P-79 em operação: Búzios ultrapassa 1,2 milhão de barris por dia
A Petrobras encerrou o segundo trimestre de 2026 com a maior produção da sua história. A média de óleo, LGN e gás natural alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia (MM boed) — avanço de 14,1% sobre o 2T25 e de 3,4% frente ao 1T26. O salto tem um protagonista: a FPSO P-79, oitava plataforma do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, que entrou em produção no dia 1º de maio de 2026, com três meses de antecedência em relação à data prevista no Plano de Negócios 2026–2030 e cinco meses antes do planejamento do ciclo anterior. Com capacidade de 180 mil barris/dia de óleo e 7,2 milhões de m³/dia de compressão de gás, a unidade elevou a capacidade instalada de Búzios para aproximadamente 1,33 milhão de barris/dia. No dia 26 de junho, as plataformas do campo registraram produção média de 1,2 MM bpd — novo recorde —, apenas três dias após a marca anterior de 1,1 MM bpd, atingida em 23 de junho.
Uma linha do tempo de expansão acelerada
A chegada da P-79 não é um episódio isolado: é o elo mais recente de uma cadeia de investimentos que remonta a contratos bilionários firmados anos antes. Segundo apuração de veículos especializados, o consórcio Saipem–DSME foi contratado por cerca de US$ 2,3 bilhões para construir a unidade, edificada nos estaleiros da Hanwha Ocean (antiga DSME) na Coreia do Sul, com previsão de ancoragem em Búzios em fevereiro de 2026. O primeiro óleo veio em 1º de maio e a primeira operação de offloading ocorreu em 30 de maio, marcando o início efetivo do ciclo comercial.
Esse ritmo de execução precisa ser lido ao lado de um contexto de campo em maturação veloz. Búzios ultrapassou a marca de 1 milhão de barris/dia em outubro de 2025 — e agora, em junho de 2026, atingiu pela primeira vez uma produção média mensal superior a 1 MM bpd. O relatório da companhia destaca que esse patamar foi alcançado 8,2 anos após o início da produção comercial dos sistemas definitivos do campo, superando o desempenho do campo de Tupi, que levou 8,8 anos para atingir o mesmo nível. Antes da P-79, já haviam entrado em ramp-up os FPSOs Maria Quitéria (campo de Jubarte), Alexandre de Gusmão (Mero) e P-78 (Búzios), todos mencionados como fatores do crescimento trimestral. O FPSO Almirante Tamandaré, também em Búzios, registrou recorde mensal de 253 mil bpd em junho de 2026, mantendo-se como a plataforma individual de maior produção no Brasil.
A P-79 integra o projeto Búzios 8, que prevê 14 poços submarinos — oito produtores e seis injetores — com completações inteligentes. Um indicador da velocidade operacional: a unidade injetou o primeiro gás no dia 26 de junho, apenas 56 dias após o início da produção, o que a companhia classifica como recorde em plataformas próprias.
Pré-sal em escala industrial e o ciclo do refino
O desempenho de Búzios não pode ser desconectado da dinâmica mais ampla do pré-sal brasileiro. O campo é tratado pela Petrobras como ativo tier 1 — alta produtividade, margens elevadas e curva de custo de extração competitiva em escala global. Com oito FPSOs em operação, o hub já supera em complexidade a maioria dos campos offshore em desenvolvimento no mundo. E o portfólio de expansão é denso: as plataformas P-80, P-82, P-83 e Búzios 12 ainda estão em construção ou em fase de licitação, o que sinaliza que o pico de produção do campo está distante.
