br e faça login com seu CPF e senha
  2. Clique em “Aumentar nível da conta” e escolha uma das opções disponíveis
  3. O nível prata pode ser obtido, entre outras formas, por validação via banco credenciado ou reconhecimento facial com base na CNH
  4. O nível ouro pode ser obtido por reconhecimento facial com base eleitoral, leitura do QR Code da Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou certificado digital ICP-Brasil. O tempo necessário varia conforme o método escolhido
  5. Habilite a verificação em duas etapas nas configurações de segurança da sua conta gov.br

Se você ainda não tem conta gov.br, o cadastro inicial é gratuito e pode ser feito pelo celular.

Etapa 2: Ative o BC Protege+ na área Meu BC

  1. Com uma conta gov.br prata ou ouro e a verificação em duas etapas habilitada, acesse a área Meu BC diretamente pelo site oficial do Banco Central
  2. Localize o serviço de bloqueio de abertura de contas (BC Protege+)
  3. Selecione a opção para ativar o bloqueio
  4. Confirme a operação – o bloqueio passa a valer conforme o processamento do sistema

Para quem já possui conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas, a ativação é feita on-line e produz efeito imediato no sistema. O tempo necessário para preparar a conta gov.br varia conforme o usuário.

Vale destacar: o BC Protege+ pode ser desativado a qualquer momento. Se precisar abrir uma nova conta, basta desativá-lo temporariamente, concluir a abertura e reativá-lo em seguida.

Outras proteções essenciais disponíveis no gov.br

Além do BC Protege+, há outras ferramentas úteis para investidores:

  • Consulta de vínculos: veja quais instituições financeiras têm ou tiveram relacionamento com seu CPF
  • Relatórios do Registrato: consulte as instituições com as quais você mantém ou manteve relacionamento e confira as chaves Pix vinculadas aos seus dados. Alertas sobre consultas ao CPF são serviços de birôs de crédito privados, com fornecedores e condições próprias
  • Chaves Pix registradas: verifique todas as chaves Pix vinculadas ao seu CPF

Na prática: a combinação do BC Protege+, autenticação em dois fatores nas suas plataformas e acompanhamento periódico dos relatórios do Registrato cria camadas independentes de proteção – e nenhuma delas custa dinheiro.

Golpes contra investidores: os tipos mais comuns

Os golpes financeiros evoluíram em sofisticação nos últimos anos. As modalidades a seguir compartilham um elemento em comum: exploram urgência ou confiança para contornar o julgamento crítico das vítimas.

1. Falsas oportunidades em criptoativos

Fraudadores criam plataformas que imitam exchanges legítimas de criptoativos e prometem retornos fixos muito acima do mercado. A vítima deposita valores, vê os “rendimentos” crescerem na tela e, quando tenta resgatar, descobre que não consegue sacar – ou que a plataforma simplesmente some do ar.

A CVM trata promessas de rentabilidade extraordinária ou garantida como importantes sinais de alerta. Antes de investir, verifique a natureza do ativo, a regularidade da oferta e a autorização dos participantes envolvidos.

2. Clonagem de perfis de assessores

O fraudador cria um perfil falso no WhatsApp ou Instagram imitando um assessor de investimentos real – completo com foto, nome, suposto número de registro e até mensagem de saudação padrão. Em seguida, entra em contato oferecendo “oportunidades exclusivas” e solicita transferência via Pix ou TED.

Portanto, verifique o nome do assessor no Cadastro Geral da CVM, disponível no portal da CVM, e na consulta da ANCORD, confirme se o registro está ativo e confira a instituição intermediária à qual o profissional está vinculado.

3. Phishing em corretoras

E-mails ou SMS falsos informam sobre supostas “atualizações cadastrais obrigatórias” ou “bloqueios de conta” e direcionam para sites que imitam a aparência da corretora legítima. O investidor digita seu login e senha, que são imediatamente capturados pelo fraudador.

Situação ilustrativa: um investidor clica em um link de “atualização” recebido por e-mail e perde o acesso à conta. O domínio do site é quase idêntico ao da corretora real – com apenas uma letra diferente.

4. Golpe do Pix sob coação

A vítima é coagida a realizar transferências via Pix sob ameaça ou manipulação emocional. As variações mais comuns incluem:

  • O “golpe do falso sequestro”, em que fraudadores ligam afirmando ter sequestrado um familiar e exigindo pagamento
  • O “golpe do romance” (romance scam), em que o criminoso cria um relacionamento virtual e pede dinheiro alegando emergências
  • Golpes corporativos, em que funcionários são pressionados a realizar transferências sob ordens falsas de superiores

Em todos esses casos, o MED (Mecanismo Especial de Devolução) pode ser acionado para tentar recuperar os valores.

