Julho de 2026: 154 boe/d e um salto de 72% nos polos em recuperação
A Azevedo & Travassos Energia S.A. (B3: AZTE3) encerrou julho de 2026 com produção média diária de 154 barris de óleo equivalente por dia (boe/d), contra 114 boe/d em junho, conforme o boletim de resultados operacionais divulgado em 13 de agosto de 2026. É o maior patamar mensal desde setembro de 2025 (229 boe/d), ainda distante dos 258 boe/d de agosto daquele ano.
Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.
O destaque do documento é o incremento de cerca de 72% na produção dos campos dos Polos Barrinha e Porto Carão em relação ao mês anterior. Esse avanço veio da reativação de dois poços no Campo Pintassilgo e de um poço no Campo Lagoa Aroeira, que juntos adicionaram 45 bbl/d: a produção de óleo nesses ativos passou de 64 bbl/d para 109 bbl/d.
No detalhamento por ativo, o Polo Porto Carão teve a maior contribuição, com 57 boe/d, seguido pelo Polo Barrinha, com 53 boe/d, e pelo Polo Phoenix-Potiguar, com 44 boe/d. No mix, o óleo respondeu por 133 bbl/d e o gás natural por 21 boe/d. O boletim foi assinado por Ivan de Carvalho Júnior, diretor de Relações com Investidores.
Onde a companhia estava: doze meses de volatilidade operacional
A série histórica publicada pela própria companhia explica por que o número de julho importa tanto. Em agosto de 2025, a produção total era de 258 boe/d; em outubro de 2025, havia caído para 66 boe/d. O colapso foi concentrado nos dois polos que agora lideram a retomada: Barrinha saiu de 109 boe/d em setembro para 23 boe/d em outubro, e Porto Carão despencou de 89 boe/d para 6 boe/d, ficando em zero em novembro e dezembro de 2025.
Nesse intervalo, a companhia reportou no 4T25 produção agregada de 6.900 boe nos ativos de Phoenix, Barrinha e Porto Carão, com crescimento de 13,8% em Phoenix sobre o trimestre anterior, mas ainda sob impacto de paradas programadas para melhorias e adequações operacionais. Ou seja: a curva de produção da ATE tem sido determinada menos por reservatório e mais por disponibilidade de instalações.
O gatilho: liberação da área pela Brava Energia
Segundo o boletim, após a liberação da área pela Brava Energia, a Azevedo & Travassos Petróleo (ATP) passou a executar as obras de adequação dos sistemas de medição fiscal e de injeção de água produzida nos campos de Serraria, Pintassilgo, Lagoa Aroeira e Porto Carão. A empresa afirma que as obras seguem em conformidade com o cronograma estabelecido — sem, no entanto, divulgar datas específicas de conclusão.
A companhia também sinaliza que novas reativações poderão ocorrer nos próximos meses, condicionadas à liberação das instalações de produção para uso rotineiro. É essa condicionalidade que define o perfil de risco de curto prazo do ativo: a produção depende de eventos de terceiros e de cronogramas de infraestrutura, não apenas de decisão própria.
O nicho: onshore maduro e revitalização de ativos
A ATE atua em óleo e gás onshore, com portfólio em polos e campos como Phoenix-Potiguar, Barrinha, Porto Carão, Serraria, Pintassilgo, Lagoa Aroeira e Andorinha. É um segmento estruturalmente distinto do pré-sal: volumes pequenos por poço, dependência de custo operacional enxuto e de execução na reativação de poços paralisados. Nesse modelo, cada poço reativado tem impacto percentual desproporcional — como se viu em julho, quando três poços mudaram o patamar de produção de dois polos inteiros.
A contrapartida é simétrica: uma parada técnica, um atraso de obra ou uma pendência regulatória pode devolver a produção ao patamar anterior com a mesma velocidade. O histórico de outubro de 2025 a abril de 2026, com a companhia oscilando entre 66 e 86 boe/d, é a evidência dessa sensibilidade.
O que muda na tese do investidor
Para quem acompanha AZTE3, julho entrega o primeiro sinal consistente de que a estratégia de reativação está funcionando na prática — e não apenas no plano. A produção de óleo praticamente dobrou frente ao piso de 54 bbl/d de outubro/dezembro de 2025, e o avanço veio de poços concretos, com contribuição quantificada pela própria companhia.
Mas a tese continua sendo de turnaround operacional em microcap, não de geração de caixa estabelecida. As ações eram negociadas a R$ 1,31, com alta de 5,65%, patamar que fica cerca de 25% acima da mínima de 52 semanas (R$ 1,05) e aproximadamente 79% abaixo da máxima do período (R$ 6,30). A liquidez e a volatilidade são típicas de papéis de capitalização muito reduzida.
No lado financeiro, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 9,854 milhões no exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. Compilações secundárias de mercado sobre o ITR do 1T26 apontaram receita na casa de R$ 1,1 milhão e prejuízo de aproximadamente R$ 2,5 milhões — números que devem ser lidos como referência de contexto, por não constarem do boletim operacional aqui analisado. Em paralelo, documentos protocolados na CVM registram movimentos societários relevantes, incluindo a incorporação da Andorinha Energia Ltda. e um grupamento de ações.
Riscos
- Base produtiva pequena: a 154 boe/d, qualquer parada técnica ou atraso nas obras de adequação pode reduzir a produção de forma expressiva em poucas semanas — como já ocorreu no 4T25.
- Dependência de terceiros: a retomada foi viabilizada pela liberação de área pela Brava Energia; novas reativações dependem da liberação das instalações para uso rotineiro.
- Situação financeira: prejuízo de R$ 9,854 milhões em 2025 e receita ainda muito reduzida limitam a margem de manobra de caixa e podem exigir novas captações.
- Baixa cobertura: não foram identificadas recomendações formais de casas de análise para o papel, o que reduz a densidade informacional e amplifica a volatilidade.
- Reestruturação societária em curso: incorporação e grupamento de ações alteram base acionária e podem afetar liquidez e comparabilidade histórica do papel.
Oportunidades
- Alavancagem operacional: três poços reativados adicionaram 45 bbl/d — em uma base de 114 boe/d, o efeito marginal de cada nova reativação é elevado.
- Pipeline sinalizado: a companhia afirma que novas reativações podem ocorrer nos próximos meses conforme as instalações sejam liberadas.
- Referência de capacidade: os 258 boe/d de agosto de 2025 indicam o que o portfólio atual já entregou operando com menos restrições.
O que observar nos próximos meses
Os boletins mensais de produção seguem sendo o indicador mais direto e frequente para avaliar se a recuperação de julho é tendência ou evento isolado. Os pontos de atenção são:
- Conclusão das obras de medição fiscal e injeção de água em Serraria, Pintassilgo, Lagoa Aroeira e Porto Carão, cujo cronograma detalhado não foi divulgado;
- Ritmo e volume das novas reativações de poços sinalizadas pela companhia;
- Divulgação do ITR do 2T26, que permitirá cruzar o avanço operacional com receita, margem e posição de caixa;
- Desdobramentos dos eventos societários ligados à incorporação da Andorinha Energia e ao grupamento de ações;
- Comportamento do preço do petróleo, determinante para a viabilidade econômica de produção onshore de baixo volume.
Julho mostra que o plano de revitalização começou a se traduzir em barris. A questão que os próximos boletins vão responder é se essa curva se sustenta sem depender de novas liberações pontuais de infraestrutura — e se o volume incremental chega a um patamar capaz de mudar a equação financeira de uma companhia que ainda opera com prejuízo e receita na casa de poucos milhões de reais.
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