No dia 04 de março de 2021, foi apresentado o resultado da Azul (AZUL4) para o 4T20 e as equipes de Equity Research da Eleven Financial Research e do BTG Pactual já realizaram a análise dos dados divulgados. Confira os pontos principais.

Recuperação nas tarifas corporativas

De acordo com o relatório do BTG Pactual, embora poluído por itens não recorrentes, os números da Azul (AZUL4), os números do 4T20 ficaram em grande parte acima das estimativas feitas pela equipe.

Enquanto isso, de acordo com o relatório da Eleven, o resultado não trouxe novidades relevantes no período, com destaque positivo apenas uma recuperação nas tarifas corporativas. Por outro lado, a companhia espera uma paralisação do ritmo de recuperação nos próximos meses.

Os destaques do período foram recuperação nas tarifas corporativas e maior liquidez da história da companhia.

No dia em que o relatório foi publicado, as ações AZUL4 estavam sendo negociadas a R$ 38,50. A capitalização de mercado era de R$ 13,15 bilhões. O volume médio dos últimos 12 meses era de R$ 365,49 milhões.

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Recuperação nas tarifas corporativas

De acordo com a Eleven, o resultado da Azul no 4T20 não trouxe novidades relevantes, com destaque positivo apenas para a recuperação nas tarifas corporativas.

Na conferência de resultados, a companhia divulgou que o preço médio da tarifa corporativa em janeiro de 2021 apresentou redução de apenas -2% (na comparação de base anual).

O desempenho foi melhor do que seus pares, mas o volume ainda não superou 50% do nível pré-pandemia. Nota-se que esse segmento é o que possui tarifas médias mais altas.

Entretanto, de acordo com o management, a melhora sequencial nas tarifas nos últimos meses deve ser interrompida em março e início de abril devido às novas medidas de restrições impostas pelos governos. Por sua vez, a retomada deve ocorrer de acordo com o avanço da vacinação da população.

Recuperação dos yields no último trimestre

De acordo com a Eleven, os dados de tráfego são reportados mensalmente e, assim, o yield é a informação mais importante sobre a recuperação de mercado divulgada nos resultados do trimestre.

Na comparação de base anual, o PRASK (receita de passageiros por assentos-quilômetros oferecidos) caiu -26%. Essa queda é reflexo de um declínio na receita líquida de passageiros e uma redução de -33% do ASK (assentos-quilômetros oferecidos).

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Por sua vez, a taxa de ocupação atingiu 81% (contra 83% em 2019). Quanto aos ex-itens não recorrentes, teve alta de +17%. O CASK (Custo por ASK), ajudado ex-combustível, aumentou +35%.

Os yields caíram -24% no período. Já o RASK (receita operacional por assentos-quilômetro oferecidos) diminuiu -18%, refletindo reduções no yield e na taxa de ocupação.

Enquanto isso, na comparação de base trimestral, o PRASK teve alta de +23%, enquanto o ASK teve alta de +99%. Já o RASK teve alta de +11% e o CASK teve queda de -35%.

Maior liquidez da história da companhia

Com a entrada dos recursos das debêntures conversíveis durante o último trimestre de 2020, a Azul encerrou o ano com a maior posição de liquidez da sua história, segundo a Eleven

De acordo com o BTG Pactual, a companhia encerrou o período com R$ 4,0 bilhões em caixa (ante R$ 1,7 bilhão no 3T20), devido ao capital levantado por meio da emissão de debêntures conversíveis. O caixa representou 70% da receita nos últimos 12 meses (contra 32% no trimestre anterior).

Considerando os depósitos, as reservas de manutenção e outros ativos disponíveis, a liquidez total da Azul atingiu R$ 7,9 bilhões, a maior desde a sua fundação em 2008.

Por fim, a dívida líquida atingiu R$ 12,3 bilhões (contra R$ 14,7 bilhões no 3T20). Apesar dos níveis de dívida líquida mais baixos, a alavancagem disparou de 11x para 46x.

Entretanto, nota-se que a métrica não é uma boa referência para a alavancagem, pois o EBITDA dos últimos 12 meses foi excepcionalmente baixo devido aos impactos da pandemia durante o ano.

