Neogrid (NGRD3) fecha o capital: CVM defere cancelamento de registro

CVM defere cancelamento de registro da Neogrid (NGRD3), que fecha o capital e sai da B3 após OPA da Dalpe/Grupo Hindiana a R$ 33,82 por ação.
Neogrid fecha o capital: CVM defere cancelamento de registro e ações saem da B3

A Neogrid Participações S.A. (NGRD3) deixou de ser companhia aberta em 14 de julho de 2026. Nessa data, a empresa recebeu o Ofício nº 145/2026/CVM/SEP/GEA-2, por meio do qual a Comissão de Valores Mobiliários deferiu o pedido de cancelamento de registro de emissor de valores mobiliários na categoria “A”, nos termos do artigo 52 da Resolução CVM 80/22. Com isso, as ações da Neogrid deixaram de estar listadas para negociação na B3 — ou em qualquer outro mercado organizado — a partir daquela data. A companhia, sediada em Joinville (SC) e especializada em soluções de tecnologia para gestão de cadeia de suprimentos (supply chain), passa agora a operar como sociedade de capital fechado.

NGRD3 Neogrid Participacoes SA Ativo
R$ 34,28 0,00%
Cotação · atualizada há 3 horas
Variação (6 meses) 29,4%
Máxima (6 meses) R$ 40,95
Mínima (6 meses) R$ 26,02
Cotação de NGRD3 — últimos 6 meses
máx R$ 40,95 mín R$ 26,02

Fonte: B3 via Brapi. Valores podem ter atraso em relação ao pregão. Conteúdo informativo, não é recomendação de investimento.

O comunicado, assinado pelo Diretor Financeiro e de Relações com Investidores, Augusto Henrique Fernandes Vilela, indica ainda que a companhia convocará, oportunamente, uma Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre o resgate compulsório das ações remanescentes em circulação, mecanismo previsto no §5º do artigo 4º da Lei nº 6.404/1976 — a Lei das S.A. Esse é o passo final que liquida a participação de acionistas minoritários que eventualmente não tenham aderido à oferta pública.

A OPA da Dalpe/Grupo Hindiana que abriu caminho para o fechamento

O cancelamento de registro é o desfecho de um processo iniciado ainda em dezembro de 2025, quando a Dalpe Gestão e Participações — veículo do Grupo Hindiana, liderado por Alfredo Villela Filho — protocolou na CVM o pedido de registro de uma Oferta Pública de Ações Unificada para Aquisição de Controle e Cancelamento de Registro. O edital foi divulgado em 7 de maio de 2026 e a operação reuniu, em um único instrumento, a transferência de controle e a retirada da companhia do Novo Mercado da B3.

O leilão da OPA ocorreu em 27 de maio de 2026 e a liquidação financeira em 29 de maio de 2026, quando o pagamento foi efetivado ao preço de R$ 33,82 por ação, corrigido pela Selic. Com a operação, a Dalpe adquiriu cerca de 54% do capital — percentual mínimo exigido para viabilizar simultaneamente a aquisição de controle, o cancelamento de registro e a saída do Novo Mercado. Após a liquidação, os acionistas David Abuhab, Isaac Abuhab e o fundo Izmir venderam suas participações, enquanto o fundo YAFO permaneceu com 31,71% do capital social.

Vale registrar que o processo não foi linear: o preço enfrentou questionamento de minoritários. A oferta inicial girava em torno de R$ 29 por ação e chegou a R$ 30,89 em versões posteriores, e uma Assembleia Especial de Titulares de Ações em Circulação aprovou a contratação da Seneca Evercore para elaborar novo laudo de avaliação, elevando o valor até o patamar final de R$ 33,82.