No segmento de refino, o relatório de 2T26 revela uma face igualmente robusta. O Fator de Utilização (FUT) das refinarias atingiu o recorde histórico de 101,2%, superando o recorde anterior de 101,1% registrado no 3T14 — uma marca de mais de uma década. A produção de derivados chegou a 1.918 mil bpd, crescimento de 10,9% sobre o 2T25. O diesel S10 bateu 509 mil bpd e o querosene de aviação (QAV) alcançou 109 mil bpd, ambos recordes trimestrais. A participação do óleo do pré-sal na carga processada subiu para 73%, incremento de 4 pontos percentuais ante o 1T26, evidenciando como a expansão de E&P retroalimenta o refino. O resultado direto foi a queda das importações de derivados para 67 mil bpd, o menor volume trimestral já registrado, e a redução das importações de petróleo para 89 mil bpd, o menor nível desde a pandemia.
O que muda na tese de PETR4
Produção e geração de valor
A antecipação da P-79 em cinco meses não é detalhe operacional: representa meses adicionais de fluxo de caixa de um ativo com capacidade de 180 mil bpd. Analistas e veículos especializados como Agência Infra e BP Money projetaram que a oitava plataforma poderia impulsionar a produção total de Búzios em cerca de 15,6%, reforçando a capacidade de geração de dividendos — especialmente num cenário em que a estatal mantém foco no pré-sal como eixo central de alocação de capital. A produção de 3,34 MM boed no 2T26 já reflete parte desse impacto, e o ramp-up completo dos 14 poços ainda está em curso.
Riscos e oportunidades
No campo dos riscos, o relatório aponta que as emissões de GEE das atividades de óleo e gás no 1S26 subiram para 25 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, contra 23 milhões no 1S25 — expansão diretamente ligada ao crescimento de E&P e ao maior carregamento das refinarias. Embora a intensidade de emissão no E&P tenha recuado para 14,4 kgCO₂e/boe (ante 14,7 em 2025), o volume absoluto cresce. O cenário geopolítico também pesa: a China reduziu sua participação nas exportações de petróleo da estatal no 2T26, exigindo diversificação acelerada de mercados — ao que a Petrobras respondeu com cinco novos clientes (Formosa, OQ Trading, Orlen, Preem e Sasol) em Taiwan, Omã, Polônia, Suécia e África do Sul.
Nas oportunidades, destaca-se o progresso em combustíveis sustentáveis: a Petrobras aprovou a Decisão Final de Investimento (FID) para a planta HEFA da RPBC, com capacidade de 15 mil bpd de SBC e/ou HVO e partida prevista para 2030, antecipando obrigações da Lei do Combustível do Futuro. As ações PETR4 estão cotadas a R$ 41,21, com variação de +0,49% na sessão, capitalização de mercado de R$ 560,5 bilhões, dentro de uma amplitude de 52 semanas entre R$ 29,31 e R$ 50,69 — o que coloca o papel ainda distante da máxima anual, com espaço de recuperação caso os resultados financeiros do 2T26 confirmem a força operacional do trimestre.
O que acompanhar nos próximos meses
O calendário de gatilhos é denso. O mercado aguarda a divulgação dos resultados financeiros do 2T26, que traduzirão em receita, EBITDA e lucro o recorde operacional apresentado neste relatório de produção — os dados operacionais divulgados não são auditados, conforme ressalva da própria companhia. Na frente de produção, o ritmo de interligação dos 14 poços do projeto Búzios 8 determinará a curva de ramp-up da P-79 nos próximos trimestres. No trimestre foram interligados 20 novos poços (produtores e injetores) em todo o portfólio, mas o potencial pleno da unidade depende da conclusão do conjunto de Búzios 8. Na agenda ambiental, os contratos do primeiro leilão do ProFloresta+ — parceria com o BNDES para compra de 5 milhões de créditos de carbono e plantio de 25 milhões de árvores na Amazônia — foram assinados no trimestre e merecem acompanhamento quanto à estrutura de execução. Por fim, o comportamento da demanda chinesa por petróleo brasileiro e a capacidade da estatal de consolidar os novos clientes conquistados no 2T26 serão termômetros relevantes para a política de exportações no segundo semestre.
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