5. Deepfakes de recomendações financeiras

Vídeos e áudios gerados por inteligência artificial podem imitar economistas conhecidos, executivos ou influenciadores financeiros recomendando produtos de investimento inexistentes. Esses conteúdos circulam em redes sociais e grupos de WhatsApp, direcionando as vítimas para sites fraudulentos que simulam plataformas de investimento legítimas.

Dessa forma: sempre que receber uma “oportunidade imperdível” por redes sociais, verifique a informação em pelo menos duas fontes oficiais diferentes antes de tomar qualquer decisão.

O padrão invisível em todos os golpes

Todos esses golpes criam um senso de urgência artificial: “oferta por tempo limitado”, “sua conta será bloqueada”, “oportunidade exclusiva que só dura hoje”.

Na prática: sempre que sentir pressão para agir rápido, pare e verifique por canal oficial. Antes de qualquer transferência inesperada ou para destinatário desconhecido, independentemente do valor, confirme a identidade e a solicitação por um canal independente e conhecido. Não use telefone ou link fornecido na mensagem suspeita.

Mecanismo Especial de Devolução (MED): como recuperar seu dinheiro após um golpe

O MED é o instrumento do Banco Central para tentativa de recuperação de valores transferidos por Pix em situações de fraude, golpe ou crime. Ele não garante devolução automática, mas estabelece um processo formal com prazos e procedimentos definidos.

O MED se aplica a duas situações principais:

  • Fraude: quando a transação foi realizada sem o consentimento do titular (por exemplo, conta invadida)
  • Golpe: quando a transação foi realizada pelo próprio titular, mas sob engano ou coação

Após a contestação, a instituição deve iniciar imediatamente o procedimento do MED. Em seguida, poderá solicitar informações e documentos para avaliar se a transação se enquadra nas hipóteses de fraude, golpe ou crime previstas no mecanismo. Por isso, mantenha prints de conversas, registros da abordagem fraudulenta e boletim de ocorrência à disposição.

Prazos e etapas do MED

Etapa Prazo Responsável
Solicitar a contestação (abertura do MED) Até 80 dias da transação Vítima, junto à sua instituição
Análise das notificações Até 7 dias corridos PSPs recebedores
Conclusão da análise e início da devolução Até 72 horas adicionais PSP do pagador
Efetivação da devolução Até 6 horas por PSP recebedor (SLA revisto pelo BCB, aplicável a cerca de 99% dos casos), podendo haver processamento sequencial PSPs recebedores

Consequentemente: em termos simplificados, somados os prazos das etapas (7 dias corridos de análise + até 72 horas + até 6 horas para efetivação), o retorno pode levar cerca de 10 a 11 dias após a contestação, se ela for acolhida e houver saldo disponível. O prazo de 80 dias é o limite para abrir o pedido; quanto antes você acionar o MED, maiores as chances de os recursos ainda estarem na conta de destino.

Exemplo de recuperação via MED

Exemplo hipotético: uma vítima que conteste um Pix enviado sob coação pode solicitar o MED em até 80 dias da transação. A devolução dependerá da análise das instituições envolvidas e da existência de recursos nas contas identificadas. Documentação como prints da conversa com o golpista, gravações e boletim de ocorrência tende a auxiliar a análise e as investigações.

A limitação crítica do MED

Se o fraudador já movimentou os valores para outras contas ou realizou saques, a devolução pode ser parcial ou até impossível. Por isso, acionar o MED nas primeiras horas após a fraude aumenta as chances de recuperação.

Além do MED, registre um boletim de ocorrência (muitos estados permitem o registro online) e comunique a CVM se o golpe envolveu produtos de investimento. Esses registros são úteis tanto para o processo de devolução quanto para auxiliar em investigações policiais.

Vale destacar: acione imediatamente sua instituição para iniciar o MED. Em paralelo, preserve prints, gravações, comprovantes e demais registros e faça o boletim de ocorrência para complementar a análise e as investigações.

Responsabilidades das instituições financeiras: como exigir seus direitos

Bancos, corretoras e outras instituições financeiras têm deveres relevantes na prevenção de fraudes e no processamento de contestações. Essas obrigações decorrem da regulamentação aplicável a cada tipo de instituição e produto.

