A Light S.A. (LIGT3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com um resultado operacional que marca inflexão na trajetória da companhia. O EBITDA ajustado consolidado somou R$ 599 milhões, alta de 82,3% em relação ao 2T25, sustentado principalmente pela virada de desempenho da distribuidora — a Light SESA —, cujo EBITDA ajustado mais que dobrou no período (+127,5% A/A). A receita líquida chegou a R$ 3,796 bilhões, crescimento de 9,8% ano a ano, e o lucro líquido ajustado reverteu prejuízo ajustado de R$ 37 milhões no 2T25 para lucro de R$ 150 milhões. No campo contábil, contudo, a companhia ainda registrou prejuízo líquido de R$ 252 milhões, ante prejuízo de R$ 51 milhões um ano antes (+390,2%), pressionado por efeitos não recorrentes e pelo peso da estrutura financeira em reestruturação.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
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- Receita líquida: R$ 3,796 bilhões (+9,8% A/A)
- EBITDA ajustado consolidado: R$ 599 milhões (+82,3% A/A)
- EBITDA ajustado — Distribuidora: R$ 461 milhões (+127,5% A/A)
- EBITDA ajustado — Geração e Comercialização: R$ 143 milhões (+10,3% A/A)
- Lucro líquido ajustado: R$ 150 milhões (reverteu prejuízo ajustado de R$ 37 mi no 2T25)
- Prejuízo líquido contábil: R$ 252 milhões (+390,2% A/A)
- Capex consolidado: R$ 449 milhões (+7,1% A/A)
- Dívida líquida total: R$ 7,266 bilhões
- Alavancagem (dívida líquida/EBITDA 12M): 2,85x (ex-dívida conversível: 2,07x)
- Energia distribuída: 6.160 GWh (+0,6% A/A)
- Arrecadação 12M ajustada: 98,6% (+0,8 p.p. A/A)
Contra o histórico recente: o contraste com o 1T26
O resultado do 2T26 contrasta de forma nítida com o trimestre imediatamente anterior. No 1T26, a companhia reportou EBITDA ajustado consolidado de R$ 423 milhões — queda de 27,0% na comparação anual —, com a distribuidora entregando apenas R$ 247 milhões (-47,5% A/A) e a vertical de Geração e Comercialização em R$ 164 milhões (+45,3% A/A). No 2T26, a distribuidora saltou para R$ 461 milhões, avanço de cerca de 87% sobre o 1T26 e de 127,5% sobre o 2T25, configurando a maior entrega trimestral recente da Light SESA.
Vale notar que o 1T26 havia sido distorcido, na linha contábil, por um lucro líquido de R$ 2,8 bilhões impulsionado por créditos tributários pontuais — naquele mesmo trimestre, o resultado ajustado era prejuízo de R$ 80 milhões. Ou seja, o balanço contábil da Light segue volátil em ambas as direções, e a linha ajustada é a lente mais fiel para acompanhar a evolução real do negócio. Não há, nas fontes verificadas, consenso formal de casas de research nem preços-alvo publicados especificamente após este resultado — a leitura disponível é a da própria companhia e de veículos de mercado, de trimestre operacionalmente forte com resultado contábil ainda pressionado.
O que explicou o salto: reajuste tarifário, temperatura e eficiência
Distribuidora: margem bruta e mercado residencial
Na Light SESA, o EBITDA ajustado avançou R$ 258 milhões na comparação anual, de R$ 203 milhões para R$ 461 milhões. O principal vetor foi a margem bruta, que cresceu 49,2% A/A, impulsionada pelo reajuste da Parcela B — a parcela da tarifa associada aos custos gerenciáveis e à remuneração da distribuidora — somado a um mix de mercado mais favorável. A receita líquida da distribuidora subiu 12,3% A/A.
Em paralelo, abril e maio de 2026 foram mais quentes que os mesmos meses de 2025, favorecendo o consumo residencial (+4,0% A/A) e o comercial (+2,1% A/A) — os dois segmentos mais relevantes para a empresa. Junho, por outro lado, foi o segundo mês mais frio dos últimos 12 anos, amortecendo parte do crescimento e limitando o avanço do mercado total a 0,6% A/A, com 6.160 GWh distribuídos, ante 6.123 GWh no 2T25. O segmento industrial recuou 7,9% A/A.
A linha de PECLD (provisão para créditos de liquidação duvidosa) contribuiu com R$ 304 milhões de variação positiva, mas o próprio release destaca que a base do 2T25 era deprimida por reversões e pela conclusão de negociações com o Poder Público naquele trimestre — um efeito de base que não deve se repetir na mesma magnitude. O PMSO caiu 3,1% A/A. No contencioso, o estoque de litígios no JEC recuou 25% A/A e o cível recorrente caiu 7,4% A/A.
Geração e comercialização: volume supera margem
Na vertical de Geração e Comercialização, o EBITDA ajustado somou R$ 143 milhões (+10,3% A/A), com volume comercializado 28,1% maior e avanço de 4,6 pontos percentuais na participação de energia incentivada no mix de vendas. A margem bruta cresceu 11,8% A/A, enquanto o PMSO subiu 16,9% A/A — sinal de que a expansão do volume ainda pressiona os custos operacionais do segmento e que o crescimento é mais de escala do que de margem.
