CSN (CSNA3) troca US$ 1,3 bi em bonds 2028 por notes 2030 a 11% e antecipa flash do 1S26

CSN troca bonds de 2028 por novos títulos a 11% e antecipa flash de resultados do 1º semestre

Renova Invest · 30 de julho de 2026

A troca: US$ 1,3 bilhão em bonds e uma conta que fica mais cara

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSNA3) divulgou nesta quarta-feira, 30 de julho de 2026, um fato relevante duplo: anunciou uma oferta de troca (exchange offer) de até US$ 1,3 bilhão em bonds e aproveitou para antecipar números preliminares (flash numbers) do primeiro semestre — incluindo um prejuízo líquido bem maior na comparação anual.

CSNA3 Companhia Siderúrgica Nacional Ação Materiais Básicos
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máx R$ 10,37 mín R$ 4,59

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

A operação é conduzida pela CSN Inova Ventures, subsidiária usada como veículo de emissões no mercado internacional. O alvo são as Senior Notes com cupom de 6,750% ao ano e vencimento em 2028, cujo saldo em aberto soma US$ 1.300.000.000,00. Para cada US$ 1.000,00 de principal entregue pelos detentores, a CSN Inova oferece US$ 746,15 em novas notes 2030 e US$ 253,85 em dinheiro, além dos juros acumulados até a liquidação, prevista para 12 de agosto de 2026.

As novas notas serão emitidas em montante de até US$ 970 milhões, carregarão cupom de 11,00% ao ano e contarão com garantia irrevogável, incondicional e integral da própria CSN. O desembolso em caixa pode chegar a US$ 330 milhões. Para a operação se concretizar, a condição mínima exige que pelo menos 70% das notes existentes — equivalente a US$ 910 milhões — sejam validamente ofertadas antes do prazo de expiração, fixado para 10 de agosto de 2026 (17h, horário de Nova York). Leia também: Sabesp incorporacao emae. Leia também: Movida aumento de capital. Leia também: Revee arena niteroi. Leia também: Raizen recuperacao extrajudicial.

Há ainda um mecanismo de step-down: o cupom recua de 11,0% para 10,5% ao ano caso o principal das novas notes seja reduzido em pelo menos US$ 200 milhões antes de 12 de fevereiro de 2028. A CSN Inova também retém a opção de resgatar os títulos a qualquer momento a 100% do principal mais juros corridos (call at par), preservando flexibilidade caso o cenário de crédito melhore.

Uma linha contínua de gestão de passivos em dólar

A operação não surge do nada. A CSN tem histórico de emissões e reaberturas de bonds no mercado internacional sob a estrutura Rule 144A / Regulation S, modelo que permite colocar dívida junto a investidores institucionais qualificados (QIBs) nos EUA e no exterior sem registro prévio na SEC, com a oferta vedada no Brasil. Desde 2019, a companhia utilizou veículos como a CSN Resources para alongar o perfil da dívida em dólar, aproveitando janelas favoráveis de liquidez global.

A CSN Inova Ventures assume agora esse papel, numa transação que segue a mesma lógica de liability management: trocar um vencimento mais próximo (2028) por outro mais distante (2030), reduzindo o risco de refinanciamento no médio prazo. O custo nominal sobe de forma expressiva — de 6,75% para 11,00% ao ano —, mas esse patamar reflete o custo de mercado atual da companhia no segmento high yield, dado que a CSN opera com ratings abaixo do grau de investimento nas principais agências.

O timing da divulgação dos flash numbers junto com a exchange offer também não é casual: fornecer dados financeiros preliminares a potenciais compradores das novas notas é prática comum em operações de dívida internacional, funcionando como sinalização de crédito ao mercado antes do prazo de adesão.

Siderurgia sob pressão: minério sustenta, aço importado corrói

O setor no qual a CSN opera está longe de ser tranquilo. A siderurgia brasileira atravessa dupla tensão: de um lado, a volatilidade dos preços do minério de ferro, ligada ao ritmo da demanda chinesa; de outro, a concorrência do aço asiático importado, que comprime margens dos produtores locais.

