No dia 25 de fevereiro de 2021, foi apresentado o resultado do Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20 e as equipes de Equity Research da Eleven Financial Research e do BTG Pactual já realizaram a análise dos dados divulgados. Confira os pontos principais.

Prejuízo líquido por itens não recorrentes

De acordo com o relatório do BTG Pactual, o desempenho do Burger King Brasil (BKBR3) ainda foi afetado pela pandemia, mas com tendência de recuperação gradual.

Enquanto isso, de acordo com o relatório da Eleven, o desempenho operacional retornou ao patamar pré-pandemia e anunciou iniciativas positivas para a companhia. Entretanto, itens não recorrentes comprometeram seu resultado líquido.

Os destaques do período foram impactos da pandemia e resultado operacional.

No dia em que o relatório foi publicado, as ações BKBR3 estavam sendo negociadas a R$ 9,60. A capitalização de mercado era de R$ 2,62 bilhões. O volume médio dos últimos 12 meses era de R$ 21,48 milhões.

Resultado Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20

Impactos da pandemia continuam

De acordo com o BTG Pactual, os resultados do Burger King Brasil foram novamente afetados pela pandemia no 4T20, mas com tendência de recuperação gradual.

O crescimento de SSS (vendas nas mesmas lojas) no formato Free Standing contribuiu positivamente no período. As lojas nesse modelo se mostraram resilientes, permitindo rápida adaptação para operação tanto do modelo Delivery quanto Drive Thru, segundo a Eleven.

Na comparação de base anual, os destaques continuam sendo o delivery, o totem de vendas e as vendas BK Express, com aumento para R$ 165 milhões (+142%) no 4T20, com receita de delivery em alta (+178%).

Esse resultado se deu em virtude dos esforços da companhia para adicionar novos agregadores, expandir o número de restaurantes que aceitam delivery (540 contra 512 no 3T20) e implantação da plataforma própria de delivery (disponível em 100 lojas).

Entretanto, não foi o suficiente para compensar o efeito negativo das lojas de shoppings afetadas pelas restrições governamentais, levando à queda do SSS da companhia.

O SSS no período caiu (-8,6%) na bandeira Burger King, enquanto o SSS na bandeira Popeyes, que atua somente em shoppings, teve queda (-6,2%) na comparação de base anual.

Assim, a receita líquida do Burger King Brasil atingiu R$ 774 milhões (-4%), após forte queda nos trimestres anteriores (de -28% no 3T20 e -57% no 2T20). Enquanto isso, a companhia encerrou o ano de 2020 com 905 lojas, com 13 inaugurações e encerrou 8 lojas no período.

Desalavancagem operacional e menores vendas

Conforme o relatório da Eleven, o EBITDA reportado pelo Burger King Brasil teve queda no 4T20 (em comparação ao 4T19).

Antes, cabe ressaltar a margem bruta da companhia, de 59,6% (queda de -260 bps na comparação de base anual), que continua pressionada dado o aumento dos preços de commodities. Além disso, a pandemia (que pressiona o mercado de restaurantes, por conta das restrições sanitárias), impossibilitou o repasse total dos preços aos consumidores.

Por sua vez, a queda do EBITDA é reflexo da desalavancagem operacional (como consequência do SSS negativo) e do aumento da representatividade das vendas por delivery, que possuem menor margem dadas as despesas de frete e taxas (“take-rate”) dos serviços agregadores (como Rappi e iFood, por exemplo), que são tendência estrutural.

Além disso, a queda está associada: i) ao aumento das despesas com limpeza de restaurantes; ii) ao efeito do término da MP 939, que reduzia a jornada e o salário de funcionários temporariamente; e iii) ao fim da redução de desconto no aluguel dos imóveis.

O resultado também foi impactado pela antecipação de investimentos em sistemas e softwares, que apoiam sua transformação digital.

Por fim, o resultado líquido negativo do período se deve a uma maior alíquota de imposto, com a empresa não reconhecendo impostos diferidos sobre a base negativa da contribuição social para o lucro líquido (CSLL).

Digitalização e perspectivas para os próximos anos

De acordo com o BTG Pactual, os resultados do Burger King Brasil foram fracos no último ano.

Entretanto, o desempenho da receita tem melhorado em virtude dos canais digitais (embora às custas de margens menores). Segundo a Eleven, a companhia tem avançado em iniciativas que buscam tornar a compra da refeição mais conveniente .

Entre as iniciativas, estão: i) seu app (aplicativo), que atingiu R$ 35 milhões de downloads e 8 milhões de usuários cadastrados no 4T20; ii) totens em restaurantes (presentes em quase 50% da rede); iii) ampliação do serviço de delivery através das parcerias com agregadores.

Nota-se que o app desempenha um papel fundamental no roll-out (transformação) do CRM (Gestão de Relacionamento com o Cliente) e do programa fidelidade, garantindo uma taxa maior de retenção de clientes.

Além disso, a companhia vem testando projetos pilotos. Entre eles, estão a Ghost Kitchen (que endereça bem o delivery, hoje responsável por 15% das vendas totais) e o WhatsApp como canal de atendimento com pagamento suportado pelo Mercado Pago ou pelo Pix.

Apesar de ter alguns gatilhos de curto prazo, o histórico de expansão e forte balanço patrimonial após follow-on (nova oferta de ações) no ano passado devem permitir que a companhia continue ganhando participação de mercado no fragmentado setor de restaurantes brasileiros nos próximos anos.

Resultado Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20

EBITDA tem queda na comparação anual

Conforme informa a Eleven, o EBITDA do Burger King Brasil ficou em R$ 72,1 milhões. O número revela queda de -57,9% em relação ao 4T19.

Prejuízo Líquido impactado por itens não recorrentes

Conforme o relatório da Eleven, o prejuízo líquido do Burger King Brasil no 4T20 foi de R$ 97 milhões. Esse resultado representa queda de -1408% em relação ao 4T19.

O resultado foi severamente impactado por itens não recorrentes de baixa de ativos relativos ao fechamento de restaurantes (no valor de R$ 12 milhões), não reconhecimento do diferimento do IR e CSLL (de R$ 46 milhões) e one-off (R$ 6 milhões).

Resultado Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20

Resultado Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20: Recomendações

Recomendação do BTG Pactual

A equipe de análise do BTG Pactual considera que o Burger King Brasil (BKBR3) tem alguns gatilhos no curto prazo. Entretanto, seu histórico de expansão e forte balanço patrimonial após o follow-on no último ano devem permitir que a companhia continue ganhando participação no setor de restaurantes no país no longo prazo.

Assim, estabelece recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 13,00.

Recomendação da Eleven Financial Research

A equipe de análise da Eleven considera que o Burger King Brasil (BKBR3) ainda pode ser impactado pela pandemia, pois o atual cenário de segunda onda pode obrigar governos a estabelecerem restrições de circulação, adiando o retorno da companhia aos níveis pré-pandemia.

Assim, estabelece recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 12,00.

 

Esta foi nossa apresentação da análise das equipes de Equity Research da Eleven Financial Research e do BTG Pactual sobre o resultado do Burger King Brasil (BKBR3) para o 4T20. Acompanhe os conteúdos da Renova Invest para ter acesso a todas as análises de resultados trimestrais.

Disclaimer: As informações apresentadas neste artigo são provenientes de relatórios elaborados por terceiros. Esse material tem caráter puramente informativo, e não configura recomendação ou sugestão de investimento.