O capex da distribuidora cresceu 7,4% A/A, para R$ 428 milhões no trimestre, com ênfase em expansão (+22,5% A/A) e no plano de perdas (+12,8% A/A). Do total, R$ 96 milhões foram financiados via Obrigações Especiais. A companhia substituiu 39 mil medidores no período, mais que o dobro do 2T25.
A leitura para o investidor: diluição, lock-up e o peso da dívida
Estrutura de capital e alavancagem
O ponto de maior atenção para quem acompanha a Light continua sendo a dívida. A dívida líquida total ficou em R$ 7,266 bilhões ao final do 2T26, com alavancagem de 2,85x EBITDA 12M — recuo relevante frente às 3,69x do 1T26, e 2,07x quando se exclui a dívida conversível. A melhora reflete a liquidação integral das Notes da Light Energia e o efeito parcial do aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, concluído em julho — portanto ainda não integralmente capturado no balanço do 2T26. A posição de caixa subiu de R$ 1,4 bilhão no 1T26 para R$ 1,9 bilhão.
Com o aumento de capital e a conversão das dívidas locais e no exterior em ações, o capital social subscrito saltou de 715 milhões para 1.611 milhões de ações — 523 milhões vindos do aumento privado e bônus de subscrição e 373 milhões da conversão de dívida. É uma diluição de mais de 120% para quem era acionista antes da reestruturação, e esse é o preço pago pela desalavancagem: a queda do endividamento não veio de geração de caixa, mas em boa medida da troca de credor por acionista.
Todas as novas ações estão sujeitas a lock-up de até 30 meses, conforme o plano de recuperação judicial, com janelas de liberação parcial a cada seis meses. Isso contém a pressão vendedora imediata, mas cria um calendário previsível de potencial fluxo vendedor — um fator técnico que o investidor precisa mapear no papel ao longo dos próximos dois anos e meio.
Quanto ao perfil da dívida reestruturada, 63% está indexada ao IPCA (IPCA+4,23%), 23% ao dólar (dólar+3,5%) e 14% ao CDI (CDI+0,5%), com cronograma de amortização alongado até 2037 e vencimentos anuais entre R$ 276 milhões e R$ 478 milhões na primeira metade da curva. A composição reduz sensibilidade a juros de curto prazo, mas mantém exposição relevante à inflação e ao câmbio. Não foram identificadas, nas fontes verificadas, revisões de rating de crédito ou alterações de recomendação de corretoras publicadas após este resultado.
Indicadores operacionais como sustentação da tese
Além do resultado financeiro, a melhora nos indicadores de qualidade é o argumento mais concreto do turnaround. O tempo médio de atendimento emergencial (12M) atingiu 526 minutos, novo recorde da série histórica — queda de 38,9% A/A e de 63% desde 2022, quando estava em 1.424 minutos. A taxa de interrupções superiores a 24 horas recuou de 9,8% para 3,7% (-6,1 p.p. A/A), contra 18,1% em 2022.
Nos indicadores regulatórios, o DEC ficou em 6,75 horas, dentro do limite ANEEL de 6,76 horas, e o FEC em 3,57x, também abaixo do teto de 4,46x. A margem, porém, é estreita no DEC — e a tendência dos últimos trimestres é de alta (6,23h no 2T25 para 6,75h no 2T26), o que exige atenção.
Já as perdas seguem como o gargalo estrutural: as perdas totais representaram 30,7% da carga fio no 2T26, contra 30,1% no 2T25 — praticamente estáveis em patamar elevado, com 85% das perdas não técnicas concentradas em áreas de severa restrição operacional (ASRO). É o indicador que mais separa a Light das distribuidoras mais eficientes do setor e o que mais limita a expansão sustentável de margem.
O que observar nos próximos trimestres
O calendário imediato é denso. A conclusão do aumento de capital de R$ 1,5 bilhão em julho e a troca das Units pelas novas ADRs, prevista para 20 de agosto, além da segunda janela de homologação dos bônus de vantagem adicional (a partir de 14 de agosto), ainda não estão integralmente refletidas no balanço do 2T26 — o 3T26 será o primeiro trimestre a capturar esses efeitos por completo sobre patrimônio e alavancagem.
O protocolo do pedido de encerramento da recuperação judicial é o marco jurídico decisivo: a homologação determinará quando a companhia poderá operar sem as restrições e obrigações do plano. Já a renovação da concessão da Light SESA até 2056 — novo ciclo de 30 anos — remove um risco material de longo prazo e amplia o horizonte de retorno do capex regulatório em curso, elemento que passa a sustentar qualquer exercício de valuation por base de ativos.
Para o investidor, três KPIs concentram a tese: (i) o ritmo de desalavancagem, agora que o efeito não recorrente da capitalização se esgota e a redução passa a depender de geração de caixa contra um capex de cerca de R$ 449 milhões por trimestre; (ii) a trajetória das perdas não técnicas, travadas em torno de 30% da carga fio; e (iii) a sustentação da margem quando o efeito do reajuste tarifário e a base fraca de PECLD do 2T25 saírem da comparação anual. Os riscos residuais são a exposição a IPCA e dólar na dívida, o calendário de liberação do lock-up e a volatilidade do resultado contábil, que segue distante do ajustado em ambas as direções.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