A CSN é uma das poucas siderúrgicas integradas do país, com atuação que vai além do aço — inclui a CSN Mineração (minério de ferro), cimentos, energia e logística (ferrovias e portos). Essa diversificação suaviza os ciclos, mas não os elimina. A geração de caixa da mineração tem sido o principal colchão que sustenta o perfil de crédito do grupo e viabiliza operações como esta exchange offer.

Pares como Usiminas e Gerdau também enfrentam o mesmo ambiente de custos financeiros elevados e pressão competitiva, mas a CSN carrega alavancagem comparativamente mais alta, reflexo de ciclos recentes de aquisições em cimento e de investimentos logísticos pesados — o que torna a gestão ativa da dívida não apenas uma conveniência, mas uma necessidade estrutural.

A leitura para o investidor: alívio no médio prazo, pressão imediata

Os números do 1S26 que pesam

Junto com a exchange offer, a CSN divulgou dados preliminares e não auditados do semestre encerrado em 30 de junho de 2026. O EBITDA Ajustado deve ficar entre R$ 5,3 bilhões e R$ 5,4 bilhões, ligeiramente acima dos R$ 5,2 bilhões do mesmo período de 2025 — uma melhora operacional marginal. Mas o prejuízo líquido deve atingir entre R$ 1,3 bilhão e R$ 1,4 bilhão, ante R$ 861,9 milhões no 1S25: uma piora relevante do resultado negativo (cerca de 1,5x a 1,6x), reflexo do peso da dívida em dólar sobre o resultado financeiro. A receita líquida deve ficar, de forma geral, em linha com o mesmo período de 2025.

A dívida bruta sobe para até R$ 54,0 bilhões e a dívida líquida ajustada para até R$ 44,0 bilhões, frente a R$ 50,4 bilhões e R$ 40,5 bilhões, respectivamente, em 31 de março de 2026. O índice de alavancagem sobe moderadamente, mas a companhia assegura que não ultrapassará 3,5x. O caixa e equivalentes registraram leve alta sobre os R$ 12,8 bilhões de 31 de março.

O que a operação muda — e o que não muda

Na prática, a exchange offer resolve o risco de refinanciamento das notes 2028, mas não reduz o estoque de dívida — e, dado o cupom mais alto das novas notas, tende a elevar a despesa financeira futura em dólar. O mecanismo de step-down para 10,5% ao ano sinaliza que a administração planeja amortizar ou recomprar ao menos US$ 200 milhões do principal antes de fevereiro de 2028, o que demandará geração de caixa ou desinvestimentos.

No mercado acionário, as ações CSNA3 negociam a R$ 4,95, com queda de 4,81% na sessão, market cap de R$ 6,9 bilhões e range de 52 semanas entre R$ 4,49 e R$ 11,32 — o papel está próximo da mínima do período, refletindo o desconto que o mercado aplica a um crédito alavancado em ambiente de câmbio pressionado. A combinação de prejuízo crescente, dívida em alta e custo de capital elevado é o principal freio à recuperação das ações no curto prazo.

O que observar nos próximos meses

  • Adesão à exchange offer: o prazo expira em 10 de agosto de 2026. Se a participação ficar abaixo dos 70% mínimos (US$ 910 milhões), a operação pode não se concretizar e a CSN terá de buscar alternativa para o vencimento 2028.
  • Liquidação e emissão das novas notes: prevista para 12 de agosto de 2026, quando entra em vigor a garantia formal da CSN.
  • Resultado auditado do 2T26: os números preliminares do 1S26 ainda serão revisados pelo Conselho de Administração e pelo Comitê de Auditoria; diferenças relevantes podem surgir.
  • Redução do principal das novas notes até fev/2028: acompanhar se a companhia consegue amortizar ao menos US$ 200 milhões para acionar o cupom de 10,5% ao ano — indicador de geração de caixa e disciplina financeira.
  • Evolução da alavancagem: o índice não deve superar 3,5x em junho de 2026, mas piora do ciclo de minério ou aço, ou depreciação cambial adicional, pode pressionar esse teto.
  • Rating e perspectiva das agências: operações que alongam vencimentos costumam ser vistas de forma neutra a ligeiramente positiva por analistas de crédito, mas o aumento do custo da dívida e do prejuízo líquido podem motivar comentários das agências.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

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Fonte: Banco Central · 29/07/2026

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