A Brisanet Serviços de Telecomunicações S.A., maior provedora de banda larga fixa por fibra óptica do Nordeste segundo o ranking da Anatel, aprovou a versão revisada de sua Política de Divulgação de Ato ou Fato Relevante em 11 de julho de 2026, pelo Colegiado de Diretores e pelo Conselho de Administração. O documento revoga todas as versões anteriores e passa a reger, com vigência imediata, a conduta de administradores, conselheiros, empregados com acesso a informação privilegiada, acionistas controladores e demais pessoas vinculadas.
A política toma como referência central a Resolução CVM nº 44/21, ao lado da Resolução CVM nº 80/22 e do Regulamento do Novo Mercado da B3. Mais do que uma obrigação regulatória, a atualização sinaliza um estágio de maturidade institucional — e ocorre no momento em que a companhia, negociada na B3 sob o código BRST3, executa um dos ciclos de investimento mais intensos de sua história.
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Da cidade de Pereiro ao Novo Mercado
Fundada em 1998 em Pereiro, no interior do Ceará, por José Roberto Nogueira, a Brisanet transformou uma provedora regional via rádio em um player nacional de fibra óptica. O IPO foi realizado em julho de 2021, no segmento Novo Mercado, com ações precificadas a R$ 13,92 — piso da faixa estimada — movimentando cerca de R$ 1,44 bilhão. Na ocasião, os papéis eram negociados sob o código BRIT3, da então Brisanet Participações.
Em 4 de dezembro de 2024, a Brisanet Participações foi incorporada pela Brisanet Serviços de Telecomunicações; a negociação de BRIT3 foi encerrada nessa data e, a partir de 5 de dezembro de 2024, as ações passaram a ser negociadas no Novo Mercado sob o código BRST3. É esta a entidade a que se refere a política ora aprovada.
A arquitetura de responsabilidades é clara: o Diretor de Relações com Investidores é o responsável por comunicar fatos relevantes simultaneamente à CVM e às bolsas, antes do início ou após o encerramento dos negócios. O documento também determina divulgação em inglês simultânea à versão em português e mantém o dever de sigilo por um ano após o desligamento de pessoas vinculadas — proteção relevante em processos de M&A e expansão geográfica.
O setor de ISPs e a corrida por escala
A Brisanet compete na B3 com outros provedores independentes que abriram capital em 2021, como Desktop (DESK3) e Unifique (FIQE3). O trio chegou à Bolsa com margens elevadas, mas enfrentou forte desvalorização desde os IPOs, em meio à guerra de preços e à fragmentação do mercado. O diferencial da Brisanet é a escala e a diversificação — fibra fixa, telefonia móvel 4G/5G e o modelo de franquias via Agility Telecom.
O CEO José Roberto Nogueira tem apontado que a fiscalização da Anatel sobre provedores irregulares pode acelerar a consolidação do setor, o que favorece o crescimento inorgânico da companhia. A escala, contudo, também aumenta a exposição a exigências de governança e à vigilância do regulador sobre o fluxo de informação — pano de fundo direto para a política recém-aprovada.
Números que sustentam a tese
A Brisanet encerrou 2025 com receita líquida de R$ 1,677 bilhão, alta de 17,5% na comparação anual, e EBITDA ajustado de R$ 748,8 milhões, avanço de 23,8%. A base de acessos móveis encerrou o ano em cerca de 852 mil, crescimento de 152% em 2025 — mais que dobrando ao longo do exercício. No primeiro trimestre de 2026, a receita líquida atingiu R$ 453,9 milhões (+16% na comparação anual), com a base móvel saltando para cerca de 954 mil assinantes, alta de 111% em 12 meses.
O contexto financeiro, porém, exige leitura atenta. O capex de 2025 somou R$ 751,5 milhões, acima do guidance inicial, e a dívida líquida encerrou o ano em torno de R$ 1,66 bilhão, com alavancagem de 2,21 vezes o EBITDA. No 1T26, o endividamento líquido subiu para cerca de R$ 1,69 bilhão, elevando a alavancagem para 2,24 vezes. O lucro líquido de 2025 recuou de R$ 60,8 milhões (2024) para R$ 40,9 milhões — queda de 32,7% —, pressionado por um prejuízo de R$ 24,2 milhões no 4T25, originado por despesa tributária não recorrente ligada a acordo de ICMS no Rio Grande do Norte.
Riscos no horizonte
- A expansão para o Centro-Oeste, prevista para julho de 2026, deve cobrir cerca de 115 cidades em Goiás (62) e Mato Grosso do Sul (53), com foco em municípios de até 30 mil habitantes — custos pré-operacionais podem pressionar margens antes da geração de receita em escala.
- O ciclo de investimento intenso mantém a alavancagem acima de 2 vezes o EBITDA e o fluxo de caixa livre pressionado, tornando o custo de capital um fator sensível.
- Casas de análise mantêm postura cautelosa: a XP, por exemplo, adota recomendação Neutra para BRST3, citando os riscos de execução do 5G e as elevadas necessidades de capex em ambiente de juros elevados.
Oportunidades
- A operação móvel segue como principal alavanca de crescimento, com a base 4G/5G mais que dobrando em 12 meses.
- A cobertura da rede alcançou cerca de 14,7 milhões de habitantes ao fim de 2025, criando potencial de cross-sell entre fibra e móvel ainda não plenamente monetizado.
- A regularização do mercado de provedores pode abrir janelas de M&A favoráveis à companhia.
O que acompanhar nos próximos meses
- Execução no Centro-Oeste: as primeiras ativações em Goiás e Mato Grosso do Sul, previstas para julho de 2026. Atrasos podem comprometer a narrativa de crescimento.
- Evolução da dívida e da alavancagem: com relação dívida líquida/EBITDA em torno de 2,24 vezes, mudanças no ciclo de juros afetam a capacidade de investimento.
- Resultados trimestrais: os próximos balanços devem capturar o impacto inicial da operação no Centro-Oeste e a evolução da margem móvel.
- Movimentos de M&A: qualquer aquisição relevante deverá ser comunicada sob os critérios estritos da política recém-aprovada.
- Adoção interna da política: novos administradores e pessoas vinculadas devem assinar o Termo de Adesão antes de acessar informações privilegiadas, sob acompanhamento do Conselho e da área de compliance.
Leia também: acompanhe as últimas notícias e fatos relevantes do mercado e as análises de ações da B3 na Renova Invest.
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Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. A Renova Invest não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.