A Vale encerrou o segundo trimestre de 2026 com o melhor desempenho operacional para um período abril–junho desde 2018 no minério de ferro e com marcos históricos nos segmentos de cobre e níquel. O relatório de produção e vendas divulgado em 21 de julho — antecipando o resultado financeiro completo previsto para 30 de julho — mostra crescimento ano contra ano em todas as linhas de produto e uma recuperação expressiva sobre o primeiro trimestre, quando fatores sazonais tipicamente comprimem os volumes.
- Produção de minério de ferro: 84,3 Mt (+0,8% a/a; +20,9% t/t) — melhor 2T desde 2018
- Vendas de minério de ferro: 79,7 Mt (+3,1% a/a; +16,1% t/t)
- Preço realizado de finos de minério de ferro (CFR/FOB): US$ 95,0/t (+11,6% a/a; -0,8% t/t)
- Preço realizado de pelotas (CFR/FOB): US$ 137,0/t (+2,2% a/a; +2,4% t/t)
- Produção de cobre: 98,4 kt (+6,3% a/a; -3,8% t/t) — melhor 2T desde 2017
- Vendas de cobre: 97,6 kt (+9,7% a/a; +7,0% t/t)
- Preço realizado de cobre (Salobo + Sossego): US$ 14.062/t (+56,5% a/a; +7,0% t/t)
- Produção de níquel: 42,0 kt (+4,2% a/a; -14,8% t/t) — melhor 2T desde 2020
- Vendas de níquel: 44,4 kt (+7,2% a/a; -0,9% t/t)
- Preço realizado de níquel: US$ 18.061/t (+14,3% a/a; +6,1% t/t)
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O trimestre consolida o ciclo de recuperação de volumes que a companhia vinha sinalizando desde o início de 2026, com aceleração particularmente notável no Sistema Sudeste de minério de ferro e nos ativos brasileiros de cobre. No acumulado do primeiro semestre, a produção de minério de ferro chega a 153,9 Mt (+1,8% a/a) e de cobre a 200,7 kt (+9,4% a/a), ritmos que colocam ambos os segmentos dentro das bandas de guidance para o ano inteiro.
Desempenho frente ao consenso e ao histórico recente
Segundo estimativas de casas como Santander e Genial Investimentos levantadas antes do relatório, o mercado projetava produção de minério de ferro na faixa de 85 a 86 Mt para o 2T26, com vendas ex-ROM em torno de 70 Mt e avanço de aproximadamente 20% t/t na produção, beneficiada pela sazonalidade favorável. A Vale entregou 84,3 Mt, ligeiramente abaixo do teto mais otimista das projeções, mas dentro de uma leitura conservadora do consenso e suficiente para confirmar a narrativa de recuperação.
Na comparação anual, o segundo trimestre de 2025 havia registrado 83,6 Mt de produção de minério de ferro e 77,3 Mt de vendas — base que já refletia alguma normalização operacional. O salto mais revelador é o t/t: saindo de 69,7 Mt no 1T26 (afetado por chuvas e menor ritmo sazonal), a Vale acelerou +20,9% na produção e +16,1% nas vendas, confirmando que o ramp-up de Capanema e VGR1 já produz efeito mensurável no portfólio.
No segmento de cobre, a produção de 98,4 kt no 2T26 supera os 92,6 kt do 2T25, mas fica abaixo dos 102,3 kt do 1T26 — sendo a queda t/t esperada e divulgada pela própria companhia como reflexo da preparação para a parada de manutenção do moinho SAG de Sossego, que começa em agosto. Para o acumulado do semestre, os 200,7 kt colocam o segmento dentro do guidance de 350–380 kt para 2026. O prêmio all-in de minério de ferro ficou em US$ 4,4/t, US$ 1,8/t abaixo do 1T26 — uma compressão que reflete maior participação de produtos mid-grade no mix, mas ainda assim 7,3% acima do 2T25.
Os drivers do resultado: S11D puxa ferro, Sossego e Onça Puma surpreendem nos metais
Minério de ferro: S11D e Capanema compensam Sistema Norte e Sul
O vetor mais relevante do trimestre no minério de ferro foi o Sistema Sudeste, que cresceu 3,3 Mt a/a, totalizando 24,3 Mt. O complexo de Mariana, que inclui Capanema, saltou 41,5% a/a para 9,9 Mt — o ramp-up do projeto, associado ao aumento de produtividade em Alegria e à retomada de Água Limpa (reativada em junho de 2025), explica boa parte do crescimento consolidado da Vale no período. Dentro do Sistema Norte, a S11D atingiu novo recorde para um segundo trimestre: 23,4 Mt, 2,5 Mt acima do 2T25, compensando a menor disponibilidade de run-of-mine em Serra Norte (-4,0% a/a no sistema). O Sistema Sul recuou 1,0 Mt a/a por conta da paralisação total de Fábrica e Viga, vigente desde janeiro de 2026, parcialmente atenuada pelo avanço do VGR1.
O lado negativo do período foi a produção de pelotas, que caiu 7% a/a para 7,3 Mt pela suspensão temporária das plantas de Omã, ligada à escalada do conflito no Oriente Médio e às restrições logísticas associadas. A produção nas usinas omanenses só começou a ser parcialmente retomada no final de junho. Ainda assim, as vendas de pelotas cresceram 3,5% a/a para 7,7 Mt, superando a produção no trimestre, pois a Vale redirecionou pellet feed para as plantas de Tubarão e consumiu estoques para honrar compromissos.