Neogrid no setor de tecnologia para supply chain

A Neogrid atuava no segmento de Supply Chain Management (SCM), oferecendo plataformas de colaboração entre indústrias, distribuidores e varejistas para gestão de estoques, previsão de demanda e visibilidade de cadeia. Trata-se de um nicho de SaaS B2B com dinâmica específica: receita recorrente, ciclos de venda longos e alta dependência de integrações com ERPs de grandes clientes.

A saída da bolsa, nesse contexto, pode refletir tanto uma decisão estratégica do novo controlador de operar sem os custos e obrigações de uma companhia aberta, quanto a avaliação de que o mercado de capitais não vinha precificando adequadamente o potencial da plataforma. Segundo o próprio processo de OPA, a estratégia do Grupo Hindiana envolve encaixar a Neogrid em um ecossistema que reúne ativos de software, logística, infraestrutura de dados e serviços financeiros.

O que muda para quem ainda tinha ações

Com o deferimento do cancelamento de registro pela CVM, as ações da Neogrid deixaram de ser negociáveis em bolsa a partir de 14 de julho de 2026. Acionistas que aderiram à OPA já receberam recursos na liquidação de 29 de maio, e os remanescentes tiveram um prazo adicional, até 29 de junho de 2026, para vender à ofertante pelo mesmo preço da oferta. O ponto de atenção agora recai sobre os acionistas remanescentes que, por qualquer razão, ainda não se desfizeram dos papéis.

Resgate compulsório: o próximo passo

Para esses acionistas, a lei prevê o resgate compulsório, instrumento pelo qual a companhia adquire forçosamente as ações ainda em circulação. A convocação da Assembleia Geral Extraordinária que deliberará sobre o resgate ainda não tem data definida — o fato relevante usa o termo “oportunamente” —, mas trata-se de etapa juridicamente necessária para concluir o fechamento.

Sem cotação, sem pregão

Como a companhia já opera sob capital fechado, não há mais preço de mercado a acompanhar. O valor de referência para os acionistas remanescentes tende a seguir o parâmetro estabelecido no âmbito da OPA, conforme o laudo de avaliação protocolado na CVM durante o processo.

O que acompanhar nos próximos meses

O capítulo do fechamento de capital da Neogrid ainda tem um último ato a cumprir. Os sinais a monitorar são:

  • Convocação da AGE para resgate compulsório: a data e o conteúdo dessa convocação definirão os termos finais para os minoritários remanescentes.
  • Comunicações ao mercado pós-fechamento: embora já seja fechada, a Neogrid pode ainda precisar protocolar documentos na CVM relacionados ao encerramento de suas obrigações como ex-emissora de categoria “A”.
  • Estratégia do Grupo Hindiana: como o grupo adquirente integrará a plataforma ao seu ecossistema de software, logística, dados e serviços financeiros.

O fechamento de capital da Neogrid consolida uma tendência do mercado brasileiro de tecnologia: empresas de médio porte, pressionadas pela equação de crescimento versus rentabilidade, tornam-se alvos de consolidadores com capital e apetite por expansão.

Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.

A decisão da Neogrid de fechar o capital e sair do mercado acionário não é um caso isolado. Outras empresas, como a T4F, também optaram por seguir esse caminho, como visto no fechamento de capital da T4F, que foi concretizado após uma Oferta Pública de Ações (OPA) liderada por Fernando Alterio.

Outro caso recente de fechamento de capital foi o da T4F, que após uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) liderada por Fernando Alterio, atingiu o quórum necessário e saiu do Novo Mercado, um movimento que reflete a tendência de companhias buscarem maior controle e flexibilidade em suas operações, como pode ser visto em detalhes no fechamento de capital da T4F.

A decisão da Neogrid de fechar seu capital e cancelar o registro na CVM reflete uma tendência de companhias que buscam maior flexibilidade e menos burocracia. Um exemplo semelhante é o caso da T4F, que também fechou seu capital após uma Oferta Pública de Ações (OPA) liderada por Fernando Alterio, resultando na saída da companhia do Novo Mercado.

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Fonte: Banco Central · 27/08/2026

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