Veja o que diz a carteira trimestral de dividendos do BTG Pactual

Veja o que diz a carteira trimestral de dividendos do BTG Pactual

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Trimestralmente, estrategistas do Research Banco BTG Pactual escolhem as empresas que vão compor a Carteira recomendada de dividendos, ou seja, indicam aquelas que oferecem uma remuneração acima do valor de mercado para seus acionistas.

Em síntese, os analistas avaliam o valor da companhia a partir da distribuição de dividendos. Isto é, com o objetivo de entregar ativos de alta qualidade e corporações monetariamente saudáveis aos investidores. O balanço é divulgado a cada três meses com o ranking dos cinco melhores papeis da bolsa, o que inclui os mais diversos setores.

Nesta última carteira trimestral, o relatório aponta uma maior estabilidade política e fortes fluxos que apoiam o mercado.

BBSE e TRPL4 são os novos integrantes para o trimestre a frente e no mês de agosto foram incluídos no portfólio a BB Seguridade por ser uma ótima alternativa de “valor” versus bancos. Além disso, tem a questão da sua perspectiva positiva quanto a visibilidade de resultados nos próximos 12 meses e forte pagamento de dividendos (5,2% e 5,5% para 2020 e 2021, respectivamente).

Paralelamente, foi adicionada também a ISA CTEEP (TRPL). Desse modo, ela foi adicionada pelo seu perfil sólido de geração de caixa e forte perspectiva de dividendos (8,7% e 8,6% para 2020 e 2021, respectivamente. Além disso, com chance para dividendos de dois dígitos.

carteira para o mês de agosto

Com isso, saem da carteira trimestral o Banco do Brasil e a AES Tietê. E a previsão final é otimista: de que continuam com um portfólio diversificado e sólido, com fortes geradores de caixa.

Mais estabilidade política

Com o quarto mês consecutivo de alta, o Ibovespa subiu 8,3% e agora está 62% acima do mínimo de 23 de março. Em ~103 mil pontos, e ex-Petrobras & Vale, negocia a 18,5x P/L de 12 meses projetados e 15,3x P/E 2021E, um prêmio à sua média histórica de 12,7x.

Com as taxas de longo prazo continuando em uma tendência de baixa (3,4% no final de julho vs. 4,1% no final de junho), à medida que o balanço de riscos melhora e as projeções de atividade econômica aumenta, a tendência é que os fundamentos justifiquem o valuation atual do Ibovespa.

Passamos de um cenário em que os investidores estavam preocupados com um possível impeachment do presidente em abril para um em que o governo tem uma base de apoio estável no Congresso e os índices de popularidade estão aumentando.

Dívidas

A dívida em relação ao PIB encerrará o ano em níveis recordes. Além disso, reduzi-lá (embora gradualmente) o mais rápido possível é a chave para mostrar aos investidores que o processo de consolidação fiscal do Brasil continua sendo um pilar importante desse governo.

O Ibovespa parece bem precificado sob os fundamentos atuais. Pela análise top-down da carteira trimestral, assume taxas de juros reais de longo prazo de 3,4% (ou seja, o nível atual). Bem como a inflação de 2,5%, ROE de 15% e crescimento real do PIB de 2%, aponta para um P/L alvo de 16x, indicando um potencial de valorização de apenas 3%.

Assumindo taxas de juros reais de longo prazo de 3% (nível pré-crise). Além disso, inflação de 2,5% e o mesmo crescimento real de 2% do PIB, nos dá um P/L alvo de 17,6x e um potencial de valorização de 14%.

Fluxos fortes para ações podem continuar sendo o principal driver no curto prazo. Com o ruído político reduzido e taxas de juros de curto prazo incrivelmente baixas, além expectativa de outro corte de 25bps em agosto (Selic está em 2,25%). Desse modo, colocará as taxas reais de curto prazo muito próximas de zero. Isso pode deixar a porta aberta para que mais recursos locais fluam para as ações.

A partir disso, os analistas sugerem que é razoável supor que as alocações para ações devam crescer.

Cenário Coronavírus

No Brasil, a maioria dos dados indica que a pandemia permaneceu em um nível muito alto nas últimas semanas. Depois que a média móvel de infecções ficou relativamente estável na primeira quinzena de julho (~ 35 mil novas infecções por dia), houve um aumento no número de novos casos desde a semana passada.

Porém, à medida que mais testes estão sendo realizados, isso não significa necessariamente que a pandemia esteja piorando. Apesar do platô na curva de mortes diárias (a média móvel de 7 dias é 1.052). Ou seja, o surto está avançando gradualmente no interior, com vários estados/regiões agora vendo sua primeira onda de infecções por Covid-19 (Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Distrito Federal). Porém,  com vários estados começando a reabrir, não podem ser descartados os riscos de uma segunda onda.

A capacidade de utilização de UTI melhorou um pouco em vários estados em relação ao mês passado. Um desses estados era São Paulo, onde os níveis de ocupação dos leitos de UTIs exclusivos de Covid começaram a normalizar novamente (65% vs. 92% em meados de maio).

Quem compõe a nova carteira trimestral?

carteira treimestral

Taesa (TAEE11):

A TAESA é um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil em termos de Receita Anual Permitida (RAP). Desse modo, ela dedica-se exclusivamente à construção, operação e manutenção de ativos de transmissão. Atualmente, a companhia possui presença em todas as 5 regiões do país com 36 concessões e 12.725 km de linhas de transmissão.

Olhando um pouco para o histórico de execução da TAESA, vemos que ao longo dos últimos anos ela conseguiu manter uma estabilidade positiva em sua receita líquida. Desse modo, demonstra a resiliência de seu modelo operacional e do setor de transmissão de energia. Mesmo em momentos mais difíceis da economia – ao passo que conseguiu elevar sua margem líquida de 48% para 81%, com uma margem EBITDA estável próxima a 80% (maior EBITDA do setor de transmissão).