Além disso, a equipe BTG Pactual destaca que a queima de caixa diária no 4T20 foi praticamente zero.

Impacto de itens não recorrentes

De acordo com o BTG Pactual, o EBITDA da Azul foi negativamente impactado por itens não recorrentes, na ordem de R$ 96 milhões.

Entre eles, estão: i) a (re)mensuração de passivos de arrendamento e ajustes impairments; ii) um ajuste em sua reserva de manutenção, em virtude da utilização de A330s em rotas domésticas para impulsionar as operações de carga e apoiar a recuperação da demanda de passageiros; e iii) outros custos associados à pandemia.

Perspectivas para os próximos anos

Conforme o relatório da Eleven, ressalta-se que os investidores devem ponderar alguns itens no que se refere à Azul.

O cronograma de amortizações de dívida (ex-aeronaves) atualizado até 28 de fevereiro de 2021 mostra vencimentos totais de apenas R$ 600 milhões para este ano.

Portanto, a equipe da Eleven acredita que a companhia tenha equacionado suas obrigações futuras no cenário atual de recuperação de voos.

O valuation da companhia, considerando um EBITDA normalizado em 2022, com desconto insuficiente frente ao histórico (-12%) para compensar o atual momento do setor, ainda com muitas incertezas, principalmente nos próximos meses.

Além disso, deve-se considerar o comprometimento com a geração de caixa dos próximos dois anos, com a amortização de arrendamentos e pagamento dos compromissos diferidos em 2020.

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EBITDA pressionado por menor utilização de capacidade

Conforme informa o BTG Pactual, o EBITDA reportado pela Azul ficou em R$ 97 milhões. O número revela queda de -51,2% e -92,1%, respectivamente, nas comparações de base trimestral e anual.

Nota-se que, excluindo o impacto de itens não recorrentes, o EBITDA ajustado foi de R$ 193 milhões.

De acordo com a Eleven, o EBITDA ajustado reflete a menor utilização de capacidade e o efeito de R$ 1,4 bilhão decorrente da valorização do Real (R$) sobre a dívida em moeda estrangeira, sendo a principal justificativa para o lucro líquido acima do esperado no período.

Lucro Líquido impulsionado por ganhos cambiais

Conforme o relatório do BTG Pactual, o lucro líquido reportado pela Azul no 4T20 foi de R$ 543 milhões. Esse resultado representa alta de +144% na comparação de base trimestral.

Nota-se que, no 3T20, a companhia havia reportado um prejuízo líquido de R$ 1,48 bilhões. Por sua vez, o resultado positivo do 4T20 é reflexo dos ganhos cambiais (+R$ 1,4 bilhão). Excluindo os resultados não realizados com derivativos e os ganhos cambiais, o prejuízo líquido teria sido de R$ 918 mihões.

Na comparação de base anual, o lucro líquido teve queda de -37,7%.

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Resultado Azul (AZUL4) para o 4T20: Recomendações

Recomendação do BTG Pactual

A equipe de análise do BTG Pactual considera que números fracos já eram esperados pela Azul (AZUL4) e acredita que os investidores não devem prestar atenção nos resultados do último trimestre. O foco deve ser na liquidez, na gestão de passivos e na capacidade de recuperação.

Assim, estabelece recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 47,00.

Recomendação da Eleven Financial Research

A equipe de análise da Eleven considera que a Azul (AZUL4) terá dificuldades para compensar o momento atual do setor, ainda com muitas incertezas devido à pandemia.

Assim, estabelece recomendação neutra, com preço-alvo em R$ 44,00.

Esta foi nossa apresentação da análise das equipes de Equity Research da Eleven Financial Research e do BTG Pactual sobre o resultado da Azul (AZUL4) para o 4T20. Acompanhe os conteúdos da Renova Invest para ter acesso a todas as análises de resultados trimestrais.

Disclaimer: As informações apresentadas neste artigo são provenientes de relatórios elaborados por terceiros. Esse material tem caráter puramente informativo, e não configura recomendação ou sugestão de investimento.