O cliente deve iniciar a contestação em sua própria instituição. Isso não significa que ela seja automaticamente a única responsável pelo ressarcimento: o MED envolve os PSPs participantes, e eventual responsabilidade civil depende das circunstâncias e provas do caso. O Banco Central atua como regulador e supervisor, não como operador de ressarcimentos.

Obrigações operacionais das instituições

Instituições sujeitas ao Banco Central devem cumprir regras de identificação de clientes, prevenção e compartilhamento de indícios de fraude. No Pix, os participantes devem manter mecanismos de gerenciamento de risco e podem rejeitar ou bloquear operações nas hipóteses previstas — inclusive retendo preventivamente valores recebidos por até 72 horas diante de suspeita fundada de fraude e bloqueando transações de usuários com marcação de fraude transacional, conforme a Resolução BCB nº 506/2025. O alcance concreto das obrigações varia conforme o tipo de instituição, o produto e a regulamentação aplicável. Entre os deveres mais relevantes estão:

  • Verificação de identidade (KYC): validar, na forma da regulamentação, os dados de quem abre e movimenta contas
  • Gerenciamento de risco de fraude: manter mecanismos de monitoramento e, nas hipóteses previstas, rejeitar ou bloquear operações
  • Processar solicitações de MED: iniciar o procedimento imediatamente e analisar a contestação dentro dos prazos definidos pelo BCB
  • Comunicar-se com o cliente: informar sobre o andamento da contestação e sobre eventos de segurança conforme as normas aplicáveis

Quando a instituição pode ser responsabilizada?

Cenário 1: Conta aberta com documentação falsa

Um banco aprova a abertura de conta utilizando cópias de documentos claramente falsificadas. Essa conta é posteriormente usada para receber recursos de uma vítima de golpe. Nesse caso, pode haver falha na verificação de identidade, o que abre espaço para discussão sobre a responsabilidade da instituição, conforme as provas apresentadas.

Cenário 2: Falha no bloqueio preventivo

Uma corretora identifica transações suspeitas – como logins de IPs estrangeiros ou movimentos atípicos na conta – mas não toma nenhuma medida. A omissão diante de sinais relevantes e comprovados de fraude pode caracterizar falha na prestação do serviço. A responsabilidade e o valor de eventual ressarcimento, contudo, dependem da análise das circunstâncias e provas de cada caso.

Em resumo: se a instituição negar o pedido, procure primeiro o SAC e a Ouvidoria. Também é possível recorrer ao consumidor.gov.br, ao Procon ou ao Poder Judiciário. A reclamação ao Banco Central serve para fins de supervisão e é encaminhada à instituição, mas o BC não decide nem resolve individualmente o pedido de ressarcimento.

Como usar essas informações a seu favor

O Banco Central publica periodicamente o Ranking de Reclamações contra instituições financeiras. Consultar esse ranking antes de escolher onde investir ou manter seus recursos pode evitar dores de cabeça futuras – instituições com índice elevado de reclamações reguladas procedentes merecem análise adicional. O ranking considera indícios de descumprimento de normas do Banco Central em relação à base de clientes, e não simplesmente reclamações não resolvidas.

Para investidores com valores expressivos em uma única instituição, outro ponto importante: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre determinados produtos, como CDB, LCI e LCA, até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição ou conglomerado financeiro, observado o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Essa garantia se relaciona ao risco de crédito e à resolução da instituição, não ao ressarcimento de golpes digitais. Ainda assim, diversificar entre diferentes instituições é uma medida de proteção patrimonial relevante.

Documente toda a comunicação com sua instituição financeira em caso de fraude. E-mails, protocolos de atendimento e registros de reclamações são evidências fundamentais se o caso precisar escalar para a Ouvidoria, para órgãos de defesa do consumidor ou para a Justiça.

Links falsos: como identificar sites fraudulentos antes de digitar sua senha

Links falsos de corretoras e bancos são a principal porta de entrada para roubo de credenciais. Muitos investidores acreditam erroneamente que o cadeado no navegador (certificado SSL) garante que o site é legítimo. No entanto, esse cadeado apenas indica que a conexão está criptografada – fraudadores obtêm certificados SSL para sites falsos com relativa facilidade.