Cobre e níquel: metais básicos com vento a favor de preço e volume
No cobre, o destaque absoluto foi Sossego, que produziu 25,9 kt — alta de 26,3% a/a e o melhor segundo trimestre desde 2017 — em uma estratégia deliberada de maximizar operações antes da reforma de 110 dias do moinho SAG, prevista para agosto. Salobo também registrou recorde para um 2T (52,4 kt), sustentado pela estabilidade operacional do complexo. O preço realizado de cobre a US$ 14.062/t, +56,5% a/a, reflete a alta das cotações na LME, menores descontos de TC/RC e o impacto favorável de liquidações finais de faturas precificadas provisionalmente em trimestres anteriores — um elemento não recorrente que beneficia a realização do período.
No níquel, a grande surpresa positiva foi Onça Puma, que saltou 95,8% a/a para 9,4 kt — o maior segundo trimestre da história da operação — graças ao sólido desempenho do segundo forno. Long Harbour também registrou recorde trimestral de produção de níquel, ancorado em um aumento de 17% na extração das minas subterrâneas de Voisey’s Bay. O contraponto veio de Sudbury, onde a manutenção bienal programada das instalações downstream derrubou a produção de níquel acabado de origem própria 22,1% a/a. O preço realizado de níquel a US$ 18.061/t (+14,3% a/a) reforça a contribuição da linha para a receita do 2T26.
A leitura para o investidor: volumes entregues, custos e dividendos no radar
Ação e valuation
As ações VALE3 são negociadas a R$ 72,37, com variação de +0,61% na sessão mais recente. O market cap é de R$ 304,1 bilhões. Nas últimas 52 semanas, o papel oscilou entre R$ 52,37 e R$ 91,62, sinalizando que, mesmo após a recuperação recente, a ação ainda opera longe da máxima anual — o que, na leitura de parte dos analistas, embute desconto relevante em relação ao valor intrínseco, desde que a conversão de volumes em caixa se confirme.
O que o resultado não responde: custos e dividendos
O relatório de produção e vendas não divulga indicadores financeiros — receita, EBITDA, margem e lucro líquido só virão no balanço de 30 de julho. E é exatamente nesse ponto que reside a principal incerteza do mercado. Segundo projeções do Santander e da Genial levantadas previamente, o custo C1 de minério de ferro no 2T26 seria de aproximadamente US$ 25/t, com alta de cerca de 7% t/t e de 13,5% a/a — o que significaria que parte expressiva do ganho de volume e de preço de realização poderia ser consumida pelo avanço de custos unitários. A compressão do prêmio all-in (-US$ 1,8/t t/t) e a menor participação de pelotas no mix reforçam essa pressão pontual.
Quanto à política de proventos, a Vale opera com um modelo de distribuição atrelado à geração de caixa e à alavancagem, sem anúncios específicos neste relatório. A capacidade de sustentar dividendos robustos — tema central para o investidor pessoa física e para fundos de income — dependerá da confirmação de geração de caixa livre no 2T26, que só se saberá em 30 de julho.
Riscos e oportunidades
Entre os riscos a monitorar: a parada do SAG de Sossego (110 dias a partir de agosto) deve reduzir a produção de cobre no 3T26; a situação em Omã permanece dependente da dinâmica geopolítica no Oriente Médio; e a pressão de custos pode limitar a expansão de margens mesmo com volumes elevados. Entre as oportunidades: o início de operação dos projetos Serra Sul +20 e Britador de Compactos no 2S26 deve ampliar a flexibilidade operacional do Sistema Norte e contribuir para volumes a partir de 2027; o preço internacional do cobre acima de US$ 14.000/t cria alavancagem relevante para a receita da Vale Base Metals; e a expansão da capacidade de Clarabelle e a retomada do Moinho de Barras #1 em Sudbury pavimentam a recuperação do níquel canadense a partir do 2S26.
O que observar nos próximos passos
O principal evento da agenda é o resultado financeiro completo do 2T26, marcado para 30 de julho de 2026 após o fechamento do mercado — o momento em que receita, EBITDA, margem e lucro líquido serão conhecidos e permitirão avaliar se a melhora de volumes se traduziu em geração de valor. Na teleconferência que deve ocorrer nos dias seguintes, o mercado monitorará especialmente: a evolução do C1 de minério de ferro; qualquer revisão no guidance de produção para 2026 (atualmente 335–345 Mt para minério de ferro, 30–34 Mt para aglomerados, 350–380 kt para cobre e 175–200 kt para níquel); e o anúncio de eventuais proventos associados ao resultado. O andamento dos projetos Serra Sul +20 e Britador de Compactos — com start-up previsto para o 2S26 — também deve ganhar destaque, assim como a evolução da situação operacional em Omã. Para VALE3, o trimestre entregou a parte mais fácil de verificar: os volumes. A prova de fogo chega em 30 de julho, quando o mercado saberá se a mineradora conseguiu converter esse desempenho operacional em caixa — e em dividendos.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.