Lupatech inicia tender offer das Notes de US$ 14,6 milhões
A Lupatech S.A. (LUPA3), companhia listada no Novo Mercado da B3, comunicou em 22 de julho de 2026 o início de um procedimento de oferta pública de aquisição (tender offer) dos títulos emitidos por sua controlada Lupatech Finance Limited. As chamadas Notes foram emitidas nos EUA em 18 de novembro de 2021, com CUSIP G57058 AD4 e ISIN USG57058AD40.
A oferta abarca a integralidade das Notes, cujo principal é de US$ 14.628.203, emitidas no âmbito da recuperação judicial do Grupo Lupatech ajuizada em maio de 2015.
Como funciona a oferta
A proposta prevê pagamento aos detentores das Notes (Noteholders) na proporção de 10% em dinheiro, calculado sobre o saldo devedor convertido em reais na data do pedido de recuperação extrajudicial (25 de maio de 2026), e 90% mediante dação em pagamento de bônus de subscrição.
A tender offer terá duração de 20 dias úteis, com aceitação por meio do sistema ATOP (Automated Tender Offer Program) da DTCC, via agentes dos investidores. Segundo o fato relevante, os documentos estão disponíveis no site de RI da companhia.
A peça que faltava na recuperação extrajudicial de 2026
A oferta é o mecanismo pelo qual a Lupatech instrumentaliza a participação dos credores internacionais em seu processo de recuperação extrajudicial em curso. Ao aderir voluntariamente, o Noteholder passa a receber seu crédito nos mesmos termos oferecidos aos demais credores em moeda nacional, tornando-se credor abrangido e sujeito ao plano.
De acordo com apuração em fontes de imprensa financeira, a estrutura replica exatamente as condições oferecidas aos credores domésticos: em 25 de maio de 2026, a companhia protocolou pedido de homologação de plano de recuperação extrajudicial envolvendo dívidas trabalhistas e quirografárias de aproximadamente R$ 295,4 milhões. Para os créditos quirografários, o plano prevê 10% em dinheiro e 90% em bônus de subscrição, com cada bônus representando R$ 100 de dívida e exercício a 10% do valor da ação.
Contexto: nova rodada de reestruturação
O movimento vem após o conselho aprovar, em 16 de março de 2026, o ajuizamento de tutela de urgência cautelar antecedente a procedimento recuperacional, além da instauração de mediação com credores. A imprensa especializada classificou o episódio como uma nova crise de caixa da companhia, poucos anos após sua saída da recuperação judicial anterior.
O que muda para a tese do investidor de LUPA3
Para o acionista de LUPA3, a tender offer confirma que a Lupatech está em plena execução de um novo ciclo de reestruturação financeira, com implicações relevantes:
- Alto desconto econômico imposto aos credores, com apenas 10% pago em caixa;
- Conversão massiva de dívida em bônus de subscrição, que pode resultar em novas diluições de capital;
- Continuidade de uma estratégia recorrente na história da companhia, que já converteu dívidas em ações em reestruturações anteriores — inclusive em acordo com detentores de bônus perpétuos, no qual cerca de 86% de uma emissão aprovou a conversão de 80% da dívida em novas ações.
A Lupatech é tradicionalmente fabricante de equipamentos e prestadora de serviços para o setor de petróleo e gás, incluindo válvulas e equipamentos de exploração, segmento fortemente exposto ao ciclo de investimentos da Petrobras. Portais de investimentos destacam o risco elevado para os minoritários diante da recorrência de crises e do histórico de diluições.
O fato relevante foi assinado por Rafael Gorenstein, Diretor Presidente e de Relações com Investidores da companhia.
Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.