Técnicas práticas para verificar a autenticidade de URLs

  • Analise o domínio completo: um endereço terminado em “.com.br” é diferente de variações com hífen, letras trocadas ou outra extensão
  • Desconfie de URLs encurtadas: serviços como bit.ly ou tinyurl escondem o destino real do link
  • Nunca clique em links recebidos por e-mail ou WhatsApp: acesse suas plataformas digitando o endereço completo diretamente no navegador
  • Confira detalhes ortográficos: caracteres acentuados ou substituídos costumam ser usados para imitar domínios legítimos
  • Salve sites oficiais como favoritos: acesse suas contas sempre pelos favoritos salvos no navegador, nunca por links recebidos

Exemplo prático: como um investidor pode cair em golpe de phishing

Situação ilustrativa: um investidor recebe SMS informando que sua conta na corretora será “bloqueada por inatividade” e que ele precisa “atualizar seus dados cadastrais imediatamente”. O link direciona para um site com URL quase idêntica à da corretora legítima – a diferença está em apenas um caractere. Ao digitar login e senha, as credenciais são capturadas. O golpe só é percebido horas depois, quando o acesso deixa de funcionar e movimentações não reconhecidas aparecem no extrato.

A defesa mais eficaz: autenticação em dois fatores com app

Ative autenticação em dois fatores (2FA) em todas as suas plataformas de investimento. A autenticação em dois fatores dificulta o acesso indevido mesmo quando a senha é exposta, embora não elimine totalmente o risco. Nunca aprove solicitações inesperadas de acesso e proteja também o dispositivo e os canais de recuperação da conta. Prefira aplicativos autenticadores como Google Authenticator ou Microsoft Authenticator – evite 2FA via SMS, que pode ser interceptado em golpes de clonagem de chip.

Em contrapartida: crie o hábito de acessar corretoras e bancos apenas pelos favoritos salvos no seu navegador ou pelo aplicativo oficial (disponível na App Store ou Google Play). Nunca acesse por links recebidos por e-mail ou mensagens – independentemente de quem enviou.

Checklist prático: sete passos para proteger seu dinheiro

  • ✓ Ative o BC Protege+ na área Meu BC – é gratuito e exige conta gov.br prata ou ouro com verificação em duas etapas
  • ✓ Configure autenticação em dois fatores com aplicativo autenticador em todas as plataformas financeiras
  • ✓ Acesse corretoras apenas pelos favoritos salvos no navegador ou pelos apps oficiais
  • ✓ Verifique se seus assessores estão registrados no Cadastro Geral da CVM e na consulta da ANCORD antes de qualquer transferência
  • ✓ Caso seja vítima de golpe via Pix, acione o MED imediatamente e reúna as evidências em paralelo
  • Documente tudo: prints, protocolos de atendimento e boletim de ocorrência são essenciais
  • ✓ Antes de qualquer transferência inesperada ou para destinatário desconhecido, independentemente do valor, confirme por um canal independente e conhecido

Perguntas frequentes sobre fraudes digitais e proteção do dinheiro

Como saber se caí em um golpe de phishing?

Você provavelmente foi vítima de phishing se digitou suas credenciais (login e senha) em um site falso. Os sinais de alerta mais comuns incluem: dificuldade para acessar sua conta habitual, mensagem informando que sua senha não funciona mais, transações não autorizadas aparecendo no extrato, ou notificações de login de locais que você não reconhece.

Portanto, se suspeitar que caiu em phishing, tome estas medidas imediatamente:

  1. Altere sua senha de outro dispositivo, utilizando o site oficial da instituição
  2. Ative autenticação em dois fatores se ainda não tiver feito isso
  3. Notifique sua instituição financeira sobre o ocorrido
  4. Se houver um Pix fraudulento, acione imediatamente o MED. Para movimentações por outros meios, conteste a operação diretamente com a instituição e siga o procedimento aplicável ao produto ou serviço utilizado

É possível recuperar dinheiro enviado para um golpista?

Depende do tempo decorrido e da existência de saldo nas contas de destino. Se a transação foi por Pix e ainda não se passaram 80 dias, você pode solicitar o MED junto à sua instituição financeira. Quanto antes agir, maiores as chances de o dinheiro ainda estar disponível para bloqueio e devolução.

Passados os 80 dias, o MED não pode mais ser aberto para aquela transação. Ainda assim, registre boletim de ocorrência, conteste formalmente junto à instituição e consulte um advogado especializado. Os registros das instituições podem auxiliar em investigações policiais, mesmo que a devolução pelo MED não seja mais possível.

Qual é a diferença entre fraude e golpe?

Fraude: trata-se de uma transação realizada sem seu consentimento. Exemplos incluem acesso à sua conta por invasores, uso de seus dados para abrir contas fraudulentas ou roubo de informações bancárias.