(VIVT4):

A Telefônica Brasil (Vivo) é a maior empresa de telecomunicações do Brasil. Ela atua com uma ampla gama de produtos e serviços como telefonia fixa e móvel, banda larga fixa e móvel, TV por assinatura, dados, serviços digitais, entre outros.

As operadoras de telecomunicações, em geral, devem superar o desempenho de outros setores, dado seu modelo de negócios resiliente, fortes balanços (principalmente Vivo e TIM) e geração de fluxo de caixa.

A Vivo é uma ação especialmente interessante para possuir em tempos incertos, acreditamos. A empresa gera um fluxo de caixa bom e consistente. Ademais, tem um longo histórico de pagamento de dividendos consideráveis (dividend yield de 5,7% e 5,9% para 2020 e 2021, respectivamente).

Embora seus negócios sejam afetados pela esperada desaceleração econômica (principalmente em pré-pagos e B2B), o impacto na receita pode ser contido e deve ser maior do que no EBITDA à medida que a otimização de custos continua.

Por fim, no eventual cenário da proposta conjunta da VIVO, TIM e Claro pelas operações móveis da Oi S.A. ser a vencedora, a companhia se beneficiará diretamente da consolidação do setor. Desse modo, se previne a entrada de mais um competidor e garantindo um mercado de 3 players no longo prazo.

(EGIE3):

A ENGIE integra a maior produtora independente de energia do país, sendo também agente ativo na comercialização de energia. Em 2017, ingressou no segmento de transmissão de energia e, em 2018, adquiriu os 50% remanescentes das ações da ENGIE Geração Solar Distribuída.

O ano de 2019 marca a entrada no segmento de gás natural brasileiro ao adquirir participação na Transportadora Associada de Gás (TAG).

Ao fim do quarto trimestre de 2019, a empresa contava com uma capacidade instalada própria de 8.711 MW. Isto é, operando um parque gerador de 10.431 MW, composto por 60 usinas, sendo 11 hidrelétricas, quatro termelétricas e 45 complementares – três a biomassa, 38 eólicas, duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e duas solares.

A empresa sempre manteve um prêmio frente as demais Utilities devido a uma combinação de liquidez, capacidade de entregar crescimento com disciplina de alocação de capital e pagamento de dividendos.

ISA CTEEP (TRPL4):

A ISA CTEEP (TRPL) é a maior empresa privada de transmissão do setor elétrico brasileiro. Por meio de suas atividades e de suas controladas e coligadas, a Companhia atua em 17 estados do país. Além disso, é responsável por aproximadamente 33% de toda a energia elétrica transmitida pelo Sistema Interligado Nacional (SIN).

Em 31 de dezembro de 2019, a capacidade instalada da Companhia (controladora, controladas e coligadas em operação) totalizou 65,9 mil MVA de transformação. Além disso, 18,6 mil quilômetros de linhas de transmissão, 25,8 mil quilômetros de circuitos e 126 subestações próprias. Em junho, a ANEEL aprovou um aumento de 9,75% nas receitas (RAP) de 2018 do contrato 059/2001 (incluindo RBSE), de R$ 2.452 bilhões para R$ 2.692 bilhões.

O aumento foi impulsionado por um WACC regulatório mais alto e pela inclusão do componente de custo de capital próprio (Ke) no RBSE a receber. Esse aumento gerou uma parcela de ajuste de R$ 892 milhões, que será recebido por um período de três anos até 2023.

Acredita-se que a empresa continuará pagando dividendos consideráveis nos próximos anos.

BB Seguridade (BBSE3):

A BB Seguridade Participações S.A. (BB Seguridade) é uma empresa de participações (holding) controlada pelo Banco do Brasil S.A. (Banco do Brasil) e que atua em negócios de seguridade.

Desse modo, suas participações societárias atualmente estão organizadas em dois segmentos: negócios de risco e acumulação; negócios de distribuição.

Contando com a rede de distribuição do Banco do Brasil como o principal canal de comercialização de um portfólio completo de produtos com a intermediação de uma corretora própria, a BB Seguridade ocupa hoje posição de destaque no mercado em todos os segmentos em que está presente.

Acredita-se que as ações da BB Seguridade são uma boa alternativa de “valor” versus bancos. A alavancagem aqui é muito menor. Ademais, a visibilidade dos resultados nos próximos 12 meses é muito mais clara. O pagamento de dividendos é muito mais alto. Os bancos foram impedidos de pagar dividendos acima do mínimo estabelecido no Estatuto Social. Portanto, o segmento de seguros enfrenta muito menos riscos políticos/regulatórios.

Vale ressaltar que desde o dia 8 de novembro de 2019 até o fechamento de julho de 2020, a Carteira Recomendada de Dividendos acumula uma rentabilidade de 0,3%, ante -4,38% do Ibovespa e -2,64% do IDIV.

Considerações Finais

A montagem da carteira trimestral recomendada e sua análise foram feitas pela equipe de research do BTG. Além disso, o relatório completo você pode fazer o download clicando aqui. Reforçamos que não se trata de uma recomendação da Renova Invest. A Carteira trimestral foi montada pela equipe de research do BTG e o relatório completo foi assinado pelos analistas do BTG.

Entre em contato para conversarmos a respeito de novas oportunidades de investimento compatíveis com o seu perfil e momento de vida. Decerto, é saudável rever as posições de sua carteira e analisar se os ativos atuais ainda fazem sentido dentro de sua estratégia.

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