Golpe: ocorre quando você mesmo realiza a transação, mas sob engano ou coação. Exemplos incluem transferências para falsas oportunidades de investimento ou pagamentos sob ameaça falsa. Em ambos os casos, o MED pode ser aberto quando a operação foi feita por Pix, e a instituição poderá solicitar informações e documentos, como prints de conversas, gravações e boletim de ocorrência, para analisar o pedido.

O gov.br ou bancos pedem dados pessoais por e-mail ou SMS?

Os portais oficiais, como o gov.br, nunca pedem dados sensíveis como senhas, números de cartão de crédito ou PINs por e-mail, SMS ou ligações telefônicas. Se receber qualquer mensagem pedindo esses dados “para aumentar o nível da sua conta gov.br” ou “por motivos de segurança”, desconfie – trata-se de golpe.

Sempre acesse sites oficiais digitando o endereço completo diretamente no navegador. Ao receber mensagens suspeitas, não interaja com elas. Avise a instituição cuja identidade foi utilizada, denuncie o perfil ou página à plataforma responsável e, se houver tentativa de fraude ou prejuízo, registre boletim de ocorrência. Use o canal do Banco Central quando houver reclamação relacionada à atuação de uma instituição supervisionada.

Como verificar se um assessor de investimentos é legítimo?

Assessores de investimentos são credenciados pela ANCORD, registrados na CVM e atuam vinculados a um intermediário. Para verificar:

  1. Acesse o site da CVM
  2. Procure pela opção de consulta ao Cadastro Geral
  3. Digite o nome ou CPF do profissional e confira também a consulta disponibilizada pela ANCORD
  4. Verifique se o registro está ativo e confirme a instituição intermediária à qual ele está vinculado

Essa verificação é rápida e pode evitar prejuízos significativos. Desconfie especialmente de profissionais que pressionam por transferências rápidas, pedem Pix para contas pessoais ou oferecem retornos acima do mercado.

Bancos podem ser responsabilizados por vazamentos de dados?

Instituições devem adotar medidas técnicas e administrativas de segurança. Elas podem ser responsabilizadas quando uma violação da legislação ou falha de segurança der causa ao dano, observadas as circunstâncias do caso e as hipóteses legais de exclusão de responsabilidade. Caso seus dados sejam vazados e você sofra prejuízos em decorrência disso, você pode:

  1. Acionar o SAC e a Ouvidoria da instituição e registrar reclamação no consumidor.gov.br ou junto ao Banco Central, para fins de supervisão
  2. Procurar o Procon do seu estado
  3. Em casos de perdas financeiras, consultar um advogado para buscar reparação

Em resumo: proteger seu dinheiro contra fraudes digitais exige três atitudes principais: 1) Ative camadas preventivas gratuitas, como o BC Protege+ na área Meu BC e a autenticação em dois fatores; 2) Desenvolva hábitos seguros de navegação, como acessar contas somente por favoritos e verificar URLs minuciosamente; e 3) Aja rápido caso seja vítima – a janela para solicitar o MED é limitada a 80 dias, e as chances caem conforme o tempo passa. A tecnologia facilita golpes, mas também oferece ferramentas de proteção. Use-as a seu favor.

Para conhecer produtos e serviços oferecidos por uma instituição, fale com um assessor de investimentos devidamente credenciado pela ANCORD, registrado na CVM e vinculado ao intermediário informado. Para aconselhamento individualizado e independente sobre investimentos, procure um consultor de valores mobiliários autorizado pela CVM.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não constitui recomendação de investimento, oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer produto financeiro. Investimentos envolvem riscos e rentabilidade passada não garante resultados futuros.

Renova Invest

Pronto para fazer seu patrimônio trabalhar por você?

Abra sua conta e conte com assessoria especializada para investir com estratégia. Abertura gratuita, sem compromisso.

Renova Invest atua como preposto do Banco BTG Pactual S/A (Resolução CVM nº 178).

Abrir conta de investimento

Facilidades da Renova Invest para você:

Conta digital gratuita

Abra sua conta sem custo e tenha acesso a uma plataforma para investir com praticidade e segurança.

Viver de renda

Construa uma carteira inteligente com foco em geração de renda passiva e alcance sua independência financeira.

CDI hoje
13,90% a.a.
  • Meta Selic14,00%
  • CDI 12 meses14,71%
  • CDI em 20268,76%
Ver CDI e simulação →
Fonte: Banco Central · 17/08/2026

Mais artigos em